Setor avança na qualificação de profissionais na construção

A escassez de mão de obra qualificada tem sido um dos principais desafios enfrentados pela construção civil e neste ano não foi diferente. Em um dos setores que mais gera emprego no Brasil, a crescente demanda imobiliária e de infraestrutura, em especial com a retomada do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) que vai reaquecer o segmento da construção popular, assim como a ação sobre as obras paralisadas englobadas pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), abrem novas possibilidades para atrair e reter talentos.

Com o objetivo de capacitar e oferecer aperfeiçoamento profissional, em 2023, a ABCP, reconhecida nacional e internacionalmente como centro de referência em tecnologia do cimento e do concreto, seguiu comprometida em promover conhecimento sobre o produto e suas aplicações, por meio de cursos, treinamentos e palestras, contribuindo assim com o desenvolvimento da indústria da construção civil.  Uma atuação que acontece anualmente não só com empresas e seus profissionais, mas também com os estudantes, técnicos e universitários, do setor.

Segundo recente estudo realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) 89% das construtoras estão com dificuldade em encontrar profissionais especializados e a maioria delas – cerca de 43% -, preferem que a qualificação seja com aulas práticas e teóricas – se possível no próprio canteiro de obras – ministradas por escolas contratadas. Além disso cerca de 73% das empresas fazem questão de custear a capacitação de seus colaboradores.

Na última década, a atividade de informação e capacitação técnica da Associação alcançou cerca de 31 mil profissionais da cadeia produtiva da construção.

Somente em 2023, a ABCP promoveu perto de 124 cursos entre on-line e presenciais, sobre 32 temas diferentes, que beneficiou mais de 3.300 profissionais. Desses cursos, 23 deles foram autossustentáveis e englobaram um total de 500 profissionais de diferentes níveis da construção civil e de todas as regiões do Brasil.

Entre os cursos ofertados estão os já tradicionais “Tecnologia Básica do Concreto”, “Laborista de Artefatos de Cimento”, “Operação de Fábricas de Artefatos de Cimento”, “Tecnologia do Concreto Aplicada a Pisos Industriais” entre outros. Além disso, como acontece todo ano, foram incorporados novos temas à grade de cursos como, por exemplo, “Coprocessamento: Abordagem técnica econômica para atingimento das metas”

O Projeto Universidades seguiu atendendo renomadas instituições de ensino superior, com cursos e palestras online e presenciais (em 2023 foram 12 cursos e 27 palestras). Para citar uma delas, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, FAUMack, em São Paulo, promoveu em outubro último a 12ª edição do curso de extensão “Arquitetura & Construção: Materiais, Produtos e Aplicações”, um curso que a ABCP ajudou a criar há 12 anos atrás e que, pela excelência, passou a integrar a grade curricular da referida instituição de ensino. Some-se a essa atuação as inúmeras outras realizadas por profissionais dos escritórios e representantes regionais da ABCP em quatro diferentes Estados da Federação.

Para 2024, a ABCP ampliará ainda mais a abrangência de temas e parcerias que atendam casa vez mais as novidades e soluções que estão surgindo e sendo aplicadas pela cadeia produtiva da construção.

Indústria do cimento contribuirá para destinação sustentável do lixo na região metropolitana de BH

Os principais representantes da cadeia produtiva do cimento estiveram reunidos nesta terça-feira (5) com autoridades do poder público local, estadual, especialistas internacionais e governo federal, para apresentação do programa de cooperação regional Euroclima+, que tem como objetivo promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e resiliente na América Latina.

O encontro, realizado no Hotel San Diego Veredas Sete Lagoas, no município de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi organizado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), empresa federal alemã que atua na cooperação técnica com diversos países e regiões geográficas.

Por meio do Programa Euroclima+, a GIZ coordena a implementação da ação no Brasil, visando apoiar a transformação sustentável do setor industrial brasileiro. A iniciativa tem apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Governo de Minas Gerais, do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC) e da ABCP.

Durante o encontro, buscou-se estabelecer uma estratégia de desenvolvimento sustentável inspirada nos princípios do “Acordo Verde” da União Europeia, com foco na criação de mecanismos e uma nova rota tecnológica para o tratamento e valorização de resíduos urbanos domésticos.

