Rede More: inovação em habitação sustentável

As mudanças climáticas representam uma das principais ameaças ao ambiente urbano atual. O aumento das temperaturas e os eventos extremos — como secas, enchentes, deslizamentos, apagões de energia e vendavais — afetam toda a sociedade. No entanto, seus impactos são sentidos de maneira mais intensa nas comunidades onde a construção autogerida é a principal alternativa para suprir a demanda por moradia.

Embora representem um volume expressivo das edificações no Brasil, com parte significativa localizada em favelas, essas obras realizadas sem a participação de construtoras ou agentes públicos são pouco estudadas sob a ótica ambiental. Para preencher essa lacuna e investigar essa fronteira esquecida nasceu a Rede More, uma iniciativa inédita que mergulha na realidade dessas habitações para encontrar soluções baseadas em ciência.

O projeto é pioneiro ao mensurar uma variável crucial e até então invisível nesse contexto: o “carbono incorporado”. O conceito refere-se a todas as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas ao longo do ciclo de vida dos materiais — da extração da matéria-prima e fabricação ao transporte, instalação e descarte. Pela primeira vez, propõe-se calcular essa pegada oculta, revelando o impacto ambiental da forma como grande parte do Brasil constrói e buscando compreender uma cadeia produtiva que opera à margem dos sistemas tradicionais de planejamento.

Para muitos moradores, a casa, que deveria ser um abrigo, acaba se transformando em uma armadilha climática. Durante a primeira fase da pesquisa na comunidade São Remo, em São Paulo, relatos e dados relevaram um quadro preocupante. Os moradores descreveram uma sensação térmica excessiva, especialmente à noite, que prejudica o sono, somada à ventilação insuficiente, falta de iluminação natural e presença constante de umidade e mofo. Sensores instalados nas residências confirmaram essas percepções, registrando altas concentrações de dióxido de carbono (CO₂), o que configura um ambiente interno insalubre e aumenta o risco de doenças respiratórias. Evidencia-se que, embora a autoconstrução resulte do esforço legítimo dos moradores para melhorar sua qualidade de vida, as moradias acabam restritas por limitações de execução, escassez de espaço e uso de materiais de baixa eficiência.

Para decifrar a complexidade da autoconstrução, o projeto More combinou métodos de pesquisa inovadores, contrastando a natureza das moradias com a sofisticação das ferramentas de análise. Os pesquisadores adotaram uma abordagem integrada, que uniu entrevistas aprofundadas ao uso de tecnologia LiDAR — sistema de sensoriamento remoto a laser — para medir distâncias e formas com alta precisão. Esse mapeamento foi essencial para entender como a densidade e o layout dos edifícios contribuem para a falta de luz e ar. A metodologia une tecnologia de ponta, participação comunitária e ciência aplicada, gerando dados precisos sobre uma realidade até então compreendida apenas superficialmente.

A força da Rede More reside em uma aliança que redefine o papel da indústria, unindo o setor de cimento, a academia e o governo. A iniciativa é coordenada pelo hubIC (Hub Brasileiro de Inovação da Construção), uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), com financiamento da Caixa. O projeto conta com a participação de 31 pesquisadores e profissionais, envolvendo universidades, organizações de pesquisa e extensão, e pretende integrar na próxima fase grandes empresas do setor produtivo. Juntos, esses atores buscam desenvolver soluções de baixo carbono viáveis para o mercado da autoconstrução, demonstrando que os desafios complexos das cidades exigem cooperação ampla.

Finalizada a etapa exploratória, os próximos passos da iniciativa incluem o aprimoramento dos métodos de mapeamento, visando escalá-los para moradias de construção autogerida em todo o Brasil. O planejamento abrange também o desenvolvimento de um banco de dados para estimar o estoque de carbono atrelado ao consumo de materiais e a realização de simulações computacionais para prever cenários futuros do impacto das mudanças climáticas no bem-estar da população. O objetivo final é elaborar recomendações técnicas sólidas e apoiar políticas públicas capazes de melhorar efetivamente as condições habitacionais.

