Um balanço do maior evento da indústria brasileira do cimento  

Com mais de 1,1 mil participantes, 9º CBCi mostra liderança da indústria do cimento em temas vitais para a sustentabilidade

O 9º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi, promovido pela ABCP e pelo SNIC, deve entrar para a história como o maior e melhor evento da indústria brasileira do cimento até o momento. Realizado no Golden Hall WTC São Paulo, reuniu durante três dias (30 de junho a 2 de julho de 2025) mais de 1.100 pessoas e cerca de 100 palestras e apresentações sobre os principais temas que orientam o setor, como descarbonização, transição energética, infraestrutura e inovações tecnológicas. O 9º CBCi teve a companhia da Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025, igualmente relevante, com mais de 50 expositores da cadeia produtiva do cimento, e do II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025).

Mas os números exitosos explicam apenas em parte o sucesso do evento. O grande destaque foi o conteúdo apresentado sobre as iniciativas, o papel e as perspectivas da indústria nacional frente à necessidade de mitigação da pegada de carbono do setor (e também da construção civil), justamente no ano em que o Brasil sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, em Belém-PA. Em meio a estudos e análises consistentes, apresentados por especialistas nos temas, o evento trouxe ao final uma iniciativa inédita: uma mesa-redonda de CEOs sobre assuntos que afetam o setor: reformas e políticas públicas, inovação tecnológica, perspectivas de mercado e aspectos ambientais. Na verdade, um bate-papo descontraído raramente compartilhado com o público.

 

Descarbonização e crescimento econômico

Na abertura do evento, o Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna, deu o tom do que seria o encontro, destacando a contribuição da indústria brasileira de cimento diante das mudanças climáticas e as soluções sustentáveis desenvolvidas por ela nas últimas décadas.

“É nesse cenário que a indústria brasileira do cimento se apresenta, não como um problema, mas como parte essencial da solução. Há muitos anos assumimos com seriedade e compromisso nosso papel diante da agenda global. Atuamos com responsabilidade ambiental, social e econômica. Fomos pioneiros e seguimos como referência internacional em descarbonização. Desde 1990 temos uma das menores pegadas de carbono do mundo. Tratamos com rigor técnico e visão estratégica temas como combustíveis alternativos, adições ao cimento, matérias-primas substitutas do clínquer, eficiência energética e soluções de captura, estocagem e uso de carbono, sejam elas tecnológicas ou baseadas na natureza. Essa trajetória nos orgulha, mas também nos impõe continuar avançando”, destacou o dirigente.

No início do Congresso, importantes lideranças, como o Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o Presidente da Global Cement and Concrete Association (GCCA), Thomas Guillot, o deputado federal Rodrigo Rollemberg e o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, analisaram as necessidades e a contribuição da indústria nacional para um mundo ecoeficiente.

“O desenvolvimento socioeconômico do país depende de uma indústria forte, uma vez que ela responde pela infraestrutura e o cimento é transversal”, disse Ricardo Alban (CNI), que anunciou o Sistema Business COP (SB COP), iniciativa da CNI que visa mobilizar o setor empresarial para a COP30. O objetivo é estruturar uma representação empresarial internacional, semelhante ao que ocorre no G20 e no BRICS, para garantir que as contribuições do setor privado sejam consideradas nas decisões da COP30 e de conferências futuras. “Queremos mostrar cases, para transformar a COP em uma vitrine de bons exemplos”, disse, referindo-se às iniciativas do cimento. Os esforços da indústria também foram reconhecidos pelo embaixador André Côrrea do Lago, presidente da COP30, em depoimento exibido em vídeo, na abertura do evento.

Maior autoridade no assunto, o Presidente da GCCA, Thomas Guillot, destacou as perspectivas nacionais para alcançar a neutralidade climática. “A indústria brasileira é referência nessa agenda, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética”.

Mais recentemente, a indústria participou da histórica aprovação do Marco Legal do Mercado de Carbono no Brasil, instituindo o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, e agora trabalha na sua regulamentação. Em paralelo, atua ativamente, junto ao governo federal, na definição das metas setoriais de descarbonização e de crescimento econômico que integram o Plano Clima. A indústria tem sido presença constante e propositiva nos debates sobre transição energética, bioeconomia, descarbonização e neutralidade climática. Na Missão 5 da Nova Indústria Brasil, que aborda esses temas, levou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) uma pauta concreta, construída em parceria com a indústria energointensiva.

 

O setor se movimenta

Sob moderação de Gonzalo Visedo, Head de Sustentabilidade do SNIC, executivos da Votorantim, Nacional (Grupo Buzzi, anunciado no evento), Ciplan, Apodi e InterCement expuseram em uma mesa-redonda as diversas iniciativas tomadas por suas empresas ao longo das últimas décadas (e também agora), visando a transição energética e a descarbonização.

