Roadmap Tecnológico do Cimento pretende reduzir emissões de CO2

ENTREVISTA COM PAULO CAMILLO PENNA, PRESIDENTE-EXECUTIVO DO SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DO CIMENTO (SNIC) E DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND (ABCP)

Fonte: Portal AEC Web | BR – 10/03/2020

A indústria nacional do cimento, que apresenta um dos menores índices mundiais de emissão de CO2 do setor, aprofunda medidas para reduzir sua pegada de carbono. O estudo Roadmap Tecnológico do Cimento, preparado pelo SNIC e ABCP em conjunto com entidades brasileiras e internacionais, coordenado pelo professor José Goldemberg, traça os caminhos. Nesta entrevista ao Portal AECweb, o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna, fala sobre este e outros assuntos, como o impacto que a recessão econômica do país causou às cimenteiras e as expectativas positivas do setor para 2020.

AECweb – O que é o estudo Roadmap Tecnológico do Cimento?

Paulo Camillo Penna – Este estudo mapeia a situação atual e as tendências futuras da indústria brasileira do cimento. Se suas trajetórias de crescimento e grau de desenvolvimento tecnológico continuassem sem intervenção, em um cenário de referência climático (aumento de 6°C), as emissões absolutas decorrentes da produção de cimento no Brasil atingiriam cerca de 66 Mt (milhões de toneladas) de CO2 em 2050, um aumento de 64% em relação aos níveis de 2014 (40 Mt CO2). A partir desse cenário, o Roadmap propõe diferentes alternativas técnicas capazes de reduzir essas emissões a patamares condizentes com o de menor impacto climático, limitando o aumento da temperatura global em até 2°C em longo prazo.

AECweb – Qual a matriz energética empregada para a produção de cimento no país?

Paulo Camillo – Em 2014, ano de referência do Roadmap, a matriz energética da indústria brasileira de cimento era composta de 85% de coque de petróleo e 15% de combustíveis alternativos. A participação de combustíveis fósseis não renováveis na produção de cimento deverá decrescer de 85% para 45% no “Cenário 2°C”, em função do uso crescente de resíduos e biomassas. O aumento no uso de combustíveis alternativos reduziria cerca de 55 Mt de CO2, ou 13% da mitigação cumulativa de emissões de CO2 até 2050 no “Cenário 2°C”, em comparação com o “Cenário 6°C”.

AECweb – Qual a quantidade de gás carbônico emitida, hoje, por tonelada de cimento produzido?

Paulo Camillo – Em 1990, as emissões específicas do cimento eram 700 kg CO2/t cimento. Devido aos investimentos e esforços da indústria brasileira de cimento, em 2014 (ano base de referência do Roadmap) as emissões foram reduzidas para 564 kg CO2/t cimento, o equivalente a 18%, enquanto a produção de cimento nesse mesmo período aumentou 277%. Graças fundamentalmente à revisão da norma de cimento, antecipamos para 2019/2020 a meta de 2025, ou seja, a redução para 540 kg CO2/t cimento.

AECweb – Quais dados apoiam o fato de a indústria cimenteira nacional ser considerada referência internacional na emissão de CO2?

Paulo Camillo – Globalmente, as emissões de CO2 da indústria do cimento representam cerca de 7% das emissões totais produzidas pelo homem. No Brasil, em função de ações que vêm sendo implementadas há anos, esta participação é praticamente um terço da média mundial, ou 2,6%, segundo o Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

AECweb – O cimento nacional tem passado por processo de evolução de produção e de qualidade?

Paulo Camillo – Investimento em combustíveis alternativos, equipamentos mais eficientes, melhoria de processos e atualização da norma são as principais ações realizadas pela indústria do cimento. Em julho de 2018, finalizamos a modernização da norma de cimento brasileiro tendo como referência a norma europeia, com ampliação significativa de filler calcário, o que propiciou, entre outras vantagens, a redução de emissão de CO2 do nosso produto. Além disso, a partir do mapeamento brasileiro de fontes alternativas de energia, foi possível incorporar novos insumos energéticos que irão favorecer não só a redução de emissões, mas também a geração de renda de populações que se ocupam da exploração destes produtos, bem como eliminação de passivos ambientais decorrentes desse uso. É o caso de caroço de açaí, casca de babaçu entre outros. Importante observar que a indústria do cimento tem avançado no processo de industrialização do chamado CDRU (Combustível Derivado de Resíduo Urbano), que tem por base o lixo doméstico. Esse movimento contribui significativamente para a erradicação dos lixões, ampliação da vida útil dos aterros sanitários existentes e redução das emissões, não só advindas do processo produtivo do cimento, mas também daquelas que têm origem nesses locais como o metano, gás infinitamente mais tóxico que o CO2. Com um ambiente macroeconômico mais auspicioso, a expectativa do SNIC para 2020 é de um crescimento no consumo acima de 3%. A retomada do mercado imobiliário vem sendo o grande influenciador da melhora no consumo de cimento.

AECweb – Quais os benefícios que a evolução da qualidade do cimento trouxe para o concreto?

Paulo Camillo – O processo de qualificação do principal insumo para o concreto propiciará um produto ambientalmente de melhor qualidade e a redução dos riscos advindos no momento em que o mundo busca uma economia de baixo carbono, atenuando os impactos ambientais. Fatores como esses ampliam a competitividade do produto num ambiente de grande disputa de mercado com concorrentes como aço, madeira e outras soluções nas edificações.