PDE capacita setor de artefatos de concreto com workshops em todo o Brasil e consolida atuação em 2025

O PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial), iniciativa da ABCP em parceria com o SNIC e a empresa Mundo do Concreto, segue ampliando sua atuação nacional. Após um ciclo de forte expansão, o programa consolidou sua presença em 2025 com a realização de workshops em 14 cidades e o Distrito Federal, percorrendo mais de 44,5 mil quilômetros, levando conhecimento sobre inovação, mercado e tecnologia para mais de 500 profissionais da construção civil e ultrapassando 537 mil visualizações nas redes sociais. O programa contou com seis patrocinadores nacionais e dez estaduais e mais de 25 parceiros institucionais.

A iniciativa, que tem como foco a gestão, processos, tecnologia do concreto e lucratividade, já acumula números expressivos: historicamente, o PDE atendeu mais de 600 fábricas, abrangendo 196 municípios em 17 estados e no Distrito Federal.

Os workshops contam com o apoio de importantes patrocinadores da cadeia produtiva, incluindo indústrias de cimento, fabricantes de artefatos e fornecedores, além de parcerias com entidades e sindicatos do setor. Os encontros reúnem instrutores e empresários renomados para compartilhar experiências sobre desafios da indústria, operações lucrativas, sucessão familiar, branding e estratégias de vendas.

Desde 2010, o PDE desenvolve a indústria de artefatos de concreto, pré-fabricados e acabamentos, visando ampliar a utilização eficiente do cimento, promover a industrialização e a qualidade dos produtos. O programa proporciona uma visão 360 graus do negócio, abordando pilares essenciais, como gerenciamento de rotina, finanças, marketing e atingimento de metas.

Para saber mais sobre os próximos passos e a agenda, acesse: https://pde.abcp.org.br/

ABCP: 89 anos de excelência, pavimentando o caminho para o centenário da indústria brasileira do cimento

Hoje, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) celebra 89 anos de fundação. Protagonista de marcos históricos, a entidade segue na vanguarda, liderando debates e atuando como referência de excelência tecnológica.

Esta data ganha um significado especial, pois marca o início da jornada para os 90 anos da entidade e para os 100 anos da indústria brasileira do cimento, que serão comemorados em 2026. O setor, presente em 23 estados e responsável por cerca de 82 mil empregos, demonstra sua confiança no desenvolvimento do Brasil com R$ 27,5 bilhões em investimentos planejados entre 2023 e 2027.

Neste último ciclo, obtivemos avanços significativos no fomento ao uso dos sistemas construtivos à base de cimento, tanto na habitação quanto na infraestrutura. Nas edificações, as soluções cimentícias reafirmaram seu protagonismo no Programa Minha Casa, Minha Vida, impulsionadas pela eficiência da alvenaria estrutural com blocos de concreto e das paredes de concreto moldadas in loco — tecnologias de alto desempenho que reduzem custos, aceleram obras e evitam desperdícios. Para viabilizar esses avanços, a indústria ampliou o suporte técnico às construtoras e reforçou parcerias com grandes instituições.

Na infraestrutura de transporte, o pavimento de concreto já representa 4,5% da malha rodoviária federal, e temos a convicção de que podemos chegar a 10% em breve. Nas cidades, colhemos os frutos de anos de trabalho técnico, com a solução presente em mais de 150 municípios. Para consolidar esse movimento, a PAVI+ (Comunidade da Pavimentação) avança, reunindo especialistas e gestores públicos em torno de uma pauta única: qualidade, durabilidade e sustentabilidade para a infraestrutura brasileira.

Todo esse crescimento caminha lado a lado com a responsabilidade climática. O Brasil já ostenta, há décadas, uma das menores intensidades de carbono do mundo (580 kg CO₂/t), e nossa transição energética segue acelerada. O coprocessamento atingiu sua melhor marca, com 32% da matriz energética proveniente de fontes renováveis e resíduos, evitando a emissão de 3,4 milhões de toneladas de CO₂.

