Panorama do Coprocessamento – Brasil 2025 (Ano base 2024)

O Panorama do Coprocessamento – Brasil 2025 (Ano base 2024), publicado pela ABCP, reflete a abrangência da atividade de coprocessamento no país, a distribuição participativa dos tipos de resíduos coprocessados, a redução do impacto ambiental que essa solução gera e os volumes coprocessados pela indústria do cimento em 2024.

No link abaixo, é possível acessar gratuitamente o conteúdo da publicação:

 

 

Veja também as edições 2015, 2016, 2017, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024 do relatório:

  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2024 (arquivo PDF)
  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2023 (arquivo PDF)
  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2022 (arquivo PDF)
  • Panorama do Coprocessamento – Brasil 2021 (arquivo PDF 4,7 Mb)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2020 (arquivo PDF 10 Mb)
  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2019 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2019 (arquivo PDF 9 Mb)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2017 (arquivo PDF 6 Mb)
  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2016 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2016 (arquivo PDF 21,4 Mb)
  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2015 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2015 (arquivo PDF 6,4 Mb)

Coprocessamento: melhores práticas para o licenciamento ambiental

ABCP elabora guia e promove capacitação para técnicos do IBRAM e profissionais da indústria

A ABCP realizou nesta terça-feira, 09/12, na sede da FIBRA, em Brasília, uma capacitação técnica referente ao “Guia de Melhores Práticas para o Licenciamento Ambiental das Atividades de Coprocessamento de Resíduos na Fabricação de Cimento”, publicação desenvolvida ao longo de 2025 pelo Núcleo de Coprocessamento da ABCP e empresas associadas.

Vale destacar que o coprocessamento de resíduos é peça fundamental para a indústria manter sua trajetória de mitigação das emissões de CO2, conforme propõe o Roadmap Net Zero da indústria, lançado durante a COP30. O documento mapeia, dentro do processo produtivo e ao longo do ciclo de vida do produto, ações necessárias e capazes de levar a indústria a um cenário de neutralidade climática até 2050. O Brasil já exibe, há décadas, uma das menores intensidades de carbono do mundo (580 kg CO₂/t), mas assim mesmo persegue a transição energética de forma acelerada. O coprocessamento de resíduos e biomassas já responde por 32% da matriz energética, evitando a emissão de 3,4 milhões de toneladas de CO₂. 

O evento na FIBRA reuniu cerca de 30 participantes, entre técnicos do Ibram (Instituto Brasília Ambiental) e  da indústria do cimento (Ciplan e Votorantim). “Esta capacitação foi concebida especificamente para profissionais da área de licenciamento ambiental (analistas, auditores e fiscais), bem como para o pessoal técnico da indústria, de forma a endereçar com precisão as necessidades da equipe responsável pelas análises e vistorias”, explica Daniel Mattos, Head de Coprocessamento da ABCP.

O material é orientado à prática regulatória, naquilo que é essencial à avaliação de conformidade ambiental, e visa contribuir com a padronização de entendimentos técnicos, reduzindo o retrabalho e encurtando prazos do processo de licenciamento. A partir dos resultados obtidos neste primeiro evento, a ABCP planeja replicá-lo em outras regiões do país em 2026.

Votorantim Cimentos: decarbonization ambitions

A International Cement Review traz, em sua edição de setembro de 2023, artigo de Álvaro Lenz, Global Director of Sustainability, Institutional Relations, Product Development and Engineering da Votorantim Cimentos, sobre descarbonização na indústria do cimento.

Confira aqui (texto em inglês):

 

> Baixe aqui o artigo em PDF.

 

38ª Oktoberfest valoriza todos os resíduos e oferece água ultrafiltrada para visitantes

Fonte: Prefeitura de Blumenau

As iniciativas fazem parte da estratégia de sustentabilidade do evento, que ocorre de 4 a 22 de outubro

A maior festa alemã das Américas, a Oktoberfest, chega à sua 38ª edição em outubro e promete atrair milhares de visitantes à Vila Germânica, em Blumenau, Santa Catarina. Para oferecer aos participantes uma experiência mais sustentável, a Veolia, empresa líder global em soluções de gestão de água, resíduos e energia, renovou sua parceria com o evento para gerenciar todos os resíduos e disponibilizar água ultrafiltrada para os visitantes.

Assim como no ano passado, a Veolia será responsável pelo tratamento de aproximadamente 150 toneladas de resíduos gerados ao longo dos 19 dias de festa. A empresa valorizará, por meio de coprocessamento, todos os resíduos gerados no festival, garantindo a meta de Aterro Zero (Zero Waste to Landfill).

