Indústria do cimento busca soluções para diminuir pegada de carbono

O Jornal da Globo veiculou nesta quinta-feira, 6/11, matéria sobre iniciativas da indústria do cimento para diminuir a pegada de carbono do setor, com destaque para combustíveis alternativos em substituição ao coque de petróleo e matérias-primas alternativas. 

A reportagem integra uma série que antecede a COP30 e aborda desafios e tentativas de setores da economia para reduzir suas emissões de CO2. 

Assista à reportagem completa:

https://globoplay.globo.com/v/14077897/

Fábricas de cimento brasileiras investem para diminuir a emissão de CO2

O Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculou nesta quinta-feira, 23/10, reportagem sobre a iniciativa e principais ações da indústria brasileira do cimento de buscar a descarbonização da cadeia produtiva.

"Historicamente, a indústria do cimento é um dos setores mais poluentes. Mas no Brasil, para sair dessa posição desconfortável, os fabricantes têm feito investimentos e mudado procedimentos", diz a apresentadora Renata Vasconcellos na abertura da matéria.

"As obrigações ambientais viraram metas do setor, que quer atingir, até 2050, a chamada neutralidade nas emissões de carbono", completa a chamada.

Assista à reportagem completa:

ABCP e SNIC no CNN Money

O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, participou nesta tarde (7/8) de entrevista ao vivo no programa CNN Money, na qual destacou não apenas os bons resultados do mercado em julho (venda de 6,1 milhões de toneladas de cimento e aumento de 3,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado), como o excelente desempenho da indústria no ano, com comercialização acumulada, nos sete primeiros meses, de 38,2 milhões de toneladas, uma alta de 3,7%.

“A gente credita isso, primeiro, ao bom desempenho do setor imobiliário. Além disso, o cimento tem forte correlação com massa salarial e há uma redução significativa do desemprego e um crescimento dos salários, o que vem impactando diretamente a performance da nossa indústria”, explicou.

Confira a entrevista completa:

Indústria do cimento avança na descarbonização

Presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, concede entrevista à CNN Brasil e explica que a indústria brasileira do cimento tem trabalhado, nas últimas décadas, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e alcançar a neutralidade do carbono. “Vamos evitar a emissão de 420 milhões de toneladas de CO2”, disse. Para isso, a indústria tem ampliado os investimentos em combustíveis alternativos (resíduos e biomassas), em substituição ao combustível fóssil (coque de petróleo).

 

Acompanhe a entrevista:

Como a indústria brasileira de cimento pode reduzir as emissões?

Matéria por João Monteiro

Estima-se que a indústria do cimento represente cerca de 7 a 8% das emissões globais de CO2. O principal vilão é o clínquer – principal componente do cimento portland – sozinho responde por mais de 90% dessas emissões dentro do processo industrial. A maior parte dela (cerca de 60 a 65%) vem da reação química a temperaturas acima de 1400ºC que transformam o calcário em cal para formar os silicatos que compõem o clínquer.

A principal medida para reduzir as emissões dessa indústria é a redução do clínquer, tarefa difícil já que a substância é o “coração” do cimento Portland – suas propriedades determinam as características de resistência, tempo de pega e durabilidade do material. Atualmente, o volume do clínquer no cimento está em torno de 80% (na média global) e varia de acordo com o tipo do cimento.

A indústria brasileira já trabalha abaixo da média global, com 70% de clíquer no cimento, como aponta Vanderley John, professor titular da Universidade de São Paulo (USP). O desafio que ele propõe para o mercado nacional é baixar esse volume para 50%, o que ele coloca como um desafio tecnológico. “Para atingir essa média, será necessário desenvolver cimentos com 20 a 30% de clínquer”, diz John, que também é coordenador do Hubic, centro de inovação da Escola Politécnica da USP em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Como reduzir o clínquer do cimento

A indústria cimenteira tem diversas estratégias para diminuir o uso do clínquer, substituindo-o por materiais cimentícios suplementares, sendo os mais comuns são argila calcinada (LC³) e o filler calcário. A escória da indústria siderúrgica e as cinzas volantes (subproduto de usinas termoelétricas a carvão) também são alternativas, mas dependem da disponibilidade de produção próxima às fabricantes de cimento.

A argila calcinada é usada para diminuir a poluição gerada na reação química do clínquer, bem como diminuir o uso da substância no produto final já que a fórmula da LC³ também usa filler calcário. Mas há ressalvas, como alerta John, pois ela exige maior tempo de endurecimento, o que afasta seu uso na indústria da construção pesada, enquanto no mercado consumidor há certo receio pois o cimento com argila calcinada tende a ficar avermelhado.

O custo de produção também é um fator que pesa contra a LC³, pois a fabricante de cimento precisa utilizar outros fornos para produção da argila calcinada. “Significa que o forno que eu estou operando aqui (para a LC³), que pode ser que já não esteja 100% ocupado (para produção do clínquer), vai ser menos ocupado ainda. Então, do ponto de vista de CapEx, acaba sendo problemático.”

John afirma que o Brasil já usa essa alternativa há pelo menos 60 anos. “Nós fazemos o uso da argila calcinada desde os anos 1960. É o único país do mundo que tem essa experiência. Ela é uma tecnologia que tem algumas aplicações, mas ela tem muitos limites. Eu acredito que a gente pode ir muito mais longe com o filler calcário do que a gente tem ido.”

Filler calcário como opção ao clínquer do cimento

A aposta no filler calcário se dá pela sua capacidade de conceder volume à massa do cimento. O professor explica que ele consegue substituir parte da função do clínquer de preencher os espaços entre os grãos de areia, reduzindo então a quantidade da substância poluidora na composição do cimento.

Hoje, John estima que 16% do cimento brasileiro já usa o filler calcário, sendo que alguns poucos fabricantes trabalham com produtos com até 25% de filler na composição. “Eu tenho uma proposta para a indústria trazer um cimento voltado para o mercado de varejo com 30 a 35% de filler”, diz, baseando a proposta em um caso de uso que não precisa de um produto com tanta resistência mecânica.

O professor defende que dá para ir além. “Se fizer um investimento industrial em moagem separada, mudando a produção da fábrica, talvez consiga ir a 40%. Se eu colocar aditivos, que é o que estamos desenvolvendo (no Hubic), poderia ir talvez a 60% de filler no cimento comercial para o setor industrial. Para a indústria pesada com alta resistência inicial.”

Coprocessamento: a aposta da indústria brasileira de cimento para reduzir as emissões de CO2

Gonzalo Visedo, líder de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), afirma que o Brasil é um dos líderes na descarbonização da indústria cimenteira desde 1990. A aposta está no uso de combustíveis alternativos ao coque de petróleo para aquecer os forno, processo chamado de coprocessamento. Segundo dados da ABCP de 2023, 32% da matriz energética do setor era composta por ele, sendo 18% biomassa e 14% resíduos.

A iniciativa ajuda a reduzir a pegada de carbono porque o coprocessamento emite menos CO2 que a queima de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que evita que o resíduo urbano emite gases ainda mais poluentes com a sua decomposição natural, como o metano, até 30 vezes mais poluente que o dióxido de carbono.

Visedo diz que a indústria nacional conseguiu antecipar em cinco anos o índice de 30% de consumo energético alternativo. “O roadmap proposto pela ABCP era chegar em 30% em 2025, número que foi alcançado ainda em 2020. Agora estamos revisando nossas metas porque tínhamos definido alcançar 35% em 2030 e já estamos em 32%”, diz ele, que aponta a meta de alcançar zero emissões (net zero) até 2050.

Desafio logístico para descarbonização do cimento

O desafio para a indústria brasileira do cimento alcançar a meta é logístico. Visedo diz que o produto tem baixo valor agregado e é muito suscetível ao custo do transporte. Portanto, cabe às indústrias encontrarem fornecedores perto de suas fábricas, o que limita as opções tanto para o coprocessamento quanto para a redução do clínquer.

Na Região Sul, por exemplo, uma das opções é o uso da palha do arroz como biomassa, enquanto o Norte usa o caroço do açaí. Fábricas próximas a centros urbanos já apostam mais no uso de resíduos domésticos, que precisam ser separados para a finalidade do coprocessamento. “Neste caso, as empresas fazem consórcios municipais para ter o volume necessário e a gestão de resíduos para ter o beneficiamento do coprocessamento.”

A estratégia é parecida para a redução do clínquer, segundo o executivo do SNIC, então as fábricas de cimento buscam o que está perto, por isso a dificuldade do uso da escória siderúrgica e de cinzas volantes. “No momento em que elas se tornem mais escassas, a gente consegue imprimir uma velocidade menor (para a redução do clínquer.”

O que a indústria brasileira de cimento já está fazendo para reduzir emissões

Individualmente, cada fabricante de cimento tem sua própria estratégia para reduzir suas emissões. A Votorantim Cimentos, por exemplo, fechou 2024 com o índice global de 32% de coprocessamento, enquanto sua operação brasileira alcançou 35%. “A nossa meta é chegar em 53% até 2030”, disse Álvaro Lorenz, diretor global de Sustentabilidade e Desenvolvimento de Produto da empresa, durante o 9º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi).

A empresa também busca diminuir o clínquer na composição de seu cimento. “Nosso fator clínquer cimento fechou com 72 (em 2024) e a nossa meta é chegar em 68 (em 2030). Então, a gente tem nosso World Map 2030, que foi criado em 2020 e a gente segue a cada ano avançando um pouquinho nos 10 países que estamos presentes.”

Matéria publicada em InfraRoi.

 

Presidente da ABCP é entrevistado no Money Times Brasil

O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, foi entrevistado nesta terça-feira, 24/6, pelo programa Money Times Brasil, da rede CNBC, que destacou a participação da indústria cimenteira à frente do Plano Clima, um dos temas a serem tratados na COP30. O Plano Clima expressa o compromisso do país e de sua indústria para enfrentar a emergência climática.

Há mais de 30 anos – lembrou Paulo – a indústria investe no aprimoramento da produção do insumo para, entre outros aspectos, reduzir a emissão de CO2. Em relação à transição energética, o setor busca substituir o coque de petróleo, majoritariamente importado e poluente, por combustíveis alternativos, como biomassas (casca do babaçu, caroço de açaí, palha de arroz, caco de madeira de reflorestamento), resíduo doméstico (lixo), resíduos industriais e pneus.

“O que a indústria consome de pneus em um ano daria para dar uma volta e um terço ao redor da Terra”, disse Paulo, lembrando que a indústria brasileira é uma referência em termos de baixas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Enquanto a indústria global de cimento emite, em média, 7% dos GEE, a indústria brasileira emite apenas 2,3% – menos de um terço da média mundial. 

O presidente da ABCP e do SNIC argumentou também que o coprocessamento de resíduos “é a possibilidade de fazer a troca entre o combustível fóssil e o resíduo”. Na última aferição, em 2023, os combustíveis alternativos responderam por 32% da matriz energética da indústria de cimento nacional, antecipando em dois anos a meta do setor. Ele enfatizou que a ambição é chegar à neutralização das emissões até 2050, o que envolve toda a cadeia da construção civil.

Assista à entrevista completa:

Vendas de cimento crescem 6,5% em maio de 2025

As vendas de cimento no Brasil registraram uma alta de 6,5% em maio de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC e da ABCP, comenta o assunto no CNN Brasil Money, da CNN, edição de 06/06/2025.

Assista à matéria completa:

 

Veja como o calor está mudando as rodovias brasileiras

O asfalto não chega a reinar quando se observa a totalidade das rodovias brasileiras – aproximadamente 87% da malha rodoviária do país ainda é de terra -, mas historicamente manteve uma supremacia nos 12,3% de estradas pavimentadas no país. Esse predomínio começa a ser ameaçado pelo concreto a base de cimento Portland, tipo mais comum no Brasil.

Segundo executivos de departamentos governamentais de infraestrutura rodoviária ouvidos pelo Valor, a utilização do concreto na pavimentação de estradas tende a dobrar nos próximos dez anos. Essa perspectiva se baseia principalmente pelo encarecimento do ligante asfáltico comercializado pela Petrobras e pelos efeitos das mudanças climáticas, considerando que temperaturas mais altas e variações mais extremas costumam danificar mais o asfalto que o cimento. O asfalto também reflete mais calor para a atmosfera, contribuindo para elevar a temperatura, especialmente nos aglomerados urbanos.

 

Confira a matéria de Rafael Vazquez para o Valor na íntegra:

Tecnologia de concreto na pavimentação é apresentada em Marília com vantagem de custo

A ABCP, em parceria com a Secretaria de Planejamento Urbano de Marília-SP, promoveu na sexta-feira, 25/04, no Auditório do Gabinete da Prefeitura de Marília, uma apresentação sobre a tecnologia de pavimentação em cimento Portland. Considerado uma alternativa viável ao asfalto, o material já é amplamente utilizado em loteamentos e rodovias em diversas regiões do Brasil.

O objetivo do evento foi destacar os benefícios dessa solução, que oferece maior durabilidade e custo reduzido quando comparada à massa asfáltica convencional. O material já é muito utilizado em loteamentos e rodovias em diversas regiões do Brasil. “A tecnologia do concreto evolui constantemente. Buscamos fazer mais por menor valor. Hoje nossa produção chega 1.000 metros cúbicos diários com qualidade”, afirmou Ricardo Humberto Moschetti, gerente da Regional São Paulo da ABCP.

Outro benefício significativo do concreto é sua menor dependência de fatores externos, como a oscilação dos preços dos derivados de petróleo. Em períodos de alta, o asfalto se torna um investimento mais oneroso, enquanto o cimento mantém estabilidade nos custos. Planilhas comparativas mostram que a escolha pelo concreto pode gerar economia substancial a longo prazo.

A ABCP também destaca a sustentabilidade da pavimentação em cimento. Diferente do asfalto, que pode sofrer com deformações causadas pelo calor e por tráfego intenso, o concreto tem maior resistência e menor impacto ambiental. Além disso, sua aplicação reduz a emissão de poluentes durante o processo de produção e manutenção. “Ninguém gosta de gastar dinheiro público refazendo obras. Por isso, tem aumentado muito o interesse de prefeituras e DERs (Departamento de Estradas de Rodagem), dos governos estaduais, pelo produto. Sem falar que não é poluente”, completou.

Além disso, a ABCP oferece suporte técnico gratuito para projetos de loteamento que utilizam o cimento Portland. Isso incentiva empresas e prefeituras a adotarem a tecnologia, fortalecendo a cadeia produtiva do cimento e garantindo soluções inovadoras para pavimentação urbana.

O secretário de Planejamento Urbano de Marília, Ernesto Tadeu Consoni, disse que o objetivo do evento foi destacar os benefícios dessa solução, que oferece maior durabilidade e custo reduzido quando comparada à massa asfáltica convencional. “A pavimentação em concreto proporciona diversas vantagens, principalmente em momentos de instabilidade nos preços dos derivados de petróleo, usados na composição do asfalto. A técnica vem se consolidando como uma opção eficiente para pavimentação de vias públicas. A base rígida do concreto também garante maior estabilidade ao pavimento, pois não sofre tanto com movimentações do solo, como acontece com o asfalto. Por ser composto por placas, a manutenção se torna mais simples e eficiente, permitindo a compatibilização com redes de água e esgoto sem prejudicar a estrutura viária” afirmou Consoni.

Segundo ele, outro fator relevante é a tecnologia de aplicação do cimento. “Os mesmos equipamentos utilizados na pavimentação asfáltica podem ser adaptados para o concreto, tornando o processo ágil e econômico. A acabadora, que espalha a argamassa de petróleo, pode ser utilizada para distribuir o concreto. Isso agiliza a obra e reduz custos operacionais”, afirma.

Nos últimos anos, diversas empresas passaram a adotar exclusivamente o pavimento em concreto para novos loteamentos, eliminando completamente o uso do asfalto tradicional. Essa mudança foi motivada pelo aumento no preço do CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), que dobrou de custo em determinados períodos, tornando a alternativa em concreto ainda mais vantajosa financeiramente.

 

Fotos: Divulgação

Fonte: Prefeitura de Marília

Cresce a demanda por cimento no Brasil

O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, participou nesta quarta-feira, 16/4, do programa Real Time, da Times Brasil, onde analisou o avanço nas vendas de cimento no primeiro trimestre de 2025 (saiba mais), impulsionado pela construção imobiliária, em especial o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e pelos investimentos na área de infraestrutura.

Paulo Camillo Penna lembrou que o setor teve, em 2024, um ano de recuperação e considerou “excepcional” o desempenho da indústria neste primeiro trimestre de 2025. Ele se mostrou otimista com a recente criação, pelo Conselho Curador do FGTS, da faixa 4 (renda familiar de até 12 mil reais) do MCMV, “o que vai favorecer 128 mil novas famílias”. Mas advertiu que houve uma redução de 49% dos financiamentos imobiliários no primeiro bimestre do ano, em comparação com 2024. “Nos preocupa o fato de que a subida dos juros estabelece uma competição entre ativo financeiro e ativo imobiliário”, disse. O presidente também destacou o esforços da indústria visando a eficiência energética e a descarbonização do setor.

Assista à entrevista completa: