DF promove seminário sobre coprocessamento

A Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) realizou na última quarta-feira (19/09/2018), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal e com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o seminário “Coprocessamento de Resíduos”. O evento, que procura ampliar o debate sobre o tema, sucedeu à concessão, pelo Governo do DF, de licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal: a Votorantim Cimentos (renovação e ampliação da licença existente desde 1991) e a Ciplan (autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus).

Dividido em dois painéis (veja quadro com a Programação), o seminário abordou o panorama do coprocessamento no Brasil; a gestão dos resíduos sólidos e o potencial para recuperação energética; a geração de combustível derivado de resíduos no Distrito Federal; e o licenciamento ambiental para coprocessamento. O evento teve 71 participantes, representando entidades e empresas*. A ABCP foi representada por seu presidente, Paulo Camillo Penna,que compôs a mesa, e Mário William Esper, diretor de Relações Institucionais, que proferiu a palestra “Panorama do Coprocessamento no Brasil”.

Potencial econômico e ambiental

O coprocessamento é considerado uma alternativa sustentável e adequada à destinação de resíduos. Ele aumenta a vida útil dos aterros e contribui para a redução dos gases de efeito estufa, tanto pela não geração de metano da decomposição do lixo quanto pela substituição como combustível em função de seu conteúdo de biomassa. Marcontoni Montezuma, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Fibra, observou que “não existem muitas razões” para que o coprocessamento não se efetive, dado o atual controle dos processos industriais. Para ele, o seminário reuniu entes decisivos para que isso se torne realidade no Distrito Federal.

Por enquanto, as cimenteiras de Brasília só podem fazer o coprocessamento de pneus, não de outros resíduos, como industriais, urbanos (comerciais e residenciais) e os da agricultura. Apenas Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo têm regulamentação nesse sentido. Porém, é fato que a utilização de resíduos em fornos de cimento como substitutos de combustíveis e matérias-primas convencionais atende ao preconizado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, e contribui para a economia circular. Em muitos países da Europa onde a legislação baniu os aterros sanitários, os combustíveis derivados de resíduo (CDR) produzidos a partir de resíduos urbanos, comerciais e industriais não perigosos após triagem dos recicláveis tornaram-se uma ferramenta na gestão de resíduos.

Resultados concretos

Em 2016, o Brasil destruiu aproximadamente 1 milhão de toneladas de resíduos em fornos de cimenteiras. “Nesse sistema, os resíduos são transformados em potenciais subprodutos ou outros materiais, promovendo a reciclagem, a reutilização e a recuperação. A indústria do cimento do Brasil vem utilizando resíduos em seus fornos desde a década de 1990 e atualmente a substituição térmica está em torno de 10%. Na Europa, chega a 90%”, explicou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo.

O presidente do Ibram, Aldo César Vieira, mostrou-se favorável à ampliação do coprocessamento no Distrito Federal, destacando que ele traz benefício para a indústria quanto ao custo do produto e movimenta a cadeia produtiva. “No final, é um processo que vai beneficiar a sociedade como um todo. Espero que essa parceria para tratar desse assunto continue, não só com o setor produtivo, mas também com o Ministério Público, que está conosco nesse esforço”, disse. A promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Cristina Rasia, também participou do debate.

Próximos passos

Considerado um sucesso pela qualidade do conteúdo e dos apresentadores, o seminário deve agilizar o licenciamento do coprocessamento para combustível derivado de resíduo (CDR) nas duas fábricas do Distrito Federal. Para tanto, o próximo passo é a elaboração de uma resolução do Distrito Federal para CDR. Além disso, o encontro previu a elaboração, em conjunto com o Ministério das Cidades, de uma agenda para coprocessamento de CDR em todo o Brasil; e o agendamento de uma visita da Fibra, Promotoria Pública e Ministério das Cidades a uma unidade de produção de CDR localizada em Recife (PE).

Texto baseado em informações de: Aline Roriz / Sistema Fibra

Foto: Moacir Evangelista / Sistema Fibra

*  Entidades e empresas participantes: Fibra e Ibram, Sema, SEDICT, MPDFT, ABCP, Ibama, SLU, Adasa, CEB, Ministério das Cidades, CNI, UnB, Sindimam, Instituto Lixo Zero, Exército Brasileiro, Votorantim, Ciplan, Combral e JC Gontijo, Bonasa, Valor Ambiental, Scom Ambiental e Corsap DF/GO.

Governo do DF concede licenças para cimenteiras do Fercal

O governo do Distrito Federal entregou licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal. A Votorantim Cimentos faz esse trabalho no DF desde 1991 e conseguiu a renovação e ampliação da licença, enquanto a Ciplan foi autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus.

