Sustentabilidade e Inovação: questão de competitividade

Economia circular, precificação de carbono, mitigação de CO2 e investimentos em ESG são conceitos e tendências mundiais que vieram para ficar

Por Paulo Camillo Penna*
Publicado originalmente em Concrete Digital 

Economia circular, precificação de carbono, mitigação de CO2 e, mais recentemente, investimentos em ESG (ambiental, social e governança, em inglês) são conceitos e tendências mundiais que vieram para ficar e as empresas que melhor se adaptarem terão mais competitividade, trazendo benefícios para toda a sociedade.

A indústria do cimento brasileira, nesse sentido, sempre caminhou lado a lado com a sustentabilidade, inovando e investindo, historicamente, em medidas que diminuam os impactos ambientais das operações.

Em virtude destes esforços que vêm sendo realizados há anos, a indústria nacional registra – desde o início da contabilização de emissões em 1990 até hoje – os menores níveis mundiais de emissão de CO2 por tonelada de cimento produzido, de acordo com dados internacionais da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês). E é justamente na busca por soluções para reduzir ainda mais a ‘pegada’ de carbono que a atividade do cimento vem constantemente se aprimorando.

Com o objetivo de acelerar a transição do setor rumo a uma economia de baixo carbono, a indústria do cimento brasileira, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC) do Banco Mundial e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) – além de um grupo de renomados acadêmicos de importantes universidades brasileiras – lançou, em 2019, o Roadmap Tecnológico do Cimento.

Este projeto, um dos mais ambiciosos do setor nos últimos anos, analisa e propõe uma série de medidas de redução de emissões a médio e longo prazos. Assim, mesmo sendo aquela que obteve os melhores resultados na mitigação das emissões nas últimas décadas, a indústria nacional apresenta, por meio de seu Roadmap, metas ainda mais desafiadoras para o futuro: reduzir em 33% a ‘pegada’ de carbono até 2050, evitando a emissão de cerca de 420 milhões de toneladas de CO2 até lá. Entre as principais iniciativas para isso estão elevar o uso de adições e substitutos de clínquer de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos, dos atuais 23% para 55%.

Com relação às adições, um divisor de águas foi, certamente, a atualização das normas de cimento da ABNT – defasadas em quase 30 anos – que foram recentemente revisadas e adequadas aos mais modernos padrões internacionais. Um grupo representado por produtores de cimento, consumidores, entidades governamentais e privadas, universidades, entre outros, conseguiu criar as regras para um cimento mais verde, com teores mais altos de adições e sem perda do alto patamar de qualidade já atingido. E a indústria brasileira do cimento já produz com este novo padrão, contribuindo ainda mais para a redução de suas emissões.

Já no que diz respeito aos combustíveis alternativos, o setor deu um importante salto a partir da publicação, em 2020, da nova Resolução CONAMA, que dispõe sobre o Coprocessamento de Resíduos em fornos de cimento. Esta nova norma substitui a anterior, em vigor por mais de vinte anos. Com a modernização da resolução, o setor segue a passos largos rumo à redução da ‘pegada’ de carbono, uso sustentável de recursos naturais e em linha com os conceitos mais atuais de economia circular.

Presente no Brasil desde o final da década de 90 – e na Europa há pelo menos 20 anos – a tecnologia de coprocessamento constitui, ainda, uma das soluções para o problema de disposição ambientalmente adequada de resíduos, infelizmente não atendida pela maior parte dos municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Um grande marco para o país, neste sentido, aconteceu em 2019, quando o setor cimenteiro passou a coprocessar – além dos resíduos industriais há muito utilizados – resíduos sólidos urbanos. Importante ressaltar que, até 2030, o setor pretende coprocessar cerca de 2,5 milhões de toneladas/ano deste tipo de resíduo, contribuindo diretamente para a erradicação dos lixões nas cidades e para significativa ampliação da vida útil de aterros sanitários.

Com o objetivo maior de atender à demanda por cimento para a construção das necessidades habitacionais e de infraestrutura do país, investir em inovação e sustentabilidade é questão de competitividade para o setor, ainda mais em um mundo em rápida transformação. Os caminhos a serem percorridos para continuar liderando este processo são desafiadores. Mas faz parte do DNA da indústria do cimento vencer desafios.