AECweb – Em 2019, o setor apresentou crescimento?

Paulo Camillo – Em 2019, o setor de cimento vem apresentando crescimento de 3,4% no acumulado do consumo até novembro. O melhor desempenho do ano de 2019 está fortemente ligado à recuperação do setor imobiliário. O número de novos lançamentos residenciais acumula aumento de 17% até setembro, comparado ao mesmo período de 2018. A quantidade de imóveis novos financiados pelo SBPE (Sistema Brasileiros de Poupança e Empréstimo) também apresentou um bom resultado, com crescimento de 45% na comparação janeiro a setembro de 2019 com janeiro a setembro de 2018. A melhora do ambiente macroeconômico possibilitou essa retomada. A inflação baixa e controlada, aliada às novas linhas de financiamento com juros mais atrativos e uma nova modalidade, com indexador de inflação (INPC) mais juros aqueceram o mercado imobiliário.

AECweb – Como foi o desempenho de produção e vendas na última década?

Paulo Camillo – A partir de 2004, diversos fatores colocaram a indústria do cimento de volta no rumo do crescimento. Além do ambiente macroeconômico favorável, o aumento da renda real e da massa salarial real e a redução dos juros e da inflação, a expansão do crédito imobiliário por parte do governo e por bancos privados e o objetivo governamental de crescimento dos investimentos em obras de infraestrutura foram fundamentais para a alavancagem da construção civil e, consequentemente, do consumo de cimento. Concorreu de forma decisiva para esta recuperação o chamado marco regulatório imobiliário, através da Lei n°10.931/2004 e da Resolução n° 3.177 do Banco Central. Tais medidas trouxeram um melhor ordenamento jurídico no setor da construção imobiliária e possibilitaram a capitalização das construtoras e incorporadoras no mercado acionário, bem como o retorno dos bancos privados ao financiamento imobiliário. Programas do governo, como o Minha Casa Minha Vida e o PAC, também impulsionaram o setor da construção civil, tanto na parte habitacional quanto na de infraestrutura. Entre 2004 e 2014, o consumo de cimento mais que dobrou, saindo de 35 milhões de toneladas para mais de 70 milhões, um movimento sustentável e presente em todas as regiões do país. Este movimento tornou o Brasil o 4° maior consumidor de cimento no mundo, atrás apenas da China, Índia e EUA.

AECweb – Em seguida, veio a crise econômica.

Paulo Camillo – Sim, o país passou pela pior crise da economia da sua história. Depois de um baixo crescimento econômico em 2014, de apenas 0,5%, a economia brasileira entrou em uma recessão sem precedentes. Em 2015, o PIB encolheu 3,8%, e em 2016, a queda foi de 3,5%, acumulando recuo de 7,1% no biênio 2015/16. Em 2017 houve uma pequena recuperação, quando o PIB subiu 1%. A crise atingiu mais fortemente o mercado imobiliário e o setor de infraestrutura, este último ainda agravado pela Operação Lava Jato. A restrição dos gastos públicos em construção, o aumento da taxa de juros e da inflação e a queda da massa salarial levou a cadeia da construção para uma recessão profunda, que inviabiliza a tomada de empréstimos para o financiamento de investimentos.

AECweb – Quais os números do impacto da recessão sobre o setor do cimento?

Paulo Camillo – A atividade da construção civil foi 16% menor no acumulado dos anos 2015 a 2017. Na indústria do cimento não poderia ser diferente, com retração de 26,5% no consumo do insumo nesse mesmo período, atingindo 52,9 milhões de toneladas, no final de 2018, o que representa retorno do nível de consumo de 2009. Esse panorama se torna dramático quando se verifica que a capacidade ociosa atingiu inédito nível de 47%. Com a ociosidade alta, há elevação dos custos fixos unitários, restringindo a capacidade de investimentos ou até mesmo fazendo com que algumas empresas optem por fechar suas fábricas, retirando fatores produtivos do mercado. Mais grave ainda, a profundidade da recessão pode comprometer a viabilidade econômica de algumas empresas, fazendo com que saiam definitivamente do mercado.

AECweb – Quais as perspectivas para 2020?

Paulo Camillo – Com um ambiente macroeconômico mais auspicioso, a expectativa do SNIC para 2020 é de um crescimento no consumo acima de 3%. A retomada do mercado imobiliário vem sendo o grande influenciador da melhora no consumo de cimento. Para um crescimento mais robusto e sustentável, é preciso a reversão da contínua queda do investimento em infraestrutura, cuja participação na venda de cimento já correspondeu a 25% e, hoje, representa menos de 10%.

 

Sobre Paulo Camillo Penna

Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, é presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Possui vivência de mais de 30 anos em altos cargos executivos no setor público, empresas e entidades nacionais representativas de diversos segmentos, tais como, presidente da Fundação TV Minas – Cultural e Educativa de Minas Gerais; diretor da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas); diretor e, posteriormente, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Sinferbase); presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e vice-presidente do Grupo AES Brasil. Integrante de conselhos e fóruns empresariais no país e no exterior como membro titular do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) e do Conselho de Assuntos Legislativos (COAL) da Confederação Nacional da Indústria (CNI); membro convidado do World Economic Forum (WEF); membro titular do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deconcic), entre outros. Eleito diretor da FIESP para o triênio 2018 – 2020. Tem ativa participação na mídia nacional e internacional.

Óleo no litoral, o destino dos resíduos retirados das praias

A expectativa é coprocessar ao menos 2.000 toneladas do óleo retirado das praias

Fonte: Estadão – https://marsemfim.com.br/oleo-no-litoral-o-destino-dos-residuos-retirados-das-praias/ – Texto: João Lara Mesquita. Foto: Carlos Ezequiel Vannoni / Agência Pixel Press / Estadão

 

O óleo cru que desde o final de agosto de 2019 passou atingir o litoral brasileiro, sem que ainda se saiba a origem e os responsáveis, já poluiu 980 localidades. Até 20 de dezembro, eram 129 cidades afetadas de 11 Estados brasileiros. Números grandiosos e que crescem dia a dia, com a chegada do óleo ao Rio de Janeiro. Esse óleo já matou 112 animais, a maioria tartarugas marinhas e aves. Está causando um prejuízo incalculável a estuários, manguezais, recifes de corais, entre outros ecossistemas berçários da cadeia alimentar marítima. Além dos prejuízos econômicos para quem sobrevive da pesca e do turismo. Mas o que tem sido feito com os resíduos retirados das praias? Quem é o responsável por administrar esse lixo e recuperar o óleo, que pode servir como combustível, se tratado adequadamente?

Mais de 4.700 toneladas de resíduos de óleo no litoral

Afinal, já são mais de 4.700 toneladas de resíduos retirados de óleo no litoral. A questão é que, sem descarte adequado, os prejuízos ambientais podem ser ainda maiores. Nesse total, têm muito óleo e areia. Mas também equipamentos de proteção pessoal utilizados na limpeza das praias. E ainda lonas e até pedras, entre outros tipos de lixo gerado pelo derramamento. É o que diz o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Esses resíduos podem contaminar ainda mais o meio ambiente, sem uma destinação correta. Segundo nota do Ibama, a gestão de resíduos sólidos é de responsabilidade de municípios.

Cidades são responsáveis pelo descarte

Em outras palavras, as cidades são as responsáveis pelo descarte ou reaproveitamento desse óleo no litoral. Mas, observa o Ibama, “sem prejuízo das competências de controle e fiscalização dos órgãos federais e estaduais…, bem como da responsabilidade do gerador pelo gerenciamento de resíduos”. Gerador que ninguém ainda sabe quem é. O Ibama, informa a nota, tem realizado vistoria nos locais de armazenamento provisório. O órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), entretanto, não soube informar quanto do total apenas de óleo foi recuperado para outros usos.

Resíduos de óleo no litoral, sem dados consolidadas

“O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) requer regularmente via ofício das secretarias estaduais informações sobre quantidade, armazenamento e destinação final dos resíduos. Devido às informações incompletas enviadas pelos Estados, o Ibama ainda não consolidou todos os dados”, afirma a nota. Os resíduos que estão sob gestão do Ibama e da Marinha serão encaminhados a aterros de classe 1, diz. São aterros preparados próprios para resíduos perigosos, com alto potencial de inflamabilidade, toxicidade e corrosividade. O envio dos resíduos para esses aterros é também uma das orientações do Ibama para gestores públicos municipais e estaduais.

Cimenteiras, destinação adequada para os resíduos

“No momento, o GAA está fazendo um trabalho de interlocução direta com os Estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para, oportunamente, realizar a destinação final ambientalmente adequada. Entre outros pontos, o objetivo desses diálogos é tentar reaproveitar o material recolhido. Governos estaduais e prefeituras têm autonomia para optar por outras modalidades de destinação ambientalmente adequadas”, afirma o Ibama. O instituto avalia ainda outras maneiras de reaproveitamento do óleo.

Resíduos oleados, combustível para as cimenteiras

Na indústria cimenteira, esse óleo já está virando combustível. A iniciativa partiu, primeiro, das próprias fabricantes de cimento do País, com unidades produtivas no Nordeste. Daniel Mattos, responsável pelo Núcleo técnico de Coprocessamento da ABCP, diz que a entidade ofereceu ajuda ao MMA, Ibama, Marinha e aos Estados logo no início do derramamento e tem acompanhado as reuniões do GAA. “Diante desse desastre ambiental, a indústria quer contribuir porque pode coprocessar esse óleo”, afirma Mattos.

2.000 toneladas de óleo coprocessadas

A expectativa da ABCP é coprocessar ao menos 2.000 toneladas do óleo retirado das praias. Embora tenha capacidade para coprocessar muito mais, se necessário. Cerca de 30% do total estimado já foi coprocessado, contabiliza o executivo. “O coprocessamento é uma tecnologia pouco divulgada, mas já existe há mais de 30 anos”, diz Mattos, ao explicar como funciona. Na prática, é utilizar resíduos que seriam descartados em aterros para alimentar os fornos das empresas na produção do cimento. Eles substituem o coque, derivado de petróleo, nessa tarefa.

