Lixo é fonte de energia para a indústria do cimento

A indústria do cimento exerce papel importante em relação à destinação dos resíduos urbanos não passíveis de reciclagem, utilizados como fonte de energia térmica para a produção do cimento. Esse processo, chamado de coprocessamento evita, que o lixo seja disposto em aterro, contribuindo com aredução das emissões de CO2 da indústria, bem como do metano emitido no aterro, que é cerca de 25 vezes superior à do CO2.

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, os quais ainda representam cerca de 40% da destinação dos resíduos gerados no país.

A indústria colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento, o setor atua na redução das emissões de CO2, por meio do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente pela utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível fóssil utilizado no processo de fabricação de cimento.

Investimentos na ordem de R$ 3.5 bilhões estão previstos até 2030, compreendendo a implantação das unidades de preparo do CDRU e adequação das fábricas de cimento. Este montante será suficiente paraatingir o patamar de aproximadamente 2.5 milhões de toneladas de CDRU anualmente. Para melhor compreensão do impacto ambiental, tal volume, que corresponde a cerca de 300 mil caminhões compactadores, que não serão mais descarregados em aterro.

Os resultados são expressivos ao se avaliar que o percentual de utilização de combustíveis alternativos dentro da matriz energética do setor saltou de 9% para 26%, nos últimos 20 anos. Em termos absolutos, de 300 mil toneladas em 2000 para 2.5 milhões de toneladas de resíduos em 2021.

Esforços como esses levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial como um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

Em vez de lixo, energia e cimento

Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro
Por Lana Pinheiro

Ganhar dinheiro com lixo. Resumindo a grosso modo, a Votorantim Cimentos está provando que esse negócio não só é possível, como é rentável. Esse foi um dos motivos que fez a empresa, com receita líquida de R$ 25,8 bilhões no ano passado, decidir em 2019 transformar sua área de coprocessamento em unidade independente. Assim nasceu a Verdera cujo objetivo sob o comando do gerente geral, Eduardo Porciúncula, é vender soluções de gestão de resíduos ao mercado, de um lado, e atender a Votorantim Cimentos em seu processo de substituição térmica – troca de combustíveis fósseis por alternativos – de outro.

A meta é chegar a 53% de substituição até 2030, evolução importante sobre 2022, quando o índice foi de 26,5% na operação global e 31,3% no Brasil. Nesse processo pensado para viabilizar a produção de cimento neutro em emissão de CO2 em 2050, o petróleo é substituído por resíduos industriais e urbanos, pneus e biomassas. Neste último grupo, casos interessantes como o uso do caroço do açaí (na unidade do Pará) e de cascas de arroz (nas unidades de Centro-Oeste e Sul) em projetos em parceria com o Instituto Votorantim.

“É um processo sustentável que se adequa às realidades regionais, sendo também um importante instrumento de transformação social”, afirmou Porciuncula à DINHEIRO. A grande escala, porém, vem da gestão de resíduos gerados pela indústria e por centros urbanos. Entre os clientes dessa frente, grupos como Bosch, Boticário e Renault. Na ponta do coprocessamento, o serviço é exclusivo para a empresa mãe. “Nossa oferta é 100% absorvida intermanente”.

A entrega de matérias-primas para alimentar os fornos que já ultrapassa 1 milhão de toneladas deve aumentar como resultado de investimentos como os US$ 150 milhões que a Votorantim Cimentos está fazendo na unidade de Salto de Pirapora (SP). O financiamento, obtido junto ao International Finance Corporation (IFC), foi o primeiro do setor conectado a indicadores de sustentabilidade e será usado para aumentar o nível de substituição térmica da operação de 30% para 70%. E assim, o plano de Porciúncula é manter o ritmo de crescimento aquecido: 20% ao ano.

Fac-símile da reportagem

 

Cimento mantém queda de vendas no ano

A instabilidade da economia brasileira marcada por um prolongado cenário de juros elevados, mesmo com o anúncio da redução da taxa Selic pelo Banco Central em agosto, somada ao alto endividamento das famílias e queda dos lançamentos imobiliários, seguem travando o crescimento da atividade cimenteira.

Em julho, as vendas do produto registraram queda de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2022, atingindo 5,5 milhões de toneladas comercializadas – e no acumulado do ano, janeiro a julho, o recuo foi de 1,8%, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil nota-se uma retração de 0,5% sobre o mesmo mês do ano passado, ou seja, comercialização de 233 mil toneladas por dia em julho de 2023.

O setor segue afetado por fatores domésticos relevantes que ainda impactam em sua recuperação. A dificuldade no acesso ao crédito em meio a taxa de juros elevada e a morosidade com relação às regulamentações do Minha Casa Minha Vida impediu uma melhor evolução do número de unidades financiadas e de lançamentos imobiliários1.

Apesar disso, a confiança do consumidor² subiu em julho pelo terceiro mês consecutivo, atingindo o maior nível desde janeiro de 2019. O arrefecimento da inflação, a recuperação da renda e as expectativas do início do programa para renegociar dívidas – Desenrola – refletiram no resultado. Entretanto, o alto endividamento e inadimplência ainda são obstáculos para uma confiança mais robusta.

O indicador de confiança da construção3 segue otimista influenciado pelas novas regras do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Houve uma percepção positiva em relação à demanda no setor e consequentemente aumento na tendência de contratação de novos funcionários. No entanto, o indicador ainda não atingiu o patamar da neutralidade. Um dos pontos de dificuldade para uma melhora continuada da confiança é o acesso ao crédito.

Apesar do cenário econômico ainda incerto, as perspectivas do setor para os próximos meses são positivas. A aprovação do arcabouço fiscal, a tramitação da Reforma Tributária no Senado, a retomada de obras paradas e de infraestrutura, além do início do ciclo de redução da taxa de juros, são fatores que trazem maior segurança e previsibilidade ao setor, e consequentemente para a economia em 2023.

A indústria do cimento é uma das líderes da construção digital e inovação

A carência de investimentos em projetos transformadores que aumentem a produtividade das habitações e a vida útil das vias urbanas e rodoviárias – todos eles desenvolvidos sob a orientação de uma agenda ambiental rigorosa – estimulam o mercado a estudar, materializar e aplicar soluções inovadoras e econômicas, que atendam, cada dia de modo mais eficaz, as demandas sociais que ainda flagelam o país.

Como parte inteiramente interessada e integrada à cadeia produtiva da construção, a indústria cimenteira, por intermédio da ABCP e do SNIC, juntou esforços com a academia, braço indispensável para o aprofundamento técnico-científico de qualquer ação tecnológica, e estabeleceu em 2020 uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e, juntas, criaram o hubIC, hub de Inovação e Construção Digital, com laboratórios de ponta em pesquisa aplicada, instalados na sede da Associação.

A iniciativa – aberta a empresas, startups e outras universidades – já reuniu cerca de 31 players relevantes (batizados de hubickers, isto é, afiliados e sócios da iniciativa que, mensalmente, contribuem financeiramente), que têm trabalhado em soluções inovadoras e aplicáveis, que auxiliem, de modo célere, a transição do setor e da sociedade para uma economia digital e circular.

Ao promoverem soluções hardtech e pré-competitivas, os projetos têm como premissas básicas o desenvolvimento de inovações que apresentem: alta produtividade, qualidade e desempenho, baixa pegada ambiental e competitividade (considerando países em desenvolvimento). E toda essa ação – enfocada na engenharia de produto -, está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como os idealizadores, ABCP, SNIC e USP, possuem extensa experiencia em projetos de capacitação (educação contínua) e no emprego de plataformas digitais (que alavancam as mídias sociais), a difusão e disseminação dohubIC é significativamente ampliada. Isso, entre outras coisas, tem permitido com expressiva frequência, a realização de webinares (techtalks), que posteriormente integram o canal YouTube do hubIC.

