Pavimento intertravado aplicado sobre pavimento existente (Overlay)

“Overlay” ou apenas “sobreposição” é o nome dado à aplicação de uma nova camada de revestimento sobre um pavimento existente, seja ele composto por pavimento de concreto, pavimento de asfalto ou com paralelepípedo.

A técnica é diferente de uma substituição total da estrutura e geralmente é realizada quando há apenas danos menores à estrutura do pavimento existente ou quando se deseja modificar a funcionalidade do pavimento. A técnica de overlay consiste em retificar ou fresar o pavimento existente e, em alguns casos, reparar danos estruturais, como trincas e buracos. Finalmente, uma nova superfície é aplicada.

O sistema de pavimentação intertravada com peças de concreto pode ser utilizado na reabilitação de pavimentos existentes, como camada de reforço (uso estrutural) ou como camada funcional (uso não estrutural). Do mesmo modo como acontece com os pavimentos intertravados novos, quando se utiliza o pavimento intertravado sobreposto em um pavimento existente, deve-se considerar o dimensionamento como de um pavimento flexível.

Além disto, o projeto de overlay deve levar em consideração o tipo de tráfego, a capacidade de suporte do pavimento existente e as características ambientais do local.

 

Neste manual, você terá acesso a informações essenciais sobre a técnica de Overlay como:

– Avaliação de Pavimentos Existentes
– Overlay sobre Pavimentos de Asfalto
– Drenagem e Instalação
– Camada de Revestimento
– Inspeção Final
– Liberação ao Tráfego

 

Confira o arquivo do manual aqui.

Matéria original publicada no site Soluções para Cidades.

Concreto sobre concreto

O pavimento de concreto também é usado para recobrir antigos pavimentos rígidos, sendo essa técnica conhecida internacionalmente como overlay.

A técnica pode ser empregada sob duas formas:

 

 

Principais vantagens

  • Ampliação da vida útil e capacidade de carga de pavimentos rígidos.
  • Custo de construção competitivo, solução definitiva e sustentável.
  • Resistência aos esforços verticais gerados pela ação das cargas.
  • Estabilidade e não suscetibilidade à água.

 

BR 232, via recuperada com a técnica do overlay

Pavimento rígido restaurado na serra de Teresópolis-RJ

Solução sustentável e competitiva

A reciclagem a frio “in situ” com adição de cimento portland é uma técnica de reabilitação voltada basicamente para a melhoria da qualidade estrutural do pavimento. A reciclagem é um processo de reconstrução parcial da estrutura do pavimento asfáltico com aproveitamento dos materiais existentes. Essa característica faz com que a técnica assuma um papel preponderante no contexto do desenvolvimento sustentável. Como os recursos naturais estão cada vez mais escassos, torna-se imprescindível a utilização de tecnologias que evitem a exploração de novas jazidas e que possibilitem a redução dos consumos energéticos.

O processo consiste em triturar parte do pavimento asfáltico e misturá-lo simultaneamente com o cimento espalhado na pista. Depois de devidamente compactada, a camada reciclada passa a absorver muito bem os esforços gerados pelo tráfego e suas principais características são: elevada resistência, baixa deformabilidade, grande durabilidade na presença de água e baixa susceptibilidade a variações de temperatura.

 

Espalhamento manual (Foto: Tecnopav)

Espalhamento mecanizado (Foto: Tecnopav)

 

A técnica é relativamente nova no Brasil. Segundo relatos, a primeira obra de reciclagem “in situ” realizada no país ocorreu no início dos anos 90, na restauração da rodovia DF 065. As primeiras experiências mostraram-se satisfatórias e desde então centenas de quilômetros de estradas já foram recuperadas por meio da reciclagem.

Existem várias modalidades de reciclagem, porém, a mais utilizada no Brasil é a reciclagem com adição de cimento portland. A técnica é muito difundida no meio rodoviário e rapidamente transformou-se numa demanda real, seja pelas questões ambientais (aproveitamento dos materiais existentes no pavimento), seja pela facilidade e rapidez de execução. Além disso, o pavimento reciclado torna-se uma estrutura mais uniforme e mais resistente do que o pavimento original.

 

Trituração e homogeneização de materiais (Foto: Tecnopav)

 

O processo de execução é constituído pelas seguintes etapas:

  1. Espalhamento prévio do cimento, que pode ser manual ou mecanizado (figuras 1 e 2)
  2. Trituração do pavimento e homogeneização de materiais (figura 3)
  3. Compactação (figura 4)
  4. Nivelamento
  5. Acabamento da superfície
  6. Cura
  7. Aplicação do novo revestimento

 

Compactação da camada reciclada (Foto: Tecnopav)

Pavimento verde, cada vez mais presente

Nos últimos anos, o pavimento de concreto acompanhou os investimentos brasileiros em infraestrutura e passou a compor obras viárias importantes, como o Rodoanel Mário Covas, a Rodovia dos Imigrantes, ambas em São Paulo, e a BR 101 NE, entre muitas outras, todos exemplos representativos da grande competitividade que esta solução trouxe ao tráfego pesado de nossas rodovias.

A execução de um pavimento de concreto é cercada de todos os cuidados técnicos – desde o projeto até o controle tecnológico. Portanto, trata-se de uma tecnologia segura e reconhecida mundialmente. No caso do projeto, este é feito com métodos consagrados, que buscam principalmente um ótimo desempenho estrutural. Entre eles, destaca-se o Método da Portland Cement Association (PCA), utilizado na maioria dos países do mundo. O objetivo é que as obras de pavimentação de concreto sejam duradouras, tenham qualidade, sigam as especificações técnicas e cumpram a viabilidade econômica requerida.