Vantagens do coprocessamento

O coprocessamento traz uma série de vantagens. A economia de recursos naturais não renováveis, no caso o coque, é uma das principais. Hoje, observa Mattos, os resíduos já substituem 17% do total de combustível primário utilizado nos fornos. Percentual que subirá para 35%, em 2030, e 55%, em 2050. É o que planeja a indústria cimenteira brasileira para atender às metas do Acordo de Paris, de manutenção da temperatura abaixo de 2°C, ante os níveis pré-industriais.

25% do lixo pode ser coprocessado

Outra vantagem é o bom aproveitamento de lixo, impedindo que chegue a aterros ou desafogando os existentes. “Quase tudo que não é reciclável e orgânico pode ser coprocessado.” Ou seja, ele diz, 25% do total de lixo pode servir a essa finalidade. Um exemplo é pneu, que descartado a céu aberto vira criatório para mosquitos que transmitem doenças, como a dengue. Em 2017, o setor coprocessou 300 mil toneladas de pneus, metade do que é descartado por ano no Brasil. Naquele mesmo ano, coprocessou 1,15 milhão de toneladas de resíduos diversos.

Coprocessamento, redução de emissão de CO2

“Com esse lixo, as indústrias geram energia e reduzem o passivo dos aterros sanitários.” Importante também é a redução das emissões de gases de efeito estufa, que estão causando a crise climática. Conforme Mattos, em torno de 13% das metas de redução de CO2 do setor estão relacionadas ao coprocessamento. A indústria de cimento tem 64 unidades integradas no Brasil. Dessas, 38 são autorizadas pelos órgãos ambientais a coprocessar resíduos. Das sete fábricas de cimento no Nordeste, cinco já estão recebendo óleo retirado das praias.

Solução da UFBA, transformar o óleo no litoral em carvão

Outra solução para os resíduos oleados retirados das praias vem do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela é baseada em uma tecnologia inovadora desenvolvida na própria UFBA. Utiliza aditivos, como bioaceleradores e biofinalizadores, não agressivos ao meio ambiente. Eles degradam os resíduos e os transformam em uma espécie de carvão. Zênis Novais, professora de Química Inorgânica da UFBA, explica a receita: a massa oleada é misturada com pó de serragem e solvente, feito de acetona e etanol.

UFBA degrada resíduos em uma hora

Mais fluida, a massa é transferida para uma betoneira, onde são aplicados os aditivos. Em uma hora, os resíduos são degradados e transformados em carvão. “E sem o cheiro forte do óleo. Uma das possíveis aplicações é como carga para massa asfáltica. Pode deixá-la mais resistente. A outra é usar como combustível alternativo, inclusive nos próprios fornos das cimenteiras. É mais fácil de armazenar e transportar. É mais seguro ambientalmente e pode ficar em local aberto porque não é dissolvido pela água.”

UFBA, tecnologia inovadora de compostagem

Originalmente, a tecnologia da UFBA foi desenvolvida para compostagem. Ela consegue degradar em também uma hora resíduos orgânicos, como cascas de coco verde e restos de alimentos, incluindo carnes e gorduras. E transforma tudo em fertilizante orgânico. “Esses químicos fazem o mesmo papel das enzimas, mas muito mais rápido. Reduzimos de cerca de 135 dias para 15 o processo total de compostagem, atendendo a todas as normas para essa prática. Em três anos, já produzimos 35 toneladas de fertilizantes, que distribuímos gratuitamente para programas de hortas em escolas públicas, projetos da própria UFBA e também para hortas de presídios”, ressalta a professora Zênis Novais.

Indústria do cimento apresenta Roadmap na FIESP

Proposta, alinhada ao Acordo de Paris, busca redução de até 33% na emissão de gases de efeito estufa (CO2)

Por meio da ABCP e do SNIC, a indústria brasileira do cimento apresenta na manhã desta quarta-feira, 27/11, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em São Paulo, o Roadmap Tecnológico do Cimento & Coprocessamento, tendo a presença de cerca de 100 profissionais da cadeia e diretamente relacionados ao tema. O documento traça as principais diretrizes e ações para a redução das emissões de CO2 na indústria cimenteira do Brasil, que para isso utiliza combustíveis alternativos nos fornos de cimento (tecnologia do coprocessamento). Elaborado pela indústria em colaboração com diversos parceiros nacionais e internacionais, o Roadmap foi apresentado em abril, em Brasília, ao Governo Federal, em evento realizado na Confederação Nacional das Indústrias (CNI) na presença do ministro Ricardo Salles, do MMA, e já passou por Belo Horizonte-MG e Curitiba-PR, onde foi apresentado nas respectivas federações da indústria.

O encontro na Fiesp foi aberto pelo presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, que compôs a mesa ao lado de José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo; Carlos Eduardo Auricchio, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Deconcic/Fiesp (Departamento da Indústria da Construção e Mineração) e no ato representando o presidente da Fiesp, Paulo Skaf; e do subsecretário de Infraestrutura do governo do Estado de São Paulo, Glaucio Attorre Penna, representando o secretário Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo. “A indústria brasileira do cimento apresenta um dos menores índices de emissão de CO2 no mundo, por conta de ações que vêm sendo implementadas nas últimas décadas, e queremos continuar liderando esse processo no futuro”, disse Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC.

