Vendas de cimento sobem 10,4% em setembro e setor eleva projeções

As vendas de cimento em setembro seguiram em curva ascendente, totalizando 5,8 milhões de toneladas, um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo mês de 2023. No acumulado do ano (janeiro a setembro), os números também foram positivos, alcançando 48,7 milhões de toneladas, aumento de 3,8% comparado a igual período do ano passado. Ao se analisar a comercialização por dia útil em setembro, de 257,3 mil toneladas, as vendas também são crescentes, com acréscimo de 2,7% sobre agosto deste ano e de 10,7% ante setembro de 2023.

O mercado imobiliário brasileiro, importante indutor no consumo de cimento, seguiu aquecido no segundo trimestre de 2024. Somente no segmento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), os lançamentos subiram 86,7% em comparação com o segundo trimestre de 2023 e 65,9% em relação ao primeiro semestre do ano passado. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguiram tendência de alta acumulada em agosto.

Diante desse cenário, a confiança do consumidor vem crescendo gradativamente desde junho. Porém, em setembro, houve ligeira piora das percepções sobre a situação atual, influenciada pela queda no indicador de situação financeira das famílias. A maior pressão inflacionária e as incertezas fiscais têm afetado o mercado de crédito, que se tornou mais restrito.

Além disso, o endividamento elevado da população (47,9% em julho), a alta da inadimplência (45% da população adulta), a retomada da trajetória crescente dos juros e a nova mudança no perfil de consumo da população, agora representada pelas apostas on-line, impactam o orçamento das famílias e podem influenciar no consumo de cimento.

Já na construção civil, a confiança do setor apresentou queda, interrompendo quatro meses seguidos de alta. O principal fator foi a mudança de direção da política monetária. A alta na taxa de juros ocorrida em setembro e a perspectiva de novas elevações afetaram particularmente a expectativa dos empresários dos segmentos de Infraestrutura e de Edificações Residenciais. No mercado imobiliário, a majoração do crédito pode ter impacto no mercado de média renda, mas não deve atingir o segmento econômico, que está relacionado ao MCMV e recebe incentivo público.

A participação do crédito imobiliário no PIB vem perdendo força em função do   ambiente de juros elevados e do esgotamento da poupança como fonte de recurso para as construções. É consenso no mercado a necessidade de procurar alternativas à poupança como fonte de recursos e aperfeiçoar instrumentos já existentes, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) ou mesmo a liberação de parte do compulsório bancário para abastecer o crédito imobiliário.

No cenário macroeconômico, os indicadores de trabalho e renda continuam positivos, porém já acende alerta para uma pressão de custos e logística. O Brasil enfrenta a maior estiagem da história recente. Da baixa dos rios no Norte, que dificulta o transporte de mercadorias, aos incêndios no Centro-Oeste e Sudeste, a seca pode impactar a venda de cimento. A escassez de chuvas e o acréscimo da conta de energia com bandeira vermelha traz preocupações ao setor.

No entanto, o cenário de franca recuperação de empregos, renda, do Produto Interno Bruto e, principalmente, do mercado imobiliário têm potencial para que as vendas de cimento fechem com crescimento em torno de 2,8% em 2024.

Pavimento Urbano de Concreto avança como solução para contribuir com conforto climático

O atendimento às diversas demandas nos municípios brasileiros torna-se, a cada dia, mais complexo. Cresce a importância da boa aplicação dos escassos recursos financeiros. Este ano, em particular, o acirramento dos fenômenos ligados às mudanças climáticas colocou novo desafio ao gestor público.

Em busca de soluções inovadoras e viáveis economicamente, e que possam contribuir para proporcionar maior conforto térmico e reduzir as chamadas ilhas de calor, mais de 150 municípios já adotam o Pavimento Urbano de Concreto (PUC).  

Isso porque de dia o PUC reflete melhor a radiação solar e pode minimizar em até 4°C a temperatura ambiente e reduzir em até 14°C a temperatura da superfície das vias e a emissão de dióxido de carbono (CO2). 

A pavimentação de concreto em vias urbanas, que começou com corredores de ônibus e hoje está presente também em vias de menor tráfego, é uma realidade no país. Essa expansão se deve às vantagens competitivas do PUC, como a vida útil até cinco vezes mais longa, comparada ao asfalto, a redução de custos na manutenção, a reflexão de luz até 30% superior ao asfalto e a consequente redução no consumo de energia elétrica das cidades. 

