














A empresa, que é reconhecida como uma das maiores no segmento de cimento e agregados do país, buscou efetivar contratos na sua matriz, localizada na Fercal-DF, com empresas de reciclagem, como a cooperativa Recicle a Vida e as empresas Ecolimp, Zero Impacto e Lwart. A ação visa implementar com maior eficiência o armazenamento e o transporte dos resíduos sólidos gerados dentro da cimenteira.
Na Semana do Meio Ambiente – o dia 5 de junho foi instituído para o olhar diferenciado das ações ambientais no Brasil – a fábrica tem foco no que já foi realizado e na conscientização de seus colaboradores dentro e fora da cimenteira.
No relatório de 2019 pode-se verificar que foram recolhidas 10 toneladas de papelão, papel e plástico pela Recicle a Vida; sucata tecnológica para descarte especializado: 214 kg, pela Zero Impacto; óleo de cozinha usado para descarte especializado: 400 litros, pela Ecolimp; óleo lubrificante usado, enviado para rerrefino:41.970 litros, pela Lwart; sacaria de cimento para reciclagem: 45,73 toneladas, pela Recicle a Vida, com a logística do transporte implementada pelas empresas parceiras.
O armazenamento e acondicionamento são realizados dentro de uma área construída, na forma de galpão, nas instalações da fábrica. Para Maria Teixeira, gerente ambiental da Ciplan, “o momento é de avançar ainda mais na meta de consolidarmos a logística reversa. Um país gigante se faz com ações ambientais que mirem o futuro do planeta”.
Outra parceria firmada em 2019 foi com a ONG Pata na Tampa. O trabalho de conscientização com os colaboradores dentro da fábrica possibilita que, ao utilizar um refrigerante ou garrafa de água, as tampas dos mesmos possam ser armazenadas em um recipiente adequado para serem recolhidas pela ONG. A verba conseguida é destinada ao auxílio dos cães de ruas e abrigos para castração dos animais. “Exercitamos a logística reversa e ajudamos a causa animal. O meio ambiente é responsabilidade de todos nós”, garante Teixeira.
Em 2020, devido à Covid-19, todas as ações voltadas para a Semana Ambiental serão via on-line, com vídeos e links diários para os colaboradores com diversos temas ambientais: consumo consciente da água, energia elétrica, desperdício de alimentos, descarte de resíduos sólidos, a importância da separação dos orgânicos dos secos e várias dicas para incentivar a reciclagem.
Com a participação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quatro importantes entidades setoriais – ABCP (cimento portland), Abetre (tratamento de resíduos e efluentes), Abiogás (produção e aproveitamento do biogás) e Abrelpe (limpeza pública) – lançaram nesta terça-feira (02/06/2020), a FBRER (Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos), que tem como objetivo impulsionar a captação de energia a partir de rejeitos depositados em aterros sanitários. A assinatura do Acordo de Cooperação para Recuperação Energética de Resíduos foi firmada pelas entidades e o MMA em uma reunião virtual da qual participaram mais de 400 pessoas.
A iniciativa é um marco histórico para os esforços de destinação mais sustentável e ambientalmente adequada dos resíduos do Brasil. O acordo de cooperação buscará, entre outras iniciativas, coordenar esforços para a remoção de barreiras regulatórias que dificultam o aproveitamento mais intenso dos resíduos. Além disso, pretende viabilizar projetos para a recuperação energética de resíduos sólidos e promover sua integração ao mercado de energias limpas e renováveis. Isso será possível com a conjugação de esforços multissetoriais para o desenvolvimento de um trabalho institucional e de estudos técnicos, com propostas conjuntas de políticas públicas para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e das estratégias de recuperação energética dos resíduos orgânicos. O trabalho das entidades, juntamente com os esforços do governo e da sociedade, fará com que as soluções sejam colocadas em prática de maneira mais rápida e com a devida sustentabilidade ao longo do tempo.
O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, declarou que, após alguns meses de conversas, estava “extremamente satisfeito pelo lançamento da FBRER, que conjuga visões em comum entre quatro grandes associações com enorme abrangência em seus respectivos mercados no Brasil”. Ele lembrou que a indústria brasileira –referência internacional em emissões de CO2 (12% menos que a média global do setor) – lançou há um ano o Roadmap Tecnológico do Cimento 2020 / 2050, no qual as fábricas procuram formas de substituir o combustível fóssil, no caso, o coque de petróleo, por combustíveis renováveis – especialmente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), pauta deste acordo. E reafirmou a importância do coprocessamento, adotado desde os anos 90, responsável hoje por promover anualmente a destinação correta de 60 milhões de pneus, “o equivalente a 1,3 vezes o perímetro da Terra”, acrescentou.
Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe, afirmou que o país gera 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, conforme dados do panorama setorial 2018/2019, volume que poderia gerar 14,5 gigawatts-hora por ano de eletricidade – o que equivale a 3% do consumo nacional de energia elétrica.
Para Alessandro Gardemann, presidente da Abiogás, o potencial de aproveitamento alcança 5 bilhões de metros cúbicos de metano por ano. O setor possui cerca de 300 megawatts (MW) de potência instalada, mas essa capacidade poderia se multiplicar se houvesse a destinação adequada dos resíduos. No entanto, afirmou, “apenas 42% do lixo urbano coletado atualmente vai para locais adequados e podem ter algum tipo de processamento. O resto é depositado em lixões, que deveriam ter acabado em 2014, se a Política Nacional de Resíduos Sólidos tivesse sido seguida à risca”.
O investimento em aterros sanitários regionais e na recuperação energética podem eliminar desperdícios e fortalecer a economia circular, afirmou o presidente da Abetre, Luiz Gonzaga. “Com um ano de funcionamento, os aterros que substituirão esses depósitos de lixo a céu aberto estarão aptos a produzir metano e, com as usinas de biogás, podemos ter uma produção elétrica quase dez vezes superior à atual”.
Para Paulo Camillo, a recuperação energética de resíduos reduz passivos ambientais, apoia a geração de empregos e contribui com a saúde pública. No caso da indústria, especificamente, os resíduos podem substituir parte do combustível fóssil – e dolarizado – que alimenta a chama dos fornos, transformando argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). “Hoje, apenas 17% da energia térmica para essa finalidade vem de fontes alternativas ao coque”, observa o presidente da ABCP. “Utilizando o lixo, as companhias poderão substituir até 80% do combustível usado hoje no processo produtivo”, completou.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, considerou que o acordo de cooperação “é um passo significativo para o avanço da questão do resíduo sólido em âmbito nacional”. Ele elogiou as propostas de cada entidade e agradeceu diretamente à ABCP e ao seu presidente pela disposição de sempre colaborar para a solução de problemas. “Assim foi com o advento do óleo no Nordeste e agora com a substituição do coque de petróleo pelos resíduos, com o seu coprocessamento nas indústrias. Os clusters referentes a essa iniciativa são muito importantes para alavancarmos respostas concretas”, disse o ministro.
Assista à live de lançamento da FBRER.