Elevamos ainda mais nossa ambição atualizando nossa trajetória de mitigação com o Roadmap Net Zero, lançado durante a COP30. Através dele, mapeamos uma série de alavancas, dentro do nosso processo produtivo e ao longo do ciclo de vida do produto, capazes de nos levar a um cenário de neutralidade climática até 2050. São medidas que abrangem maior uso de adições e matérias-primas alternativas, ampliação dos combustíveis alternativos em substituição aos combustíveis fósseis não renováveis, maior eficiência na produção de concretos e sistemas construtivos, utilização de energias limpas, captura de carbono e soluções baseadas na natureza.

Na frente de inovação, o hubIC segue como catalisador da expansão da construção digital, impulsionando a modernização do setor rumo à Indústria 4.0. Além disso, inovou mais uma vez ao coordenar a Rede More, projeto inédito para mensurar a pegada de CO₂ das habitações, visando impulsionar a economia de baixo carbono. Simultaneamente, ampliamos nossa difusão de conhecimento com uma intensa agenda de cursos, palestras e webinários por todo o País. Todo esse ecossistema é sustentado pela excelência dos nossos Laboratórios, garantindo o Selo da Qualidade e a certificação que o mercado exige.

Celebrar 89 anos é reafirmar nosso compromisso de unir crescimento econômico e sustentabilidade rumo aos próximos 100 anos.

Roadmap Net Zero da indústria brasileira do cimento é lançado na COP30

Após lançar, de forma pioneira, o maior e mais ambicioso roteiro de descarbonização na indústria de base do Brasil, a indústria brasileira do cimento atualizou sua trajetória de mitigação, por meio do Roadmap Net Zero, que foi apresentado no dia 15/11 durante a COP30. A iniciativa integrou os 140 painéis que compuseram o Pavilhão Brasil,  dos mais de 1250 projetos submetidos para avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

O painel contou com a participação de Paulo Camillo Penna (Presidente ABCP/SNIC), Thomas Guillot (CEO GCCA), Clovis Zapata (Country Representative UNIDO/Brazil), Gonzalo Visedo (Head de Sustentabilidade do SNIC), com a moderação de Stefania Relva (Diretora Instituto E+).

A indústria brasileira do cimento tem uma longa trajetória de atuação em responsabilidade ambiental, social e econômica. Pouco depois de implementar o Roadmap de mitigação do setor em 2019, renovou o compromisso com a descarbonização, lançando a proposta de neutralização de emissões até 2050. O novo Roadmap tem como base todo o ciclo de vida da cadeia do cimento apoiado no desenvolvimento de combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, captura, estocagem e uso de carbono, além de Soluções baseadas na Natureza (SbN). Todo esse mapa do caminho incorpora fortemente tecnologia e inovação, com ativa participação da academia, agências de fomento e os diversos integrantes da cadeia da construção.

 

Liderança em sustentabilidade

Em um cenário global onde a sustentabilidade se tornou premissa para o desenvolvimento, a indústria nacional demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social. Segundo dados da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA) — o maior e mais completo banco de dados de indicadores ambientais e de CO2 do setor industrial no mundo —, a produção de uma tonelada de cimento no planeta gera, em média, 610 kg de CO2. O Brasil, no entanto, se destaca por estar entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2 por tonelada, resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos. Essa liderança é fruto de uma estratégia consolidada que aposta na economia circular e na redução do impacto ambiental da produção de cimento.

A indústria brasileira do cimento é pioneira no uso de adições e subprodutos de outras cadeias produtivas, alcançando os maiores percentuais de substituição de clínquer (componente principal do cimento) do mundo. Além disso, dobrou sua participação no uso de combustíveis alternativos nos últimos 15 anos, superando 30% da matriz energética — ficando atrás apenas da União Europeia.

Biomassas como casca de arroz, caroço de açaí, cavaco de madeira e resíduos urbanos e industriais são hoje fontes significativas de energia no setor, substituindo combustíveis fósseis como o coque de petróleo. Esses avanços anteciparam em cinco anos metas previamente estabelecidas e demonstram um compromisso real com a sustentabilidade.