 

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* Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, possui vivência de mais de 30 anos em altos cargos executivos no setor público, empresas e entidades nacionais representativas de diversos segmentos, tais como: Presidente da Fundação TV Minas – Cultural e Educativa de Minas Gerais, Diretor da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (ABRALATAS), Diretor e, posteriormente, Vice-Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (SINFERBASE), Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e Vice-Presidente do Grupo AES Brasil. Integrante de conselhos e fóruns empresariais no País e no exterior como membro titular do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) e do Conselho de Assuntos Legislativos (COAL) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), membro convidado do World Economic Forum (WEF), membro titular do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (DECONCIC), entre outros. Eleito Diretor da FIESP para o triênio 2018 – 2020. Tem ativa participação na mídia nacional e internacional.

Empresas apostam em economia circular para reduzir impactos ambientais

Tecnologia e campanhas educativas melhoram gestão de resíduos

As mudanças climáticas e o aquecimento global, com efeitos potencialmente destrutivos para a humanidade, têm demandado de governos e empresas a adoção de medidas robustas de mitigação de impactos ambientais na produção econômica.ebc.pngebc.png

Nesse cenário, iniciativas em torno da chamada economia circular desenvolvem soluções tecnológicas e campanhas educativas que ajudam a “limpar” a cadeia produtiva e a melhorar a gestão de resíduos em diversos setores.

“De forma simplificada, economia circular é você tentar manter o recurso pelo máximo de tempo possível dentro da cadeia produtiva. Investir nos seus ciclos, que é a questão da reciclagem, o reuso, a remanufatura e, dessa forma, manter a durabilidade [do recurso] pelo maior tempo possível”, afirma Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para Bomtempo, com a ascensão da agenda ambiental ao centro das preocupações geopolíticas, a exemplo da Cúpula do Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no mês passado, fica mais evidente que a economia circular pode desempenhar um papel transformador para que os países consigam atingir as metas de redução da emissão de gases poluentes na atmosfera.

“Se você tiver os princípios de economia circular implantados em um determinado país, com certeza passa a reduzir emissões e contribuir para o alcance dessas metas. É importante lembrar que há um contexto internacional muito forte. No acordo do Mercosul com a União Europeia, por exemplo, há um capítulo inteiro sobre desenvolvimento sustentável, onde o pilar central é a redução das emissões por meio do Acordo de Paris. E é dessa forma que a economia circular poderia entrar para contribuir”, argumenta.

Pesquisa feita pela CNI em 2019 mostra que 76,5% das indústrias desenvolvem alguma iniciativa de economia circular, embora a maior parte não saiba que as ações se enquadram nesse conceito. Entre as principais práticas estão a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%) e a recuperação de recursos (24,1%). A pesquisa também mostra que 88,2% dos entrevistados avaliaram a economia circular como importante ou muito importante para a indústria brasileira. E não se trata apenas da busca por eficiência e economia.

Levantamento sobre o perfil dos consumidores brasileiros, também da CNI, mostra que 38% dos entrevistados sempre verificam ou verificam às vezes se os produtos foram produzidos de forma ambientalmente correta. A pesquisa revela ainda que os brasileiros também têm mais consciência sobre o destino do lixo. O número de pessoas que separa o lixo para a reciclagem cresceu de 47%, em 2013, para 55% no ano passado.

Para incentivar a circularidade na economia, a Organização Internacional de Normalização (ISO, na sigla em inglês) está elaborando uma norma técnica internacional de economia circular, com a participação de representantes de 70 países, incluindo o Brasil. A CNI representa o Brasil e a América Latina nesse processo. No próximo ano, o país deve sediar encontro para finalizar o texto do documento.