A tecnologia durável e sustentável foi escolhida por municípios em todas as regiões brasileiras. No Sul, o PUC está presente em 55 municípios com cerca de 200 km pavimentados. No Sudeste, Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, já tem cerca de 43 km de vias pavimentadas com concreto. 

Um dos casos de maior sucesso no uso do PUC é o município de Piracicaba, no interior de São Paulo, que receberá pavimento de concreto em cerca de 45 km de avenidas e ruas da cidade com intenso fluxo de veículos, e integra um pacote de recuperação de 258 km da malha viária, incluindo revestimento asfáltico. 

A inovação no município foi o uso do pavimento de concreto reforçado com macrofibras, tecnologia usada em inúmeras cidades ao redor do mundo, desde ruas e avenidas de tráfego leve a pesado até rodovias, mas principalmente em locais que necessitam de um pavimento sobre outro existente, como é o caso de Piracicaba. Dentre os benefícios da tecnologia estão a menor emissão de CO2 no seu ciclo de vida, menor consumo de combustíveis e otimização do uso de materiais.

A pavimentação de concreto em Piracicaba é acompanhada por representantes da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC) e Associação Brasileira da Indústria de Fibras para Construção Civil e Produtos Afins (ABIFIBRA).

Vendas de cimento têm crescimento consistente em agosto

As vendas de cimento em agosto apresentaram alta, totalizando 6,2 milhões de toneladas, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2023. No acumulado do ano (janeiro a agosto), os números permaneceram em elevação, alcançando 43 milhões de toneladas, um crescimento de 3,1% comparado ao mesmo período do ano passado.

Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil, nota-se uma alta de 5,6% sobre o mesmo mês do ano anterior, ou seja, comercialização de 252 mil toneladas por dia em agosto de 2024.

Todas as regiões apresentaram evolução nas vendas. Norte e Nordeste registraram o melhor desempenho. O Sul, que vinha registrando declínio até julho, voltou a crescer em níveis anteriores às inundações do Rio Grande do Sul. Já o Centro-Oeste permanece com resultado positivo, assim como o Sudeste registra alta acumulada.

O mercado imobiliário brasileiro, importante indutor no consumo de cimento, apontou mais lançamentos e vendas de imóveis residenciais no segundo trimestre de 2024, impulsionado, principalmente, pelo programa Minha Casa Minha Vida. Somente o MCMV lançou 86,7% de imóveis a mais que no mesmo período do ano passado, dando continuidade à alavancagem do programa. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguiram tendência de alta.

O Índice de Confiança da Construção ficou relativamente estável em agosto, ao fechar o quarto mês seguido sem queda. A atividade segue aquecida, gerando escassez de trabalhadores, que já é considerada a principal limitação ao crescimento do setor no cenário atual. Outro fator que impactou negativamente a confiança da construção foi a possibilidade de aumento da Selic.

Já a confiança do consumidor subiu em agosto pelo terceiro mês consecutivo, porém em ritmo mais lento, influenciada, desta vez, pela faixa de renda mais alta. O mercado de trabalho aquecido e a inflação controlada vem contribuindo para esse desempenho.

Na indústria, após a quarta melhora consecutiva, a confiança do empresário registrou estabilidade em agosto. O resultado ocorre depois de um período de seguidas melhoras na demanda e redução dos estoques. O setor continua com perspectivas positivas para o fim do ano. No cenário macroeconômico, os indicadores de trabalho e renda continuam positivos, porém já acende alerta para uma pressão de custos.

Neste sentido, o anúncio do acréscimo da conta de energia com bandeira vermelha no Brasil, devido à escassez de chuvas, já traz preocupações ao setor de cimento, tanto nos custos de produção quanto na logística. O Brasil vem enfrentando em 2024 a pior seca da história e isso pode impactar as vendas de cimento, principalmente na região Norte.

Os recentes cortes orçamentários no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também elevam as incertezas da indústria do cimento em relação à execução dos investimentos em infraestrutura.

Ainda assim, o setor cimenteiro segue otimista com a sazonalidade nas vendas do produto, que tem, historicamente, melhor desempenho no segundo semestre, podendo levar a uma parcial recuperação nas perdas ocorridas nos últimos dois anos.