Esse compromisso está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), com metas até 2035. A indústria está trabalhando em estreita colaboração com o governo federal para definir metas setoriais que combinem a descarbonização com o crescimento econômico.

O Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira pode ser conferido no site.

 

Descarbonização da indústria energointensiva

Na sexta-feira, 14, a ABCP/SNIC participou ainda no estande da Confederação Nacional da Indústria do Painel CNI – Descarbonização da indústria energointensiva, ao lado de outras lideranças: Adriano Scarpa (indústria florestal), Janaina Donas (alumínio), André Passos (química) e Priscila Cardoso (aço). O debate teve como moderador o Superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

Setores como alumínio, aço, cimento, vidro, químico e papel e celulose são pilares do desenvolvimento nacional, mas também estão entre os mais impactados pelas exigências de redução de emissões de gases de efeito estufa. É essencial compreender como essas cadeias produtivas podem se adaptar, mantendo competitividade e garantindo segurança operacional, ao mesmo tempo em que contribuem para a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira. O objetivo do painel, portanto, foi debater caminhos para acelerar a descarbonização das indústrias, identificando desafios, oportunidades e soluções colaborativas entre governo e setor produtivo.

Cimento: indústria cresce em outubro e lança Roadmap Net Zero na COP30

As vendas de cimento totalizaram 6,3 milhões de toneladas em outubro, o que representa um crescimento de 7,1% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

No acumulado do ano (janeiro a outubro), os números alcançaram 56,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,5% comparado a igual período do ano passado. O despacho de cimento por dia útil atingiu 252,3 mil toneladas, uma alta de 5,0% ante outubro de 2024.

O resultado do setor refletiu o cenário macroeconômico contraditório, que combinou, de um lado, um mercado de trabalho aquecido e, de outro, juros altos, inadimplência e endividamento elevados.

A taxa de desemprego foi a menor da série histórica (5,6% em setembro) e com recordes na população ocupada (102,4 milhões), nos postos com carteira assinada e massa salarial. O bom resultado elevou a confiança do consumidor pelo segundo mês consecutivo.

No entanto, o mesmo otimismo não se refletiu na confiança empresarial. A da indústria piorou pela sétima vez no ano, e a da construção também caiu em outubro, com preocupações sobre demanda insuficiente, custo do crédito e escassez de mão de obra.

Os principais desafios para o setor vêm do custo do crédito e do orçamento familiar. O endividamento da população (48,91%) e a inadimplência (78,8 milhões de indivíduos) seguem em níveis elevados, limitando o consumo. Além disso, com a taxa Selic mantida em 15% e expectativas de inflação acima da meta, o mercado imobiliário, principal indutor do consumo de cimento, sente os efeitos.

O impacto mais significativo é visto no financiamento para construção, cujo número de operações apurado pelo SBPE acumula uma queda de 55,4% até agosto. Os lançamentos imobiliários, embora tenham subido 6,8% até junho, recuaram 6,8% no segundo trimestre (abr-jun). O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) seguiu a mesma tendência: apesar de crescer 7,8% no semestre, teve uma queda de 15,5% no segundo trimestre.

Diante desse cenário de incertezas, o anúncio do novo modelo de crédito imobiliário pelo governo federal, com mudança nas regras para uso da poupança e a nova linha de crédito voltada à reforma, tem potencial de impulsionar a demanda na construção civil e do insumo.

Em linha com as projeções do setor, a indústria brasileira do cimento mantém a expectativa de crescimento entre 2,0% e 3,0% para 2025. Essa perspectiva se ancora em duas frentes principais: a força do MCMV, que deve gerar uma demanda adicional de 2,5 a 3 milhões de toneladas de cimento por ano, e os investimentos contínuos em infraestrutura, com destaque para a forte expansão do pavimento de concreto rodoviário e urbano.

 

Roadmap Net Zero

A indústria brasileira do cimento apresentará seu novo Roadmap Net Zero 2050 durante a COP30, em Belém (PA). A iniciativa, selecionada entre os mais de 1.250 projetos inscritos, detalha a rota para a neutralidade de carbono, baseando-se em um histórico de liderança do setor em sustentabilidade:

  • Emissões: o Brasil já emite 580 kg de CO2/t de cimento, abaixo da média global (610 kg/t).
  • Economia circular: o Brasil é um dos dois países com maiores adições de matérias-primas alternativas ao clínquer (componente principal do cimento) do mundo.
  • Energia limpa: 32% da matriz energética do setor vêm de combustíveis alternativos (biomassas e resíduos), índice inferior apenas ao da União Europeia.
  • Meta: atingir a neutralidade de carbono até 2050, por meio de instrumentos de remoções e compensações, como Soluções baseadas na Natureza (SbN).

O painel será apresentado no dia 15/11, no Pavilhão Brasil (Zona Verde), em Belém.

COP30 e o papel estratégico da indústria brasileira do cimento

Após lançar, de forma pioneira, o maior e mais ambicioso roteiro de descarbonização da indústria de base do Brasil, a indústria brasileira do cimento está atualizando sua trajetória de mitigação, por meio do Roadmap Net Zero, que será lançado durante a COP30. A iniciativa foi escolhida entre os 140 painéis que irão compor o Pavilhão Brasil, dos mais de 1250 projetos submetidos para avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

O novo roadmap terá como foco não apenas as emissões do processo produtivo, mas também o ciclo de vida completo do cimento, incluindo seu uso na cadeia da construção civil, e as potencialidades das remoções florestais e soluções baseadas na natureza (SbN). A meta é clara: atingir a neutralidade de carbono até 2050.

Em um cenário global onde a sustentabilidade se tornou premissa para o desenvolvimento, a indústria nacional demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social. Segundo dados da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês) — o maior e mais completo banco de dados de indicadores ambientais e de CO2 do setor industrial no mundo —, a produção de uma tonelada de cimento no planeta gera, em média, 600 kg de CO2.

O Brasil, no entanto, se destaca por estar entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2 por tonelada, resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos. Essa liderança é fruto de uma estratégia consolidada que aposta na economia circular e na redução do impacto ambiental da produção de cimento.

A indústria brasileira do cimento é pioneira no uso de adições e subprodutos de outras cadeias produtivas, alcançando os maiores percentuais de substituição de clínquer (componente principal do cimento) do mundo. Além disso, dobrou sua participação no uso de combustíveis alternativos nos últimos 15 anos, superando 30% da matriz energética e ficando atrás apenas da União Europeia.

Biomassas como casca de arroz, caroço de açaí, cavaco de madeira e resíduos urbanos e industriais são hoje fontes significativas de energia no setor, substituindo combustíveis fósseis como o coque de petróleo. Esses avanços anteciparam em cinco anos metas previamente estabelecidas e demonstram um compromisso real com a sustentabilidade.

Esse compromisso está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), com metas até 2035. A indústria está trabalhando em estreita colaboração com o governo federal para definir metas setoriais que combinem a descarbonização com o crescimento econômico.

Vendas de cimento têm alta em setembro

A indústria brasileira de cimento encerrou o terceiro trimestre de 2025 registrando uma comercialização de 6,1 milhões de toneladas em setembro, uma alta de 4,6% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano (janeiro a setembro), os números foram positivos, alcançando 50,3 milhões de toneladas, aumento de 3,0% comparado a igual período do ano passado.

A venda por dia útil, um indicador-chave de performance, registrou 252,8 mil toneladas, uma queda de 1,9% ante setembro de 2024, porém no acumulado dos nove primeiros meses verifica-se uma alta de 3,7%.

O resultado do setor foi marcado pela dualidade entre o mercado de trabalho ainda aquecido e o impacto de juros altos, inadimplência e endividamento elevados.

A taxa de desemprego atingiu o menor patamar (5,6% no trimestre encerrado em agosto), com recorde nas séries históricas da população ocupada, empregos formais e massa salarial (alta de 1,4%).