O objetivo deste trabalho é priorizar a reciclagem com inclusão, fortalecendo a atuação das cooperativas de catadores da região metropolitana de Belo Horizonte, contribuindo para um maior reaproveitamento dos resíduos, resultando na redução consequente das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

“Essa abordagem não apenas assegurará plena conformidade com as normativas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 e o Novo Marco do Saneamento, publicado em 2020, mas também desempenhará um papel significativo na redução das emissões de carbono na indústria do cimento brasileira até 2050. Além disso, fortalecerá a cooperação necessária entre os setores público e privado, buscando soluções mutuamente benéficas”, afirmou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna.

A iniciativa visa estabelecer diretrizes para a viabilidade desse processo, estimulando a produção de combustíveis alternativos e sua destinação por meio da tecnologia de coprocessamento de resíduos em linha com a economia circular. “A ação ocorre em um local particularmente propício para a concretização de seus objetivos, devido à presença de uma indústria cimenteira robusta na área”, destacou o gerente de Coprocessamento da ABCP, Daniel Mattos. Para tanto, o projeto envolverá a colaboração de quatro fábricas de cimento estrategicamente localizadas em Sete Lagoas, Matozinhos, Pedro Leopoldo e Vespasiano e envolverá três fases de implantação.

Coprocessamento avança na indústria cimenteira

O coprocessamento, atividade responsável pela transição energética na indústria do cimento, atingiu sua melhor marca em 2022, desde o início das medições. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassas e 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período. É o que revela o Panorama do Coprocessamento 2023 (ano base 2022), divulgado em novembro pela ABCP durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi), em São Paulo.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, volume que deixou de ser destinado a aterros e foi transformado em energia ou ainda que substituiu matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade.

Com o coprocessamento, o setor mantém seu compromisso e segue atuando na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento.

Inúmeros são os exemplos de resíduos coprocessados pela indústria do cimento, como: pneus usados; resíduos da agroindústria (como palha de arroz, casca de babaçu e caroço de açaí) e mais recentemente os resíduos sólidos urbanos – lixo doméstico, na sua fração não reciclável. Só em pneus inservíveis foram coprocessados 340 mil toneladas em 2022, o que corresponde a cerca de 68 milhões de pneus.

 

Alaim De Paula – Consultor que está desenvolvendo o projeto pela GIZ

Coordenadora de Projetos Euroclima+ – GIZ

Daniel Mattos – head de Coprocessamento da ABCP

José Eduardo – CEO da Cimento Nacional

 

Informações para Imprensa

Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br
Daniela Nogueira (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

ABCP celebra 87 anos de excelência em tecnologia sobre produção e aplicação do cimento

No dia 5 de dezembro de 2023, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) celebra 87 anos de fundação. Desde 1936 a associação segue na vanguarda, liderando debates, pesquisas, ensaios e estudos sobre o cimento e tendo se tornado referência nacional e internacional de excelência em tecnologia referente ao cimento e seus sistemas construtivos. 

A ABCP foi protagonista de marcos históricos ao longo de quase 100 anos de produção do cimento no país. Acompanhou a expansão da atividade com a expansão urbana e verticalização das cidades, até passar a figurar entre as 10 maiores produtoras mundiais, com uma capacidade instalada de 94 milhões de toneladas/ano. 

Além de ressaltar essa relevância global, a indústria brasileira do cimento é responsável por mais de 80 mil empregos, receita de R$ 23 bilhões ao ano, arrecadação líquida anual de R$ 3,6 bilhões em tributos e desempenha um importante papel com respeito à sustentabilidade, principalmente no que tange à questão da substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas. 

A atividade de coprocessamento responsável pela transição energética em nossa cadeia produtiva alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, ou seja, uma nova destinação aos resíduos, que deixam de ir para aterros e são transformados em energia ou substituem matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. 

Com o coprocessamento, o setor mantém seu compromisso e segue atuando na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento. 

