Indústria do Cimento apresenta na Caixa desafios e soluções do coprocessamento

A indústria do cimento se reuniu na tarde da quinta-feira, 22/6, na sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília, com a Diretoria do FEP (Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos de Concessão e PPP), sob gestão da Caixa, e com a SPPI (Secretaria do Programa de Parcerias da Casa Civil), para realização do workshop “Indústria do Cimento: Tecnologia do Coprocessamento – Desafios e Soluções”.

O workshop visou ampliar o conhecimento sobre a atividade do coprocessamento de resíduos e buscar alianças, uma vez que o FEP atua na estruturação e no desenvolvimento de projetos de concessão e parcerias público-privadas voltados ao aperfeiçoamento do manejo do resíduos urbanos para consórcios municipais ou arranjos regionais já estabelecidos. Atualmente cerca de 15 projetos estão em carteira.

O encontro resultou no compromisso de assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU), para compartilhar conhecimento técnico e identificar sinergias atuais e futuras com base na localização das plantas industriais. O encontro também dá prosseguimento a uma série de reuniões com a ABCP e consagra entendimentos do agente financeiro em torno de projetos de gestão de resíduos com um parceiro de reconhecida competência e com capacidade de compartilhar conhecimento com os agentes públicos que lidam com o tema. “A reunião foi extremamente positiva e há boas perspectivas de retorno para o setor a médio prazo, à medida que os projetos forem sendo concluídos”, disse Daniel Mattos, head de Coprocessamento da ABCP.

MDIC e CNI promovem “diálogo” sobre mercado de carbono

Foto: Gilberto Sousa / CNI

Indústria estruturou proposta de modelo regulado de precificação de emissões de gases de efeito estufa que pode movimentar até R$ 128 bilhões em receitas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) sediou na terça-feira, 20, o “Diálogo: O Mercado Regulado de Carbono e a Competitividade Industrial”, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com a própria CNI. O evento contou com a presença do vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, do secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg, do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e de representantes da União Europeia, do Banco Mundial e de diversas associações setoriais, dentre elas ABCP e SNIC.

Durante o encontro, o vice-presidente Geraldo Alckmin reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o desenvolvimento sustentável e apontou, como um importante passo nessa direção, a regulação do mercado de carbono. Lembrou que “o governo federal reuniu mais de 15 ministérios para a elaboração de um projeto de mercado regulado de carbono para o país e que o texto final deve ser concluído nas próximas semanas”.

Também na abertura, o presidente da CNI, Robson de Andrade, ressaltou a posição da indústria como aliada na busca de soluções para os desafios da sustentabilidade. “A indústria tem um papel fundamental na consolidação de uma economia de baixo carbono que seja, ao mesmo tempo, dinâmica e inovadora. A participação ativa da indústria na estruturação e na gestão desse novo mercado ajudará o país a ter um sistema eficiente de comércio de emissões”, declarou.

No “Diálogo”, a CNI também lançou o documento “Proposta da Indústria para o Mercado Regulado de Carbono”, que apresenta contribuições para a construção de um Sistema de Comércio de Emissões no Brasil moderno, eficiente e que preserve a competitividade ambiental e econômica da indústria nacional.

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Dia Mundial do Meio Ambiente

Indústria brasileira do cimento é referência na redução de emissões dos gases de efeito estufa

Ações levaram o Brasil a se tornar um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho de 2023, sensibilizará toda a sociedade sobre a importância de se adotar práticas sustentáveis para promover a preservação do meio ambiente às futuras gerações. A indústria do cimento está fazendo sua parte, promovendo esforços significativos para reduzir o impacto causado pela atividade. As ações levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial entre os países com a menor emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo, tendo estado à frente desse indicador em mais de 20 dos 30 anos da série histórica.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

“A agenda de carbono é o maior e mais importante compromisso com o meio ambiente já firmado pela indústria do cimento. Tanto que, há 20 anos, os maiores grupos cimenteiros do mundo se uniram para criar o que é hoje considerado o maior banco de dados de emissões de uma atividade industrial no mundo. Atualmente, esse banco de dados é abastecido por 48 empresas cimenteiras atuantes no mundo todo, cobrindo cerca de 850 unidades industriais”

(Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e da ABCP)

Mas esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáticas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Diante desse cenário, o setor tem inovado com o uso de tecnologias como o coprocessamento de combustíveis alternativos nos fornos das cimenteiras para substituição de um insumo intensivo em carbono: coque de petróleo, combustível fóssil usado na queima do calcário para se obter o clínquer, a principal matéria-prima do cimento.

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP e SNIC.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais impróprios quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, destaca o dirigente.

Coprocessamento

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados. Ademais, colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. “Com a tecnologia de coprocessamento, atuamos na redução das emissões de CO2 através do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento”, destaca o presidente da ABCP/SNIC.

A atividade do coprocessamento atingiu sua melhor marca em 2021, desde o início das medições. Foram 2.408 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 44% de combustíveis alternativos, 48% a partir de biomassas e 8% de matérias-primas alternativas, segundo o Panorama do Coprocessamento 2022 (ano base 2021), divulgado pela ABCP. (Acesso aqui o estudo)

Já são 22.778 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2021, ou seja, resíduos que deixaram de ser destinados a aterros e que foram transformados em energia ou que substituíram matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. A tecnologia já é utilizada no Brasil há mais de 25 anos em todo território nacional, contribuindo para uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição em aterros.

 

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