O coprocessamento transforma os resíduos em CDR (Combustível Derivado de Resíduos), ou seja, um combustível alternativo e menos poluente. Em 2022, cerca de 2 milhões de copos foram valorizados e se tornaram uma opção “mais verde” de combustível para alimentar fornos e caldeiras de indústrias, substituindo assim os combustíveis fósseis.

Segundo Lina del Castillo, diretora de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da Veolia, a pauta ESG (ambiental, social e de governança corporativa) deve ser levada para os grandes eventos e executada de forma que integre todos os pilares, impulsionando práticas mais sustentáveis para indústrias e cidades, e conscientizando o público no geral.

“Os eventos também são aliados para contribuir com a conscientização ambiental ao adotarem práticas mais sustentáveis. Nos últimos anos, a Oktoberfest se tornou uma grande parceira quando o assunto é manter a tradição, mas com menor pegada ambiental. Para nós da Veolia, é muito importante ser, novamente, parceira de um evento de tanta relevância para o Brasil. Ao mesmo tempo em que a Oktoberfest oferece diversão, ela se transforma para envolver práticas ambientalmente corretas que promovem a Transformação Ecológica da sociedade como um todo”, afirma Lina.

A novidade desta edição, no entanto, é a oferta de água ultrafiltrada a todos os visitantes que passarem pelo festival entre os dias 4 e 22 de outubro. A iniciativa, realizada em parceria com a Ambev, promete reduzir o consumo de garrafas plásticas durante o evento e, assim, diminuir o impacto ambiental, além de conscientizar o consumo consciente de bebida alcoólica.

 

A festa ocorre de 4 a 22 de outubro e os ingressos já podem ser adquiridos pelo site oficial do evento.

>> Leia mais.

Dia Mundial do Meio Ambiente

Indústria brasileira do cimento é referência na redução de emissões dos gases de efeito estufa

Ações levaram o Brasil a se tornar um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho de 2023, sensibilizará toda a sociedade sobre a importância de se adotar práticas sustentáveis para promover a preservação do meio ambiente às futuras gerações. A indústria do cimento está fazendo sua parte, promovendo esforços significativos para reduzir o impacto causado pela atividade. As ações levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial entre os países com a menor emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo, tendo estado à frente desse indicador em mais de 20 dos 30 anos da série histórica.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

“A agenda de carbono é o maior e mais importante compromisso com o meio ambiente já firmado pela indústria do cimento. Tanto que, há 20 anos, os maiores grupos cimenteiros do mundo se uniram para criar o que é hoje considerado o maior banco de dados de emissões de uma atividade industrial no mundo. Atualmente, esse banco de dados é abastecido por 48 empresas cimenteiras atuantes no mundo todo, cobrindo cerca de 850 unidades industriais”

(Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e da ABCP)

Mas esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáticas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Diante desse cenário, o setor tem inovado com o uso de tecnologias como o coprocessamento de combustíveis alternativos nos fornos das cimenteiras para substituição de um insumo intensivo em carbono: coque de petróleo, combustível fóssil usado na queima do calcário para se obter o clínquer, a principal matéria-prima do cimento.

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP e SNIC.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais impróprios quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, destaca o dirigente.

Coprocessamento

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados. Ademais, colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. “Com a tecnologia de coprocessamento, atuamos na redução das emissões de CO2 através do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento”, destaca o presidente da ABCP/SNIC.

A atividade do coprocessamento atingiu sua melhor marca em 2021, desde o início das medições. Foram 2.408 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 44% de combustíveis alternativos, 48% a partir de biomassas e 8% de matérias-primas alternativas, segundo o Panorama do Coprocessamento 2022 (ano base 2021), divulgado pela ABCP. (Acesso aqui o estudo)

Já são 22.778 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2021, ou seja, resíduos que deixaram de ser destinados a aterros e que foram transformados em energia ou que substituíram matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. A tecnologia já é utilizada no Brasil há mais de 25 anos em todo território nacional, contribuindo para uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição em aterros.

 

Informações para Imprensa

>> Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br

>> Daniela Nogueira (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

Governo de Goiás conhece as instalações de preparo de CDR de Salto-SP

Sob coordenação da ABCP, uma missão técnica da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás visitou em maio as instalações de Triagem Mecanizada da Usina de Valorização de Resíduos Sólidos Urbanos da cidade de Salto-SP.

