Venda de cimento cresce 5,3% em janeiro no país

A indústria do cimento registrou um início de ano com desempenho de vendas favorável. A comercialização do insumo no país em janeiro totalizou 5,2 milhões de toneladas, um crescimento de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2024 e uma alta de 10% frente a dezembro último. Por dia útil, que considera o número de dias trabalhados e tem forte influência no consumo, a comercialização de cimento foi de 215,6 mil toneladas no mês de janeiro, o que representa uma evolução de 5,4%, comparado ao mesmo mês do ano anterior e queda de 1,1% em relação a dezembro de 2024.

O resultado é atribuído ao contínuo aquecimento do mercado de trabalho e à renda da população, com a massa salarial em alta, desemprego em nível baixo e recorde em carteiras assinadas.

Além disso, o mercado imobiliário, importante indutor do consumo de cimento, registrou crescimento no financiamento em 2024, ainda que mudanças em linha de crédito habitacional vêm sendo negativamente realizadas.

Verifica-se forte movimentação de vendas e de lançamentos, puxada pelas obras do programa Minha Casa, Minha Vida, que permanece em expansão. A comercialização de materiais de construção também seguiu em alta no ano passado.

No entanto, apesar da demanda aquecida da construção civil, o setor começa a sentir os impactos da pressão inflacionária, do custo de mão de obra, da continuidade do aumento da taxa de juros (13,25%) e do endividamento e inadimplência elevados, que exercem pressão na situação financeira e no consumo das famílias, contribuindo, inclusive, para a queda na confiança do consumidor em janeiro. Este índice registrou o menor nível desde fevereiro de 2023, refletindo uma maior preocupação com o momento atual e com as expectativas futuras, em todas as classes de renda, principalmente as mais elevadas.

Na construção e indústria, a confiança também piorou. O ambiente econômico, com a Selic em elevação (com probabilidade de atingir 15% até dezembro) e o câmbio desvalorizado, já representa um desafio para as empresas.

As incertezas fiscais do país somadas à trajetória de alta da Selic, anunciada pelo Banco Central, tornam as perspectivas do setor para o ano mais conservadoras.

Ainda assim, a indústria do cimento segue otimista com a possibilidade de elevar a presença do cimento e do pavimento de concreto como opção nas licitações de ruas, estradas e rodovias. Fatores como esses levam a uma projeção de crescimento de consumo do produto estimada em 1% para este ano, o que representa um acréscimo de 650 mil de toneladas de cimento, atingindo um total anual de 65,5 milhões de toneladas.

Na perspectiva da sustentabilidade, o ano de 2025 traz desafios importantes para o setor produtivo, como a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões – Mercado de Carbono, bem como a definição de metas de descarbonização setoriais no âmbito do Plano Clima, quando se avizinha a COP30.

Setor prevê crescimento de 1% em 2025

O cenário econômico, marcado por incertezas fiscais do governo, inflação projetada acima do teto da meta, aliado com a trajetória de alta de juros, endividamento e inadimplência, indica que a taxa de crescimento do consumo de cimento será menor em 2025 do que foi em 2024.

A majoração da Selic deve ampliar a concorrência dos ativos financeiros frente aos ativos imobiliários. Ainda assim, a indústria brasileira do cimento espera crescer em torno de 1% este ano, influenciada em parte pelos avanços em projetos de infraestrutura e desenvolvimento urbano, principalmente nas áreas de habitação e saneamento.

No segmento habitacional, o sistema construtivo Parede de Concreto é uma solução para programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), por trazer como benefícios padronização e velocidade de construção – três vezes mais ágil do que o sistema convencional -, permitindo que as empresas o utilizem em projetos com prazos apertados e alta repetitividade. Caso se confirme a previsão de entrega, pelo MCMV, de 500 mil unidades em 2025, o consumo estimado de cimento será da ordem de 2,5 milhões de toneladas.

Em relação aos investimentos previstos em infraestrutura de transporte, vale lembrar que o Brasil possui aproximadamente 1,72 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, o que representa a quarta maior malha viária do mundo. Por outro lado, há um dado que preocupa: somente 12,4% dela é pavimentada.

