Panorama do Coprocessamento – Brasil 2024 (Ano base 2023)

O Panorama do Coprocessamento – Brasil 2024 (Ano base 2023), publicado pela ABCP, reflete a abrangência da atividade de coprocessamento no país, a distribuição participativa dos tipos de resíduos coprocessados, a redução do impacto ambiental que essa solução gera e os volumes coprocessados pela indústria do cimento em 2023.

No link abaixo, é possível acessar gratuitamente o conteúdo da publicação:

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Veja também as edições 2015, 2016, 2017, 2019, 2020, 2021 e 2023 do relatório:

  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2023 (arquivo PDF)
  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2022 (arquivo PDF)
  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2021 (arquivo PDF 4,7 Mb)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2020 (arquivo PDF 10 Mb)
  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2019 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2019 (arquivo PDF 9 Mb)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2017 (arquivo PDF 6 Mb)
  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2016 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2016 (arquivo PDF 21,4 Mb)
  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2015 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2015 (arquivo PDF 6,4 Mb)

Destinação sustentável do lixo ainda é um enorme desafio no Brasil

O total de lixo produzido no Brasil já atingiu a marca de 80 milhões de toneladas, o que dá, em média, 382 quilos de resíduos descartados por pessoa no país durante o ano. No entanto, em 2023, apenas 58,5% dos resíduos sólidos urbanos gerados foram encaminhados para destinação ambientalmente adequada.

Os dados do “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024”, divulgado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), chamam a atenção para soluções capazes de transformar o problema dos resíduos em oportunidade de geração de energia.

De acordo com o estudo, 41,5% do que foi descartado pelos brasileiros e encaminhado para disposição final tiveram destinação inadequada, como os lixões, que receberam 35,5% dos resíduos gerados no país, ocasionando graves prejuízos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população.

A indústria brasileira do cimento está empenhada em contribuir com uma destinação mais sustentável do lixo. Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, recém publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento e deverá representar quase 35% da energia do setor até 2050.

A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% resíduos (pneus inservíveis, perigosos e urbano).

Diante desse cenário, a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras, representa uma grande oportunidade para o setor cimenteiro e para a sociedade como um todo. Trata-se de um substituto energético do coque de petróleo, utilizado como combustível para a fabricação de cimento, que traz inúmeros benefícios ambientais e sociais.

Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública.

A partir de uma forte atuação regional, a indústria do cimento está acelerando cada vez mais o desenvolvimento de CDRU no Brasil para fins de coprocessamento, seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Neste sentido é possível citar o trabalho realizado na Região Metropolitana de Curitiba, cujos rejeitos da coleta seletiva gerados pelas cooperativas de reciclagem (formalizadas) são agora destinados às fábricas de cimento da região.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte existe ainda projeto em curso, por meio da parceria com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), no âmbito do Programa Euroclima+, financiado pela União Europeia. O objetivo é promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e resiliente na América Latina, tendo como estruturador do projeto a agência alemã GIZ.

No entanto, é necessário avançar ainda mais nessa agenda para que se cumpram as políticas públicas, e principalmente faltam incentivos necessários para impulsionar o descarte adequado e o aumento da reciclagem no país.

Vendas de cimento acumulam crescimento em novembro

As vendas de cimento registraram ligeira queda de 0,3% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2023, totalizando 5,4 milhões de toneladas. No acumulado do ano (janeiro a novembro), os números foram positivos, alcançando 60 milhões de toneladas, aumento de 4,0% comparado a igual período do ano passado.

Ao se analisar a comercialização por dia útil em novembro, de 255 mil toneladas, as vendas também são crescentes, com acréscimo de 5,5% sobre outubro deste ano e de 4,6% ante novembro de 2023. O desempenho é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica.

O aquecimento do mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão no terceiro trimestre, puxado pelo desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, responsável por 50% dos lançamentos e 44% das vendas no período. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguem em alta.

No entanto, apesar de o Brasil ter atingido o menor nível de desemprego da história em outubro, de acordo com o IBGE, o setor da construção civil vem encontrando dificuldade em preencher as vagas disponíveis. A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação têm elevado salários, pressionado a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do INCC. Somados com o novo ciclo expansionista da Selic, a confiança da construção caiu em novembro para o menor nível desde abril deste ano.