Inaugurada em agosto de 2020, a unidade é operada pela Corpus Saneamento e tem capacidade de triagem de mais de 100 toneladas por dia. Nela, o lixo doméstico é recebido, triado (recicláveis e orgânicos) e, na última etapa do processo, os resíduos são transformados em CDR (Combustível Derivado de Resíduos) e direcionados para o coprocessamento, como fonte energética para a indústria do cimento.

A menor disposição em aterros, transformando resíduos em recursos, é uma solução sustentável e que traz enormes ganhos ambientais e de mitigação dos gases de efeito estufa. A solução passa a ser estudada pelo Estado de Goiás e pode ser replicada em inúmeras outras regiões do nosso país.

A comitiva contou com a presença do subsecretário de Planejamento, Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, José Bento da Rocha, e da superintendente de Políticas Públicas em Saneamento do Estado, Kaoara Batista de Sá, bem como outros membros da secretaria. A ABCP foi representada por Daniel Mattos, head de Coprocessamento, e associadas: InterCement, Cristiano Ferreira, e Votorantim Cimentos, Larissa Dias.

> Saiba mais sobre a Usina de Salto.

 

Rumo à transição energética

Daniel Mattos, gerente de Coprocessamento da ABCP, concedeu uma entrevista ao site AECweb / Construmarket sobre a utilização de resíduos sólidos como fonte de energia alternativa para a produção de cimento, alternativa que se tornou ainda mais oportuna com a guerra entre Rússia e Ucrânia. 

Embora a substituição térmica seja um objetivo conhecido da indústria, essa transição acelerou-se recentemente. “De acordo com o Roadmap Tecnológico do Cimento, para 2020 (base mais atual), tínhamos projetado uma substituição térmica de 22% na matriz energética, porém o percentual real alcançado foi de 28%”, explicou Mattos. 

Veja a íntegra da entrevista no site AECweb / Construmarket 

 

COP-26: indústria brasileira se destaca por pioneirismo 

Foto: indústria do cimento utiliza combustíveis alternativos para a produção, como resíduos e pneus (Divulgação)

 

Iniciativas de empresas locais na prática de economia de baixo carbono devem atrair investimentos para diversos setores 

Por CNI – 04/11/2021 (Valor Econômico)

Os interessados em indústrias comprometidas com o meio ambiente e a sustentabilidade se sentirão tentados a demorar mais tempo no estande do Brasil na COP-26 diante de tantas novidades. Por meio da CNI, o setor apresentará ao público de Glasgow experiências empresariais bem-sucedidas, alinhadas com o projeto nacional da instituição para consolidar a economia de baixo carbono.

Dentre as iniciativas promovidas pelas empresas do setor estão o uso de matérias- primas alternativas (filler calcário, escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas, por exemplo) e combustíveis alternativos tais como biomassas, resíduos industriais, comerciais e domésticos, pneus, entre outros. Essas ações elevaram o Brasil a condição de referência global como o país que menos emite CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

A indústria de cimento brasileira se destaca por um processo industrial menos agressivo, já que o segmento responde por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem, mas, no Brasil, a participação cai para quase um terço da média mundial, 2,3% (dados do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal). 

A partir dessas frentes aliadas à eficiência energética e captura e estocagem de carbono, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões até 2050, evitando a emissão de 420 milhões de toneladas de CO2. Isso implicará a redução da intensidade carbônica do cimento brasileiro de 564 kg por tonelada, hoje a menor emissão global, para 375 kg por tonelada — afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). 

Net Zero 

Outro destaque em neutralização de carbono é a JBS, primeira empresa global do setor de proteína a estabelecer a meta Net Zero, com compromisso de alcançar esse objetivo até 2040. A proposta da empresa é zerar o balanço líquido das emissões de gases causadores do efeito estufa, reduzindo suas emissões diretas e indiretas e compensando todo residual até 2040. A empresa é a segunda maior empresa de alimentos do mundo e a primeira no setor de proteína. 

Empresa de produtos de limpeza ultraconcentrados sem químicos e vendidos em cápsulas retornáveis e recicláveis, a YVY oferece seus produtos não poluentes por meio de e-commerce. O comprador tem acesso a um item fabricado sem nenhum ingrediente sintético nem embalagens plásticas de uso único. Inovação na categoria economia circular, tanto no modelo de negócios quanto no processo de fabricação, e exemplo para encher os olhos dos investidores. 

No Paraná, a Federação das Indústrias (Fiep) atua junto ao governo do estado para criar uma política pública específica para economia circular e também apoia as empresas locais que se adequem à nova legislação. 