O Ministério dos Transportes apresentou diretrizes para alocação de recursos em contratos de concessão rodoviária que visam mitigar as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e impulsionar a transição energética do setor. Entre outras medidas, a portaria MT 622/2024 estabelece que as concessionárias deverão adotar métodos construtivos e tecnologias com menores emissões de GEE.

O pavimento de concreto vai justamente ao encontro dessa portaria. É uma solução mais econômica, com longa durabilidade, sustentável – por ser altamente engajada com a diminuição das emissões – e reduz o consumo de combustível e pneus. Além disso, contribui para reduzir as ilhas de calor e ampliar a luminosidade das rodovias.

No que tange às soluções para as cidades, o setor segue apoiando os municípios brasileiros com sistemas construtivos que atendam às necessidades locais por infraestrutura e tragam melhorias a favor da mobilidade urbana, saneamento, espaços públicos e habitação.

O setor de saneamento prevê a retomada de concessões e a expectativa é de que novos projetos para 2025 possam acrescentar mais 72,4 bilhões de reais em investimentos. Com isso, as projeções do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) apontam para um crescimento da demanda do insumo.

A expectativa em 2025 é de alta, desde que se efetivem programas com ênfase na habitação, no saneamento e na logística.

Vendas de cimento fecham 2024 em alta

As vendas de cimento em dezembro somaram 4,7 milhões de toneladas, um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2023, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor termina o ano de 2024 com um total de 64,7 milhões de toneladas de cimento vendidas, um aumento de 3,9%, ou seja, 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior.

A atividade voltou a crescer após registrar quedas anuais consecutivas, -2,8% em 2022 e -0,89%, em 2023. O resultado recupera as perdas dos últimos dois anos, mas ainda longe do consumo recorde de 2014, de 73 milhões de toneladas.

O desempenho positivo é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica. Além disso, o mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão a partir do segundo trimestre, puxado pela retomada das obras do programa Minha Casa, Minha Vida. No acumulado até setembro, as unidades enquadradas no programa cresceram 58,7% nos lançamentos e 43,6% nas vendas de imóveis no País.

No entanto, apesar da demanda aquecida da construção civil, o setor enfrentou desafios significativos, com aumento nos custos com mão de obra aliado às taxas de juros, endividamento e inadimplência em níveis elevados.

A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação já tem elevado salários, pressionando a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do Índice Nacional de Custo da Construção – INCC.

Já o ciclo de alta da Selic iniciado em setembro acirrou a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado.

As mudanças no financiamento habitacional dificultaram também os novos empréstimos. Os recursos disponíveis para financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, cada vez mais restritos, reforçaram a necessidade de buscar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

Apesar da recuperação do mercado de trabalho com a redução do desemprego e a alta nos salários, o endividamento da população permaneceu alto durante o ano, atingindo 47,98% em setembro. A inadimplência chegou no recorde da série histórica em outubro, com 73,1 milhões de indivíduos inadimplentes. A nova mudança no perfil de consumo da população, com a incorporação das apostas on-line, impactaram o orçamento das famílias e o consumo de cimento.

As condições climáticas extremas enfrentadas ao longo do ano, com temperaturas e chuvas acima da média, como a tragédia ambiental no Rio Grande do Sul e seca em algumas regiões do país, refletiram na comercialização do cimento e comprometeram os cronogramas das obras.

Os baixos investimentos em infraestrutura também impactaram o setor. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) até o momento não tomou a velocidade necessária e já sofreu cortes.

Para reverter esse cenário é imprescindível ampliar os investimentos na construção civil e incluir o pavimento de concreto como opção nas licitações de ruas e rodovias, por ser um método construtivo de maior durabilidade, mais econômico, oferecer mais conforto e segurança para os usuários e ainda exercer menor impacto ambiental.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, provocando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento dos custos de produção, principalmente do coque de petróleo, matéria-prima essencial na geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão nos preços do insumo, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. A atividade responsável pela transição energética substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, recém publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, nesse mesmo ano a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente, 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento e deverá representar quase 55% da energia do setor até 2050.

A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% de biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% de resíduos (pneus inservíveis, perigosos e urbano).