CIRCULARIDADE DE PRODUTOS ELETRÔNICOS

A multinacional Flex, que vende componentes eletroeletrônicos, como placas, computadores, celulares e impressoras, é uma das empresas que vislumbrou esse potencial do país e, desde 2013, criou uma nova frente de negócios que existe só no Brasil, voltada para a recuperação de resíduos eletrônicos próprios e de outras empresas. Naquele ano, foi fundado o Sinctronics, um centro de inovação da companhia localizado em Sorocaba (SP). Lá, diversos tipos de eletroeletrônicos são desmontados, descaracterizados e separados de acordo com suas propriedades.

“Hoje temos 300 toneladas de resíduo industrial da própria Flex e mais 300 toneladas de resíduos eletrônicos de clientes que levamos para o Sinctronics todos os meses, e 70% disso a gente consegue reinserir em cadeias produtivas. Uma boa parte volta para a Flex e outra vai para diferentes cadeias produtivas”, relata Leandro Santos, vice-presidente de Operação da Flex no Brasil. Para o restante de 30% de resíduos, que inclui itens como plástico, o Sinctronics desenvolveu tecnologia para triturar, derreter e granular as matérias-primas, que depois são reinseridas na cadeia sem necessidade de novas extrações.

Em 2018, o Sinctronics, da Flex, ganhou o certificado Zero Waste (resíduo zero, do inglês), por um processo de eliminação de 100% dos resíduos eletrônicos da HP, sua principal cliente, como a recuperação de cartuchos de impressora.

ALIMENTOS E COSMÉTICOS

Presente em 16 países e referência na prestação de serviços ambientais para outras empresas, a Ambipar atua em vários projetos de reaproveitamento de matéria-prima da produção. Na indústria de alimentos, como chocolates e bolachas, por exemplo, a empresa usa as sobras para fazer um composto para nutrição animal, com alto valor energético, que é então absorvido em outras cadeias produtivas, evitando-se o descarte em aterros ou lixões. Em outro projeto, as sobras de açúcar das sacas que ficam armazenadas no Porto de Santos, para exportação, são recuperadas e encaminhadas para uma usina de açúcar, a fim de serem fermentadas para se transformar em álcool. A companhia também atuou no processamento dos resíduos da barragem da Vale em Brumadinho (MG), rompida em 2019. Na pandemia, a Ambipar também tem atuado em serviços de descontaminação de ambientes coletivos, como aviões, centros médicos e outros espaços, para conter a propagação do vírus da covid-19.

“Nosso objetivo é sair daquele padrão linear de consumo, produção, consumo e descarte e fazer aquele conceito cíclico, de tentar sempre trazer o máximo desses resíduos, evitar que sejam descartados, evitando problemas ambientais e gerando custos. Além disso, retornar com matéria-prima de produtos e, com isso, aumentar o ciclo de vida desses materiais, diminuir os impactos, a questão do carbono e gerar receita”, diz Gabriel Estevam, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ambipar.

No setor de cosméticos, a Ambipar presta serviços de reaproveitamento de resíduos de produtos como shampoo, perfumes e cremes, que são transformados em base para produção de sabonetes, amaciantes e álcool. Na produção de celulose, um projeto da multinacional no Paraná ajuda a processar todos os resíduos da produção de papel, como folhas, lodo e casca, que são transformados em compostagem usada na própria adubação das florestas de eucaliptos.

CIMENTO MAIS LIMPO

Responsável por 7% de todas as emissões mundiais de carbono na atmosfera, atrás apenas da siderurgia, de acordo com a Associação Global de Cimento e Concreto, o setor tem buscado em matérias-primas alternativas a possibilidade de reduzir os impactos ambientais. Uma dessas iniciativas, consolidada no Brasil, é a adição de resíduos de outras indústrias – como a siderúrgica e as cinzas geradas por usinas termoelétricas – na composição do clínquer (composto de calcário e argila aquecidos), que é o produto base da fabricação de cimento.

“Quanto menos clínquer a gente colocar no cimento, melhor em termos de impactos ambientais. Então, a gente pode produzir um cimento com 80% de clínquer e 20% de adições, ou 60% de um e 40% de outro. No futuro, nosso objetivo é chegar a uma proporção de 50% de clínquer com 50% de produtos alternativos”, afirma Gonzalo Visedo, chefe de Sustentabilidade do Sindicato Nacional da Industria do Cimento (SNIC).