Em outro painel, foram debatidos os instrumentos de descarbonização industrial dentro da Estratégia Climática Brasileira. Aloisio Melo, Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério de Meio Ambiente (MMA), reconheceu a expertise e o esforço do setor e anunciou a perspectiva de créditos internacionais da ordem de 500 bilhões de dólares para projetos voltados à mudança climática, 4,5% desses recursos para a América Latina.

O coprocessamento de resíduos e biomassas em fornos de cimento tem sido um importante pilar da estratégia de descarbonização (já que substitui parte do combustível fóssil) e de solução sustentável na gestão de resíduos urbanos e industriais, por eliminar esse passivo ambiental. Daniel Mattos, Head de Coprocessamento da ABCP, trouxe números do “Panorama do Coprocessamento 2024″, publicado pela ABCP, para mostrar que, em 2023, pelo menos 29 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), de um total de 81 milhões de toneladas geradas, tiveram destinação inadequada e 5 milhões de toneladas sequer foram coletadas. Nesse mesmo ano, a indústria cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos, evitando a emissão e o lançamento de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, o que ocorreria se fosse usado o coque de petróleo como combustível.

 

Gestão de resíduos

Diante de sua importância, o coprocessamento foi tema de mesas-redondas, que trouxeram experiências concretas de seus benefícios. Anicia Pio, Gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIESP, e Cristiano Kenji Iwai, Subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento do Governo do Estado de São Paulo, destacaram a necessidade de promover a economia circular. “A destinação dos resíduos é adequada, mas linear. É preciso viabilizar novas rotas tecnológicas para fortalecer a economia circular”, disse Kenji. Ele anunciou a revisão do programa de resíduos do Estado de São Paulo, um plano de combate ao lixo no mar e a ampliação da logística reversa a outros atores da cadeia produtiva, antes restrita a embalagens.

Em outro painel, Rosamaria Milléo Costa, Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, João Audi, VP Economia Circular da Orizon, Anderson do Carmo Diniz, Subsecretário de Saneamento de Minas Gerais, e Pedro Coelho Teixeira Cavalcanti, auditor de Controle Externo do TCE-PE, debateram situações concretas em que o coprocessamento é instrumento de gestão de resíduos urbanos. A autarquia dirigida por Rosamaria Milléo reúne 26 municípios da região de Curitiba, coleta resíduos de 3,4 milhões de habitantes e tem a ABCP como parceira desde 2018.

O auditor Pedro Coelho lembrou que em Pernambuco cerca de 80% dos resíduos são destinados a aterros privados, restando buscar mais qualidade para o tratamento do material restante. O caminho pode estar no modelo da Orizon. Segundo o VP João Audi, a empresa possui 17 ecoparques e seu propósito é obter um aproveitamento completo dos resíduos. Situação bem diversa de Minas Gerais, onde ainda existem 222 municípios com lixões, segundo o subsecretário Anderson Diniz.

Todos concordam que o maior desafio é encontrar a sustentabilidade financeira das estruturas de coleta e tratamento, o que requer instrumentos fiscais e econômicos adequados e leis mais assertivas, principalmente nos níveis estadual e municipal. Uma mesa-redonda sobre o tema reuniu, no ultimo dia, representantes das principais empresas de tratamento de resíduos ou envolvidos com a atividade: Renova, Verdera (Votorantim Cimentos), Revalora (CSN Cimentos), Cimento Nacional e Orizon.

 

Infraestrutura

O último dia do congresso foi dedicado à infraestrutura e às cidades. Em relação ao primeiro tema, o Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, fez um diagnóstico da infraestrutura brasileira, apontando como problemas o esvaziamento das agências reguladoras e do Ibama, responsável pelo licenciamento de projetos. Por outro lado, identificou que o setor possui novas fontes de financiamento, como o mercado de capitais, fontes externas e o incremento dos recursos do BNDES, na casa dos 250 bilhões de reais.

A atratividade do setor a novos investimentos foi reforçada pelo Diretor de Engenharia do grupo Motiva, Angelo Lodi, que espera para breve o anúncio de 190 bilhões de reais em leilões para a pavimentação de 16 mil quilômetros de vias. A empresa detém a concessão de 4.475 km de rodovias em seis estados, além de negócios nas áreas ferroviária e aeroportuária.

O Diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, mostrou-se otimista com a recuperação da capacidade de investimento do órgão nos últimos dois anos e confirmou o avanço do pavimento de concreto na malha federal, presente hoje em 4,5% das rodovias e com potencial para alcançar 10% em breve. O órgão já trabalha com o prazo de projeto de 30 anos, o que mostra a alta competitividade do pavimento de concreto, tanto técnica como economicamente.

 

Cidades

Entre as apresentações feitas no último dia do CBCi, a palestra do Diretor-presidente do Instituto Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, chamou a atenção pelo volume de dados que permitem uma ampla visão dos municípios brasileiros. A entidade acompanha, por meio de mais de 100 indicadores, as desigualdades existentes dentro das próprias cidades, que afetam seu desenvolvimento e sustentabilidade.