O coprocessamento de pneus e biomassa substitui parte do combustível fóssil na fabricação de cimento. A medida contribui para reduzir o uso de recursos naturais não renováveis e a emissão de CO2, além de diminuir o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário. O forno de cimento garante a total eliminação térmica dos resíduos e a incorporação das cinzas no processo de fabricação, sem comprometer a qualidade do produto. O coprocessamento exerce ainda papel importante para a saúde pública, uma vez que auxilia a evitar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya, por exemplo.

A licença foi assinada pelo secretário da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, pelo secretário do Meio Ambiente, Felipe Ferreira, e pelo secretário-geral do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Ricardo Roriz. Compareceram o gerente da Votorantim no Distrito Federal, Waldir Gomides, o presidente da Ciplan, Sergio Bautz, e o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Marcontoni Montezuma.

“A Fibra lutou muito, ao lado das cimenteiras, para conseguir essas licenças. Enxergamos isso como um grande avanço, pois diminui os resíduos, além de destravar o emprego e o investimento. São empresas extremamente industrializadas, que sabem o que estão fazendo e vão trazer benefícios enormes à sociedade”, disse Montezuma.

Com o volume que já era licenciado, a Votorantim eliminava 1,5 tonelada de pneus por hora. Agora, a capacidade será quadruplicada. “A gente pode chegar a 3 mil pneus de caminhão por dia destruídos imediatamente nesse processo, sem alteração de características de produto, ou 9 mil unidades de pneus de carros de passeio por dia. Esse é um trabalho feito em várias vias do poder público, da sociedade e do setor industrial e envolve uma questão de saúde pública e de vigilância sanitária”, afirmou o representante da Votorantim.

A Ciplan, por sua vez, aguardava a licença havia vários anos para dar início ao coprocessamento em suas instalações. Agora, está autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus. “Mais que substituir um combustível de fonte não renovável, temos a oportunidade de fazer uma adequação ambiental no quesito de redução de emissão de CO2 e de eliminar a quantidade de pneus expostos de maneira irregular”, explicou o presidente da empresa, que destacou os benefícios ambientais, econômicos e sociais especialmente para a região da Fercal.

 

Coprocessamento de resíduos

O Brasil gera anualmente 63 milhões de toneladas de resíduos sólidos. A quantidade de lixo cresceu 21% só na última década, mas o tratamento adequado dado a esses resíduos não aumentou. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, só 3% dos resíduos sólidos produzidos nas cidades brasileiras são reciclados, apesar de um terço de todo o lixo urbano ser potencialmente reciclável.

O combustível derivado de resíduos pode, portanto, ser uma importante ferramenta de desenvolvimento sustentável para as economias regionais. Os empresários destacaram a importância desse coprocessamento não se restringir aos pneus: é preciso analisar o trabalho com resíduos triturados, restos de obras e resíduos sólidos urbanos para seguir o caminho da evolução de maneira sustentável.

Pensando em dar continuidade para esse debate, a Fibra receberá o seminário Coprocessamento de Resíduos em 19 de setembro, a partir das 14 horas. A programação inclui painéis sobre gestão de resíduos sólidos, potencial para recuperação energética, panorama de coprocessamento no Brasil, geração de combustíveis derivados de resíduos e planos e metas do poder público. Para se inscrever no evento, entre em contato pelo telefone (61) 3362-6190.

Texto: Aline Roriz

Foto da assinatura: Helio Montferre/Sistema Fibra

Foto da indústria: Moacir Evangelista/Sistema Fibra

Assessoria de Comunicação do Sistema Fibra

Mapeamento Tecnológico do Cimento 2050

O debate sobre mudanças climáticas é questão importante para a indústria de cimento, uma vez que a emissão de COé inerente ao seu processo de produção. Conhecer a projeção de emissões setoriais a médio e longo prazo e seu respectivo potencial de redução é essencial para avançar na direção de uma economia de baixo carbono.

Mas o Mapeamento Tecnológico do Cimento é apenas uma das iniciativas da indústria em defesa do meio ambiente. Ao seu lado está a adoção do coprocessamento de resíduos industriais, que contribui para preservar recursos não renováveis, reduzir o impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e diminuir o passivo ambiental dos aterros.

Roadmap Brazil

Atentos a isso, a ABCP e o SNIC propuseram o desenvolvimento do Projeto Cement Technology Road Map Brazil 2050 em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Cement Sustainability Initiative (CSI), do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). Assim, a indústria brasileira de cimento iniciou em fins de 2014 um roteiro com o desafio de encontrar soluções para reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono, que já são as mais baixas do mundo.