Outra mudança estrutural na indústria do cimento é o uso de resíduos alternativos ao coque, um subproduto do refino de petróleo usado nos fornos das fábricas. Atualmente, o nível de substituição do coque por resíduos chega a cerca de 21% e a projeção é chegar a 55% até 2050. Entre os materiais coprocessados nessa queima estão cerca de 600 mil unidades de pneus por ano e biomassas típicas de cada região, como açaí, casca de arroz, casca de babaçu, cavaco de madeira, além de resíduos industriais e lixo doméstico.

“O coprocessamento nada mais é do que destinação de diversos tipos de resíduos provenientes de diversas fontes geradoras, como plástico, borracha, vidro, medicamentos. Os fornos das fábricas, que aquecem as matérias-primas a 1,5 mil grau Celsius, têm capacidade de destruição térmica extremamente eficiente”, explica Daniel Mattos, chefe do setor de coprocessamento da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Durante o vazamento de 5 mil toneladas óleo que atingiu todo o litoral do Nordeste em 2019, a indústria do cimento desempenhou papel importante no coprocessamento desses resíduos que eram retirados das praias e incinerados nos fornos. As fabricantes de cimento também têm atuado no coprocessamento de cerca de 120 mil toneladas por ano de resíduos sólidos urbanos na Paraíba e em São Paulo. Nos próximos dez anos, a meta é expandir o serviço para outros estados do país e chegar a um patamar 2,5 milhões de toneladas/ano de lixo urbano coprocessado.

TAMPINHA LEGAL

Além da mudanças de padrões produtivos da própria indústria, campanhas educativas impulsionadas por empresas ajudam a mobilizar o envolvimento da comunidade, gerando renda e incentivando a circularidade de matérias-primas. É o caso do projeto Tampinha Legal, promovido pelo Instituto Sustenplást, em Porto Alegre. O programa estimula a entrega de tampinhas de plástico de garrafas pet em centenas de pontos de coleta espalhados pela cidade.

Participam do projeto entidades assistenciais do terceiro setor devidamente regularizadas como Apaes, escolas, asilos, associações civis, hospitais, entre outras. Com os recursos obtidos por meio do Tampinha Legal, as entidades assistenciais podem adquirir medicamentos, alimentos, equipamentos e materiais, além de custear tratamentos e exames de saúde e reformas.

“Somente em 2020, foram geradas receitas de R$ 1,2 milhão e a coleta de 350 milhões de tampinhas, cerca de 670 toneladas”, afirma o presidente do Instituto Sutenplast, Alfredo Schimitt.

DESAFIOS REGULATÓRIOS

Para melhorar o ambiente de negócios da economia circular no país, os especialistas ouvidos pela Agência Brasil defendem mudanças regulatórias para criar estímulos, principalmente em relação à tributação.

“Lá fora, no exterior, você tem subsídios para a economia circular. Aqui a gente compete por igual com os setores extrativistas, muitos deles contemplados com desonerações tributárias. Esse é um ponto em que valeria uma discussão nesse sentido, pensar alguma linha de fomento, alguma linha que alavanque o segmento”, diz Gabriel Estevam, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ambipar.

“No Brasil e no mundo, o pensamento ainda é o de punir quem não faz. Precisamos de modelos que premiam quem faz produção no formato circular. Esse custo deveria voltar como benefício”, diz Leandro Santos, da Flex.

Há um otimismo em torno do marco regulatório do saneamento básico, aprovado no ano passado, que prevê maior participação de empresas privadas na oferta de serviços. Na opinião de Daniel Mattos, da ABCP, a nova legislação deve ter potencial impacto na economia circular.

“Nossa expectativa é que isso traga maior segurança jurídica para a abertura de novos investimentos pela iniciativa privada, além de trazer recursos financeiros, a partir da criação de taxas municipais de gestão de resíduos, a exemplo do que já acontece no setor de energia e esgoto”.

Publicado em 17/05/2021 – 06:50
Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil – Brasília
Foto: Divulgação

Precificação de Carbono

Alinhada ao Acordo de Paris, indústria brasileira do cimento lança seu posicionamento sobre o tema

A indústria brasileira do cimento fez na sexta-feira (27/11), por meio da Presidência da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o lançamento oficial do seu posicionamento sobre a Precificação do Carbono, iniciativa em debate no país e que integra os esforços globais para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Pioneiro, no Brasil, no tratamento de questões ambientais, o setor de cimento é amplamente favorável a uma economia de baixo carbono e propõe que uma eventual precificação deve considerar que:

• A inclusão do setor em instrumento de precificação deve considerar também o contexto internacional;

• Esforços históricos devem ser levados em conta;

• A sobreposição de mais de um instrumento de precificação de carbono deve ser evitada;

• Os esforços de redução de emissões devem ocorrer em todos os setores econômicos;

• A política de precificação de carbono deve ser precedida por um sistema de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV);

• Deve-se priorizar sistemas de precificação via mercado, em detrimento da taxação;

• Uma agenda de implementação gradual deve ser discutida;

• Fugas de carbono devem ser evitadas;

• Instrumentos de fomento a tecnologias e processos mais eficientes devem ser considerados.

Leia aqui o documento completo:

Cooperação Abema-ABNT garante modernização de normas técnicas ambientais

Fonte / Texto: Edwaldo Cabidelli / Ascom/Sisema

Foto: Reprodução Youtube

A Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), presidida pelo secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, assinou, nesta quinta-feira (20/8), Acordo de Cooperação Técnica com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para elaboração e revisão de documentos técnicos normativos nos setores de meio ambiente, resíduos e saneamento. Participaram do evento virtual, transmitido ao vivo pelo canal da ABNT no Youtube, além do secretário Germano Vieira, a vice-presidente da Abema e secretária de Estado Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, o assessor Ivan Mello, representando o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Marcos Penido, e o presidente da ABNT, Mário Esper.

O convênio entre as associações prevê, entre outras ações, a atualização do corpo normativo da ABNT para os setores de saneamento e tratamento de resíduos, composto atualmente por 208 normas publicadas e 73 projetos em andamento, relacionados a saneamento, e 27 normas publicadas, além de sete projetos em andamento, ligados a todos os tipos de resíduos no país.

Segundo o presidente da ABNT, Mário Esper, a recomendação internacional de validade para as normas técnicas é de, no máximo, cinco anos. Após esse período, o documento deve ser revisado. “Atualmente, temos 25 normas que tratam de resíduos acima do limite previsto para revisão, algumas delas com mais de 30 anos. Por isso, este acordo é tão importante para dar celeridade à revisão e atualização conjunta deste corpo normativo”, salientou Esper.

O Termo de Ajustes firmado estabelece ainda o desenvolvimento de normas que irão reger a criação de Ecocentros e Ecopontos, visando a destinação ambientalmente adequada de materiais recicláveis, além da elaboração de modelos relacionados à logística reversa de embalagens após o consumo. A gestão de resíduos da cadeia de valor das baterias, como estruturas fotovoltaicas e automóveis elétricos, será também avaliada e normatizada em parceria com a Abema.

Na avaliação do presidente da Abema e secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Germano Vieira, o convênio assinado marcará uma nova fase de cooperação interinstitucional entre as entidades estaduais de meio ambiente e os órgãos normativos técnicos. “Trata-se de um acordo histórico para os órgãos ambientais do país, pois atende a um objetivo que secretários e secretárias de meio ambiente de todos os estados vêm buscando há anos, que é a modernização normativa calcada em critérios técnicos”, destacou o Germano Vieira.

A Abema irá fornecer subsídios, elementos técnicos, dados quantitativos e qualitativos, análises críticas, publicações, estudos nacionais e internacionais, além de viabilizar debates e consultas públicas com o objetivo de oferecer todo o arcabouço teórico e prático para a elaboração de novos modelos e revisão das normas vigentes relacionadas à gestão ambiental no país. A partir deste conteúdo, a ABNT deverá formular propostas que serão avaliadas em conjunto pelas duas entidades.