Carlos Eduardo Auricchio, vice-presidente da Fiesp, em sua mensagem de encerramento da solenidade de abertura, destacou o 13o Construbusiness, que acontece no próximo dia 2/12 na Fiesp, e que traz dados significativos da retomada da economia e da cadeia produtiva da construção.

O evento contou ainda com a presença de diversas lideranças setoriais e autoridades:

Iria Doniak, presidente executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto); Levon Hovaghimian, presidente da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho; e Abílio Weber, diretor da Escola Orlando Slaviero do Senai/SP.

 

PROGRAMAÇÃO

MÓDULO 1 – ROADMAP TECNOLÓGICO

08h30 – Recepção dos convidados e palestrantes

09h00 – Cerimônia |Mensagem de abertura

Paulo Camillo Penna – Presidente ABCP/SNIC; Autoridades

09h15 – Roadmap Tecnológico do Cimento – Brasil

Gonzalo Visedo – Coordenador de Meio Ambiente – Sindicato Nacional da Indústria do Cimento – SNIC

09h45 – Painel 1: Estratégias de Redução de Emissões, Ações já Implementadas e Desafios Futuros

MODERADOR: Arnaldo Battagin – Gerente de Tecnologia – Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP

  • Carlos Massucato – Diretor de Desenvolvimento Técnico e Relações Institucionais –InterCement
  • Erika Tugumi – Senior Investment Officer – International Finance Corporation –IFC / World Bank Group
  • Fabio Cirilo – Coordenador de Sustentabilidade – Votorantim Cimentos
  • Vanderley Moacyr John – Professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP

10h30-CoffeeBreak

 

MÓDULO 2 – COPROCESSAMENTO

10h45 – Evolução do Coprocessamento e o Novo Ciclo de Crescimento

Daniel Mattos – Head de Coprocessamento – Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP

11h15 – Combustível Derivado de Resíduos – Estudo de caso

Eduardo Porciúncula – Gerente Geral – Verdera – Votorantim Cimentos

11h45 – Painel 2: Desafios e Oportunidades para a Recuperação de Resíduos Sólidos

MODERADOR: Mario William Esper – Gerente de Relações Institucionais – Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP

  • Anícia Pio – Gerente de Desenvolvimento Sustentável – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP
  • Edmundo Correa Ramos – Diretor de Operações de Negócios Adjacentes – Votorantim Cimentos
  • Rodrigo Salviatto – Gerente de Coprocessamento – Intercement
  • Júlio Natalense – Diretor de Sustentabilidade – DOW
  • José Valverde Machado – Coordenador RSU da SIMA – Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de SP

12h30 – Encerramento

Paulo Camillo Penna – Presidente ABCP/SNIC; Autoridades

 

Sobre o Roadmap

A indústria desenvolveu o Roadmap em colaboração com a Agência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), International Finance Corporation (IFC) – membro do Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor emérito e ex-ministro José Goldemberg.

O estudo propõe alternativas para reduzir, ainda mais, as baixas emissões de CO2 da indústria nacional de cimento. Mais do que isso, identifica barreiras e gargalos que limitam a adoção de políticas públicas, regulações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões em curto, médio e longo prazo.

O documento na sua íntegra pode ser encontrado nos seguinte links:

https://abcp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Book-1.pdf

https://abcp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Encarte.pdf

 

O Coprocessamento

O coprocessamento, além de ser um dos pilares previstos pelo Roadmap como uma das soluções para a redução na emissão de gases de efeito estufa, se apresenta como uma alternativa viável e acessível para a destinação de resíduos sólidos urbanos em cidades próximas da indústria.

O uso de combustíveis alternativos na produção de cimento, por meio do coprocessamento, não gera novos resíduos e contribui para a preservação de recursos naturais, por substituir matérias-primas e combustíveis fósseis no processo industrial, habilitando-se como uma das soluções possíveis para a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, não atendida por cerca de 3.350 municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disto, trata-se de um processo existente e consolidado mundialmente, gerando ganhos sociais, econômicos e ambientais – a tríade do conceito de sustentabilidade – para os envolvidos em toda a cadeia de coleta e descarte de resíduos.

Mais recentemente, a tecnologia tem sido a solução para o destino do óleo recolhido nas praias do Nordeste brasileiro, como tem sido amplamente divulgado.

O Panorama do Coprocessamento 2019, lançado recentemente, atualiza os dados e indicadores da atividade na indústria brasileira do cimento.

O documento, como e-book, pode ser acessado pelo link http://bps.com.br/abcp/panorama/2019/vr2/ e para download do caderno pelo link https://abcp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Panoramaco_processamento_2019_v2-bx.pdf

Contribuição ambiental da indústria do cimento apresentada na FIEP

As ações, alinhadas ao Acordo de Paris, propõem redução de emissão de gases de efeito estufa (CO2) em até 33%

Apresentado ao Governo Federal em evento realizado na Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em Brasília, no mês de abril deste ano, na presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o Roadshow, iniciado em outubro passado por Belo Horizonte-MG, chega agora a Curitiba-PR. O evento será realizado em várias capitais brasileiras.

Na manhã desta quarta-feira, 06 de novembro (2019), na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a ABCP e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) apresentaram o Roadmap Tecnológico do Cimento, um documento que traça a ambição e as diretrizes para a indústria se tornar ainda mais eficiente e sustentável. Cerca de 80 profissionais, entre autoridades, lideranças políticas, executivos e especialistas sobre o tema tomaram parte do encontro.