A confiança do consumidor atingiu o maior nível desde dezembro/24, impulsionada pelo emprego e pelo arrefecimento da inflação. No entanto, o aumento da informalidade e os altos patamares de endividamento (48,57% em julho/25) e inadimplência (78,2 milhões de indivíduos, ou 47,93% dos brasileiros) representam um limitador para a demanda, disputando a renda das famílias — inclusive com a crescente popularidade das bets.

O impacto da incerteza macroeconômica é sentido na construção, que ficou mais pessimista no terceiro trimestre, determinada pela queda de confiança nos segmentos de Preparação de Terrenos e Obras de Acabamento e pela menor demanda na contratação de serviços.

A Selic elevada intensifica a concorrência dos ativos financeiros frente aos ativos imobiliários. Essa restrição de crédito se reflete na atividade do setor da construção: os lançamentos caíram 6,8% no segundo trimestre do ano, com a retração ainda mais acentuada no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que registrou queda de 15,5% no mesmo período. Como resultado direto, o número de unidades financiadas pelo SBPE para construção caiu 55,4% no acumulado até agosto/25 em relação a 2024.

A retração também se manifesta nas vendas de materiais, que tiveram queda em agosto/25 e na revisão da projeção de crescimento para o fechamento do ano de 2,8% para 1,8%. O ajuste é reflexo da manutenção dos juros básicos da economia (Selic em 15%) em patamares elevados, o que impacta o varejo e as obras de reforma e autoconstrução. As expectativas de inflação para o ano reforçam a necessidade de manter a Selic em nível restritivo, limitando o impulso da economia e, consequentemente, as perspectivas de demanda.

A desaceleração da atividade econômica no segundo semestre também foi evidenciada na confiança da indústria, que ficou estável em setembro, após três meses de piora.

Diante deste cenário de incerteza, a indústria do cimento permanece focada em alavancar a demanda via habitação e infraestrutura. A projeção atual, no cenário de referência, aponta para um crescimento do consumo do produto de 2,0% no ano de 2025.

Na esfera da habitação, há uma expectativa de que a expansão e atualização das faixas de renda do MCMV elevem a meta do governo, estimada em 2 milhões de unidades entre 2023 e 2026. Essa projeção deve incrementar o consumo de cimento entre 2,5 e 3 milhões de toneladas por ano no período, avanço fundamental para mitigar o déficit habitacional de 6 milhões de unidades.

Adicionalmente, o novo modelo de crédito imobiliário e o programa de reforma de moradias do governo deverá injetar ao menos R$ 20 bilhões no mercado imobiliário, visando sustentar o crescimento dos financiamentos em um cenário de escassez de funding da caderneta de poupança.

Em referência à infraestrutura, o saneamento continua atraindo investimentos. Na frente de rodovias, o pavimento de concreto segue avançando como solução de maior durabilidade, mais sustentável e alinhada com as diretrizes de descarbonização do Ministério dos Transportes.

O Brasil, dono da quarta maior malha rodoviária do mundo, tem apenas 12,4% dessas vias pavimentadas, ressaltando a urgência do investimento em soluções de qualidade superior. Ademais, estados brasileiros como Paraná, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal têm se notabilizado por fortes investimentos em pavimentação com uso de concreto. Essa solução tem sido replicada nas ruas e avenidas de cerca de 200 municípios brasileiros, destacando atributos como redução das ilhas de calor e maior luminosidade, entre outros.

Paredes de Concreto ganham espaço e transformam o mercado da construção no Brasil

O sistema construtivo Paredes de Concreto tem avançado de forma acelerada no Brasil, e se consolidado como a principal solução para habitação em larga escala. A tecnologia, que ganhou força com os programas habitacionais do governo federal, combina rapidez de execução, menor custo e maior qualidade nas edificações.

A ABCP foi protagonista nesse processo, promovendo missões técnicas internacionais, criando o programa “Paredes de Concreto” e liderando a elaboração da norma ABNT NBR 16055, publicada em 2012 e revisada em 2022. A entidade também tem desempenhado papel estratégico ao oferecer cursos online, treinamentos in company, apoio técnico na viabilidade do sistema e a formação de montadores de paredes de concreto.