A indústria do cimento possui várias soluções voltadas à sustentabilidade das cidades e algumas delas foram mostradas por Klecios Vieira, gestor das obras do Programa de Gestão de Risco Climático do bairro Novo Caximba, de Curitiba-PR, o maior projeto socioambiental do município, financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

 

Inovação

O papel da inovação na mitigação climática foi tema das apresentações dos professores da Escola Politécnica da USP Vanderley John e Rafael Pileggi, que também integram o Laboratório de Construção Digital do projeto hubIC, em parceria com ABCP e SNIC. Ambos trouxeram visões sobre a importância da tecnologia para que a construção civil possa fazer frente à emergência climática. “Os efeitos da mudança climática não vão mudar, ao contrário, vão se agravar”, diz Vanderley John, acrescentando que o mercado de carbono pode ser um indutor da inovação. O Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, reforçou a necessidade de governo e iniciativa privada trabalharem juntos e de forma estruturada.

 

A última palavra

O 9º CBCi reservou uma surpresa para o fechamento do evento. No último bloco, em painel mediado pelo Presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camillo Penna, CEOs de grandes cimenteiras brasileiras formaram uma mesa-redonda para debater os temas cruciais do setor. Estavam presentes os CEOs Alexander Capela Andras (Cimento Itambé), José Eduardo Ferreira Ramos (Cimento Nacional), Sérgio Bautz (Ciplan Cimento Planalto) e Roberto de Oliveira (Mizu Cimentos), e Álvaro Lorenz, Diretor Global de Sustentabilidade da Votorantim Cimentos. Os executivos debateram temas como os ciclos de crescimento e retração do mercado, confiança no futuro do país, consumo do cimento, inovação tecnológica na forma de construir, compartilhamento de experiências, qualidade de máquinas e equipamentos, passando pelos aspectos ambientais. O 9º CBCi foi encerrado com um comunicado do Presidente da ABCP/SNIC: em 2026 a indústria nacional do cimento celebra o seus centenário e a ABCPO, 90 anos de fundação; em 2027 ocorre o 10º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi.

Descarbonização, transição energética e inovações tecnológicas pautam o principal evento do setor do cimento

O 9º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi e a primeira edição da Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025 foram encerrados nesta quarta-feira (2) com resultados expressivos, tanto em público quanto na área de exposição. Durante três dias, o Golden Hall WTC São Paulo foi palco do maior evento da indústria brasileira de cimento, com a participação de mais de 1.100 pessoas, que puderam conferir uma programação com cerca de 100 palestras e apresentações do que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e também para as organizações que aplicam sistemas cimentícios.

O evento foi aberto com pronunciamento do Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna. Em seu discurso, o dirigente destacou o momento da indústria brasileira de cimento diante das mudanças climáticas, no ano em que o país sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – COP30.

“É nesse cenário que a indústria brasileira do cimento se apresenta, não como um problema, mas como parte essencial da solução. Há muitos anos assumimos com seriedade e compromisso nosso papel diante da agenda global. Atuamos com responsabilidade ambiental, social e econômica. Fomos pioneiros e seguimos como referência internacional em descarbonização. Desde 1990 temos uma das menores pegadas de carbono do mundo. Tratamos com rigor técnico e visão estratégica temas como combustíveis alternativos, adições ao cimento, matérias-primas substitutas do clínquer, eficiência energética e soluções de captura, estocagem e uso de carbono, sejam elas tecnológicas ou baseadas na natureza. Essa trajetória nos orgulha, mas também nos impõe continuar avançando”, destacou o dirigente.

Na abertura do Congresso, importantes especialistas internacionais, como o Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o Presidente da Global Cement and Concrete Association (GCCA), Thomas Guillot, o Deputado Federal Rodrigo Rollemberg e o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, analisaram as necessidades atuais, futuras e mundiais da indústria brasileira do cimento e seu papel transformador para um mundo ecoeficiente.

 

COP30

No ano em que Brasil será o centro das atenções na agenda ambiental ao sediar a COP30, o setor cimenteiro é referência internacional em descarbonização. Os esforços da indústria foram reconhecidos pelo presidente da COP30, embaixador André Côrrea do Lago, em depoimento exibido durante a abertura do evento.

“É um setor que no mundo inteiro é reconhecido pela dificuldade em reduzir as emissões, mas é impressionante o que já vem acontecendo, graças a vários esforços feitos e que estão se tornando referência, não só na América Latina, mas também no mundo. A indústria também é referência pelo Roadmap de Descarbonização. Todas essas iniciativas serão muito importantes de serem divulgadas durante a agenda em Belém”, afirmou Lago.