O evento também contou com um módulo sobre o Coprocessamento, tecnologia evolutiva, presente na indústria desde 1990, de queima de resíduos industriais e passivos ambientais em fornos de cimento, substituindo matéria-prima e, principalmente, a utilização de combustíveis fósseis não renováveis.

Na ocasião, estiveram presentes Carlos Valter Martins Pedro, presidente da Fiep, Felipe Alencar, secretário executivo de Meio Ambiente do Governo do Estado de Santa Catarina, Ivonete Coelho Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do Instituto Ambiental do Paraná (IAP-PR), e executivos das principais empresas do segmento e da construção civil, que debateram, durante toda a manhã, os caminhos para um futuro sustentável do setor.

 

Sobre o Roadmap

A indústria desenvolveu o Roadmap em colaboração com a Agência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), International Finance Corporation (IFC) – membro do Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor emérito e ex-ministro José Goldemberg.

O estudo propõe alternativas para reduzir, ainda mais, as baixas emissões de CO2 da indústria nacional de cimento. Mais do que isso, identifica barreiras e gargalos que limitam a adoção de políticas públicas, regulações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões em curto, médio e longo prazo.

“A indústria brasileira do cimento apresenta um dos menores índices de emissão de CO2 no mundo, por conta de ações que vêm sendo implementadas nas últimas décadas e queremos continuar liderando esse processo no futuro”, afirmou Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC.

Carlos Valter Martins Pedro, presidente da Fiep, ao dar as boas-vindas aos presentes na abertura do encontro, destacou a grata surpresa de saber que a indústria brasileira do cimento é referência mundial em emissões de carbono em relação à média mundial. “Resultados como este precisam ser amplamente divulgados e valorizados. Além disso, vamos criar um comitê com a finalidade de ampliar as relações institucionais para ouvir as demandas estratégicas dos diferentes setores com vistas a alavancar ações e negócios. Certamente a indústria do cimento fará parte desse grupo”, disse Carlos Valter.

O documento na sua íntegra pode ser encontrado nos seguinte links:

https://abcp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Book-1.pdf

https://abcp.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Encarte.pdf

 

O Coprocessamento

O coprocessamento, além de ser um dos pilares previstos pelo Roadmap como uma das soluções para a redução na emissão de gases de efeito estufa, se apresenta como uma alternativa viável e acessível para a destinação de resíduos sólidos urbanos em cidades próximas da indústria.

O uso de combustíveis alternativos na produção de cimento, por meio do coprocessamento, não gera novos resíduos e contribui para a preservação de recursos naturais, por substituir matérias-primas e combustíveis fósseis no processo industrial, habilitando-se como uma das soluções possíveis para a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, não atendida por cerca de 3.350 municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disto, trata-se de um processo existente e consolidado mundialmente, gerando ganhos sociais, econômicos e ambientais – a tríade do conceito de sustentabilidade – para os envolvidos em toda a cadeia de coleta e descarte de resíduos.

Mais recentemente, a tecnologia tem sido a solução para o destino do óleo recolhido nas praias do Nordeste brasileiro, como tem sido amplamente divulgado.

Nesta semana foi lançado o Panorama do Coprocessamento 2019 que atualiza os dados e indicadores da atividade na indústria brasileira do cimento.

O documento, como e-book, pode ser acessado pelo link http://bps.com.br/abcp/panorama/2019/ e para download do caderno pelo link https://cimentobrasil.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Panoramaco_processamento_2019_bx.pdf

Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC

Cientistas desenvolvem projetos para reaproveitar o óleo que está poluindo o litoral do Nordeste

Revista Galileu: Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia trabalham com método para transformar o óleo em matéria-prima para a construção civil

 

Vanessa Centamori / Revista Galileu

Foto: Petróleo polui praias do Nordeste desde o início de setembro (Márcio Garcez / Agência O Globo)

 

31 OUT 2019 – 09H31

Desde que a primeira mancha de óleo foi observada no dia 30 de agosto no estado da Paraíba, municípios e governos tentam combater o pior desastre ambiental já registrado na região: mais de 250 locais que incluem praias e reservas ambientais já foram contaminados pelo vazamento, que ainda não tem origem oficialmente esclarecida. Já foram recolhidas mais de 1 mil toneladas do resíduo, mas a questão que fica é: qual será o destino desse óleo todo?

Em nota enviada à GALILEU, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) conta que parte do material recolhido está a cargo da Petrobras e o restante do resíduo recolhido foi destinado a empresas de tratamento ligadas a governos estaduais e municipais.

“Está sendo feito um trabalho de interlocução direta com os estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para, oportunamente, realizar a destinação final ambientalmente adequada”, diz o instituto.

A indústria do cimento

Em Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife, o petróleo está sendo utilizado em fábricas cimenteiras, além de servir como matéria-prima para fabricar combustível usado pelas indústrias. O processo de reaproveitamento do óleo ocorre no centro de tratamento de resíduos Ecoparque Pernambuco (CRT).