Na agenda de sustentabilidade, a indústria, por intermédio da ABCP, deu um importante passo ao lançar durante o 8º Congresso Brasileiro de Cimento (CBCi) as bases do Roadmap Net Zero para acelerar a transição rumo a uma economia neutra em carbono. O setor que, internacionalmente, foi o primeiro a firmar um compromisso de neutralidade climática em escala global, dentro do programa Race to Zero da ONU, agora avança no seu compromisso de neutralidade climática no Brasil. 

A iniciativa vem num momento mais do que oportuno, quando se discute no âmbito nacional a descarbonização dos setores industriais – e da economia como um todo – com ativa participação da indústria do cimento na esfera setorial e federal. 

Por se tratar de um país com dimensões continentais, a ABCP está conectada – juntamente com o produto que representa – à sociedade e à cadeia produtiva da construção de diversas formas, quais sejam: edificações para distintas finalidades (moradias, escolas, hospitais, centros e espaços de lazer entre tantos), aeroportos, portos, ferrovias, mar e rios. Não bastasse o enorme déficit habitacional brasileiro, onde o cimento tem participação preponderante, tem-se também a extensão da malha viária nacional, de 1.720.700 quilômetros de estradas e rodovias, da qual apenas 12,4% está pavimentada. 

Portanto, é imprescindível incluir o concreto como opção nas licitações de ruas e rodovias, por ser um sistema construtivo de maior durabilidade, mais econômico, que exerce menor impacto ambiental e ainda traz conforto e segurança para o usuário. 

No que tange à aplicação e uso de soluções para as cidades, o setor segue apoiando os municípios brasileiros com sistemas construtivos que atendam às necessidades locais por infraestrutura e tragam melhorias a favor da mobilidade urbana, saneamento, espaços públicos e habitação. 

Na pauta da inovação, o acordo de cooperação técnica com a Universidade de São Paulo (USP) para a criação de um espaço focado em pesquisa e desenvolvimento a favor da construção digital (hubIC) alcançou resultados significativos, como a produção das primeiras peças cimentícias em 3D e a adesão de mais de 30 companhias ao ambiente de construção digital. 

Todas essas conquistas merecem ser celebradas e motivam o setor e a entidade a seguirem em frente, mantendo a ABCP moderna, atualizada e de excelência, consolidando assim, cada dia mais, o compromisso de representar uma indústria forte e necessária, que é base para desenvolvimento econômico e social do Brasil. 

Coprocessamento de cimento feito com fontes renováveis atinge maior nível histórico

A indústria cimenteira alcançou em 2022 o maior nível de coprocessamento da sua história. A atividade é a principal responsável pela transição energética no setor e permitiu que cerca de 2,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) deixassem de ser despejados na atmosfera.

O resultado foi revelado pelo Panorama do Coprocessamento 2023, que será divulgado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi), que acontece nesta terça-feira, 07.

De acordo com a entidade, foram processados 3,035 milhões de toneladas de resíduos, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassa, além de 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética e antecipou a meta prevista para 2026. O panorama também mostra que, no total, 25,813 milhões de toneladas de resíduos já foram inseridos no coprocessamento desde 1999 a 2022.

O processo acontece nos fornos de cimento e permitem que resíduos deixem de ser destinados a aterros, uma vez que eles são transformados em energia ou podem substituir matérias-primas utilizadas na indústria do cimento. A atividade ajuda na preservação de recursos naturais.

Diferentes insumos são utilizados durante o coprocessamento, como pneus usados, resíduos da agroindústria (palha de arroz, casca de babaçu e caroço de açaí), além de materiais sólidos urbanos, que inclui o lixo doméstico. Apenas em pneus, foram aproveitados 68 milhões de unidades em 2022, o equivalente a 340 mil toneladas.

Com o coprocessamento, o setor consegue avançar na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento.

Fonte: Agência Estado – Broadcast / Jorge Barbosa

Votorantim Cimentos: decarbonization ambitions

A International Cement Review traz, em sua edição de setembro de 2023, artigo de Álvaro Lenz, Global Director of Sustainability, Institutional Relations, Product Development and Engineering da Votorantim Cimentos, sobre descarbonização na indústria do cimento.