 

Transição energética e descarbonização

No segundo dia do evento, as principais autoridades, lideranças e especialistas nacionais e internacionais debateram as expectativas, tendências e posicionamentos da COP30, os instrumentos de descarbonização industrial dentro da Estratégia Climática Brasileira e as principais iniciativas da indústria.

Participaram dos debates os principais nomes da política climática em desenvolvimento pelo Governo Federal, como o deputado federal Rodrigo Rollemberg e o Secretário Nacional de Mudança do Clima (MMA), Aloisio Melo.

As perspectivas da indústria do cimento para alcançar a neutralidade climática foi apresentada pela maior autoridade do assunto, o presidente da Global Cement and Concrete Association (GCCA), Thomas Guillot. “A indústria brasileira do cimento é referência nessa agenda, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética. O setor está trabalhando junto ao governo na elaboração de metas setoriais contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país”, disse o presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camillo Penna.

 

Coprocessamento

Ainda no segundo dia do no 9º CBCi, a tecnologia de coprocessamento como solução sustentável na gestão de resíduos urbanos foi tema de mesas-redondas, que contaram com a participação de Rosamaria Milléo Costa, Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, João Audi, VP Economia Circular da Orizon, Anderson do Carmo Diniz, Subsecretário de Saneamento de Minas Gerais, e de Pedro Coelho Teixeira Cavalcanti, Auditor de Controle Externo do TCE-PE, entre outros.

O coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais (e também biomassa), em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível fóssil que alimenta a chama do forno – responsável por transformar argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento).

Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, nesse mesmo ano a tecnologia evitou a emissão e lançamento de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, o que ocorreria se fosse usado o coque de petróleo como combustível.

 

Infraestrutura

No último dia, a programação teve como tema “O cimento como agente de transformação da infraestrutura e Inovação”, com palestras sobre diagnóstico da infraestrutura brasileira – problemas e oportunidades, com o Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, o Diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, o Presidente da CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Renato Correia, e o CEO da Motiva, Miguel Setas. 

Diante dos desafios climáticos e da necessidade de infraestrutura viária mais durável e sustentável, o pavimento de concreto vem se consolidando como uma solução técnica e economicamente vantajosa. Além de apresentar um custo de construção competitivo, sendo em muitos casos mais barato que soluções convencionais de pavimentação, sua vida útil é significativamente superior, reduzindo a necessidade de manutenção frequente e os custos associados ao longo do tempo.

Durante seu discurso, o presidente da ABPC/SNIC apontou o avanço no Brasil do pavimento rodoviário de concreto, tendo-se atingido o maior volume histórico já registrado, “566 mil toneladas de cimento em 30 projetos convertidos. O pavimento de concreto está presente em 4,5% das rodovias federais e projeções apontam que esse percentual deve subir em breve para 10%”.

Segundo ele, a indústria cimenteira também ajudou a modernizar o setor industrial que utiliza o cimento como matéria-prima, fortalecendo orientações de gestão, tecnologia, qualidade, inovação, produtos e processos. “E ainda contribuímos para inserir essas empresas no debate ambiental com o apoio para sua inclusão na agenda ambiental. Inovação também é palavra de ordem. Seguimos desenvolvendo projetos do Hub da Inovação na Construção, o hubIC, em parceria com a Universidade de São Paulo, com destaque para três projetos em andamento, dois deles financiados pela Embrapii”.

 

Impacto das mudanças climáticas

O ano de 2024 foi considerado o mais quente da história com cerca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A onda de calor intenso enfrentada por diversas cidades brasileiras tem desafiado os administradores públicos diante das consequências das mudanças climáticas.

Ainda no último dia do evento, o 9º CBCi contou com palestras do Diretor-presidente do Instituto Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, e de Klecios Vieira, gestor das obras do Programa de Gestão de Risco Climático do bairro Novo Caximba, de Curitiba-PR, o maior projeto socioambiental do município, financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O papel da inovação na mitigação climática foi tema do painel que contou com a participação do professor titular da Escola Politécnica da USP, Vanderley John, do Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, e do Diretor Regional de Vendas da Sinoma CBMI Américas, Paulo Marcos Penna de Sena Orsini.

A programação teve ainda painel sobre Mitigação de CO₂ na prática, com Mayara Regina Munaro, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), de diretores do DER/PR, e do professor titular da Escola Politécnica da USP, Rafael Pileggi (que também é um dos responsáveis pela implementação do Laboratório de Construção Digital do projeto hubIC).  

 

CEOs de grandes cimenteiras brasileiras debatem os temas cruciais do setor

Presidentes de grandes cimenteiras brasileiras estiveram presentes no último debate do 9º CBCi, no dia 2 de julho de 2025, em painel mediado pelo Presidente da ABCP/SNIC), Paulo Camillo Penna. Entre os presentes, o CEO da Cimento Itambé, Alexander Capela Andras, o CEO da Cimento Nacional, José Eduardo Ferreira Ramos, o CEO da Ciplan Cimento Planalto S/A, Sérgio Bautz, o CEO da Mizu Cimentos, Roberto de Oliveira, e o Diretor Global de Sustentabilidade da Votorantim Cimentos, Álvaro Lorenz.