O diretor técnico do CRT, Laércio Braga Chaves, conta à GALILEU que desde sábado chegaram ao centro de tratamento mais de 18 toneladas de petróleo. “O óleo é misturado com outros resíduos industriais que a gente recebe como papelão, papel, plástico e madeira”, diz.

Segundo Chaves, a mistura de materiais passa por um pré-triturador, segue por uma esteira e por uma peneira, saindo mais fino. Depois, passa por outra peneira e por um triturador com mecanismo de rotação. O resultado é uma mistura energética, conhecida como blend, formada de pequenas partículas de cinco milímetros, que depois é vendida para duas fábricas cimenteiras no estado vizinho da Paraíba.

As indústrias usam esse produto nos fornos como combustível: de acordo com especialistas, tal material conta com um maior poder de queima e substitui outro derivado do óleo usado pelas indústrias de cimento, chamado de coque. Chaves explica que essa opção é melhor do que levar o petróleo até aterros sanitários, onde o material pode degradar o solo.

Leia a matéria completa no site da Galileu.

 

Óleo nas praias: fábrica de cimento usa substância em fornos

O óleo cru que vem contaminando as praias do litoral do Nordeste desde setembro de 2019 está sendo recolhido e utilizado como combustível pela indústria de cimento. Reportagem da GloboNews mostra como unidade da Brennand Cimentos na Paraíba está tratando o material a ser coprocessado.

Reportagem da GloboNews – 31/10/2019

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Coprocessamento ajuda meio ambiente

O óleo cru que se espalha pelo litoral do Nordeste desde setembro de 2019 será recolhido e utilizado pela indústria de cimento como combustível, segundo reportagem da GloboNews em Pernambuco.

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Indústria do cimento apresenta diretrizes para futuro do setor

Foto: Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e SNIC, na abertura do evento 

 

Alinhadas ao Acordo de Paris, as ações apresentadas na FIEMG propõem redução de emissão de gases de efeito estufa (CO2) em até 33%

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) apresentaram nesta quarta-feira (02/10/2019), na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o Roadmap Tecnológico do Cimento, um documento que traça a ambição e as diretrizes para a indústria se tornar ainda mais eficiente e sustentável.

O evento também contou com um módulo sobre o Coprocessamento, uma tecnologia de queima de resíduos industriais e passivos ambientais em fornos de cimento, substituindo a utilização de combustíveis fósseis não renováveis.

Na ocasião, estiveram presentes Teodomiro Diniz, presidente da Câmara da Indústria da Construção da FIEMG, Renato Teixeira Brandão, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), e executivos das principais empresas da construção civil, que debateram, durante toda a manhã, os caminhos para um futuro sustentável do setor.

A indústria desenvolveu o Roadmap em colaboração com a Agência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvi­mento Sustentável (WBCSD), International Finance Corporation (IFC) – membro do Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor emérito e ex-ministro José Goldemberg.

O estudo propõe alternativas para reduzir, ainda mais, as baixas emissões de CO2 da indústria nacional de cimento. Mais do que isso, identifica barreiras e gargalos que limitam a adoção de políticas públicas, regulações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões em curto, médio e longo prazo.

“A indústria brasileira do cimento apresenta um dos menores índices de emissão de CO2 no mundo, por conta de ações que vêm sendo implementadas nas últimas décadas e queremos continuar liderando esse processo no futuro”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Segundo dados dessas entidades, enquanto a produção de cimento aumentou 273% entre 1990 e 2014 (de 26 para 71 milhões de toneladas), a curva da emissão de carbono cresceu 223% nesse intervalo, uma redução de 18% das emissões específicas (de 700 para 564 kg CO2 /t cimento). Por sua vez, o projeto vislumbra a possibilidade da indústria alcançar patamares da ordem de 375 kg CO2 /t cimento até 2050, uma redução de 33% com relação aos valores atuais.


Teodomiro Diniz, vice-presidente da FIEMG, na abertura do evento 

 

O coprocessamento

O coprocessamento, além de ser um dos pilares previstos pelo Roadmap como uma das soluções para a redução na emissão de gases de efeito estufa, se apresenta como uma alternativa viável e acessível para a destinação de resíduos sólidos urbanos em cidades próximas da indústria, e que é empregada pela indústria brasileira desde 1990, portanto há quase 3 décadas, garantindo toda a segurança e saúde do trabalhador que se envolve com a tecnologia.

O uso de combustíveis alternativos na produção de cimento, através do coprocessamento, não gera novos resíduos e contribui para a preservação de recursos naturais, por substituir matérias-primas e combustíveis fósseis no processo industrial, habilitando-se como uma das soluções possíveis para a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, infelizmente não atendida por cerca de 3.350 municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disto, trata-se de um processo existente e consolidado mundialmente, gerando ganhos sociais, econômicos e ambientais – a tríade do conceito de sustentabilidade – para os envolvidos em toda a cadeia de coleta e descarte de resíduos.

Metas alinhadas ao Acordo de Paris

O Acordo de Paris, negociado em 2015 na 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e ratificado pelo Brasil em 2016, estabeleceu diretrizes e compromissos para tentar limitar o aumento das temperaturas neste século a menos de 2°C.

Para alcançar essa meta desafiadora, foram reunidas no mapeamento medidas que se concentram em quatro principais pilares: adições e substitutos de clínquer – produto intermediário do cimento -, por meio do uso de subprodutos de outras atividades; combustíveis alternativos, com a utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição a combustíveis fósseis não renováveis; medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico; tecnologias inovadoras e emergentes, por meio da pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas, como a captura de carbono.