Confira aqui (texto em inglês):

 

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38ª Oktoberfest valoriza todos os resíduos e oferece água ultrafiltrada para visitantes

Fonte: Prefeitura de Blumenau

As iniciativas fazem parte da estratégia de sustentabilidade do evento, que ocorre de 4 a 22 de outubro

A maior festa alemã das Américas, a Oktoberfest, chega à sua 38ª edição em outubro e promete atrair milhares de visitantes à Vila Germânica, em Blumenau, Santa Catarina. Para oferecer aos participantes uma experiência mais sustentável, a Veolia, empresa líder global em soluções de gestão de água, resíduos e energia, renovou sua parceria com o evento para gerenciar todos os resíduos e disponibilizar água ultrafiltrada para os visitantes.

Assim como no ano passado, a Veolia será responsável pelo tratamento de aproximadamente 150 toneladas de resíduos gerados ao longo dos 19 dias de festa. A empresa valorizará, por meio de coprocessamento, todos os resíduos gerados no festival, garantindo a meta de Aterro Zero (Zero Waste to Landfill).

O coprocessamento transforma os resíduos em CDR (Combustível Derivado de Resíduos), ou seja, um combustível alternativo e menos poluente. Em 2022, cerca de 2 milhões de copos foram valorizados e se tornaram uma opção “mais verde” de combustível para alimentar fornos e caldeiras de indústrias, substituindo assim os combustíveis fósseis.

Segundo Lina del Castillo, diretora de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da Veolia, a pauta ESG (ambiental, social e de governança corporativa) deve ser levada para os grandes eventos e executada de forma que integre todos os pilares, impulsionando práticas mais sustentáveis para indústrias e cidades, e conscientizando o público no geral.

“Os eventos também são aliados para contribuir com a conscientização ambiental ao adotarem práticas mais sustentáveis. Nos últimos anos, a Oktoberfest se tornou uma grande parceira quando o assunto é manter a tradição, mas com menor pegada ambiental. Para nós da Veolia, é muito importante ser, novamente, parceira de um evento de tanta relevância para o Brasil. Ao mesmo tempo em que a Oktoberfest oferece diversão, ela se transforma para envolver práticas ambientalmente corretas que promovem a Transformação Ecológica da sociedade como um todo”, afirma Lina.

A novidade desta edição, no entanto, é a oferta de água ultrafiltrada a todos os visitantes que passarem pelo festival entre os dias 4 e 22 de outubro. A iniciativa, realizada em parceria com a Ambev, promete reduzir o consumo de garrafas plásticas durante o evento e, assim, diminuir o impacto ambiental, além de conscientizar o consumo consciente de bebida alcoólica.

 

A festa ocorre de 4 a 22 de outubro e os ingressos já podem ser adquiridos pelo site oficial do evento.

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Lixo é fonte de energia para a indústria do cimento

A indústria do cimento exerce papel importante em relação à destinação dos resíduos urbanos não passíveis de reciclagem, utilizados como fonte de energia térmica para a produção do cimento. Esse processo, chamado de coprocessamento evita, que o lixo seja disposto em aterro, contribuindo com aredução das emissões de CO2 da indústria, bem como do metano emitido no aterro, que é cerca de 25 vezes superior à do CO2.

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, os quais ainda representam cerca de 40% da destinação dos resíduos gerados no país.

A indústria colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento, o setor atua na redução das emissões de CO2, por meio do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente pela utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível fóssil utilizado no processo de fabricação de cimento.

Investimentos na ordem de R$ 3.5 bilhões estão previstos até 2030, compreendendo a implantação das unidades de preparo do CDRU e adequação das fábricas de cimento. Este montante será suficiente paraatingir o patamar de aproximadamente 2.5 milhões de toneladas de CDRU anualmente. Para melhor compreensão do impacto ambiental, tal volume, que corresponde a cerca de 300 mil caminhões compactadores, que não serão mais descarregados em aterro.

Os resultados são expressivos ao se avaliar que o percentual de utilização de combustíveis alternativos dentro da matriz energética do setor saltou de 9% para 26%, nos últimos 20 anos. Em termos absolutos, de 300 mil toneladas em 2000 para 2.5 milhões de toneladas de resíduos em 2021.