Dentre os principais benefícios do sistema construtivo estão: alta produtividade, com obras concluídas em prazos menores; redução de custos, graças ao uso otimizado da mão de obra e ao menor desperdício de materiais; qualidade estrutural e maior planejamento, que torna o processo competitivo e bem controlado.

Essas características vêm atraindo tanto empreendimentos populares quanto projetos voltados à classe média e até de alto padrão em grandes cidades, onde a escassez de mão de obra especializada tem sido um desafio.

 

Nordeste

No Ceará, o sistema é destaque do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), especialmente no Cariri, com aplicação em casas térreas e edifícios de quatro pavimentos. A tecnologia chegou a prédios de mais de 12 andares em Fortaleza, incluindo empreendimentos na Praia do Futuro. Na Bahia, o MCMV segue em ritmo acelerado, com destaque para os grandes condomínios, que somam quase 11 mil unidades em um novo bairro.

A tecnologia alcançou patamares ainda mais altos em Pernambuco: além de sua utilização em projetos habitacionais, está sendo aplicada em edifícios com mais de 30 pavimentos. O programa Morar Bem Pernambuco – Entrada Garantida fortalece esse movimento ao apoiar famílias de baixa renda.

No Rio Grande do Norte, o uso é expressivo em Mossoró, voltado principalmente para casas térreas. E o Estado do Piauí começa a implantar o sistema em empreendimentos do segmento econômico.

 

Centro-Oeste

No Distrito Federal, a Parede de Concreto foi o sistema construtivo escolhido no Alto Mangueiral, um bairro planejado com mais de 7 mil unidades que está sendo construído para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab). Há ainda empreendimentos menores em Samambaia que utilizam a tecnologia.

No Mato Grosso do Sul, a ABCP e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) realizaram mais um evento que reuniu 300 participantes para capacitar construtoras de Campo Grande. ​Essa iniciativa impulsiona o uso do sistema na região, que agora é adotado em diversos projetos, desde edifícios para a classe média até casas populares, como as 600 moradias que a empresa Arauco construirá para seus futuros funcionários da nova fábrica de papel e celulose.

 

Sul

O desastre natural causado pelas fortes chuvas e inundações no Rio Grande do Sul não apenas evidenciou a vulnerabilidade climática da região, mas também abriu espaço para a consolidação de sistemas construtivos mais rápidos e industrializados. Nesse contexto, a tecnologia das paredes de concreto moldadas in loco foi uma das soluções mais viáveis, permitindo erguer conjuntos habitacionais em menor tempo, com qualidade e durabilidade. No Estado, o método construtivo foi usado na construção de 500 unidades habitacionais no Loteamento Novo Passo, em Cruzeiro do Sul, e em 100 casas no Residencial Renascer, em Estrela e em Lajeado.

A Prefeitura de Lajeado assinou em julho, junto ao Governo Federal e à empresa responsável pela obra, a ordem de início da construção de 102 casas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – Calamidade, que terá como sistema construtivo as paredes de concreto.

Outro exemplo marcante vem de Cruzeiro do Sul-RS, município de aproximadamente 10 mil habitantes no Vale do Taquari, que recentemente aprovou a construção de 500 unidades habitacionais em paredes de concreto. Número bastante expressivo para a realidade local: trata-se do maior empreendimento habitacional da história do município e também da primeira vez que a prefeitura aprova obras com esse sistema construtivo.

Tecnologias para impressão 3D avançam no Brasil e no mundo

O hubIC, espaço cooperativo de inovação entre a Escola Politécnica (Poli) da USP e a ABCP e SNIC, foi palco nesta semana de um workshop inédito, que contou com a presença das maiores referências globais em impressão 3D cimentícia. O evento híbrido reuniu CEOs e executivos das empresas que estão moldando o futuro da construção no mundo, como a XtreeE e Construction-3D, além das hubickers Cosmos 3D e ProBuild 3D.

