Atenção ao meio ambiente

Seminário na Concrete Show apresenta iniciativas da indústria para mitigar emissões de CO2 na cadeia do concreto

No último dia 16 de agosto, foi realizado, durante a Concrete Show South America, o Seminário “Mitigação da Pegada de Carbono na Cadeia do Concreto. A contribuição da Indústria Brasileira”. Organizado pela ABCP, Associação Brasileira de Cimento Portland, o painel contou com a participação de representantes da indústria do cimento brasileira e de dois representantes do governo federal: o secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, André França, e o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Vidigal.

O seminário apresentou ao público temas como: o mapeamento das iniciativas que ajudarão a indústria de cimento no trabalho de redução da emissão de gases do efeito estufa até 2050, em linha com as metas definidas pelo Acordo de Paris; a utilização de novos resíduos industriais e de biomassa como combustíveis alternativos; as frentes de atuação visando uma maior eficiência energética da indústria; o enorme potencial de uso de resíduos urbanos nos fornos de cimento e os estudos voltados para o desenvolvimento de tecnologias que permitam a captura de CO2 nos elementos à base de cimento e concreto.

Pavimento de concreto emite menos CO2

Estrada Cimesa. Foto: JR Ramos

 

O Banco Mundial aponta que existem quase 45 milhões de quilômetros de rodovias pavimentadas no planeta – a maioria em asfalto. Isso levou o Centro de Sustentabilidade do Concreto do MIT (do inglês, Concrete Sustainability Hub [CSHub]) a medir o impacto ambiental causado pelo tráfego constante dos veículos sobre as estradas. A conclusão do trabalho no Massachusetts Institute of Technology (MIT) revela por que o pavimento de concreto é mais amigo do meio ambiente em comparação ao asfalto.

O estudo, publicado no Journal of Cleaner Production, constatou que, no asfalto, o efeito chamado de interação pavimento-veículo libera maior volume de CO2 na atmosfera. Outra observação é que a deflexão do asfalto leva os veículos a consumirem mais combustível. “A qualidade do pavimento impacta no desempenho dos veículos e na capacidade de economizarem combustível, ou seja, ao longo de seu ciclo de vida o pavimento influencia para uma pegada maior ou menor de carbono”, deduz o estudo.

O relatório do CSHub ainda faz a seguinte análise: “Ao estudar todas as etapas da vida de uma estrada, usando uma técnica chamada de avaliação do ciclo de vida do pavimento, fica claro que o impacto ambiental de um pavimento não termina com a construção. De fato, há emissões significativas associadas ao asfalto durante sua vida operacional, em comparação ao concreto”. A pesquisa ressalta que as maiores diferenças entre o pavimento flexível e o rígido se dão quando os caminhões estão nas rodovias. (…)

O Centro de Sustentabilidade do Concreto do MIT analisou pavimentos em quatro estados dos Estados Unidos, com diferentes climas: Missouri, Arizona, Colorado e Flórida. Dentro de cada zona climática, foram estudados diferentes níveis de tráfego. A pesquisa concluiu que nas estradas avaliadas aeconomia de combustívelseria de 3,8 bilhões de litros em cinco anos, caso houvesse somente pavimento de concreto, em vez de pavimento de asfalto.

Leia a reportagem completa no site Massa Cinzenta*

* Matéria do jornalista Altair Santos (MTB 2330) com base no estudo do Concrete Sustainability Hub (CSHub) do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Cimento: apoio à sustentabilidade

Reportagem mostra iniciativa da indústria brasileira do cimento para reduzir as emissões de CO2

 

A indústria do cimento e todo seu compromisso com a mitigação do impacto ambiental da atividade foram tema de capa da edição 192, ano 2019, da revista “Saneamento Ambiental”. A reportagem “O esforço da indústria brasileira do cimento para reduzir as emissões de CO2” traz um panorama abrangente das diversas ações da indústria nesse tema.

O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, destaca na matéria que a indústria brasileira possui um dos menores níveis de emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida e segue no propósito de reduzir sua intensidade carbônica em 33% até 2050. O setor conta, no Brasil, com 100 fábricas, sendo 64 integradas (abrangem todo o ciclo de produção) e 36 moagens (sem fornos). Mas parte desse parque industrial está fechada, o que representa uma capacidade ociosa de 47%.