Para a vice-presidente da Abema e secretária de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, o Acordo de Cooperação Técnica deverá auxiliar também nos processos de modernização do licenciamento ambiental praticados em âmbito estadual. “A revisão normativa será essencial para que tenhamos eficiência e resultado em nossas ações e esse convênio marca uma mudança de perspectiva bastante positiva para o trabalho que realizamos em nossos respectivos estados”, disse a vice-presidente.

Também presente no evento virtual que oficializou a parceria entre as duas associações, o assessor da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo e um dos responsáveis pelo Comitê de Integração de Resíduos Sólidos da pasta, Ivan Mello, lembrou da importância da adequação e modernização de normas técnicas relacionadas ao meio ambiente para a revisão da Política Estadual de Resíduos Sólidos, que vem sendo promovida pelo governo paulista. “Essa parceria é muito bem vinda, pois auxilia na definição de soluções ambientalmente adequadas para os resíduos gerados pela população e poderá servir também de subsídio para definição de novos instrumentos legais no setor”, afirmou Mello.

Gerenciamento de resíduos

O primeiro projeto previsto a partir da parceria entre as duas associações está ligado à destinação e rastreabilidade de resíduos sólidos urbanos. A iniciativa conjunta estabelece os requisitos mínimos visando o acompanhamento da documentação e a segurança ambiental durante todas as etapas de gerenciamento de resíduos, desde sua origem, no gerador, até sua destinação final ou disposição final, incluindo a movimentação e outras operações intermediárias.

Os requisitos desta norma aplicam-se aos resíduos sólidos urbanos para fins energéticos, de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço, provenientes dos serviços públicos de saneamento básico, transportes, mineração, industriais, agrossilvopastoris e também gerados em eventos e operações de gerenciamento de áreas contaminadas. Uma comissão formada por representantes da Abema e da ABNT foi estabelecida para dar início imediato à estruturação das ações.

Abema

Criada em 1985, a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente está presente nos 26 Estados e no Distrito Federal. A entidade reúne as 27 secretarias de estado de meio ambiente do país, além de 21 autarquias e fundações responsáveis pela implementação da política ambiental em âmbito estadual, incluindo licenças e autorizações e demais instrumentos que integram a Política Nacional de Meio Ambiente como zoneamento, avaliação de impacto ambiental, infrações administrativas, gestão florestal, biodiversidade, recursos hídricos e mudanças climáticas; concentrando boa parte das responsabilidades pelas políticas públicas de meio ambiente do Brasil.

Marcada pela pluralidade política, a associação mantém um posicionamento calcado na unidade e no consenso entre seus representantes, contribuindo decisivamente para os avanços ambientais conquistados no Brasil nas últimas três décadas, desde sua fundação. Por meio de reuniões, seminários e encontros, a entidade promove o debate e a articulação dos secretários de estado e dirigentes dos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAs), além de manter participação no corpo técnico de entidades vinculadas.

Ao longo dos anos, a Abema vem adotando estratégias em âmbito nacional para implantação da política ambiental brasileira sempre atenta às peculiaridades estaduais. Historicamente, a associação participou da construção, discussão e aprovação de relevantes resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), com destaque para as resoluções 01/1986 e 237/1997, que norteiam o licenciamento ambiental brasileiro até o presente momento, sendo este último considerado o principal instrumento no Brasil para exercer controle prévio e acompanhar as atividades que utilizam recursos naturais.

Sima e Sabesp promovem 5° Ciclo sobre Tecnologias de Tratamento de Resíduos

Quase 400 pessoas acompanharam nesta terça-feira (05/05/2020) a videoconferência do “5º Ciclo de Tecnologias de Tratamento de Resíduos Sólidos”, organizada pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Sima) do Estado de São Paulo, por meio do Comitê de Integração de Resíduos Sólidos (CIRS), e a Sabesp, por meio de sua Diretoria T.

Durante o encontro foram apresentados aspectos legais, tecnologias de processamento, viabilidade técnica e financeira, além dos benefícios ambiental e social no uso do coprocessamento dos resíduos pelas fabricas de cimento.

“Transformar resíduos em recurso é a chave para uma economia circular, tendo a indústria do cimento muito a contribuir na geração de soluções sustentáveis para a sociedade”, comentou o executivo da ABCP, Daniel Mattos.

Atualmente, o Brasil produz 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. “A experiência dos países europeus mostra que o aproveitamento energético caminha junto com a reciclagem dos resíduos, as questões são complementares”, complementou o diretor da Votorantim, Eduardo Porciúncula.

“A única maneira de alcançar as metas de crescimento no uso de combustível derivado de resíduos é através do uso conjunto de CDRI e CDRU, de forma a assegurar o desempenho das unidades industriais”, destacou o executivo da Intercement, Alexandre Citvaras.

O encontro foi mediado pelos coordenadores do CIRS, José Valverde e Ivan Mello; e contou também com a participação do secretário executivo da Sima, Luis Ricardo Santoro, e do presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Paulo Camillo.

“Não tem cabimento jogar fora a quantidade de material servível que estamos desperdiçando, precisamos utilizar todo esse potencial no aproveitamento e amadurecimento de uma economia circular e as soluções passam por diferentes modelagens, de acordo com cada região do Estado”, disse o secretário, Marcos Penido.

Fonte: Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente

Cientistas desenvolvem projetos para reaproveitar o óleo que está poluindo o litoral do Nordeste

Revista Galileu: Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia trabalham com método para transformar o óleo em matéria-prima para a construção civil

 

Vanessa Centamori / Revista Galileu

Foto: Petróleo polui praias do Nordeste desde o início de setembro (Márcio Garcez / Agência O Globo)

 

31 OUT 2019 – 09H31

Desde que a primeira mancha de óleo foi observada no dia 30 de agosto no estado da Paraíba, municípios e governos tentam combater o pior desastre ambiental já registrado na região: mais de 250 locais que incluem praias e reservas ambientais já foram contaminados pelo vazamento, que ainda não tem origem oficialmente esclarecida. Já foram recolhidas mais de 1 mil toneladas do resíduo, mas a questão que fica é: qual será o destino desse óleo todo?

Em nota enviada à GALILEU, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) conta que parte do material recolhido está a cargo da Petrobras e o restante do resíduo recolhido foi destinado a empresas de tratamento ligadas a governos estaduais e municipais.

“Está sendo feito um trabalho de interlocução direta com os estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para, oportunamente, realizar a destinação final ambientalmente adequada”, diz o instituto.

A indústria do cimento

Em Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife, o petróleo está sendo utilizado em fábricas cimenteiras, além de servir como matéria-prima para fabricar combustível usado pelas indústrias. O processo de reaproveitamento do óleo ocorre no centro de tratamento de resíduos Ecoparque Pernambuco (CRT).

O diretor técnico do CRT, Laércio Braga Chaves, conta à GALILEU que desde sábado chegaram ao centro de tratamento mais de 18 toneladas de petróleo. “O óleo é misturado com outros resíduos industriais que a gente recebe como papelão, papel, plástico e madeira”, diz.

Segundo Chaves, a mistura de materiais passa por um pré-triturador, segue por uma esteira e por uma peneira, saindo mais fino. Depois, passa por outra peneira e por um triturador com mecanismo de rotação. O resultado é uma mistura energética, conhecida como blend, formada de pequenas partículas de cinco milímetros, que depois é vendida para duas fábricas cimenteiras no estado vizinho da Paraíba.

As indústrias usam esse produto nos fornos como combustível: de acordo com especialistas, tal material conta com um maior poder de queima e substitui outro derivado do óleo usado pelas indústrias de cimento, chamado de coque. Chaves explica que essa opção é melhor do que levar o petróleo até aterros sanitários, onde o material pode degradar o solo.

Leia a matéria completa no site da Galileu.

 

Óleo nas praias: fábrica de cimento usa substância em fornos

O óleo cru que vem contaminando as praias do litoral do Nordeste desde setembro de 2019 está sendo recolhido e utilizado como combustível pela indústria de cimento. Reportagem da GloboNews mostra como unidade da Brennand Cimentos na Paraíba está tratando o material a ser coprocessado.

Reportagem da GloboNews – 31/10/2019

>> Clique aqui para assistir ao ví­deo

 

Coprocessamento ajuda meio ambiente

O óleo cru que se espalha pelo litoral do Nordeste desde setembro de 2019 será recolhido e utilizado pela indústria de cimento como combustível, segundo reportagem da GloboNews em Pernambuco.

>> Clique aqui para assistir ao ví­deo

 

Votorantim premiada por coprocessamento no Tocantins

Fábrica de Xambioá (Foto: Divulgação Votorantim)

 

Em 2017, unidade de Xambioá deixa de enviar resíduos ao aterro sanitário para usar na produção de clínquer

Por Fausto Oliveira

A Votorantim Cimentos, maior cimenteira do Brasil, foi reconhecida com o Prêmio Mérito Ambiental do Estado de Tocantins por suas práticas de coprocessamento na unidade de Xambioá. Ao utilizar resíduos de diferentes origens, todos gerados na própria fábrica, para produzir o clínquer, em 2017 Xambioá não destinou resíduos ao aterro sanitário do Tocantins.

O coprocessamento é uma adaptação técnica da produção de clínquer. Trata-se de inserir no forno de moenda resíduos que podem ser queimados e gerar energia térmica. Com isto, se evita a queima de combustíveis fósseis, e as cinzas resultantes por esta combustão de resíduos se integra quimicamente à estrutura do clínquer. Assim, o coprocessamento é considerado cada vez mais uma prática correta na indústria cimenteira global, para reduzir os impactos do cimento no meio ambiente.

Na unidade de Xambioá, os resíduos queimados no forno são de todo tipo: de acordo com a Votorantim, equipamentos de proteção individual, embalagens de produtos químicos e pó de serra de limpeza de maquinário, entre outros.

Hoje em dia, a Votorantim Cimentos realiza coprocessamento em 15 fábricas no país. Sua meta é chegar a 30% de uso de resíduos para queima de clínquer em todas as suas fábricas no mundo, até 2020. No Brasil, no ano passado, 25% de todo o combustível usado foram renováveis.

Fonte: Concreto Latino-Americano / KHL (15/06/2018)

Seminário sobre coprocessamento em Curitiba

A destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento, técnica conhecida como coprocessamento, é o tema central de um seminário que reuniu no dia 18/04/2018 mais de 100 pessoas – entre autoridades, executivos e técnicos – em Curitiba-PR. Realizado pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o Seminário Coprocessamento de Resíduos na Indústria de Cimento foi uma promoção do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e contou com o apoio de três grupos industriais da área de cimento: Itambé, Supremo Secil e Votorantim Cimentos.

As boas vindas do evento coube a Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC, juntamente com Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que foram acompanhados na solenidade de abertura por autoridades da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad/MG), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Durante a manhã, a programação ofereceu informações relevantes sobre a prática do coprocessamento e sua contribuição para a redução dos gases de efeito estufa, bem como as ações da indústria do cimento em favor do meio ambiente – caso, por exemplo, da palestra “ABCP e SNIC – RoadMap”, proferida por Gonzalo Visedo, analista de Meio Ambiente do SNIC.

Uma abordagem sobre a normalização técnica na área coube a Milton Norio Sogabe, gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que tratou do tema “Norma para coprocessamento de CDRU no Estado de São Paulo”, e Antônio Augusto Melo Malard, subsecretário de Regularização Ambiental da Semad/MG, que falou sobre a “Revisão da DN 154 – Coprocessamento de resíduos”.

À tarde, a programação trouxe Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que destacou a experiência paranaense na palestra “Licenciamento de resíduos para coprocessamento”, e Regina Froener, chefe do Serviço de Licenciamento de Atividades Industriais em Implantação – SELAI, da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul), que abordou “Gerenciamento de resíduos – Portaria 16”. Por fim, o Estado de Santa Catarina foi representado por Fábio Castagna da Silva, gerente de Gestão de Processos Ambientais da FATMA (Fundação Meio Ambiente de Santa Catarina), que apresentou o “Manifesto eletrônico de transporte de resíduos”.

Após as apresentações, o seminário seguiu com debates sobre os temas tratados, sob a coordenação do gerente de Relações Institucionais da ABCP, Mário William Esper.