Diante desse cenário, a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras, representa uma grande oportunidade para o setor e para a sociedade como um todo. Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública, além de alongar a vida útil dessas estruturas.

A partir de uma forte atuação regional, a indústria do cimento está acelerando cada vez mais o desenvolvimento de CDRU no Brasil para fins de coprocessamento, seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Ainda na agenda ambiental, a indústria brasileira do cimento esteve à frente dos debates do Plano Clima como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos, bem como na melhoria da sua eficiência energética. Vale destacar que o setor, que é carbono-intensivo e o primeiro no país a ter um Roadmap de Descarbonização, está atualizando suas bases para um Roadmap Net Zero 2050.

O setor está trabalhando junto com o governo na elaboração de metas setoriais (Plano Clima), contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. O Plano Clima será concluído e divulgado pelo Governo em 2025, ano da COP30 no Brasil.

Outro avanço do ano foi a aprovação no Congresso Nacional da legislação que cria o mercado de carbono no Brasil. O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) contou com ativa participação da indústria brasileira do cimento. Pontos fundamentais para o setor produtivo foram incorporados, como: o modelo cap and trade, seguindo as melhores práticas internacionais e os princípios de proporcionalidade, gradualidade, medição, compatibilidade, compensações e reciclagem de receitas.

Prevalecem, entretanto, dois pontos de melhoria defendidos pelo setor industrial e que não foram plenamente atendidos. O primeiro deles é o de governança com os setores regulados integrando instância apenas consultiva (Comitê Consultivo) e concentrando todas as deliberações no Governo (Comitê Deliberativo). Além disso, as multas e penalidades atreladas ao faturamento da empresa (limitado a até 3%) podem gerar distorções preocupantes, uma vez que não há, tecnicamente falando, correlação entre emissões de GEE e faturamento.

A Nova Indústria Brasil (NIB) foi lançada em 2024 pelo governo com missões específicas voltadas à neoindustrialização do país. Uma delas, a Missão 5, contempla Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Nesse sentido, a inclusão do setor de cimento com destaque na Missão 5 representa marco fundamental para o fortalecimento da integração entre o desenvolvimento socioeconômico e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

No entanto, o êxito da descarbonização, como acontece nas principais economias do mundo, se dará a partir da conjugação de esforços entre o setor industrial, o governo, a academia e a sociedade.

Destinação sustentável do lixo ainda é um enorme desafio no Brasil

O total de lixo produzido no Brasil já atingiu a marca de 80 milhões de toneladas, o que dá, em média, 382 quilos de resíduos descartados por pessoa no país durante o ano. No entanto, em 2023, apenas 58,5% dos resíduos sólidos urbanos gerados foram encaminhados para destinação ambientalmente adequada.

Os dados do “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024”, divulgado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), chamam a atenção para soluções capazes de transformar o problema dos resíduos em oportunidade de geração de energia.

De acordo com o estudo, 41,5% do que foi descartado pelos brasileiros e encaminhado para disposição final tiveram destinação inadequada, como os lixões, que receberam 35,5% dos resíduos gerados no país, ocasionando graves prejuízos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população.

A indústria brasileira do cimento está empenhada em contribuir com uma destinação mais sustentável do lixo. Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, recém publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento e deverá representar quase 35% da energia do setor até 2050.

A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% resíduos (pneus inservíveis, perigosos e urbano).

Diante desse cenário, a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras, representa uma grande oportunidade para o setor cimenteiro e para a sociedade como um todo. Trata-se de um substituto energético do coque de petróleo, utilizado como combustível para a fabricação de cimento, que traz inúmeros benefícios ambientais e sociais.

Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública.

A partir de uma forte atuação regional, a indústria do cimento está acelerando cada vez mais o desenvolvimento de CDRU no Brasil para fins de coprocessamento, seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Neste sentido é possível citar o trabalho realizado na Região Metropolitana de Curitiba, cujos rejeitos da coleta seletiva gerados pelas cooperativas de reciclagem (formalizadas) são agora destinados às fábricas de cimento da região.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte existe ainda projeto em curso, por meio da parceria com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), no âmbito do Programa Euroclima+, financiado pela União Europeia. O objetivo é promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e resiliente na América Latina, tendo como estruturador do projeto a agência alemã GIZ.