Energia limpa 

Cases de indústrias que utilizam fontes renováveis de geração de energia reforçam a adesão do setor à transição energética na indústria brasileira. A Aperam South America e a sua subsidiária, a Aperam BioEnergia, produtora de aço, são as únicas do segmento no mundo a utilizar apenas carvão vegetal como combustível, tendo como resultado o Aço Verde Aperam. 

Já a Fibertex, que investe em fibras recicladas de garrafas PET, usa energia proveniente 100% de fonte renovável e tem um sistema de energia fotovoltaica para a área do escritório administrativo, sustentável em diferentes etapas produtivas. 

Produção de cimento 

A indústria do cimento brasileira desenvolveu o Roadmap Tecnológico do Cimento, uma ferramenta que mapeia diferentes cenários e alternativas capazes de acelerar a transição de baixo carbono do setor a curto, médio e longo prazos até 2050. Com a medida, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões projetadas. Entre as alternativas propostas, o uso de matérias-primas alternativas, ou adições, representaria 69% do potencial de redução do setor, enquanto os combustíveis alternativos respondem por 13%.

O projeto foi resultado da parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e especialistas de universidades e centros tecnológicos do país. 

As alternativas propostas pelo segmento se concentraram em quatro principais pilares. O primeiro, entre as ações para acelerar a transição, está relacionado às matérias-primas alternativas, por meio de adições e substitutos de clínquer, produto intermediário do cimento como escórias siderúrgicas, cinzas volantes e fíler calcário. Os combustíveis fósseis não renováveis também seriam substituídos por alternativos, por meio da utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição. 

Medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico, constituem o terceiro pilar. O quarto pilar é desenvolvido por meio de inovações, com pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas como a captura de carbono.

Papel e celulose 

Talvez o mais representativo dos pilares da estratégia de baixo carbono da CNI, o eixo de conservação florestal se destaca pela indústria de papel e celulose, com o avanço de biotecnologia para um processo mais sustentável, e pelo investimento em concessões florestais. A indústria brasileira de árvores é responsável por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país, e o Brasil abriga nove milhões de hectares de árvores plantadas e 5,9 milhões de hectares para conservação. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), 90% da energia consumida pelo setor é renovável e 70% vêm de autoprodução.

A indústria nacional de produção de papel também é uma das que mais reciclam no Brasil, com uma média de 70% do total produzido, ainda segundo o Ibá. Outra medida sustentável do segmento foi a redução em 75% da água necessária para produzir uma tonelada de celulose, além do índice de reaproveitamento de 43%. 

A CNI defende a inclusão, em processos de concessões florestais, as terras devolutas, que hoje somam mais de 60 milhões de hectares. As áreas públicas sem destinação pelo poder público ficam mais expostas à ação de grileiros e ao desmatamento ilegal. Ao todo, são quase 30 milhões de hectares de terras federais e aproximadamente 34 milhões de hectares de áreas estaduais.

A Lei 11.284, que trata de gestão de terras públicas, é de 2006 e, de acordo com Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, o aprimoramento das regras para a concessão florestal deve contemplar modificações que reflitam aprendizados adquiridos ao longo dos últimos 15 anos. 

Indústria brasileira do cimento: compromissos ambientais e ações

O vídeo elaborado a pedido do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e destinado à COP-26 Glasgow mostra o compromisso do setor de cimento com as questões ambientais, no que tange às emissões dos gases de efeito estufa (GEE), em especial do CO2.

A indústria cimenteira nacional é referência em ecoeficiência, com a menor quantidade (2,3%) de COemitida por tonelada de cimento produzida, enquanto a média mundial está em 7%.

Além disso, a indústria tem metas ainda mais ambiciosas traçadas em seu Roadmap Tecnológico do Cimento, estudo conduzido pelo setor com renomados parceiros nacionais e internacionais e apresentado ao governo, que indica para 2050 uma redução de 55% nas já baixas emissões.

A queima de combustíveis alternativos nos fornos de cimento empregando a tecnologia do coprocessamento tem contribuído de maneira inequívoca para esses resultados tão exitosos.