Na mesma direção, a confiança da indústria também recuou pela terceira vez consecutiva em novembro, registrando a quarta queda do ano, devido à piora tanto na percepção do setor sobre a situação atual quanto nas expectativas para os próximos meses, influenciada pelo novo ciclo de alta na taxa de juros e pela questão fiscal.

A Selic em elevação aumenta a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado imobiliário.

Com os recursos disponíveis para o financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo cada vez mais restritos, acende a necessidade de ampliar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, gerando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento de custos de produção, principalmente do coque de petróleo, fonte essencial para geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão dos preços do cimento, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. Nesse sentido, o setor tem investido e ampliado fortemente as tecnologias, como o coprocessamento de resíduos. A atividade, responsável pela transição energética, substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Em 2022, o coprocessamento alcançou 30% de participação na matriz energética do setor, antecipando a meta prevista para 2025, o que mostra a disposição da indústria em avançar cada vez mais nessa agenda. Foram mais de 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, a maior marca da série histórica. A tecnologia evitou a emissão de quase 3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

ABCP LAB: referência técnica para a cadeia produtiva do cimento

Pioneiro a realizar análises para toda a cadeia do setor cimenteiro, atendendo desde empresas fabricantes até o mercado consumidor, o Laboratório da ABCP também se consolidou como referência técnica na normalização do cimento, concreto e sistemas construtivos à base de cimento comercializados no País. É protagonista no desenvolvimento, revisão e implementação de normas técnicas, que promovem a qualidade e a durabilidade das estruturas, e também o bom desempenho e o uso racional do cimento.

Nesse sentido, acompanhou de perto a expansão da atividade industrial no País, tendo sido responsável pela criação das primeiras Normas Técnicas Brasileiras (NBRs), que foram as de cimento e concreto. Desde então, desenvolve estudos e pesquisas técnicas voltados à normalização e sedia o ABNT/CB-018 Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que vem apresentando avanços significativos em publicações e projetos.

O Laboratório da ABCP atende suas demandas fazendo uso das mais modernas técnicas analíticas para controle da qualidade e desenvolvimento de produtos, investigação e prevenção de manifestações patológicas em estruturas de concreto, além da elaboração de laudos técnicos com recomendações de boas práticas da engenharia do concreto. Só em 2023 foram emitidos quase 10 mil laudos para clientes.

As instalações, recentemente ampliadas, oferecem suporte à indústria do cimento em uma grande variedade de questões, entre as quais destacam-se: caracterização de matérias-primas e clínqueres, análises ambientais e desempenho de adições ativas, entre outros temas.

A ABCP realiza em suas instalações mais de 600 diferentes ensaios, grande parte deles acreditados pelo INMETRO e que seguem rigorosamente as normas nacionais e/ou estrangeiras. Todas essas atividades contam com um time de 44 especialistas experientes.

O Laboratório da ABCP começou a funcionar em 1940 com equipamentos importados e hoje é um dos mais modernos e renomados do País na área de construção civil, prestando serviços a empresas de todo o setor. A sua história acompanha o desenvolvimento da indústria nacional e coleciona trabalhos pioneiros em química, mineralogia e estudos do cimento e do concreto.

Ele é referência no Programa Setorial de Qualidade do PBQP-H e coordena o Selo da Qualidade ABCP para cimento e blocos de concreto. Para garantir a qualidade de seus serviços, integra a Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios e a Rede Brasileira de Calibração, possuindo Certificações ISO 9001 e Inmetro.

Há quatro anos sedia o hubIC, o primeiro e único hub do País focado em inovação hard tech e construção digital, fruto do acordo de cooperação técnica da ABCP/SNIC com a Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Politécnica (Poli). Desde então, para atender aos projetos de pesquisa e inovação de interesse dos parceiros, o Laboratório da Associação passou por uma grande transformação, visando a incorporação de um laboratório de  impressão 3D e espaço de coworking.

O ABCP LAB está de portas abertas para atender às necessidades de toda a cadeia da construção civil, por mais específicas que sejam. Para quem ainda não conhece o Laboratório, agende uma visita.