A matéria registra o pioneirismo da indústria do cimento em relação à questão ambiental e ao próprio conceito de sustentabilidade, ao destacar o processo de adição de outros materiais ao clínquer, iniciativa tomada desde os anos 20. E mais recentemente, lembra a matéria, a indústria nacional iniciou o desafiador projeto do Roadmap da Indústria do Cimento, em parceria com a Agência Internacional de Energia, Conselho Empresarial de Desenvolvimento Sustentável e Banco Mundial.

Enquanto a indústria mundial de cimento respondeu, em 2018, por 7% das emissões globais de gás carbônico, as indústrias cimenteiras do Brasil geraram apenas 2,6%. “Efetivamente temos um compromisso de reduzir ainda mais essas emissões e não apenas pela preocupação ambiental – temos percepção de que essa vulnerabilidade precisa ser reduzida”, disse Paulo Camillo. Ele acrescentou que o processo de precificação de carbono está avançando e os países vizinhos (Chile, Argentina, México) já implantaram uma política de taxação, que pode ser via tributação ou preço de mercado. “Temos conhecimento também de que o Ministério da Fazenda e o Banco Mundial estão trabalhando no assunto com o propósito de buscar uma redução significativa das emissões”, informa o presidente da ABCP/SNIC.

Leia a reportagem completa: Revista Saneamento Ambiental – nº 192 – 2019

Ministérios finalizam regulações que contemplam o coprocessamento



Mesa do evento de apresentação do Mapeamento Tecnológico do Cimento, Roadmap Brasil, tendo ao centro o ministro de Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles (quarto a partir da esquerda), e o presidente do SNIC e ABCP, Paulo Camillo Penna (quinto a partir da esquerda)

 

Promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidades representativas da indústria brasileira do cimento, realizou-se na manhã da última quarta-feira (3/4/2019), na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, o evento de lançamento e apresentação do Mapeamento Tecnológico do Cimento, Roadmap Brasil, que traça as principais diretrizes e ações para a redução das emissões na indústria cimenteira do Brasil.

Perto de 150 pessoas, entre autoridades, lideranças empresariais, executivos da indústria do cimento do país e especialistas brasileiros e estrangeiros, lotaram o plenário do 15º andar da CNI para conhecer e debater os desafios e oportunidades de redução da pegada de carbono do setor, no horizonte de 2050, assistindo antes da abertura oficial do encontro a um vídeo especialmente preparado sobre o Roadmap.

Logo após a saudação inicial de boas-vindas do presidente do SNIC e ABCP, Paulo Camillo Penna, o ministro de Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, fez importante pronunciamento, destacando o protagonismo, parceria e contribuições realistas e ambiciosas da indústria do cimento na direção de uma economia de baixo carbono, desde a época em que ocupou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente em São Paulo. Em sua manifestação, o ministro ressaltou a relevância do coprocessamento, conforme os trechos a seguir:

“Ao assistir esta apresentação (vídeo), meu caro amigo Paulo, fico ainda mais confiante e reforça nossa convicção que é de fato prioridade numero 1 do Ministério de Meio Ambiente do presidente Jair Bolsonaro a agenda de qualidade ambiental urbana.”

“E para a indústria especificamente do cimento o que nós já fizemos que interessa, e que tem consenso com o tema de hoje, é o fato de ontem nós conseguirmos fechar a minuta final de uma portaria interministerial conjunta, cujo conceito foi debatido entre eu, o ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, e o ministro Gustavo Canuto, do Desenvolvimento Regional, para normatizar e dar as diretrizes para utilização dos resíduos no coprocessamento, enfim nas fontes alternativas de energia para queima. Mas é uma norma muito enxuta, no sentido técnico, para dar objetivamente o tratamento que precisa ser dado, sem robustecer barreiras que são meramente filosóficas e dogmáticas. Tenho certeza que isso vai ajudar muito na solução que é boa para o setor, para mudanças climáticas e boas para a solução dos resíduos dos municípios. Todos ganham. Certamente não é a solução final. Precisa ser ajustada. Mas tudo a seu tempo.”


Plenário da CNI, que acolheu o evento

 

Presentes ao evento encontravam-se também o secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Alexandre Vidigal de Oliveira, os senadores Rodrigo Pacheco, líder do DEM, e Marcos Rogério, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, o diretor geral daAgência Nacional de Mineração (ANM), Victor Bicca, o presidente da Frente Parlamentar Mista da Economia Verde, deputado federal Arnaldo Jardim, além dos deputados federais Vinicius Carvalho e Enrico Misasi.