Assista ao vídeo

 

Programa Lixão Zero em MG pode contar com coprocessamento de resíduos

Solução foi debatida em encontro da indústria de cimento com consórcios intermunicipais que concorrem ao crédito de R$ 100 milhões do MMA

Os esforços visando a erradicação dos lixões e o fortalecimento da economia circular no país ganharam na manhã desta quinta-feira, 15/07, mais um suporte, desta vez envolvendo a indústria de cimento e consórcios públicos intermunicipais do Estado de Minas Gerais. Com a presença de aproximadamente 40 participantes, dos quais 8 painelistas e 28 dirigentes de consórcios mineiros convidados, a ABCP promoveu o webinar “Destinação Sustentável para os Resíduos Sólidos Urbanos – Tecnologia de Coprocessamento”, evento referenciado no edital de chamada pública elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, cujo objetivo é a seleção de projetos para a melhoria da gestão de resíduos sólidos no Estado de Minas.

Os recursos anunciados no edital, disponibilizados pelo programa Lixão Zero, somam 100 milhões de reais e o prazo para apresentação de projetos se encerra no final do mês. Os consórcios contemplados terão o compromisso de operar as usinas de triagem e a responsabilidade de encerrar os lixões nos municípios beneficiados pelo projeto. Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente apontam que Minas tem, hoje, 406 municípios (33% da população) que integram um ou mais consórcios públicos intermunicipais atuantes na gestão de resíduos sólidos. Foram convidados ao evento ao menos seis consórcios cujos territórios possuem fábricas de cimento: CIGEDAS, CISREC, CISAB, CODANORTE, CONSANE e CORESAB.

Trabalho conjunto

O evento foi aberto e conduzido por Mário William Ésper, diretor de Relações Institucionais da ABCP, que destacou o “intenso trabalho junto aos órgãos de governo no sentido de colaborar para a destinação adequada dos resíduos sólidos urbanos”. Ele lembrou que 25% de todo o cimento consumido no Brasil provém de Minas Gerais, o que já representa um grande parque consumidor de CDRU (Combustível Derivado de Resíduo Urbano). “A indústria utiliza o coque de petróleo para produzir o cimento. Diante das várias ações da indústria para mitigar a emissão de gases de efeito estufa, uma das medidas é utilizar combustíveis alternativos. O objetivo da ABCP é formar uma parceria com os consórcios presentes para enfrentar esse desafio”, enfatizou Mário William.

Daniel Mattos, diretor de Coprocessamento da ABCP, destaca que a apresentação da tecnologia do coprocessamento aos consórcios convidados está em linha com o edital e o programa, pois pode contribuir para a melhoria do gerenciamento de resíduos sólidos urbanos na região. O governo pretende que o recurso seja utilizado na construção de unidades de tratamento de resíduos em três categorias: reciclável, orgânicos e CDRU – este utilizado pela indústria em substituição a combustíveis fósseis, como o coque de petróleo. “Esta é uma oportunidade para a implantação de instalações de reciclagem e requalificação de lixo urbano, colaborando para a erradicação dos lixões”, explica Daniel. Em sua explanação, ele lembrou que o Brasil gera 79,1 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) por ano, sendo que 45% desse volume têm disposição inadequada. Em contrapartida, Minas gera anualmente 1,6 milhão de toneladas de CDRU (resíduos não recicláveis) por ano, o que pode ser aproveitado pelas 13 plantas industriais integradas do Estado.

O encontro contou também com uma apresentação de Juliano Menezes, gerente da Geocycle, empresa do grupo LafargeHolcim, sobre “Planta de triagem / CDRU – Etapas do processo e cases de sucesso”, oportunidade em que o executivo mostrou o exemplo bem-sucedido de uma instalação industrial do grupo na Costa Rica. Ao lado de Menezes, o setor esteve representado por três diretores da indústria de cimento com unidades produtoras em Minas Gerais: Cristiano Ferreira (Intercement), Francisco Chaves Jr (Votorantim) e Pedro Carvalho (Cimento Nacional). Ao término das apresentações, todos interagiram com representantes dos consórcios para sanar dúvidas e reforçar potenciais parcerias.

O coprocessamento é um forte aliado da economia circular. Por meio dessa tecnologia, os resíduos industriais, agrícolas e sólidos urbanos podem ser reinseridos na cadeia produtiva, em substituição aos combustíveis fósseis. Além disso, ocorre uma substituição de matérias-primas e o que não é convertido em energia é incorporado ao clínquer. A solução traz inúmeras vantagens, como: preservação de recursos naturais e matérias-primas, redução de gases de efeito estufa, geração de empregos, erradicação dos lixões, melhoria da saúde pública, inclusive com economia de gastos nessa área, e aumento da vida útil dos aterros sanitários.

>> Assista ao vídeo do evento no canal da ABCP no YouTube: