Descarbonização, transição energética e inovações tecnológicas na agenda prioritária do setor da construção

De 6 a 8 de novembro, o Renaissance Hotel São Paulo foi palco da 8ª edição do Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi – principal evento das cadeias de valor do cimento e produtiva da construção.

Durante os três dias de Congresso, recebemos 430 participantes, 51 conferencistas, distribuídos entre 18 palestras e 7 mesas-redondas, além de especialistas internacionais, autoridades e lideranças empresariais de setores integrados à cadeia produtiva da construção.

Foram mais de 30 horas de uma experiência enriquecedora com muita troca, interação e network. Contamos com o apoio institucional de mais de 40 empresas e entidades setoriais e 30 patrocinadores que acreditaram na retomada de um dos principais eventos do setor.

Durante o Congresso, foram debatidos os novos e definitivos caminhos da cadeia produtiva da construção que passam impreterivelmente pelas reformas e políticas públicas que impactam todo o segmento e por temas como descarbonização, legislações e aspectos ambientais como a circularidade de resíduos e a redução da emissão de CO2, emprego de combustíveis alternativos, sustentabilidade, produtividade e inovação tecnológica na produção, além da aplicação do cimento e seus sistemas construtivos nas áreas habitacionais, de urbanização, de logística de transporte relacionadas a infraestrutura nacional.

Um importante marco do CBCi foi o lançamento das bases do Roadmap Net Zero para acelerar a transição rumo a uma economia neutra em carbono no Brasil até 2050.

Ainda na agenda ambiental, o Congresso apresentou o Panorama do Coprocessamento 2023 (ano base 2022), no qual celebramos a melhor marca desde o início das medições. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período.

Importante ainda destacarmos os avanços tecnológicos na habitação brasileira e como eles desempenham um papel fundamental na promoção da inovação e no desenvolvimento do setor da construção, amplamente debatida pelos principais especialistas do mercado durante o CBCI.

O Congresso trouxe à pauta ainda os investimentos em rodovias e o papel do concreto, investimentos na malha ferroviária, políticas públicas, regulamentações, programas de financiamento e a adoção de práticas mais modernas para o desenvolvimento da infraestrutura do país.

A busca por soluções integradas que abordem as necessidades da população, promovam a justiça social e a inclusão, ao mesmo tempo em que reduzam os impactos ambientais negativos também tiveram seu destaque.

Todos esses temas consolidaram o Congresso Brasileiro do Cimento, com principal evento das cadeias de valor do cimento e produtiva da construção. Temos orgulho de nossa trajetória e ao mesmo tempo a clareza de nossa responsabilidade pelo futuro, tratando de temas relevantes e dos novos caminhos da indústria e a favor do crescimento sustentável e do desenvolvimento econômico e social do país.

Que venha a próxima edição, em 2025!

Vendas de cimento caem 2,3% em outubro

Em outubro, a venda de cimento no país recuou 2,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, para 5,3 milhões de toneladas, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic).

O despacho por dia útil no mês passado foi de 228,6 mil toneladas, volume 4,2% inferior ao registrado há um ano.

No acumulado de 10 meses, foram comercializadas 52,1 milhões de toneladas do material, recuo de 2,1% ante o mesmo período de 2022. Já a venda acumulada em 12 meses, no mercado interno, caiu 2% em relação ao intervalo anterior, para 61,7 milhões de toneladas de cimento.

A taxa de juros elevada durante todo o ano, muito embora tenha registrado cortes desde agosto, afetaram negativamente o consumo das famílias e o financiamento de imóveis. O endividamento da população continua em nível elevado (47,8%). A renda e a massa salarial real apresentaram crescimento, porém o rendimento dos trabalhadores ainda está estagnado, desde 2019.

Por outro lado, o Marco Legal das Garantias sancionado pelo governo, deve estimular o crédito imobiliário e reduzir juros ao permitir que um bem seja usado para assegurar mais de um empréstimo. Além disso, o STF autorizou bancos e instituições financeiras a retomarem imóveis financiados, em caso de inadimplência, sem precisar acionar o Judiciário. As novas regras trazem alterações que podem contribuir para a redução dos custos de operações financeiras, propiciando mais previsibilidade nos processos extrajudiciais e, por consequência mais segurança ao mercado.

Coprocessamento de cimento feito com fontes renováveis atinge maior nível histórico

A indústria cimenteira alcançou em 2022 o maior nível de coprocessamento da sua história. A atividade é a principal responsável pela transição energética no setor e permitiu que cerca de 2,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) deixassem de ser despejados na atmosfera.

O resultado foi revelado pelo Panorama do Coprocessamento 2023, que será divulgado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi), que acontece nesta terça-feira, 07.

De acordo com a entidade, foram processados 3,035 milhões de toneladas de resíduos, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassa, além de 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética e antecipou a meta prevista para 2026. O panorama também mostra que, no total, 25,813 milhões de toneladas de resíduos já foram inseridos no coprocessamento desde 1999 a 2022.

O processo acontece nos fornos de cimento e permitem que resíduos deixem de ser destinados a aterros, uma vez que eles são transformados em energia ou podem substituir matérias-primas utilizadas na indústria do cimento. A atividade ajuda na preservação de recursos naturais.

Diferentes insumos são utilizados durante o coprocessamento, como pneus usados, resíduos da agroindústria (palha de arroz, casca de babaçu e caroço de açaí), além de materiais sólidos urbanos, que inclui o lixo doméstico. Apenas em pneus, foram aproveitados 68 milhões de unidades em 2022, o equivalente a 340 mil toneladas.

Com o coprocessamento, o setor consegue avançar na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento.

Fonte: Agência Estado – Broadcast / Jorge Barbosa