Soluções em cimento contribuem para o desenvolvimento urbano

Garantir uma mobilidade segura e eficiente para a população, habitação e saneamento básico adequados, além de ações que visem reduzir os impactos causados pelas mudanças climáticas. Esses são os principais desafios dos próximos prefeitos brasileiros e vereadores que tomarão posse em janeiro de 2025. Para contribuir com as pautas contemporâneas relacionadas ao desenvolvimento urbano, a indústria brasileira do cimento conta com soluções voltadas às prioridades dos municípios.

Na infraestrutura urbana, a rápida expansão das cidades e da frota de veículos ainda contrasta com investimentos insuficientes em transporte público e em outros modais, como ciclovias e calçadas. Na busca por soluções que possam proporcionar maior fluidez no ir e vir das pessoas com melhor acessibilidade, segurança, eficiência e qualidade de vida, além da inclusão social e preservação do meio ambiente, os sistemas à base cimento vêm ganhando cada vez mais espaço. Já estão presentes em calçadas, ciclovias, corredores e terminais de ônibus, vias de acesso, ruas e avenidas de alto fluxo e estão transformando a infraestrutura dos municípios brasileiros.

Na pauta Habitação, os sistemas construtivos que utilizam alvenaria estrutural com blocos de concreto, estes produzidos em fábricas estabelecidas e com selo da qualidade, ou paredes de concreto moldadas no local da obra, têm ganhado destaque nas moradias populares. A solução tem avançado devido à economia, agilidade, competitividade e ao trabalho que a indústria brasileira do cimento tem feito, em parceria com outras entidades da cadeia produtiva, de engajamento e capacitação dos profissionais e empresas da construção civil. Dentre os benefícios dessas tecnologias está a padronização e velocidade de construção, permitindo às construtoras abraçarem projetos com prazos apertados e alta repetitividade.

Em relação ao saneamento básico, apesar de uma pequena melhora nos últimos anos, a cobertura no Brasil ainda é muito precária, o que demandará ainda mais esforços dos setores público e privado visando suprir o déficit.

Diante de tantos desafios a enfrentar, os novos gestores municipais deverão estar preparados para lidar ainda com as condições climáticas extremas, com temperaturas e chuvas acima da média, seca e queimadas em algumas regiões do país.

Em momentos como esse, a busca por soluções sustentáveis que possam contribuir para a mitigação das mudanças climáticas e transição para a economia de baixo carbono nunca esteve tão em evidência. Nesse sentido, a indústria do cimento segue promovendo esforços significativos para reduzir o impacto gerado ao meio ambiente, com ações que levaram o Brasil a se tornar uma das referências mundiais entre os países com a menor emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

Seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico do Cimento, o setor vem desempenhando uma atuação regional significativa, para acelerar o desenvolvimento de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) no Brasil para fins de coprocessamento, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

O processo evita que estes resíduos sejam dispostos em aterro, contribuindo com a redução das emissões de CO2 da indústria, bem como do metano emitido no aterro, que é cerca de 25 vezes superior à do CO2.

A atividade cimenteira tem participado ativamente dos principais debates no âmbito nacional sobre a descarbonização, na esfera setorial, federal e também municipal.

Além disso, segue à disposição para acelerar e qualificar o desenvolvimento urbano e apoiar no desenvolvimento, transferência de tecnologia e uso adequado dos sistemas construtivos de cimento em todo o País.

Indústria brasileira do cimento transforma problema dos resíduos em solução

Celebrado em 27 de agosto, o Dia Mundial da Limpeza Urbana mobiliza a sociedade sobre a conscientização para a destinação correta do lixo que produzimos. A indústria cimenteira está constantemente repensando os desafios relacionados aos resíduos no país. Para minimizar ao máximo o descarte em aterros, o setor tem contribuído de forma efetiva para a economia circular, transformando o problema dos resíduos em solução, reincorporando-os em seu processo produtivo, seja como fonte energética ou como substitutos de matéria-prima, tecnologia essa conhecida como coprocessamento. A atividade é responsável pela transição energética, substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

O coprocessamento alcançou, em 2022, 30% de participação na matriz energética do setor, antecipando a meta prevista para 2025. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e 179 mil toneladas de matérias-primas substitutas. Ao todo, a troca de combustíveis fósseis por alternativos contribuiu para que fosse evitada a emissão de cerca de 2,9 milhões de toneladas de CO2 no ano.

Em um momento em que a crise climática se aprofunda, a urgência de ações se torna mais necessária do que nunca. É preciso avançar em todas as frentes para eliminar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Neste sentido, minimizar ao máximo o descarte de resíduos em aterros é crucial.

Para avançar nessa agenda, a indústria brasileira do cimento vem empenhando esforços significativos na promoção e desenvolvimento de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) para fins de coprocessamento, contribuindo para o encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Esta iniciativa é uma das inúmeras que estão em andamento e que seguem como diretriz o Roadmap Tecnológico do Cimento, lançado em 2019 de forma pioneira entre os segmentos industriais brasileiros, para orientar a descarbonização da indústria por meio de uma série de alternativas de redução de CO2.

A partir da análise das capacidades de coprocessamento das fábricas e a localização geográfica de pelo menos duas plantas de cimento situadas em um raio de até 200 Km da geração de resíduos urbanos, foram identificadas sete regiões estratégicas para atuação setorial. O conjunto dessas regiões abrange aproximadamente 45% (2,5 Mt) da capacidade de coprocessamento de Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR) e investimentos previstos de 3,5 bilhões até 2030. A iniciativa já vem sendo implementada com sucesso nas regiões metropolitanas de Curitiba e Belo Horizonte e comprovam que oferecer soluções tecnológicas de forma orientada para o futuro requer ações inovadoras, engajamento ativo e colaboração de muitos atores.

Vendas de cimento crescem 6,6% em julho

As vendas da indústria do cimento apresentaram recuperação em julho, após fechar o semestre com leve crescimento. Em termos nominais foram comercializadas 5,9 milhões de toneladas, um aumento de 6,6% em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

A comercialização do produto no acumulado dos sete primeiros meses do ano fechou em alta de 2%.

Parte desse desempenho é atribuído ao número de dias úteis, que foi maior que em 2023. Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil nota-se um aumento de 0,5% sobre o mesmo mês do ano passado, ou seja, comercialização de 234 mil toneladas por dia em julho de 2024.

O setor ainda segue afetado pela dificuldade no acesso ao crédito em meio a taxa de juros elevada (10,5%) e endividamento da população, que apesar de apresentar uma trajetória de queda, permanece elevado (47,5%), próximo ao recorde da série histórica, de 49,9%, registrado em julho de 2022.

Por outro lado, a queda do desemprego e aumento no rendimento da população elevou a confiança dos consumidores pelo segundo mês consecutivo, impulsionado, majoritariamente, pelas faixas de renda mais baixas.

A confiança do setor da construção apresentou otimismo, influenciada pela recuperação das expectativas empresariais em relação aos negócios e à demanda nos três segmentos setoriais – Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados. As vendas de materiais de construção e o número de financiamentos imobiliários acompanharam essa percepção e registram alta acumulada até junho.

Já o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), importante indutor de consumo do cimento, passou por mudanças mais duras para os imóveis usados da Faixa 3, visando conter a alta de financiamentos desses imóveis e preservar a essência do programa, que é atender a população com baixo poder aquisitivo e garantir recursos para compra de imóveis novos. Ainda carece de avaliação de impacto os cortes determinados pelo governo, que afetam o Ministério das Cidades e o MCMV.

Na indústria, o índice de confiança subiu em julho pelo quarto mês seguido. A percepção sobre a demanda continua avançando, enquanto o nível de estoques melhora gradualmente, com uma expectativa positiva em relação ao ambiente de negócios para o fim do ano e a novas contratações.

No entanto, o setor industrial segue atento à regulamentação da Lei 14.871/24, que autoriza a concessão de quotas diferenciadas de depreciação acelerada para máquinas e equipamentos, permitindo contabilizar os custos dos ativos mais rapidamente, resultando em benefícios fiscais imediatos. A indústria do cimento, para reduzir sua emissão de gases do efeito estufa, assegurando o bom desempenho da atividade, mantém programa de investimentos em seu parque industrial. Nesse sentido, é importante que o setor integre o rol de atividades econômicas que serão beneficiadas com a lei.

Investimentos em habitação estimulam a retomada da indústria do cimento

As mudanças nas regras do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), com a aprovação da nova forma de correção do FGTS, além de possibilitar o acesso a moradias a milhares de famílias brasileiras, em especial as de baixa renda, deve impactar positivamente na retomada da indústria da construção civil.

Desde a volta do programa em 2023, mais de 750 mil unidades habitacionais foram financiadas, movimentando quase 150 mil empresas envolvidas na cadeia da construção, de habitações e obras de infraestrutura, além de fornecedores de materiais, máquinas e equipamentos, que empregam diretamente, em torno de 2,2 milhões de pessoas.

A meta estabelecida pelo governo federal para o programa Minha Casa, Minha Vida é de 2 milhões de moradias até 2026. Para que as obras sejam entregues dentro do prazo previsto, o mercado busca soluções que possam reduzir custos, evitar desperdícios, integrar processos e eliminar etapas e, por consequência, acelerar a construção dos conjuntos habitacionais em todo país.

Os empreendimentos que utilizam alvenaria estrutural com blocos de concreto, estes produzidos em fábricas estabelecidas e com selo da qualidade, ou paredes de concreto moldadas no local da obra, têm ganhado destaque devido à economia, agilidade, competitividade e ao trabalho que a indústria brasileira do cimento tem feito, em parceria com outras entidades da cadeia produtiva, de engajamento e capacitação dos profissionais e empresas da construção civil.

Dentre os benefícios dessas tecnologias está a padronização e velocidade de construção, permitindo às construtoras abraçarem projetos com prazos apertados e alta repetitividade.

Os sistemas construtivos à base de cimento apresentam algumas vantagens em comparação aos convencionais, como menor tempo de execução devido à alta produtividade e à industrialização (chega a ser um terço mais rápido), racionalização com a redução na geração de resíduos (em até dois terços), colaborando para a sustentabilidade, e diminuição de custos em até 15%.

Todas essas vantagens reforçam a importância do cimento como insumo indispensável para a retomada dos investimentos habitacionais e de infraestrutura.

Venda de cimento cai em maio pressionada por enchentes no Sul

O desastre natural causado pelas fortes chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul afetaram as vendas cimento no mês de maio. Em termos nominais foram comercializadas 5,3 milhões de toneladas, uma queda de 5,6% em comparação ao mesmo mês do ano passado. A comercialização do produto no acumulado dos cinco primeiros meses do ano somou 25,2 milhões de toneladas, um ligeiro aumento de 0,8%. A tragédia ambiental no Rio Grande do Sul influenciou também na queda da confiança do consumidor, diante dos impactos nas condições de vida dos cidadãos e incertezas em relação à economia local.

Apesar do índice de confiança da construção ter apresentado retomada em maio, disseminada pelos três grandes segmentos de atividade: Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados, será necessário acompanhar os efeitos secundários do desastre gaúcho nos próximos meses. O processo de reconstrução pode realçar a dificuldade na contratação de mão de obra qualificada.

A confiança da indústria continua avançando. A percepção sobre a demanda continua melhorando gradualmente, com os estoques se aproximando da normalidade. Há uma percepção positiva do ambiente de negócios para o segundo semestre, com o aquecimento no mercado de trabalho e alta da massa salarial.

Porém, cabe ressaltar que o índice não captou a danosa publicação da Medida Provisória nº 1.227, no dia 4 de junho, cujo efeito impacta diretamente a competitividade da indústria e o fluxo de caixa das empresas, pois limita e impossibilita a compensação de créditos tributários de PIS/COFINS. Essa medida vem na contramão das premissas do governo, prevista no programa Nova Indústria Brasil.

No entanto, ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 0,8% no primeiro trimestre de 2023 em relação ao trimestre anterior, a Construção caiu 0,5% em igual período, resultado da taxa de juros ainda elevada, que desafia o setor e traz reflexos diretos tanto para os financiamentos, quanto para os investimentos produtivos e no consumo da população.

Setor industrial busca soluções para reduzir emissão de gases do efeito estufa

Os impactos mais severos da crise climática já estão sendo sentidos no Brasil, com a elevação na temperatura, o aumento do volume de chuvas, inundações e seca. Fruto do aumento da emissão dos chamados gases de efeito estufa (GEE), as mudanças no clima são pauta urgente para a indústria. Para promover políticas públicas que estejam de acordo com uma agenda de mitigação, seis setores da indústria intensivos em carbono, entre eles o de cimento, participam até junho de um ciclo de workshops, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), para a elaboração da Estratégia Nacional de Descarbonização da Indústria.

A indústria brasileira do cimento foi a primeira a apresentar suas contribuições no evento organizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). O objetivo foi a criação de convergências em relação aos passos essenciais para a elaboração da estratégia de descarbonização da indústria, reconhecimento de rotas produtivas e tecnológicas, discussão de curvas de descarbonização e análise de instrumentos de viabilização.

A iniciativa se integra às ações para a consolidação da nova política industrial brasileira, proposta pelo CNDI, mais especificamente à Missão 5, que trata de Bioeconomia, Descarbonização e Transição Energética. Ao mesmo tempo, se insere nas discussões do Plano Clima, iniciativa do governo que pretende discutir e apresentar, até novembro, metas setoriais de redução de GEE para os diferentes setores da economia, dentre eles a indústria. Além do cimento, os setores de alumínio, vidro, papel e celulose, químico e aço estão sendo contemplados.

Durante o encontro, foi apresentado o Roadmap de Descarbonização da indústria cimenteira nacional, que sugere um potencial de reduzir em 33% sua intensidade de carbono até 2050, o que evitaria a emissão de cerca de 420 milhões de toneladas de CO2. Adicionalmente, foram discutidas outras soluções ao longo do ciclo de vida do produto capazes de levar o setor a alcançar a neutralidade em carbono, dentro do programa Roadmap Net Zero que está em desenvolvimento pela indústria.

O coprocessamento, atividade responsável pela transição energética na indústria do cimento, atingiu sua melhor marca em 2022, desde o início das medições. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassas e 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, ou seja, um novo destino aos resíduos que deixam de ser enviados a aterros e que são transformados em energia ou substituem matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade.

Indústria brasileira do cimento contribui com a Logística Reversa em Minas Gerais

O descarte de produtos e embalagens pós-consumo está passando por uma transformação em Minas Gerais. O estado é o quinto no país a regulamentar a obrigatoriedade da Logística Reversa para várias categorias de produtos, como eletroeletrônicos, pilhas, baterias, embalagens, medicamentos e pneus. A Deliberação Normativa 249/2024 exige de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes desses produtos a implementação e operacionalização do Sistema de Logística Reversa (SLR) no estado.

A Logística Reversa envolve coleta, transporte, reciclagem e tratamento de resíduos gerados pelo descarte de produtos e embalagens pós-consumo e visa minimizar o impacto ambiental desses resíduos. Por meio dessa operação, os produtos, as suas embalagens ou outros resíduos voltam ao fabricante, que fica responsável por sua destinação final.

Dentre as medidas previstas para os SLR implementados está a “destinação final ambientalmente adequada a 100% dos resíduos recebidos por eles”, sendo admitida, excepcionalmente, a destinação para tratamento térmico, aproveitamento energético ou coprocessamento de até 5% da massa estabelecida para contabilização da meta quantitativa (art. 38, § 2º).

O coprocessamento – que consiste no reaproveitamento de resíduos em fornos de cimento – tem sido um forte aliado da indústria e da sociedade na pauta ambiental, seja para o uso de fontes alternativas de energia em substituição aos combustíveis fósseis, em particular o coque de petróleo, seja como contribuição para a destinação adequada de enorme passivo ambiental, antes disposto em aterros sanitários e lixões.

A atividade responsável pela transição energética na indústria do cimento atingiu sua melhor marca em 2022, desde o início das medições. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassas e 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período.

O coprocessamento alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, ou seja, um novo destino aos resíduos, que deixam de ser dispostos em aterros e que são transformados em energia ou substituem matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade.

Com o coprocessamento, o setor mantém seu compromisso e segue atuando na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos, como: pneus usados, resíduos da agroindústria (como palha de arroz, casca de babaçu e caroço de açaí) e, mais recentemente, resíduos sólidos urbanos (RSU) – lixo doméstico, na sua fração não reciclável. Só em pneus inservíveis foram coprocessados 340 mil toneladas em 2022, o que corresponde a cerca de 68 milhões de pneus.