Até fins de 2022, portanto em 2 anos, foram promovidos 12 eventos e 3 cursos, estes como foco em manufatura avançada e aditiva, que já reuniram cerca de 1.000 profissionais, sem contar as visitas guiadas que semanalmente são organizadas, para apresentar todo o projeto hubIC aos interessados, todas elas, sem exceção, completas e com lista de espera.

O hubIC tem intensificado suas atividades com novas frentes de trabalho que – além dos projetos inicialmente coordenados e que caminham para suas conclusões -, envolveram, a partir de 2023, o desenvolvimento de alternativas para vias de baixo tráfego com baixo custo e impacto ambiental, argamassas estabilizadas, descarbonização na autoconstrução e captura de carbono.

A navegação no site www.hubic.org.br e a participação nas visitas gratuitas, organizadas semanalmente, permitem o conhecimento mais aprofundado do hubIC, e consequentemente a percepção da importância do mesmo e, principalmente, da relevância em dele tomar parte, em especial por aqueles profissionais e empresas que atuam na cadeia de valor do cimento e produtiva da construção.

Indústria brasileira do cimento se reunirá em novembro

O setor cimenteiro do Brasil reconheceu, desde seu início de produção em 1924 e da constituição da ABCP, em 1936, que o estudo, a pesquisa, o uso de equipamentos modernos e a vigorosa informação e capacitação técnicas – seja no âmbito da produção como da aplicação do cimento -, contribuíam, de modo inequívoco, para que o Brasil e seus líderes, públicos e empresariais, contassem com uma cadeia produtiva de excelência na construção.

E como parte desse elenco de atividades também tomava parte a realização de edições do Congresso Brasileiro de Cimento (CBCi). E é exatamente por esse motivo que a 8ª edição ocorre de modo presencial, em novembro deste ano de 2023, na cidade de São Paulo, assumindo, mais uma vez, sua posição de principal e mais importante evento das cadeias de valor do cimento e da construção.

Enquanto as edições anteriores – a última em 2016 – estiveram mais voltadas à tecnologia de fabricação do cimento, desta vez o CBCi vai reunir – além de corpo técnico e de especialistas, nacionais e internacionais -, o poder público com suas autoridades e parlamentares, junto com economistas e lideranças empresariais de outros setores, também integrados à cadeia produtiva da construção.

Assim se ampliarão os debates e deliberações que interferem, inequivocadamente, na qualidade de vida da sociedade e no desenvolvimento socioeconômico do país, tratando de se buscar atender as necessidades habitacionais, de urbanização e de logística de transporte.

O Congresso destacará os novos e definitivos caminhos da cadeia produtiva da construção que passam impreterivelmente pelas reformas e políticas públicas que impactam todo o segmento, juntamente com temas como descarbonização, legislações e aspectos ambientais como a circularidade de resíduos e a redução da emissão de CO2, emprego de combustíveis alternativos, sustentabilidade, produtividade e inovação tecnológica na produção e aplicação do cimento e seus sistemas construtivos nas áreas habitacionais e de infraestrutura.

E tudo isso dentro do que hoje, corretamente, se denomina economia circular e segundo a constante preocupação do setor com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

São aguardados cerca de 250 congressistas, que poderão assistir a grandes e importantes especialistas internacionais, como Arnaud Pinatel (ex-BNP Paribas e hoje líder da On Field Research Investments, que será o keynote speaker da abertura do encontro, bem como a ministros e secretários de Estado do Brasil e renomados economistas brasileiros e internacionais, discorrerem sobre as necessidades atuais, futuras e mundiais do setor e do segmento da construção.

Como interessadas e patrocinadoras do Congresso, vinte importantes empresas já compõem parte da exposição que acontece nos dois dias do encontro, que também já conta com o apoio institucional de cerca de 40 destacadas entidades do segmento.

Mais informações e inscrições antecipadas, com significativo desconto, podem ser conferidas no site www.congressocimento.com.br.