Os executivos debateram os principais temas que abrangem o setor – desde as reformas e políticas públicas que impactam a atividade até a inovação tecnológica na produção e aplicação do cimento Portland e dos sistemas construtivos que fazem uso dele, passando pelas perspectivas de mercado e aspectos ambientais.

O 9º CBCi foi encerrado com um convite pelo Presidente da ABCP/SNIC: a celebração, em 2026, do centenário da indústria nacional do cimento, e a participação de todos os presentes, em 2027, do 10º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi.

ExpoCimento

A Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025 ocupou um moderno espaço especialmente concebido para acolher as palestras, debates e apresentar o que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e também para as organizações que aplicam sistemas cimentícios. Em duas arenas temáticas, profissionais e lideranças da indústria do cimento e representantes da cadeia produtiva da construção debateram temas relevantes para fomentar o intercâmbio de ideias e a formação de novas parcerias.

Acesso ao material exclusivo do evento em: https://congressocimento.com.br/qr-code/

 

II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025)

Paralelamente ao evento, houve ainda uma semana de muito conhecimento, inovação e networking no II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025), com a presença dos maiores especialistas e acadêmicos do tema.

 

 Sobre a ABCP

A Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP foi fundada em 1936 com o objetivo de promover estudos sobre o cimento e suas aplicações. É uma entidade sem fins lucrativos, mantida voluntariamente pela indústria brasileira do cimento, que compõe seu quadro de associados. Reconhecida nacional e internacionalmente como centro de referência em tecnologia do cimento, a entidade tem usado sua expertise para o suporte a grandes obras da engenharia brasileira e para a transferência de tecnologia das mais diversas formas.

 

 Sobre o SNIC

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento foi fundado em 1953 com sede na cidade do Rio de Janeiro. Foi constituído para fins de estudo, divulgação e representação legal da categoria econômica “Indústria do Cimento”, assim considerada a atividade integrada de exploração e beneficiamento de substâncias minerais e sua transformação química em clínquer e consequente moagem, na base territorial nacional.

 

Informações para Imprensa

Daniela Nogueira – (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

Krishma Carreira – (11) 99467-8080 – krishma.carreira@fsb.com.br

Como a indústria brasileira de cimento pode reduzir as emissões?

Matéria por João Monteiro

Estima-se que a indústria do cimento represente cerca de 7 a 8% das emissões globais de CO2. O principal vilão é o clínquer – principal componente do cimento portland – sozinho responde por mais de 90% dessas emissões dentro do processo industrial. A maior parte dela (cerca de 60 a 65%) vem da reação química a temperaturas acima de 1400ºC que transformam o calcário em cal para formar os silicatos que compõem o clínquer.

A principal medida para reduzir as emissões dessa indústria é a redução do clínquer, tarefa difícil já que a substância é o “coração” do cimento Portland – suas propriedades determinam as características de resistência, tempo de pega e durabilidade do material. Atualmente, o volume do clínquer no cimento está em torno de 80% (na média global) e varia de acordo com o tipo do cimento.

A indústria brasileira já trabalha abaixo da média global, com 70% de clíquer no cimento, como aponta Vanderley John, professor titular da Universidade de São Paulo (USP). O desafio que ele propõe para o mercado nacional é baixar esse volume para 50%, o que ele coloca como um desafio tecnológico. “Para atingir essa média, será necessário desenvolver cimentos com 20 a 30% de clínquer”, diz John, que também é coordenador do Hubic, centro de inovação da Escola Politécnica da USP em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Como reduzir o clínquer do cimento

A indústria cimenteira tem diversas estratégias para diminuir o uso do clínquer, substituindo-o por materiais cimentícios suplementares, sendo os mais comuns são argila calcinada (LC³) e o filler calcário. A escória da indústria siderúrgica e as cinzas volantes (subproduto de usinas termoelétricas a carvão) também são alternativas, mas dependem da disponibilidade de produção próxima às fabricantes de cimento.

A argila calcinada é usada para diminuir a poluição gerada na reação química do clínquer, bem como diminuir o uso da substância no produto final já que a fórmula da LC³ também usa filler calcário. Mas há ressalvas, como alerta John, pois ela exige maior tempo de endurecimento, o que afasta seu uso na indústria da construção pesada, enquanto no mercado consumidor há certo receio pois o cimento com argila calcinada tende a ficar avermelhado.

O custo de produção também é um fator que pesa contra a LC³, pois a fabricante de cimento precisa utilizar outros fornos para produção da argila calcinada. “Significa que o forno que eu estou operando aqui (para a LC³), que pode ser que já não esteja 100% ocupado (para produção do clínquer), vai ser menos ocupado ainda. Então, do ponto de vista de CapEx, acaba sendo problemático.”