No entanto, é necessário avançar ainda mais nessa agenda para que se cumpram as políticas públicas, e principalmente faltam incentivos necessários para impulsionar o descarte adequado e o aumento da reciclagem no país.

Vendas de cimento acumulam crescimento em novembro

As vendas de cimento registraram ligeira queda de 0,3% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2023, totalizando 5,4 milhões de toneladas. No acumulado do ano (janeiro a novembro), os números foram positivos, alcançando 60 milhões de toneladas, aumento de 4,0% comparado a igual período do ano passado.

Ao se analisar a comercialização por dia útil em novembro, de 255 mil toneladas, as vendas também são crescentes, com acréscimo de 5,5% sobre outubro deste ano e de 4,6% ante novembro de 2023. O desempenho é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica.

O aquecimento do mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão no terceiro trimestre, puxado pelo desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, responsável por 50% dos lançamentos e 44% das vendas no período. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguem em alta.

No entanto, apesar de o Brasil ter atingido o menor nível de desemprego da história em outubro, de acordo com o IBGE, o setor da construção civil vem encontrando dificuldade em preencher as vagas disponíveis. A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação têm elevado salários, pressionado a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do INCC. Somados com o novo ciclo expansionista da Selic, a confiança da construção caiu em novembro para o menor nível desde abril deste ano.

Na mesma direção, a confiança da indústria também recuou pela terceira vez consecutiva em novembro, registrando a quarta queda do ano, devido à piora tanto na percepção do setor sobre a situação atual quanto nas expectativas para os próximos meses, influenciada pelo novo ciclo de alta na taxa de juros e pela questão fiscal.

A Selic em elevação aumenta a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado imobiliário.

Com os recursos disponíveis para o financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo cada vez mais restritos, acende a necessidade de ampliar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, gerando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento de custos de produção, principalmente do coque de petróleo, fonte essencial para geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão dos preços do cimento, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. Nesse sentido, o setor tem investido e ampliado fortemente as tecnologias, como o coprocessamento de resíduos. A atividade, responsável pela transição energética, substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Em 2022, o coprocessamento alcançou 30% de participação na matriz energética do setor, antecipando a meta prevista para 2025, o que mostra a disposição da indústria em avançar cada vez mais nessa agenda. Foram mais de 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, a maior marca da série histórica. A tecnologia evitou a emissão de quase 3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

ABCP LAB: referência técnica para a cadeia produtiva do cimento

Pioneiro a realizar análises para toda a cadeia do setor cimenteiro, atendendo desde empresas fabricantes até o mercado consumidor, o Laboratório da ABCP também se consolidou como referência técnica na normalização do cimento, concreto e sistemas construtivos à base de cimento comercializados no País. É protagonista no desenvolvimento, revisão e implementação de normas técnicas, que promovem a qualidade e a durabilidade das estruturas, e também o bom desempenho e o uso racional do cimento.

Nesse sentido, acompanhou de perto a expansão da atividade industrial no País, tendo sido responsável pela criação das primeiras Normas Técnicas Brasileiras (NBRs), que foram as de cimento e concreto. Desde então, desenvolve estudos e pesquisas técnicas voltados à normalização e sedia o ABNT/CB-018 Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que vem apresentando avanços significativos em publicações e projetos.

O Laboratório da ABCP atende suas demandas fazendo uso das mais modernas técnicas analíticas para controle da qualidade e desenvolvimento de produtos, investigação e prevenção de manifestações patológicas em estruturas de concreto, além da elaboração de laudos técnicos com recomendações de boas práticas da engenharia do concreto. Só em 2023 foram emitidos quase 10 mil laudos para clientes.

As instalações, recentemente ampliadas, oferecem suporte à indústria do cimento em uma grande variedade de questões, entre as quais destacam-se: caracterização de matérias-primas e clínqueres, análises ambientais e desempenho de adições ativas, entre outros temas.

A ABCP realiza em suas instalações mais de 600 diferentes ensaios, grande parte deles acreditados pelo INMETRO e que seguem rigorosamente as normas nacionais e/ou estrangeiras. Todas essas atividades contam com um time de 44 especialistas experientes.

O Laboratório da ABCP começou a funcionar em 1940 com equipamentos importados e hoje é um dos mais modernos e renomados do País na área de construção civil, prestando serviços a empresas de todo o setor. A sua história acompanha o desenvolvimento da indústria nacional e coleciona trabalhos pioneiros em química, mineralogia e estudos do cimento e do concreto.

Ele é referência no Programa Setorial de Qualidade do PBQP-H e coordena o Selo da Qualidade ABCP para cimento e blocos de concreto. Para garantir a qualidade de seus serviços, integra a Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios e a Rede Brasileira de Calibração, possuindo Certificações ISO 9001 e Inmetro.

Há quatro anos sedia o hubIC, o primeiro e único hub do País focado em inovação hard tech e construção digital, fruto do acordo de cooperação técnica da ABCP/SNIC com a Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Politécnica (Poli). Desde então, para atender aos projetos de pesquisa e inovação de interesse dos parceiros, o Laboratório da Associação passou por uma grande transformação, visando a incorporação de um laboratório de  impressão 3D e espaço de coworking.

O ABCP LAB está de portas abertas para atender às necessidades de toda a cadeia da construção civil, por mais específicas que sejam. Para quem ainda não conhece o Laboratório, agende uma visita.

Sistema Paredes de Concreto avança na construção civil

O sistema construtivo Paredes de Concreto vem ganhando a cada dia mais espaço e emprego na construção de edificações, principalmente habitacionais verticais e de grande altura. Além da facilidade de aplicação, que confere grande solidez à estrutura, a produtividade do sistema e a redução de desperdícios de materiais, de tempo e de custos têm sido os aspectos mais atrativos do seu emprego.

Com o objetivo de apresentar a tecnologia e auxiliar a cadeia produtiva no seu uso, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) promoveu no início de novembro dois cursos sobre tecnologia básica e execução de edificações em Paredes de Concreto. Durante dois dias, 70 construtoras de todo o país puderam participar de uma programação cuidadosamente preparada pelo Grupo Parede de Concreto, liderado pela ABCP. Além das capacitações com duração total de 16 horas, realizadas na sede da entidade, em São Paulo, houve ainda a exposição de produtos e serviços das empresas participantes do Grupo Parede de Concreto.

A iniciativa da ABCP visa atender à crescente demanda do mercado por soluções construtivas que possam contribuir com a expansão de moradias de interesse social, para reduzir o déficit habitacional brasileiro, de cerca de 6 milhões de unidades.

O aquecimento do mercado imobiliário, em especial do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que apenas no primeiro semestre deste ano elevou em 65,9% os lançamentos de residências no Brasil, abre espaço para soluções que possam acelerar a construção dos conjuntos habitacionais em todo o país. Nesse sentido, os sistemas construtivos que utilizam alvenaria estrutural com blocos de concreto e paredes de concreto moldadas no local ganham cada vez mais destaque devido à economia, agilidade, competitividade e ao trabalho que a indústria brasileira do cimento tem feito, em parceria com outras entidades da cadeia produtiva, de engajamento e capacitação dos profissionais e empresas da construção civil.

Dentre os benefícios dessas tecnologias está a padronização e velocidade de construção, permitindo às construtoras abraçarem projetos com prazos apertados e alta repetitividade.

Dados da Caixa Econômica Federal (CEF) mostram que o sistema construtivo que utiliza paredes de concreto moldadas no local da obra tem prevalecido no programa Minha Casa Minha Vida – e já representa 60% das unidades executadas. Atenta a essa demanda, a ABCP também tem estendido as capacitações para outros agentes da cadeia produtiva da construção. Exemplo disso são os cursos para o corpo de engenharia da CEF sobre boas práticas e normas técnicas voltadas ao sistema construtivo.

Em relação à alvenaria estrutural com blocos de concreto, a Associação está desenvolvendo um manual de boas práticas em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), que posteriormente se transformará em cursos para a equipe técnica da CDHU e para as construtoras que constroem para a instituição.

Todas essas iniciativas reforçam o trabalho a pleno vapor do setor para a retomada dos investimentos habitacionais e de infraestrutura no Brasil. O grupo Parede de Concreto, desde 2007, tem sido um dos principais agentes de desenvolvimento e difusão do sistema no Brasil, reunindo atualmente mais de 150 empresas e entidades do setor interessadas nessa tecnologia.

Vendas de cimento aceleram alta em outubro

As vendas de cimento em outubro tiveram suas vendas acentuadas, totalizando 5,9 milhões de toneladas, um crescimento de 9,0% em relação ao mesmo mês de 2023. O acumulado do ano (janeiro a outubro) registrou um total de 54,7 milhões de toneladas vendidas, aumento de 4,3% comparado ao mesmo período do ano passado. Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil, nota-se alta de 2,5% sobre o mesmo mês do ano passado, ou seja, comercialização de 241,7 mil toneladas por dia em outubro de 2024.

Os mercados de trabalho e imobiliário aquecidos, em especial do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), são os principais vetores para a manutenção do bom desempenho. Só o MCMV elevou em 65,9% os lançamentos de residências no Brasil no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2023. O resultado da venda de materiais de construção, de vendas imobiliárias e financiamentos também seguiram em alta.

No entanto, apesar da construção civil estar com demanda aquecida, esse setor sofre com a falta de mão de obra, que eleva salários, pressiona a inflação e já reflete nos preços dos imóveis, que aumentaram mais que o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) nos últimos 12 meses.

Há ainda uma efetiva preocupação do mercado em relação à situação fiscal do governo, a alta dos juros e a mudança nas regras de financiamento habitacional, impactando a confiança do setor da construção, que permaneceu estável em outubro com relação a setembro.

Diante desse cenário de incertezas, a confiança do consumidor caiu em outubro, impulsionada pela pior expectativa em relação à situação financeira das famílias nos próximos meses, resultando num menor ímpeto de compras.

O alto endividamento e a elevada inadimplência das famílias, aliado com a trajetória de alta da taxa de juros, também sinalizam cautela nas perspectivas da indústria brasileira do cimento para o ano de 2025, que poderá ter taxa de crescimento do consumo do produto menor do que em 2024.

Ainda assim, a expectativa é fechar este ano com cerca de 64 milhões de toneladas comercializadas. O resultado deverá recuperar 1,8 milhão das perdas de 2,3 milhões de toneladas entre 2022 e 2023. Esse consumo de 2024 permanece longe do recorde de 2014, de 73 milhões de toneladas.

9º CBCi e EXPOCIMENTO 2025 estão com inscrições abertas

Eventos serão realizados de 30 de junho a 2 de julho, no Golden Hall WTC. 

Os mais importantes eventos das cadeias de valor do cimento acontecem em São Paulo no próximo ano e já estão com inscrições abertas. O 9º CBCi – Congresso Brasileiro do Cimento e, pela primeira vez, a Exposição Internacional do Cimento – EXPOCIMENTO 2025 serão realizados de 30 de junho a 2 de julho, no Golden Hall WTC.

A iniciativa conjunta da ABCP e do SNIC reunirá autoridades, lideranças empresariais, corpo técnico, pesquisadores e especialistas, nacionais e estrangeiros, para conferir as inúmeras possibilidades de aplicação do cimento Portland – material predominante e vital para a construção civil – que está ampliando sua presença já exitosa no cenário brasileiro.

Durante três dias, a 9ª edição do já consolidado Congresso Brasileiro do Cimento debaterá temas relevantes, que abrangem desde as reformas e políticas públicas que impactam o setor da construção civil até a inovação tecnológica na produção e aplicação do cimento e dos sistemas construtivos que fazem uso dele, passando pelas legislações e aspectos ambientais. Com o tema central “A indústria do cimento e seu papel transformador para um mundo ecoeficiente”, o 9º CBCi terá painéis sobre os desafios ambientais da indústria, construções sustentáveis e inovação.

Já a Exposição Internacional do Cimento – EXPOCIMENTO 2025 ocupará um moderno espaço especialmente concebido para acolher as palestras, debates e apresentar o que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e também para as organizações que aplicam sistemas cimentícios.