Coube ao secretário nacional de Energia Elétrica do MME, Ricardo Cyrino, representando o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o pronunciamento de encerramento da solenidade de abertura.

Conferências

Uma conferência internacional, proferida pela diretora de Cimento da recém-constituída Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, Global Cement and Concrete Association), Claude Loreá, sob o título “O caminho para a Sustentabilidade do Cimento e do concreto”, mostrou, gerando grande interesse do plenário, as ações sobre os aspectos ambientais que conduzem a indústria mundial do cimento na direção da economia de baixo carbono. A edição do jornal “Valor Econômico” desse mesmo dia trouxe ampla entrevista com a convidada internacional, sob o título “Indústria do cimento discute corte na emissão de carbono” (ver link).

Outra conferência, conduzida pelo especialista em meio ambiente do SNIC, Gonzalo Visedo, que co-coordenou o trabalho ao lado do professor José Goldemberg, tratou dos aspectos técnicos do Roadmap Brasil.

Painéis

A segunda parte do encontro foi composta de dois painéis, um sobre as ações já realizadas até o momento pela indústria brasileira e outro sobre as ações futuras, ambos com moderadores e panelistas profissionais destacados e experientes da indústria brasileira do cimento. Deles também tomaram parte especialistas da Corporação Financeira Internacional (IFC) – membro do Grupo Banco Mundial -, bem como a diretora geral da Federação Interamericana do Cimento, Maria José Garcia.

O jornal “Correio Braziliense” trouxe na edição do dia seguinte, 4 de abril, reportagem sobre o encontro (ver link).


Ministro Ricardo Salles (MMA) e Paulo Camillo Penna (SNIC/ABCP)

 

O Roadmap e suas propostas

O Roadmap Brasilfoi desenvolvido com a contribuição daAgência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvi­mento Sustentável (WBCSD), Corporação Financeira Internacional (IFC) – membro do Grupo Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos-pesquisadores de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor e ex-ministro José Goldemberg. A iniciativa teve o objetivo de elencar uma série de medidas capazes de acelerar a transição rumo a uma economia de baixo carbono no setor cimenteiro.

O compromisso deste trabalho é contribuir para a redução da intensidade carbônica em 35% até 2050, com base nos valores atuais. Para tanto, elencou medidas que se concentram em quatro principais pilares: (i) adições e substitutos de clínquer (produto intermediário do cimento), por meio do uso de subprodutos de outras atividades; (ii) combustíveis alternativos, com a utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição a combustíveis fósseis não renováveis; (iii) medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico; (iv) tecnologias inovadoras e emergentes, através da pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas, como a captura de carbono.

As soluções apresentadas no evento deste dia 3 de abril são realistas e as reduções almejadas, ambiciosas. A transição da indústria do cimento sugerida no documento só pode ser alcançada mediante uma estrutura reguladora de apoio e investimentos efetivos e sustentados.

O roteiro mapeia políticas públicas necessárias, avalia mecanismos de fomento e descreve desafios técnicos para alcançar a ambição proposta.

O documento na íntegra e seu encarte (resumo) estão disponíveis para download nos links:

Roadmap Tecnológico do Cimento – Brasil (Book – 6,9 Mb)

Roadmap Tecnológico do Cimento – Brasil (Encarte – 1 Mb)

Assista também ao vídeo “Mapeamento Tecnológico do Cimento: Roadmap Brasil 2019”.

 

ROADMAP TECNOLÓGICO DO CIMENTO

O cimento é insumo fundamental da cadeia produtiva da indústria da construção, componente básico de concretos e argamassas e o material feito pelo homem mais utilizado no planeta.

Ele é também elemento imprescindível ao desenvolvimento da infraestrutura no país, hoje deficitária. O cimento é base para a construção de casas, escolas, hospitais, estradas, ferrovias, portos, aeroportos, obras de saneamento e energia, entre muitas outras que proporcionam saúde e bem-estar à população e atendem às exigências da vida moderna.

O Brasil, como país em desenvolvimento, tem um importante programa de infraestrutura a ser implementado, e o aumento da população, aliado aos seus crescentes padrões de urbanização, deverá impulsionar a deman­da por cimento nas próximas décadas.