No caso particular da indústria brasileira de cimento, a combinação de várias ações, algumas iniciadas há décadas, outras mais recentemente, ajudou a posicionar o setor brasileiro de cimento entre os mais eficazes em termos e emissão de CO2por tonelada de cimento produzido, de acordo com a CSI.

O objetivo do estudo abordado pelo Roadmap é traçar a projeção do total das emissões provenientes da produção de cimento, identificando as principais alternativas para reduzir essas emissões e minimizar o impacto do setor nas mudanças climáticas. As propostas de alternativas de redução que estão em andamento são focadas em quatro pilares:

  • eficiência energética
  • combustíveis alternativos
  • substitutos de clínquer
  • captura e armazenamento de carbono

Os estudos estão sendo preparados por uma equipe de renomados especialistas das principais universidades e centros técnicos no Brasil, proporcionando, além do conhecimento internacional, uma visão geral das características, limitações e potencialidades locais. Para cada uma das quatro propostas estão sendo considerados:

  • ► Cenário atual das alternativas: investigação das principais alternativas de redução, sua disponibilidade, disposição geográfica etc.
  • ► Cenário futuro das alternativas: projeção de crescimento potencial e disposição geográfica destas principais alternativas e estimativa das emissões evitadas etc.
  • ► Inovação: perspectivas de novas alternativas de redução e inovações tecnológicas em relação às já existentes.
  • ► Barreiras: principais barreiras (geográficas, técnicas, econômicas, legais, sociais, políticas etc.) que possam limitar o crescimento das alternativas abordadas.
  • ► Recomendações: desenvolvimento de série de recomendações para todas as partes interessadas (indústria, governo, academia, sociedade), para ajudar a superar as barreiras acima e fomentar essas alternativas.

Os resultados e conclusões dos documentos técnicos estão previstos para 2019, juntamente com os modelos de projeção e redução de emissões, executados por especialistas da IEA.

 

 

 

 

 

 

ABCP no 11º CSI Forum

Da esquerda para a direita: Paulo Camillo Penna (presidente do SNIC e da ABCP); Lívia Ballot de Miranda (Votorantim); Álvaro Lorenz (Votorantim); Marcelo Pecchio (ABCP) e Gonzalo Visedo (SNIC)

A ABCP participou, entre os dias 25 e 27 de setembro de 2017, do 11º Forum da Cement Sustainability Initiative (CSI), realizado em Nova Delhi, Índia. Nessa reunião foram debatidos os 17 Objetivos de Sustentabilidade (Sustainability Development Goals – SDGs) definidos pela Organização das Nações Unidas para o ano de 2030 e o papel da indústria de cimento.

O objetivo dessas discussões é articular uma visão comum e mapear o nível de impacto no setor, e também elencar as possíveis contribuições da indústria de cimento para a realização dos SDGs. Nesta oportunidade também se realizou a reunião dos parceiros de comunicação da CSI, na qual além das questões do posicionamento da indústria frente aos SDGs foram discutidas e atualizadas as informações relativas aos roadmaps do Brasil, da Ficem e da nova versão do roadmap global, que está em fase final de elaboração.

 

Seminário sobre coprocessamento em Curitiba

A destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento, técnica conhecida como coprocessamento, é o tema central de um seminário que reuniu no dia 18/04/2018 mais de 100 pessoas – entre autoridades, executivos e técnicos – em Curitiba-PR. Realizado pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o Seminário Coprocessamento de Resíduos na Indústria de Cimento foi uma promoção do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e contou com o apoio de três grupos industriais da área de cimento: Itambé, Supremo Secil e Votorantim Cimentos.

As boas vindas do evento coube a Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC, juntamente com Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que foram acompanhados na solenidade de abertura por autoridades da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad/MG), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Durante a manhã, a programação ofereceu informações relevantes sobre a prática do coprocessamento e sua contribuição para a redução dos gases de efeito estufa, bem como as ações da indústria do cimento em favor do meio ambiente – caso, por exemplo, da palestra “ABCP e SNIC – RoadMap”, proferida por Gonzalo Visedo, analista de Meio Ambiente do SNIC.

Uma abordagem sobre a normalização técnica na área coube a Milton Norio Sogabe, gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que tratou do tema “Norma para coprocessamento de CDRU no Estado de São Paulo”, e Antônio Augusto Melo Malard, subsecretário de Regularização Ambiental da Semad/MG, que falou sobre a “Revisão da DN 154 – Coprocessamento de resíduos”.