Os dois eventos serão marcos na indústria do cimento ao reunir em um único local congresso, exposição, feira, networking e arena. Às empresas que abraçaram e apoiam essas iniciativas, nosso profundo agradecimento, por acreditar e seguir os valores que definem o desenvolvimento responsável, a economia circular e a sustentabilidade do planeta.

Não deixe de participar dessa oportunidade única de poder conferir de perto a evolução dessa indústria centenária e que se reinventa a todo momento, tanto no campo produtivo como ambiental e da inovação.

Saiba mais em: https://congressocimento.com.br/

Pavimento de concreto avança nas rodovias federais

Para melhorar e modernizar a malha rodoviária brasileira, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) vem ampliando os investimentos e sua carteira de projetos. Em recente evento realizado na FIESP, durante o lançamento da Comunidade Pavi+, o diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, engenheiro Luiz Guilherme Melo, observou a tendência de crescimento do uso do pavimento de concreto nas rodovias federais gerenciadas pelo órgão, que hoje já responde por 4,5% da malha, com a perspectiva de atingir 10%.

Apenas em 2024 são oito projetos sendo executados em concreto, totalizando 673 quilômetros, com destaque para o Norte e o Nordeste brasileiro. A ABCP realizou nessas regiões um amplo trabalho de apoio técnico para a execução de mais 800 quilômetros e a capacitação envolvendo um público de aproximadamente 1200 participantes desde 2021. Neste ano, a região deu início a duas importantes obras: a pavimentação de trechos da BR-135 no Maranhão e a duplicação da BR-230 na Paraíba, projetos esses que utilizam tecnologias modernas, trazendo melhorias à infraestrutura.

A BR-135 será a primeira rodovia do Estado do Maranhão a receber pavimento de concreto. O trecho de 74 quilômetros entre os municípios Miranda do Norte e o povoado de Caxuxa, em Alto, será restaurado com whitetopping, técnica que permite reabilitar pavimentos asfálticos deteriorados com aplicação do concreto.

No Maranhão, a ABCP apoia a Superintendência do DNIT no Estado desde 2022, oferecendo treinamentos e, mais recentemente, o curso “Execução e Controle de Pavimentos de Concreto”, com uma visita técnica à obra e participação de 40 profissionais.

Na BR-230, uma das principais rodovias da Paraíba, no trecho entre Campina Grande e Farinha, a ABCP fornece apoio à  duplicação de 30 quilômetros em pavimento de concreto, além da restauração de oito quilômetros em whitetopping. Por lá, a entidade é parceira do DNIT/PB desde 2021, com treinamentos especializados, como o curso de “Execução de Pavimento de Concreto”, realizado em setembro, com a participação de 20 profissionais.

A ABCP também participou da duplicação da BR-304/RN como fornecedora dos equipamentos usados para a construção do pavimento de concreto. A obra impulsiona o desenvolvimento econômico potiguar e incentiva o turismo ao contemplar a chamada Reta Tabajara, um trecho com 16 km de extensão localizado no município de Macaíba-RN.

O desenvolvimento da infraestrutura rodoviária nas regiões Norte e Nordeste contará ainda com projetos em andamento, como a duplicação e restauração da BR-343 no Piauí e BR-364/RO, BR-101/SE, BR-222/MA (80 km) e BR-101/BA (67 km) com total apoio da ABCP.

O Estado de Sergipe contará também com um trecho de 53 km em whitetopping na recuperação da pista antiga até a divisa com a Bahia, além da nova pista (duplicação) em pavimento de concreto, totalizando 106 km.

Além disso, há perspectivas promissoras para o uso do pavimento de concreto em outras obras federais nas regiões Norte e Nordeste, como as duplicações da BR-116/CE, BR-242/BA, além de obras estaduais como o Arco Metropolitano de Recife (65 km).

Todos esses avanços reforçam a importância da parceria entre a ABCP e o DNIT para promover o desenvolvimento do pavimento de concreto no país, aprofundar o estudo sobre o método, a capacitação do setor e difundir os benefícios da técnica.