O processo produtivo de cimento é intensivo na emissão de gases de efeito estufa. A indústria cimenteira responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Apesar disso, no Brasil, muito em função de uma série de ações que o setor vem implementando há anos, esta participação é de cerca de 2,6%.

Particularmente, o Brasil é um dos países que emite menor quantidade de COpor tonelada de cimento no mundo. Esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáti­cas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Pensando nisso, a indústria do cimento nacional, em colaboração com a IEA, IFC (do Banco Mundial), WBCSD e diversos especialistas desenvolveram este Roadmap Tecnológico do Cimento. Nele, são apresentadas diferentes alternativas de mitigação das emissões da indústria nacional a curto, médio e longo prazos. Com isso, se adequar a cenários condizentes com o de menor impacto climático, limitando o aumen­to da temperatura global em até 2°C.

O estudo também identifica barreiras ou gar­galos que limitam a adoção dessas alternativas e, com base nisso, propõe uma série de recomendações de políticas públicas, instrumentos de fomento, regu­lações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões do setor e acelerar sua transição a uma economia de baixo carbono.

Projeto de coprocessamento do açaí da Votorantim Cimentos recebe prêmio da AmCham

Poupar o meio ambiente, estruturar uma nova cadeia produtiva, fomentar a economia local, gerando mais empregos e renda, e proporcionar uma matriz energética mais sustentável: são os benefícios do nosso projeto de “Aplicação do caroço de açaí como substituto ao coque de petróleo”, realizado em nossa fábrica de Primavera, no Pará.

A iniciativa foi reconhecida na 14ª edição do Prêmio Brasil Ambiental, da American Chamber of Commerce for Brazil (AmCham), que fomenta ações de sustentabilidade e reconhece, desde 2005, as organizações brasileiras com as melhores práticas em sustentabilidade.

O projeto da Votorantim Cimentos, que contribui para a redução de emissão de CO2 no meio ambiente, foi o vencedor da categoria “Emissões Atmosféricas”. Mais uma conquista dos empregados da Votorantim Cimentos.

Saiba mais sobre o coprocessamento de açaí

Desde 1991 a empresa construiu uma longa tradição de utilizar resíduos em substituição a combustíveis fósseis, incluindo substância oleosas, borrachas, madeiras contaminadas, pneus, papel e até plástico. Mas com semente de açaí foi a primeira vez. Por isso o processo demandou uma bateria de testes até encontrar, no final de 2017, as variáveis ideais.

Só no Estado do Pará são 550 mil toneladas de semente de açaí geradas todos os anos. Fornecedores da região recolhem os caroços que seriam descartados, passam por um processo de secagem e chegam até a fábrica para substituir parte do coque de petróleo, o combustível usado nos fornos de cimento.

Atualmente a fábrica processa 6500 toneladas de caroço por mês. Em um futuro próximo a meta é chegar a 10 mil toneladas. Além de eliminar resíduos e substituir combustíveis fósseis, esse processo reduz a emissão de gases, tanto na fábrica quanto no transporte do coque, que agora é importado em menor quantidade. Esses esforços fazem parte do Plano Estratégico de Sustentabilidade, que pretende reduzir as emissões em 25% e a aquisição de combustíveis m 40%, em todos os países que a Votorantim Cimentos atua.

Publicado em 17.12.2018 no site da Votorantim Cimentos

Votorantim premiada por coprocessamento no Tocantins

Fábrica de Xambioá (Foto: Divulgação Votorantim)

 

Em 2017, unidade de Xambioá deixa de enviar resíduos ao aterro sanitário para usar na produção de clínquer

Por Fausto Oliveira

A Votorantim Cimentos, maior cimenteira do Brasil, foi reconhecida com o Prêmio Mérito Ambiental do Estado de Tocantins por suas práticas de coprocessamento na unidade de Xambioá. Ao utilizar resíduos de diferentes origens, todos gerados na própria fábrica, para produzir o clínquer, em 2017 Xambioá não destinou resíduos ao aterro sanitário do Tocantins.

O coprocessamento é uma adaptação técnica da produção de clínquer. Trata-se de inserir no forno de moenda resíduos que podem ser queimados e gerar energia térmica. Com isto, se evita a queima de combustíveis fósseis, e as cinzas resultantes por esta combustão de resíduos se integra quimicamente à estrutura do clínquer. Assim, o coprocessamento é considerado cada vez mais uma prática correta na indústria cimenteira global, para reduzir os impactos do cimento no meio ambiente.