John afirma que o Brasil já usa essa alternativa há pelo menos 60 anos. “Nós fazemos o uso da argila calcinada desde os anos 1960. É o único país do mundo que tem essa experiência. Ela é uma tecnologia que tem algumas aplicações, mas ela tem muitos limites. Eu acredito que a gente pode ir muito mais longe com o filler calcário do que a gente tem ido.”

Filler calcário como opção ao clínquer do cimento

A aposta no filler calcário se dá pela sua capacidade de conceder volume à massa do cimento. O professor explica que ele consegue substituir parte da função do clínquer de preencher os espaços entre os grãos de areia, reduzindo então a quantidade da substância poluidora na composição do cimento.

Hoje, John estima que 16% do cimento brasileiro já usa o filler calcário, sendo que alguns poucos fabricantes trabalham com produtos com até 25% de filler na composição. “Eu tenho uma proposta para a indústria trazer um cimento voltado para o mercado de varejo com 30 a 35% de filler”, diz, baseando a proposta em um caso de uso que não precisa de um produto com tanta resistência mecânica.

O professor defende que dá para ir além. “Se fizer um investimento industrial em moagem separada, mudando a produção da fábrica, talvez consiga ir a 40%. Se eu colocar aditivos, que é o que estamos desenvolvendo (no Hubic), poderia ir talvez a 60% de filler no cimento comercial para o setor industrial. Para a indústria pesada com alta resistência inicial.”

Coprocessamento: a aposta da indústria brasileira de cimento para reduzir as emissões de CO2

Gonzalo Visedo, líder de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), afirma que o Brasil é um dos líderes na descarbonização da indústria cimenteira desde 1990. A aposta está no uso de combustíveis alternativos ao coque de petróleo para aquecer os forno, processo chamado de coprocessamento. Segundo dados da ABCP de 2023, 32% da matriz energética do setor era composta por ele, sendo 18% biomassa e 14% resíduos.

A iniciativa ajuda a reduzir a pegada de carbono porque o coprocessamento emite menos CO2 que a queima de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que evita que o resíduo urbano emite gases ainda mais poluentes com a sua decomposição natural, como o metano, até 30 vezes mais poluente que o dióxido de carbono.

Visedo diz que a indústria nacional conseguiu antecipar em cinco anos o índice de 30% de consumo energético alternativo. “O roadmap proposto pela ABCP era chegar em 30% em 2025, número que foi alcançado ainda em 2020. Agora estamos revisando nossas metas porque tínhamos definido alcançar 35% em 2030 e já estamos em 32%”, diz ele, que aponta a meta de alcançar zero emissões (net zero) até 2050.

Desafio logístico para descarbonização do cimento

O desafio para a indústria brasileira do cimento alcançar a meta é logístico. Visedo diz que o produto tem baixo valor agregado e é muito suscetível ao custo do transporte. Portanto, cabe às indústrias encontrarem fornecedores perto de suas fábricas, o que limita as opções tanto para o coprocessamento quanto para a redução do clínquer.

Na Região Sul, por exemplo, uma das opções é o uso da palha do arroz como biomassa, enquanto o Norte usa o caroço do açaí. Fábricas próximas a centros urbanos já apostam mais no uso de resíduos domésticos, que precisam ser separados para a finalidade do coprocessamento. “Neste caso, as empresas fazem consórcios municipais para ter o volume necessário e a gestão de resíduos para ter o beneficiamento do coprocessamento.”

A estratégia é parecida para a redução do clínquer, segundo o executivo do SNIC, então as fábricas de cimento buscam o que está perto, por isso a dificuldade do uso da escória siderúrgica e de cinzas volantes. “No momento em que elas se tornem mais escassas, a gente consegue imprimir uma velocidade menor (para a redução do clínquer.”

O que a indústria brasileira de cimento já está fazendo para reduzir emissões

Individualmente, cada fabricante de cimento tem sua própria estratégia para reduzir suas emissões. A Votorantim Cimentos, por exemplo, fechou 2024 com o índice global de 32% de coprocessamento, enquanto sua operação brasileira alcançou 35%. “A nossa meta é chegar em 53% até 2030”, disse Álvaro Lorenz, diretor global de Sustentabilidade e Desenvolvimento de Produto da empresa, durante o 9º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi).

A empresa também busca diminuir o clínquer na composição de seu cimento. “Nosso fator clínquer cimento fechou com 72 (em 2024) e a nossa meta é chegar em 68 (em 2030). Então, a gente tem nosso World Map 2030, que foi criado em 2020 e a gente segue a cada ano avançando um pouquinho nos 10 países que estamos presentes.”

Matéria publicada em InfraRoi.

 

Está chegando o maior evento da indústria brasileira de cimento

A menos de uma semana do Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi e da primeira edição da Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025, mais de 50 palestrantes, entre especialistas, autoridades e lideranças empresariais de setores integrados à cadeia produtiva da construção, confirmaram sua presença e vão compartilhar conhecimento e debater sobre o futuro do setor nos três dias de evento.

Com o tema “A indústria do cimento e seu papel transformador para um mundo ecoeficiente”, a abertura do evento, no dia 30 de junho, às 18h, contará com a participação do Presidente da GCCA – Global Cement and Concret Association, Thomas Guillot, e do Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, além de personalidades públicas.

Até o dia 2 de julho de 2025, os participantes vão conferir de perto mais de 100 palestras e as últimas inovações na aplicação do cimento Portland – material predominante na construção civil. Durante três dias, eles poderão participar de debates de temas que abrangem desde as reformas e políticas públicas que impactam o setor da construção civil até a inovação tecnológica na produção e aplicação do cimento e dos sistemas construtivos que fazem uso dele, passando pelas legislações e aspectos ambientais.

Os eventos serão um marco para o setor ao abordar os desafios e inovações que moldarão o futuro do cimento e do concreto. Como inovação e desenvolvimento sustentável caminham juntos, uma das grandes novidades será a ExpoCimento, uma feira internacional integrada ao Congresso, que apresentará os mais recentes projetos e oportunidades de negócio da cadeia produtiva.

A ExpoCimento ocupará um moderno espaço especialmente concebido para acolher as palestras, debates e apresentar o que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e também para as organizações que aplicam sistemas cimentícios.

Haverá ainda arenas temáticas para apresentar todas as novidades dos expositores. Neste encontro, além dos profissionais e lideranças da indústria do cimento, estarão reunidos representantes da cadeia produtiva da construção para fomentar o intercâmbio de ideias e a formação de novas parcerias.

Não deixe de participar dessa oportunidade única de poder conferir de perto a evolução dessa indústria centenária e que se reinventa a todo momento nos campos produtivo, ambiental e da inovação.

Saiba mais em https://congressocimento.com.br/

ABCP promove em Campo Grande e Cuiabá workshop sobre inovação, mercado e tecnologia para a indústria de artefatos

A ABCP, em parceria com o Mundo Concreto, realizou nos dias 04 e 05/06, em Campo Grande-MS e Cuiabá-MT, respectivamente, o workshop “Impulsionando a indústria de artefatos no Brasil: inovação, mercado e tecnologia”, voltado para profissionais e empreendedores do setor e construtores. O evento contou com a presença de instrutores renomados. Entre eles destacam-se Eduardo D’Avila (ABCP), Filipe Honorato (Mundo Concreto), Fernando Crosara (ABCP) e Luciano Lima (Glasser). Os especialistas apresentaram suas experiências e conhecimento sobre novas tecnologias e processos construtivos, o futuro do mercado de artefatos no Brasil, sustentabilidade e desempenho e casos de sucesso.

 

Programa de Desenvolvimento Empresarial

O workshop faz parte do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial), da ABCP, em parceria com o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e o Mundo Concreto. Desde 2010, o PDE desenvolve o setor da indústria de artefatos de concreto, pré-fabricados e acabamentos, visando ampliar a utilização eficiente do cimento como insumo, e promover a industrialização e a qualidade dos produtos e processos, estimulando a melhoria na gestão, a inovação e a sustentabilidade. Assim, ampliando os negócios e a melhoria na competitividade das empresas.

O programa já atendeu 600 fábricas, em 196 municípios e realizou 15 missões nacionais e 11 internacionais envolvendo a cadeia produtiva de artefatos e concreto. O PDE proporciona uma visão de 360 graus da indústria, abordando os principais fatores, como gerenciamento de rotina, finanças, marketing, vendas, modelos de negócios e atingimento de metas, que são focos empresariais essenciais.

 

 

Veja como o calor está mudando as rodovias brasileiras

O asfalto não chega a reinar quando se observa a totalidade das rodovias brasileiras – aproximadamente 87% da malha rodoviária do país ainda é de terra -, mas historicamente manteve uma supremacia nos 12,3% de estradas pavimentadas no país. Esse predomínio começa a ser ameaçado pelo concreto a base de cimento Portland, tipo mais comum no Brasil.

Segundo executivos de departamentos governamentais de infraestrutura rodoviária ouvidos pelo Valor, a utilização do concreto na pavimentação de estradas tende a dobrar nos próximos dez anos. Essa perspectiva se baseia principalmente pelo encarecimento do ligante asfáltico comercializado pela Petrobras e pelos efeitos das mudanças climáticas, considerando que temperaturas mais altas e variações mais extremas costumam danificar mais o asfalto que o cimento. O asfalto também reflete mais calor para a atmosfera, contribuindo para elevar a temperatura, especialmente nos aglomerados urbanos.

 

Confira a matéria de Rafael Vazquez para o Valor na íntegra:

Pavimento intertravado aplicado sobre pavimento existente (Overlay)

“Overlay” ou apenas “sobreposição” é o nome dado à aplicação de uma nova camada de revestimento sobre um pavimento existente, seja ele composto por pavimento de concreto, pavimento de asfalto ou com paralelepípedo.

A técnica é diferente de uma substituição total da estrutura e geralmente é realizada quando há apenas danos menores à estrutura do pavimento existente ou quando se deseja modificar a funcionalidade do pavimento. A técnica de overlay consiste em retificar ou fresar o pavimento existente e, em alguns casos, reparar danos estruturais, como trincas e buracos. Finalmente, uma nova superfície é aplicada.

O sistema de pavimentação intertravada com peças de concreto pode ser utilizado na reabilitação de pavimentos existentes, como camada de reforço (uso estrutural) ou como camada funcional (uso não estrutural). Do mesmo modo como acontece com os pavimentos intertravados novos, quando se utiliza o pavimento intertravado sobreposto em um pavimento existente, deve-se considerar o dimensionamento como de um pavimento flexível.

Além disto, o projeto de overlay deve levar em consideração o tipo de tráfego, a capacidade de suporte do pavimento existente e as características ambientais do local.

Neste manual, você terá acesso a informações essenciais sobre a técnica de Overlay como:

– Avaliação de Pavimentos Existentes
– Overlay sobre Pavimentos de Asfalto
– Drenagem e Instalação
– Camada de Revestimento
– Inspeção Final
– Liberação ao Tráfego

Confira o arquivo do manual aqui.

Matéria original publicada no site Soluções para Cidades.

Pavimento de Concreto: solução competitiva e sustentável para infraestrutura rodoviária

Seminário apresenta programas de investimentos em infraestrutura em MG, PR e DF e traz cases de tecnologias e boas práticas

A Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (Seinfra/MG), o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER/MG) e a ABCP promoveram nesta quinta-feira, 29, no auditório do BDMG, em Belo Horizonte, o seminário “Pavimento de Concreto: solução competitiva e sustentável para infraestrutura rodoviária”. O evento contou, entre as lideranças e autoridades, com as presenças do presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, de Pedro Bruno Barros de Souza, secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (SEINFRA/MG), de Rodrigo Tavares, diretor geral do DER/MG, de Janice Kazmierczak Soares, diretora técnica do DER/PR, e de Fauzi Nacfur Júnior, presidente do DER/DF e da Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem (ABDER).

O seminário colocou em pauta importantes programas de investimento em infraestrutura, seja na forma de concessões ou na recuperação viária, parcerias fundamentais, como a celebrada entre o DER/MG, a Seinfra e a ABCP, e a criação da PAVI+, comunidade voltada exclusivamente ao desenvolvimento e implementação do pavimento rígido. Além disso, promoveu um debate sobre diretrizes de projeto de pavimento de concreto em rodovias e boas práticas para a execução de pavimentos urbanos (veja o programa).

“É importante destacar que as vantagens do pavimento de concreto em relação a outras opções se baseiam em parâmetros técnicos e econômicos. Os estudos comparativos de viabilidade mostram que o pavimento rígido, em relação ao asfalto, é competitivo já na implantação e gera menor custo anual de manutenção”, disse o presidente Paulo Camillo Penna.

Ao relacionar benefícios como resistência à deformação, excelente capacidade de reflexão da luz (exigindo menos iluminação pública em trechos urbanos), melhores condições de visibilidade ao motorista, maior segurança de tráfego (já que sua superfície oferece maior aderência aos pneus em dias de chuva, evitando aquaplanagem) e elevado conforto de rolamento, que resulta de procedimentos e cuidados executivos, Paulo Camillo Penna destacou a sustentabilidade do pavimento de concreto, que contribui para diminuir a temperatura ambiente, reduzindo as ilhas de calor e a poluição ambiental nas cidades.

 

ABCP promove curso no DNIT/MG

Whitetopping é tema central do encontro

O Escritório Regional da ABCP em Minas Gerais promoveu, nos dias 27 e 28 de maio, na Superintendência Regional do DNIT em Belo Horizonte, um curso sobre pavimento de concreto para os técnicos do órgão. No encontro, o coordenador de Pavimentação da ABCP, Fernão Nonemacher Dias Paes Leme, compartilhou diretrizes e experiências sobre projetos de restauração com a tecnologia whitetopping, uma solução eficiente e durável para reabilitação de pavimentos.

O evento, que contou também com palestra do engenheiro Rubens Curti, especialista em tecnologia do concreto da ABCP, teve o apoio direto do superintendente do DNIT/MG, Antônio Gabriel, e liderança na organização de Lincoln Raydan e Virginia Firpe, da Regional da ABCP.