À tarde, a programação trouxe Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que destacou a experiência paranaense na palestra “Licenciamento de resíduos para coprocessamento”, e Regina Froener, chefe do Serviço de Licenciamento de Atividades Industriais em Implantação – SELAI, da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul), que abordou “Gerenciamento de resíduos – Portaria 16”. Por fim, o Estado de Santa Catarina foi representado por Fábio Castagna da Silva, gerente de Gestão de Processos Ambientais da FATMA (Fundação Meio Ambiente de Santa Catarina), que apresentou o “Manifesto eletrônico de transporte de resíduos”.

Após as apresentações, o seminário seguiu com debates sobre os temas tratados, sob a coordenação do gerente de Relações Institucionais da ABCP, Mário William Esper.

Coprocessamento aproveita diferentes tipos de resíduos

ENTREVISTA: FERNANDO DALBON

Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da ABCP

Em 2015, a indústria nacional de cimento coprocessou 1,5 milhão de tonelada de resíduos, o que representa substituição de 13,4% da matriz de combustíveis. Entretanto, o setor tem potencial de atingir a ordem de 2,5 milhões de toneladas e 25% de substituição. “Para esse avanço, é importante que haja o estabelecimento de políticas públicas que incentivem a atividade. Há países na Europa em que os índices chegam a 100%”, informa Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

O coprocessamento é uma técnica utilizada na fabricação do cimento que reduz a quantidade de resíduos gerada durante o procedimento. O método é executado por meio da queima de materiais em fornos de cimento, o que promove a preservação de recursos naturais por substituir as matérias-primas tradicionalmente empregadas. Há mais de 25 anos, a solução é utilizada e regulamentada em diversos países. No Brasil, as primeiras iniciativas ocorreram no início da década de 1990.

 

“Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições
que comprovam que a técnica do coprocessamento
não altera a qualidade do produto final.”
Fernando Dalbon

Aproveitamento de materiais

Os materiais passíveis de aproveitamento no coprocessamento são variados, com destaque para pneus inservíveis – aqueles que chegaram ao fim da vida útil e precisam ser descartados; para o blend de resíduos – mistura de componentes industriais; para as borrachas; para o óleo usado; e para as biomassas – casca de arroz, cavaco de madeira e lama de tratamento de esgoto. Atualmente, os elementos mais aproveitados são os pneus inservíveis. “No ano passado, o material representou 43% do total de resíduos com potencial energético utilizado, seguido do blend, com 41%”, relata Dalbon.

O cimento resultante atende às normas técnicas específicas da ABNT e pode ser encontrado no mercado. Como as suas características não são alteradas, o produto é comercializado normalmente. “Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições que comprovam que a técnica não altera a qualidade do produto final”, diz Dalbon. A garantia da qualidade está presente em todas as legislações sobre o assunto.

Procedimento

O coprocessamento é realizado pelas indústrias de cimento que têm fornos rotativos para a produção do clínquer (matéria-prima básica do cimento). Esses equipamentos devem ser devidamente licenciados e monitorados pelos órgãos ambientais competentes. “Para isso, necessitam atender aos procedimentos e critérios técnicos e operacionais preconizados pelas legislações federal e estadual”, ressalta o especialista.

O calcário e a argila são as matérias-primas tradicionalmente queimadas nos fornos de cimento para a obtenção do clínquer, que, depois de resfriado e devidamente moído com outras adições, transforma-se nos diferentes tipos de cimento Portland. O forno rotativo de clínquer é o mais indicado para o tratamento de resíduos graças às suas altas temperaturas; ao ambiente oxidante e alcalino; à estabilidade térmica; e ao longo tempo de residência (referência ao tempo em que os gases permanecem dentro do forno).

 

“A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço
de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva,
associada com a recuperação de energia e materiais.”
Fernando Dalbon

 

As temperaturas internas do forno, no qual o resíduo é inserido, atingem cerca de 2.000ºC. “Devido ao calor extremo, os compostos orgânicos presentes nos materiais são destruídos com eficiência de 99,999%”, explica o engenheiro, destacando que os inorgânicos são incorporados à estrutura cristalina do clínquer, não gerando cinzas.

Vantagens

Além da preservação de recursos não renováveis, o coprocessamento proporciona outras vantagens, como a redução do impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e a diminuição do passivo ambiental dos aterros. “A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva, associada com a recuperação de energia e materiais. A utilização dos fornos de cimento representa importante ferramenta de gestão ambiental”, finaliza Dalbon.

Fonte: Redação AECweb / e-Construmarket