Na unidade de Xambioá, os resíduos queimados no forno são de todo tipo: de acordo com a Votorantim, equipamentos de proteção individual, embalagens de produtos químicos e pó de serra de limpeza de maquinário, entre outros.

Hoje em dia, a Votorantim Cimentos realiza coprocessamento em 15 fábricas no país. Sua meta é chegar a 30% de uso de resíduos para queima de clínquer em todas as suas fábricas no mundo, até 2020. No Brasil, no ano passado, 25% de todo o combustível usado foram renováveis.

Fonte: Concreto Latino-Americano / KHL (15/06/2018)

Coprocessamento no 60º Congresso Brasileiro do Concreto

 

Foto: Geólogo Arnaldo Battagin, gerente de Tecnologia da ABCP, em palestra sobre coprocessamento

No 60º Congresso Brasileiro do Concreto, realizado de 17 a 21 de setembro em Foz do Iguaçu-PR, foi proferida a palestra “Panorama do Coprocessamento de Resíduos em Fornos de Cimento no Brasil” pelo geólogo Arnaldo Battagin, gerente de Tecnologia da ABCP, tendo como co-autor o engenheiro Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da mesma entidade.

Além de um inventário estatístico sobre os tipos de resíduos utilizados como substitutos de matérias-primas e combustíveis tradicionais, a palestra abordou a influência do coprocessamento na qualidade do clínquer. Foi mostrado que os elementos menores  no cimento provenientes do uso de resíduos coprocessados ficam em solução sólida na estrutura de silicato de cálcio e, dessa forma, não são lixiviados do concreto, não devendo ser motivo de preocupação de consumidores de cimento com a qualidade, durabilidade e o desempenho de cimento com clínquer processado.

A apresentação, bem como o “paper” completo, podem ser consultados por meio dos links abaixo.

Panorama do Coprocessamento de resíduos em Fornos de Cimento no Brasil:

(Apresentação)  (Paper)

Economia circular: cases de sucesso

A indústria de cimento tem se empenhado no sentido de buscar soluções sustentáveis para a produção industrial. Abaixo destacamos como essas iniciativas têm contribuído para o meio ambiente e a economia.

 

Projeto de coprocessamento do açaí da Votorantim Cimentos recebe prêmio da AmCham

Poupar o meio ambiente, estruturar uma nova cadeia produtiva, fomentar a economia local, gerando mais empregos e renda, e proporcionar uma matriz energética mais sustentável: são os benefícios do projeto de “Aplicação do caroço de açaí como substituto ao coque de petróleo”, realizado na fábrica da Votorantim de Primavera, no Pará. A iniciativa foi reconhecida na 14ª edição do Prêmio Brasil Ambiental, da American Chamber of Commerce for Brazil (AmCham), que fomenta ações de sustentabilidade e reconhece, desde 2005, as organizações brasileiras com as melhores práticas em sustentabilidade.

Leia mais no site da Votorantim Cimentos.

 

Como o caroço do açaí nos faz mais sustentáveis (vídeo, 2min39)

Sabe como o açaí ajuda na produção do nosso cimento? Em seu caroço descobrimos algo único, que está mudando a nossa história e tornando nossa produção mais sustentável. Assista ao vídeo e descubra como esta deliciosa fruta contribui para o nosso compromisso em reduzir a emissão de CO2. Publicado em 2 de out de 2018.

 

Histórias que constroem: nada se perde, tudo se transforma (vídeo, 3min12)

A unidade da Votorantim Cimentos de Salto de Pirapora utilizou 17,9 mil toneladas de Combustível Derivado de Resíduo (CDR) durante o ano, o que corresponde a uma substituição de 5,3% do coque de petróleo. A planta tem capacidade para processar 65.000 toneladas. A solução envolve investimentos na instalação de preparação de resíduos, na modernização de nosso sistema de fabricação e nos filtros e controle de emissões on-line. Veja mais neste vídeo da empresa, publicado em 1 de abril de 2019.

 

Entenda como a economia circular pode ajudar o meio ambiente (23 min)

A economia circular propõe que a produção industrial se inspire na natureza e que o resíduo de um produto sirva de nutriente para a produção de outro produto. Assim, nada se perde e tudo se transforma infinitamente. A economia circular já é uma realidade no Brasil e o programa Cidades e Soluções mostra como e onde ela se dá.