Na pauta do encontro, a tecnologia que está revolucionando a construção civil, trazendo mais rapidez, sustentabilidade e redução de custos, foi apresentada ao público composto por acadêmicos, especialistas e profissionais do mercado. Eles debateram experiências nacionais e internacionais, aplicações práticas e perspectivas sobre o uso da impressão 3D.

O que antes parecia uma tecnologia futurista, hoje já é realidade em diversos países, com destaque para a França, onde um pavilhão em Paris foi feito totalmente com impressão 3D usando cimento pela XtreeE. A empresa francesa, considerada uma das mais sofisticadas do mundo nesse tipo de tecnologia em larga escala, possui robôs industriais para extrusão de concreto, formas complexas, fachadas e componentes personalizados.

A Cosmos 3D, joint venture entre o Grupo Katz (Brasil) e IT3D (Espanha), foi uma das primeiras empresas a mudar a forma como as casas são construídas no país: reduzindo o tempo de construção, os custos, os resíduos de materiais e o impacto ambiental associado à construção de habitações econômicas por meio da impressão em concreto. A empresa, que tem capacidade de imprimir estruturas de grande escala com materiais cimentícios de alto desempenho, apresentou o portfólio de casas em São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

A francesa Construction-3D, líder mundial na fabricação de impressoras 3D, capazes de imprimir estruturas de concreto de forma automatizada, apresentou suas últimas inovações no workshop, como a torre impressa em 3D mais alta do mundo, localizada na França, com 14 metros de altura e 3 andares. As máquinas da empresa são vendidas em locais como Emirados Árabes Unidos (Dubai), México, Canadá, Kuwait e Estados Unidos.

Por fim, a norte-americana ProBuild 3D mostrou algumas inovações ao possibilitar a construção de uma casa de diferentes tamanhos com agilidade por meio da impressão 3D na Flórida e outras localidades.

Os exemplos apresentados no workshop demonstram que tanto no Brasil como em outras partes do mundo a impressão 3D de concreto é uma tecnologia que veio para ficar e transformar a forma como construímos.

Para quem quiser conferir de perto as inovações da construção civil, o Laboratório de Impressão 3D de Concreto do HubIC acaba de receber um novo robô, que produz estruturas de concreto em diversos formatos. Mais informações podem ser obtidas no site.

Pavimento de concreto ganha espaço de destaque na Paving Expo 2025

A ABCP marca presença na Paving Expo 2025, principal encontro da infraestrutura viária e rodoviária do Brasil. O evento, que acontece de 23 a 25 de setembro no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunirá fabricantes de máquinas, equipamentos, insumos, serviços e soluções tecnológicas para pavimentação, construção e manutenção de vias urbanas e rodovias.

Durante três dias, a entidade apresentará em seu estande (214) a inovação, qualidade e sustentabilidade do concreto como solução estratégica para o desenvolvimento do setor de infraestrutura e pavimentação no Brasil.

Além da exposição, o evento contará com a Paving Conference, com atividades que conectam empresas, gestores públicos e privados, especialistas e entidades setoriais.

A ABCP, em parceria com a R9 Pro Engenharia e a Concrefiber – Fibras e Soluções para Concreto, promoverá o seminário “Pavimentos de concreto reforçados com fibras: solução econômica e sustentável para as vias do futuro”, na quinta-feira (25), das 13h às 17h.

O seminário vai abordar os avanços e casos exemplares sobre a aplicação do pavimento de concreto com fibras, destacando soluções econômicas e sustentáveis para o futuro da mobilidade e infraestrutura no Brasil.

A Paving Expo tem o objetivo de fomentar discussões relevantes sobre a importância do desenvolvimento da infraestrutura brasileira, por meio de melhores técnicas de pavimentação. A ABCP, por sua vez, tem total sinergia com a proposta, uma vez que aposta no Pavimento de Concreto por conta das suas características de sustentabilidade, maior durabilidade e melhorias trazidas para a qualidade de vida dos brasileiros.

Para participar, os interessados devem realizar o credenciamento e inscrição por meio do site: paving.com