Indústria do cimento apresenta diretrizes para futuro do setor

Foto: Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e SNIC, na abertura do evento 

 

Alinhadas ao Acordo de Paris, as ações apresentadas na FIEMG propõem redução de emissão de gases de efeito estufa (CO2) em até 33%

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) apresentaram nesta quarta-feira (02/10/2019), na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o Roadmap Tecnológico do Cimento, um documento que traça a ambição e as diretrizes para a indústria se tornar ainda mais eficiente e sustentável.

O evento também contou com um módulo sobre o Coprocessamento, uma tecnologia de queima de resíduos industriais e passivos ambientais em fornos de cimento, substituindo a utilização de combustíveis fósseis não renováveis.

Na ocasião, estiveram presentes Teodomiro Diniz, presidente da Câmara da Indústria da Construção da FIEMG, Renato Teixeira Brandão, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), e executivos das principais empresas da construção civil, que debateram, durante toda a manhã, os caminhos para um futuro sustentável do setor.

A indústria desenvolveu o Roadmap em colaboração com a Agência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvi­mento Sustentável (WBCSD), International Finance Corporation (IFC) – membro do Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor emérito e ex-ministro José Goldemberg.

O estudo propõe alternativas para reduzir, ainda mais, as baixas emissões de CO2 da indústria nacional de cimento. Mais do que isso, identifica barreiras e gargalos que limitam a adoção de políticas públicas, regulações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões em curto, médio e longo prazo.

“A indústria brasileira do cimento apresenta um dos menores índices de emissão de CO2 no mundo, por conta de ações que vêm sendo implementadas nas últimas décadas e queremos continuar liderando esse processo no futuro”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Segundo dados dessas entidades, enquanto a produção de cimento aumentou 273% entre 1990 e 2014 (de 26 para 71 milhões de toneladas), a curva da emissão de carbono cresceu 223% nesse intervalo, uma redução de 18% das emissões específicas (de 700 para 564 kg CO2 /t cimento). Por sua vez, o projeto vislumbra a possibilidade da indústria alcançar patamares da ordem de 375 kg CO2 /t cimento até 2050, uma redução de 33% com relação aos valores atuais.


Teodomiro Diniz, vice-presidente da FIEMG, na abertura do evento 

 

O coprocessamento

O coprocessamento, além de ser um dos pilares previstos pelo Roadmap como uma das soluções para a redução na emissão de gases de efeito estufa, se apresenta como uma alternativa viável e acessível para a destinação de resíduos sólidos urbanos em cidades próximas da indústria, e que é empregada pela indústria brasileira desde 1990, portanto há quase 3 décadas, garantindo toda a segurança e saúde do trabalhador que se envolve com a tecnologia.

O uso de combustíveis alternativos na produção de cimento, através do coprocessamento, não gera novos resíduos e contribui para a preservação de recursos naturais, por substituir matérias-primas e combustíveis fósseis no processo industrial, habilitando-se como uma das soluções possíveis para a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, infelizmente não atendida por cerca de 3.350 municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disto, trata-se de um processo existente e consolidado mundialmente, gerando ganhos sociais, econômicos e ambientais – a tríade do conceito de sustentabilidade – para os envolvidos em toda a cadeia de coleta e descarte de resíduos.

Metas alinhadas ao Acordo de Paris

O Acordo de Paris, negociado em 2015 na 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e ratificado pelo Brasil em 2016, estabeleceu diretrizes e compromissos para tentar limitar o aumento das temperaturas neste século a menos de 2°C.

Para alcançar essa meta desafiadora, foram reunidas no mapeamento medidas que se concentram em quatro principais pilares: adições e substitutos de clínquer – produto intermediário do cimento -, por meio do uso de subprodutos de outras atividades; combustíveis alternativos, com a utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição a combustíveis fósseis não renováveis; medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico; tecnologias inovadoras e emergentes, por meio da pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas, como a captura de carbono.

 

Ações-chave para 2030

Para atingir os níveis de melhoria nos diferentes indicadores de performance (KPI’s) e as conse­quentes reduções na emissão de carbono estimadas, governo, indústria e sociedade em geral devem criar uma agenda conjunta de ações estruturantes, de forma a acelerar a transição sustentável da indústria brasileira de cimento. Entre as ações prioritárias, visando um horizonte de curto/médio prazo (2030), estão:

  • Reforçar a cooperação nacional e internacional; promover o desenvolvimento de novas normas de cimento, permitindo a incorporação de maiores teores de substitutos de clínquer;
  • Valorizar a recuperação energética de resíduos, em atendimento à Política Nacio­nal de Resíduos Sólidos (PNRS);
  • Compartilhar melhores práticas em nível nacional e internacional para a promoção da eficiência energética na indústria do cimen­to;
  • Promover Pesquisa e Desenvolvimento em tecnologias emergen­tes e inovadoras de mitigação de gases de efeito estufa.

 

Veja no link abaixo a íntegra do Roadmap Tecnológico do Cimento:  https://www.abcp.org.br/cms/wp-content/uploads/2019/04/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Encarte.pdf

 

Mapeamento Tecnológico do Cimento: Roadmap Brasil 2019 – SNIC/ABCP

Na busca da diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE), a indústria do cimento desenvolveu estudo, com foco em 2030 e 2050, que se baseia em quatro pilares:

  • Dobrar a utilização de combustíveis alternativos
  • Melhorar em 15% a eficiência energética do processo
  • Continuar buscando novas tecnologias para aumentar a utilização de resíduos de outras indústrias para reduzir a utilização do clínquer
  • Buscar tecnologias inovadoras como captura do próprio carbono emitido no processo fabril.

Como o caroço do açaí nos faz mais sustentáveis

Você sabia que o açaí ajuda na produção do cimento? Em seu caroço existe algo único, que está mudando a história e tornando a produção de cimento mais sustentável. Este vídeo produzido pela Votorantim Cimentos mostra como isso acontece.

Assista ao vídeo e descubra como esta deliciosa fruta contribui para o compromisso da Votorantim Cimentos em reduzir a emissão de CO2.

O vídeo tem 2min39 e foi publicado em 2 de outubro de 2018.

Histórias que constroem: nada se perde, tudo se transforma

A unidade de Salto de Pirapora (SP) da Votorantim Cimentos utilizou 17,9 mil toneladas de Combustível Derivado de Resíduo (CDR) durante o ano, o que corresponde a uma substituição de 5,3% do coque de petróleo. A planta tem capacidade para processar 65.000 toneladas.

A solução envolve investimentos na instalação de preparação de resíduos, na modernização de nosso sistema de fabricação e nos filtros e controle de emissões on-line. O vídeo de 3min12 foi publicado em 1 de abril de 2019.

Entenda como a economia circular pode ajudar o meio ambiente

A economia circular propõe que a produção industrial se inspire na natureza e que o resíduo de um produto sirva de nutriente para a produção de outro produto. Assim, nada se perde e tudo se transforma infinitamente. A economia circular já é uma realidade no Brasil e o programa Cidades e Soluções mostra como e onde ela se dá.

O programa foi exibido em 29 de abril de 2019 e tem aproximadamente 23 minutos. Importante: o usuário precisa ser assinante da GlobosatPlay e uma operadora de telefonia.

https://globosatplay.globo.com/globonews/v/7578106/

Quem somos

Associação Brasileira de Cimento Portland

A Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP foi fundada em 1936 com o objetivo de promover estudos sobre o cimento e suas aplicações. É uma entidade sem fins lucrativos, mantida voluntariamente pela indústria brasileira do cimento, que compõe seu quadro de Associados. Reconhecida nacional e internacionalmente como centro de referência em tecnologia do cimento, a entidade tem usado sua expertise para o suporte a grandes obras da engenharia brasileira e para a transferência de tecnologia das mais diversas formas, a saber:

  • Promoção de cursos de aperfeiçoamento e formação, seminários e eventos técnicos.
  • Parceria com dezenas de universidades, escolas e instituições de pesquisa do país.
  • Apoio às indústrias de produtos à base de cimento.
  • Publicação de livros, revistas e documentos técnicos.

Desenvolvimento da Construção
A nova postura da indústria brasileira do cimento, posicionando-se estrategicamente como parte da extensa cadeia da construção civil, levou a ABCP – braço técnico da indústria – a rever atividades, a buscar colaborações mais intensas e diversificadas com os setores, elos e agentes que integram o conjunto que se convencionou chamar de Construbusiness. A atuação da ABCP, nesse sentido, tem sido maciça. Ela ocorre por meio de ações e parcerias que favorecem a oferta de produtos e sistemas altamente competitivos, que podem ser reunidos em dois grandes núcleos: Edificações e Infraestrutura.

Missão da ABCP

  • Consolidar e expandir o mercado de produtos e sistemas à base de cimento.
  • Representar técnica e institucionalmente a indústria do cimento em: competitividade industrial, normalização e qualidade e meio ambiente.
  • Prestar serviços tecnológicos de excelência.
  • Organizar a informação técnica, difundir, transferir tecnologia e capacitar.

Veja como chegar à ABCP (mapa)