O programa foi exibido em 29 de abril de 2019 e tem aproximadamente 23 minutos. Importante: o usuário precisa ser assinante da GlobosatPlay e uma operadora de telefonia.

https://globosatplay.globo.com/globonews/v/7578106/

DF promove seminário sobre coprocessamento

A Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) realizou na última quarta-feira (19/09/2018), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal e com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o seminário “Coprocessamento de Resíduos”. O evento, que procura ampliar o debate sobre o tema, sucedeu à concessão, pelo Governo do DF, de licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal: a Votorantim Cimentos (renovação e ampliação da licença existente desde 1991) e a Ciplan (autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus).

Dividido em dois painéis (veja quadro com a Programação), o seminário abordou o panorama do coprocessamento no Brasil; a gestão dos resíduos sólidos e o potencial para recuperação energética; a geração de combustível derivado de resíduos no Distrito Federal; e o licenciamento ambiental para coprocessamento. O evento teve 71 participantes, representando entidades e empresas*. A ABCP foi representada por seu presidente, Paulo Camillo Penna,que compôs a mesa, e Mário William Esper, diretor de Relações Institucionais, que proferiu a palestra “Panorama do Coprocessamento no Brasil”.

Potencial econômico e ambiental

O coprocessamento é considerado uma alternativa sustentável e adequada à destinação de resíduos. Ele aumenta a vida útil dos aterros e contribui para a redução dos gases de efeito estufa, tanto pela não geração de metano da decomposição do lixo quanto pela substituição como combustível em função de seu conteúdo de biomassa. Marcontoni Montezuma, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Fibra, observou que “não existem muitas razões” para que o coprocessamento não se efetive, dado o atual controle dos processos industriais. Para ele, o seminário reuniu entes decisivos para que isso se torne realidade no Distrito Federal.

Por enquanto, as cimenteiras de Brasília só podem fazer o coprocessamento de pneus, não de outros resíduos, como industriais, urbanos (comerciais e residenciais) e os da agricultura. Apenas Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo têm regulamentação nesse sentido. Porém, é fato que a utilização de resíduos em fornos de cimento como substitutos de combustíveis e matérias-primas convencionais atende ao preconizado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, e contribui para a economia circular. Em muitos países da Europa onde a legislação baniu os aterros sanitários, os combustíveis derivados de resíduo (CDR) produzidos a partir de resíduos urbanos, comerciais e industriais não perigosos após triagem dos recicláveis tornaram-se uma ferramenta na gestão de resíduos.

Resultados concretos

Em 2016, o Brasil destruiu aproximadamente 1 milhão de toneladas de resíduos em fornos de cimenteiras. “Nesse sistema, os resíduos são transformados em potenciais subprodutos ou outros materiais, promovendo a reciclagem, a reutilização e a recuperação. A indústria do cimento do Brasil vem utilizando resíduos em seus fornos desde a década de 1990 e atualmente a substituição térmica está em torno de 10%. Na Europa, chega a 90%”, explicou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo.

O presidente do Ibram, Aldo César Vieira, mostrou-se favorável à ampliação do coprocessamento no Distrito Federal, destacando que ele traz benefício para a indústria quanto ao custo do produto e movimenta a cadeia produtiva. “No final, é um processo que vai beneficiar a sociedade como um todo. Espero que essa parceria para tratar desse assunto continue, não só com o setor produtivo, mas também com o Ministério Público, que está conosco nesse esforço”, disse. A promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Cristina Rasia, também participou do debate.

Próximos passos

Considerado um sucesso pela qualidade do conteúdo e dos apresentadores, o seminário deve agilizar o licenciamento do coprocessamento para combustível derivado de resíduo (CDR) nas duas fábricas do Distrito Federal. Para tanto, o próximo passo é a elaboração de uma resolução do Distrito Federal para CDR. Além disso, o encontro previu a elaboração, em conjunto com o Ministério das Cidades, de uma agenda para coprocessamento de CDR em todo o Brasil; e o agendamento de uma visita da Fibra, Promotoria Pública e Ministério das Cidades a uma unidade de produção de CDR localizada em Recife (PE).