 

Ações-chave para 2030

Para atingir os níveis de melhoria nos diferentes indicadores de performance (KPI’s) e as conse­quentes reduções na emissão de carbono estimadas, governo, indústria e sociedade em geral devem criar uma agenda conjunta de ações estruturantes, de forma a acelerar a transição sustentável da indústria brasileira de cimento. Entre as ações prioritárias, visando um horizonte de curto/médio prazo (2030), estão:

  • Reforçar a cooperação nacional e internacional; promover o desenvolvimento de novas normas de cimento, permitindo a incorporação de maiores teores de substitutos de clínquer;
  • Valorizar a recuperação energética de resíduos, em atendimento à Política Nacio­nal de Resíduos Sólidos (PNRS);
  • Compartilhar melhores práticas em nível nacional e internacional para a promoção da eficiência energética na indústria do cimen­to;
  • Promover Pesquisa e Desenvolvimento em tecnologias emergen­tes e inovadoras de mitigação de gases de efeito estufa.

 

Veja no link abaixo a íntegra do Roadmap Tecnológico do Cimento:  https://www.abcp.org.br/cms/wp-content/uploads/2019/04/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Encarte.pdf

 

Cimento do futuro será o Portland

Investimento em tecnologia faz a indústria superar os desafios referentes a desempenho e emissão de gases

Em sua palestra na Concrete Show 2019, intitulada “Cimento do Futuro”, o gerente dos Laboratórios da ABCP, Arnaldo Battagin, fez um relato das pesquisas mais relevantes para se chegar a um produto que substitua o cimento Portland em larga escala de consumo, desempenho e, principalmente, com menores emissões de CO2. Até agora, todos os materiais estudados focaram na mitigação do impacto ambiental, mas não conseguiram se tornar viáveis economicamente.

Por outro lado, a indústria de cimento Portland tem agregado cada vez mais inovações, a fim de aumentar o desempenho do material e diminuir as emissões de gases. Com isso, se sobrepõe aos desafios que crescem ano a ano. “Certa vez ouvi em uma palestra que a indústria de cimento teria futuro sustentável se a taxa de inovações fosse maior que a taxa de restrições. O investimento em tecnologia faz o setor superar os desafios referentes a desempenho e agora a tecnologia tem trabalhado para mitigar as emissões e superar as restrições ambientais impostas”, diz.

Adequação às normas

Em 1990, apenas na Europa, havia 19 regulamentações de meio ambiente exclusivas para a indústria de cimento. Em 2010, segundo a estatística mais atualizada, esse número subiu para 635. Para se adequar às normas ambientais, o cimento Portland encontrou no incremento de teores de adições uma fórmula de sucesso. De acordo com Battagin, no futuro a captura de carbono poderá se mostrar mais eficaz, mas por enquanto ela esbarra nas mesmas restrições que dificultam a substituição do Cimento Portland por outro material: a inviabilidade econômica.

Como exemplo, o gerente dos Laboratórios da ABCP citou o cimento desenvolvido a partir de 2007 no Imperial College London, na Grã-Bretanha. Usando silicato de magnésio como ligante, o material foi testado em concreto estrutural e artefatos pré-fabricados de cimento. Em 2010, foi premiado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e havia a promessa de que entraria em escala comercial em 2014. No entanto, todo o planejamento foi paralisado. “Apesar do forte apelo tecnológico, esbarrou na questão do custo. No futuro, poderá vir a ocupar um nicho de mercado”, afirma Arnaldo Battagin.

Outro exemplo é o de um cimento desenvolvido há mais de 20 anos nos Estados Unidos, com comportamento que se assemelha à cerâmica. Testado na estabilização de resíduos radioativos e como selante de poços petrolíferos, o material também não alcançou competitividade comercial para substituir o cimento Portland. Atualmente, desponta como um produto para uso restrito na construção civil.

Novos produtos

Arnaldo Battagin também relatou outros cimentos que tendem a se tornar nichos de mercado, como o cimento com nanotubos de carbono, o cimento modificado energeticamente (EMC, do inglês energetically modified cement) e o cimento de sulfalominato de cálcio, com tempo de pega de 10 minutos e cuja resistência máxima é atingida nas primeiras 12 horas. “Trata-se de um cimento que possui norma técnica na Europa, mas que a confiança sobre a durabilidade ainda não está madura”, expôs o palestrante.

Para finalizar, Battagin concluiu sua fala com a seguinte reflexão: “Nenhum cimento ainda consegue competir com o cimento Portland em larga escala. Graças ao cimento Portland, um quilo de concreto custa menos que um litro de água. Por isso, por longo tempo, continuará como produto-chave para a indústria da construção civil. Não significa que não buscará atingir menores níveis de emissão de gases, o que virá através do clínquer coprocessado e de maiores níveis de adições. É o cenário que se desenha até 2050, pelo menos.”

Fonte: Massa Cinzenta / Cia de Cimento Itambé

Texto baseado na palestra “Cimento do Futuro”, do gerente dos Laboratórios da ABCP, Arnaldo Battagin, durante a Concrete Show 2019.