Esforços como esses levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial como um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

Em vez de lixo, energia e cimento

Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro
Por Lana Pinheiro

Ganhar dinheiro com lixo. Resumindo a grosso modo, a Votorantim Cimentos está provando que esse negócio não só é possível, como é rentável. Esse foi um dos motivos que fez a empresa, com receita líquida de R$ 25,8 bilhões no ano passado, decidir em 2019 transformar sua área de coprocessamento em unidade independente. Assim nasceu a Verdera cujo objetivo sob o comando do gerente geral, Eduardo Porciúncula, é vender soluções de gestão de resíduos ao mercado, de um lado, e atender a Votorantim Cimentos em seu processo de substituição térmica – troca de combustíveis fósseis por alternativos – de outro.

A meta é chegar a 53% de substituição até 2030, evolução importante sobre 2022, quando o índice foi de 26,5% na operação global e 31,3% no Brasil. Nesse processo pensado para viabilizar a produção de cimento neutro em emissão de CO2 em 2050, o petróleo é substituído por resíduos industriais e urbanos, pneus e biomassas. Neste último grupo, casos interessantes como o uso do caroço do açaí (na unidade do Pará) e de cascas de arroz (nas unidades de Centro-Oeste e Sul) em projetos em parceria com o Instituto Votorantim.

“É um processo sustentável que se adequa às realidades regionais, sendo também um importante instrumento de transformação social”, afirmou Porciuncula à DINHEIRO. A grande escala, porém, vem da gestão de resíduos gerados pela indústria e por centros urbanos. Entre os clientes dessa frente, grupos como Bosch, Boticário e Renault. Na ponta do coprocessamento, o serviço é exclusivo para a empresa mãe. “Nossa oferta é 100% absorvida intermanente”.

A entrega de matérias-primas para alimentar os fornos que já ultrapassa 1 milhão de toneladas deve aumentar como resultado de investimentos como os US$ 150 milhões que a Votorantim Cimentos está fazendo na unidade de Salto de Pirapora (SP). O financiamento, obtido junto ao International Finance Corporation (IFC), foi o primeiro do setor conectado a indicadores de sustentabilidade e será usado para aumentar o nível de substituição térmica da operação de 30% para 70%. E assim, o plano de Porciúncula é manter o ritmo de crescimento aquecido: 20% ao ano.

Fac-símile da reportagem

 

A indústria do cimento é uma das líderes da construção digital e inovação

A carência de investimentos em projetos transformadores que aumentem a produtividade das habitações e a vida útil das vias urbanas e rodoviárias – todos eles desenvolvidos sob a orientação de uma agenda ambiental rigorosa – estimulam o mercado a estudar, materializar e aplicar soluções inovadoras e econômicas, que atendam, cada dia de modo mais eficaz, as demandas sociais que ainda flagelam o país.

Como parte inteiramente interessada e integrada à cadeia produtiva da construção, a indústria cimenteira, por intermédio da ABCP e do SNIC, juntou esforços com a academia, braço indispensável para o aprofundamento técnico-científico de qualquer ação tecnológica, e estabeleceu em 2020 uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e, juntas, criaram o hubIC, hub de Inovação e Construção Digital, com laboratórios de ponta em pesquisa aplicada, instalados na sede da Associação.

A iniciativa – aberta a empresas, startups e outras universidades – já reuniu cerca de 31 players relevantes (batizados de hubickers, isto é, afiliados e sócios da iniciativa que, mensalmente, contribuem financeiramente), que têm trabalhado em soluções inovadoras e aplicáveis, que auxiliem, de modo célere, a transição do setor e da sociedade para uma economia digital e circular.

Ao promoverem soluções hardtech e pré-competitivas, os projetos têm como premissas básicas o desenvolvimento de inovações que apresentem: alta produtividade, qualidade e desempenho, baixa pegada ambiental e competitividade (considerando países em desenvolvimento). E toda essa ação – enfocada na engenharia de produto -, está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como os idealizadores, ABCP, SNIC e USP, possuem extensa experiencia em projetos de capacitação (educação contínua) e no emprego de plataformas digitais (que alavancam as mídias sociais), a difusão e disseminação dohubIC é significativamente ampliada. Isso, entre outras coisas, tem permitido com expressiva frequência, a realização de webinares (techtalks), que posteriormente integram o canal YouTube do hubIC.

Até fins de 2022, portanto em 2 anos, foram promovidos 12 eventos e 3 cursos, estes como foco em manufatura avançada e aditiva, que já reuniram cerca de 1.000 profissionais, sem contar as visitas guiadas que semanalmente são organizadas, para apresentar todo o projeto hubIC aos interessados, todas elas, sem exceção, completas e com lista de espera.

O hubIC tem intensificado suas atividades com novas frentes de trabalho que – além dos projetos inicialmente coordenados e que caminham para suas conclusões -, envolveram, a partir de 2023, o desenvolvimento de alternativas para vias de baixo tráfego com baixo custo e impacto ambiental, argamassas estabilizadas, descarbonização na autoconstrução e captura de carbono.

A navegação no site www.hubic.org.br e a participação nas visitas gratuitas, organizadas semanalmente, permitem o conhecimento mais aprofundado do hubIC, e consequentemente a percepção da importância do mesmo e, principalmente, da relevância em dele tomar parte, em especial por aqueles profissionais e empresas que atuam na cadeia de valor do cimento e produtiva da construção.

Indústria brasileira do cimento se reunirá em novembro

O setor cimenteiro do Brasil reconheceu, desde seu início de produção em 1924 e da constituição da ABCP, em 1936, que o estudo, a pesquisa, o uso de equipamentos modernos e a vigorosa informação e capacitação técnicas – seja no âmbito da produção como da aplicação do cimento -, contribuíam, de modo inequívoco, para que o Brasil e seus líderes, públicos e empresariais, contassem com uma cadeia produtiva de excelência na construção.

E como parte desse elenco de atividades também tomava parte a realização de edições do Congresso Brasileiro de Cimento (CBCi). E é exatamente por esse motivo que a 8ª edição ocorre de modo presencial, em novembro deste ano de 2023, na cidade de São Paulo, assumindo, mais uma vez, sua posição de principal e mais importante evento das cadeias de valor do cimento e da construção.

Enquanto as edições anteriores – a última em 2016 – estiveram mais voltadas à tecnologia de fabricação do cimento, desta vez o CBCi vai reunir – além de corpo técnico e de especialistas, nacionais e internacionais -, o poder público com suas autoridades e parlamentares, junto com economistas e lideranças empresariais de outros setores, também integrados à cadeia produtiva da construção.

Assim se ampliarão os debates e deliberações que interferem, inequivocadamente, na qualidade de vida da sociedade e no desenvolvimento socioeconômico do país, tratando de se buscar atender as necessidades habitacionais, de urbanização e de logística de transporte.

O Congresso destacará os novos e definitivos caminhos da cadeia produtiva da construção que passam impreterivelmente pelas reformas e políticas públicas que impactam todo o segmento, juntamente com temas como descarbonização, legislações e aspectos ambientais como a circularidade de resíduos e a redução da emissão de CO2, emprego de combustíveis alternativos, sustentabilidade, produtividade e inovação tecnológica na produção e aplicação do cimento e seus sistemas construtivos nas áreas habitacionais e de infraestrutura.

E tudo isso dentro do que hoje, corretamente, se denomina economia circular e segundo a constante preocupação do setor com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

São aguardados cerca de 250 congressistas, que poderão assistir a grandes e importantes especialistas internacionais, como Arnaud Pinatel (ex-BNP Paribas e hoje líder da On Field Research Investments, que será o keynote speaker da abertura do encontro, bem como a ministros e secretários de Estado do Brasil e renomados economistas brasileiros e internacionais, discorrerem sobre as necessidades atuais, futuras e mundiais do setor e do segmento da construção.

Como interessadas e patrocinadoras do Congresso, vinte importantes empresas já compõem parte da exposição que acontece nos dois dias do encontro, que também já conta com o apoio institucional de cerca de 40 destacadas entidades do segmento.

Mais informações e inscrições antecipadas, com significativo desconto, podem ser conferidas no site www.congressocimento.com.br.