Texto baseado em informações de: Aline Roriz / Sistema Fibra

Foto: Moacir Evangelista / Sistema Fibra

*  Entidades e empresas participantes: Fibra e Ibram, Sema, SEDICT, MPDFT, ABCP, Ibama, SLU, Adasa, CEB, Ministério das Cidades, CNI, UnB, Sindimam, Instituto Lixo Zero, Exército Brasileiro, Votorantim, Ciplan, Combral e JC Gontijo, Bonasa, Valor Ambiental, Scom Ambiental e Corsap DF/GO.

Governo do DF concede licenças para cimenteiras do Fercal

O governo do Distrito Federal entregou licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal. A Votorantim Cimentos faz esse trabalho no DF desde 1991 e conseguiu a renovação e ampliação da licença, enquanto a Ciplan foi autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus.

O coprocessamento de pneus e biomassa substitui parte do combustível fóssil na fabricação de cimento. A medida contribui para reduzir o uso de recursos naturais não renováveis e a emissão de CO2, além de diminuir o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário. O forno de cimento garante a total eliminação térmica dos resíduos e a incorporação das cinzas no processo de fabricação, sem comprometer a qualidade do produto. O coprocessamento exerce ainda papel importante para a saúde pública, uma vez que auxilia a evitar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya, por exemplo.

A licença foi assinada pelo secretário da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, pelo secretário do Meio Ambiente, Felipe Ferreira, e pelo secretário-geral do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Ricardo Roriz. Compareceram o gerente da Votorantim no Distrito Federal, Waldir Gomides, o presidente da Ciplan, Sergio Bautz, e o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Marcontoni Montezuma.

“A Fibra lutou muito, ao lado das cimenteiras, para conseguir essas licenças. Enxergamos isso como um grande avanço, pois diminui os resíduos, além de destravar o emprego e o investimento. São empresas extremamente industrializadas, que sabem o que estão fazendo e vão trazer benefícios enormes à sociedade”, disse Montezuma.

Com o volume que já era licenciado, a Votorantim eliminava 1,5 tonelada de pneus por hora. Agora, a capacidade será quadruplicada. “A gente pode chegar a 3 mil pneus de caminhão por dia destruídos imediatamente nesse processo, sem alteração de características de produto, ou 9 mil unidades de pneus de carros de passeio por dia. Esse é um trabalho feito em várias vias do poder público, da sociedade e do setor industrial e envolve uma questão de saúde pública e de vigilância sanitária”, afirmou o representante da Votorantim.

A Ciplan, por sua vez, aguardava a licença havia vários anos para dar início ao coprocessamento em suas instalações. Agora, está autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus. “Mais que substituir um combustível de fonte não renovável, temos a oportunidade de fazer uma adequação ambiental no quesito de redução de emissão de CO2 e de eliminar a quantidade de pneus expostos de maneira irregular”, explicou o presidente da empresa, que destacou os benefícios ambientais, econômicos e sociais especialmente para a região da Fercal.

 

Coprocessamento de resíduos

O Brasil gera anualmente 63 milhões de toneladas de resíduos sólidos. A quantidade de lixo cresceu 21% só na última década, mas o tratamento adequado dado a esses resíduos não aumentou. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, só 3% dos resíduos sólidos produzidos nas cidades brasileiras são reciclados, apesar de um terço de todo o lixo urbano ser potencialmente reciclável.

O combustível derivado de resíduos pode, portanto, ser uma importante ferramenta de desenvolvimento sustentável para as economias regionais. Os empresários destacaram a importância desse coprocessamento não se restringir aos pneus: é preciso analisar o trabalho com resíduos triturados, restos de obras e resíduos sólidos urbanos para seguir o caminho da evolução de maneira sustentável.

Pensando em dar continuidade para esse debate, a Fibra receberá o seminário Coprocessamento de Resíduos em 19 de setembro, a partir das 14 horas. A programação inclui painéis sobre gestão de resíduos sólidos, potencial para recuperação energética, panorama de coprocessamento no Brasil, geração de combustíveis derivados de resíduos e planos e metas do poder público. Para se inscrever no evento, entre em contato pelo telefone (61) 3362-6190.

Texto: Aline Roriz

Foto da assinatura: Helio Montferre/Sistema Fibra

Foto da indústria: Moacir Evangelista/Sistema Fibra

Assessoria de Comunicação do Sistema Fibra