 

Benefícios técnicos e sociais

O pavimento de concreto vem conquistando importância nos sistemas de transporte terrestre (rodovias), infraestrutura (portos e aeroportos) e mobilidade urbana (corredores de ônibus e ciclovias) graças a algumas vantagens incomparáveis.

Para começar, o sistema proporciona mais qualidade de rolamento, pois não sofre deformação plástica, trilhas de rodas ou buracos. Sendo assim, não requer operações tapa-buracos e recapeamentos frequentes, ações que provocam congestionamento e acentuam a emissão de CO2 pelos veículos parados, gerando desperdício de combustível e poluição. Ao promover a economia de combustível e exigir pouca manutenção, torna-se uma solução ambientalmente amigável.

O pavimento de concreto é muito durável, fato gerador de grande economia, em função dos baixos custos de manutenção. Sistemas mais resistentes e com ciclo de vida maior, além de beneficiar o usuário no dia a dia, trazem vantagens para a sociedade como um todo no longo prazo, ao poupar recursos que podem ser destinados a outros serviços ou obras públicas.

Os benefícios incluem segurança e menor desgaste do veículo. O pavimento verde não promove aquaplanagem, sendo mais seguro em dias de chuva, e sua coloração clara, à base de cimento, permite melhor visibilidade e redução do consumo de energia elétrica pública em até 40%, em virtude da maior reflexão da luz.

 

 

 

 

A análise de viabilidade técnico-econômica de projetos de pavimentos de concreto mostra a excelente relação custo/benefício da tecnologia.

O pavimento de concreto é mais durável que outras opções, exige poucos gastos com manutenção, é mais seguro, economiza energia elétrica (por reflexão), reduz o consumo de combustível e incentiva a indústria nacional. De acordo com o Banco Mundial, 1 dólar investido em uma via de pavimento de concreto corresponde a uma economia de 3 dólares em custo operacional.

Concreto sobre pavimento asfáltico

Whitetopping é a técnica de reabilitação de pavimentos asfálticos com o uso do concreto de cimento portland, que é aplicado diretamente sobre os revestimentos deteriorados, com ou sem camadas de nivelamento. De modo geral, exige poucos serviços de reparação prévia do pavimento asfáltico existente. Consagrada nos Estados Unidos, a técnica foi empregada com sucesso no Brasil, em obras como: BR-290 (trecho Porto Alegre a Osório), SP-103/79, em São Paulo, e na Serra de São Vicente (BR 163/364) próximo a Cuiabá/MT.

O whitetopping amplia de forma definitiva a vida útil e a capacidade de carga dos pavimentos, tendo custo de construção altamente competitivo. Tem espessura mínima de 10 cm e pode ser aplicado em pavimentos flexíveis com qualquer estado de degradação. Foi usado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1918 e continua sendo largamente utilizado em todo tipo de situação.

 

Principais vantagens

  • A preparação da superfície deteriorada é mínima, reparando-se principalmente “panelas” existentes ou fresando a superfície (no caso de existência de trilhas de roda consideráveis).
  • Vida útil acima de 20 anos.
  • Como todo pavimento de concreto, economiza energia elétrica de iluminação e combustível.
  • É colocado diretamente sobre o pavimento asfáltico existente, requerendo a preparação da superfície somente em estágios avançados de degradação.
  • Ideal para tráfego pesado, intenso e repetitivo.
  • Usa concreto comum.
  • Elimina a reflexão de trincas.
  • Aumenta a segurança do usuário.
  • É sustentável.

 

BR 163/364, trecho da Serra de São Vicente-MT

Reabilitaçao do pavimento da rodovia SP-79

 

Aplicações

O sistema pode ser aplicado em qualquer pavimento flexível com superfície deteriorada, seja em estradas, aeroportos, portos, grandes avenidas, marginais, ruas urbanas, corredores de ônibus etc.

 

Procedimento de execução

  • Avaliação das condições do pavimento flexível.
  • Ensaios para a avaliação da condição de suporte de carga do pavimento a ser recuperado.
  • Preparação da superfície, se necessário, tapando buracos (“panelas”) existentes e fresando as regiões que apresentem grandes deformações, como trilhas de rodas excessivas.
  • Definição do tipo de equipamento de pavimentação adequado ao porte da obra, podendo ser desde uma régua vibratória até uma vibroacabadora de fôrmas deslizantes.
  • Com a superfície pronta para ser reabilitada, o concreto deve ser monitorado para atender às exigências do projeto.
  • O concreto deve ser aplicado sobre a superfície pré-lavada com água limpa e depois adensado.
  • Imediatamente após a concretagem é feita a texturização da superfície e a aplicação do produto de cura química.
  • Por fim, serram-se as juntas, que devem ser seladas.

 

Passo a passo do sistema

  1. Fresagem do asfalto – Fresagem executada em pontos localizados se necessário.
  2. Instalação do Sistema de Referência – Dois cabos de aço nas laterais ao equipamento; quatro sensores (dois de cada lado).
  3. Lançamento do concreto dosado e pré-misturado em usina, com a utilização de caminhões basculantes, quando utilizada a vibroacabadora de fôrmas deslizantes. No caso de equipamento de pavimentação de pequeno e médio portes, fôrmas trilho ou régua vibratória, utiliza-se usina apenas dosadora e caminhões betoneiras.
  4. Lançamento do concreto – Em função da largura da pista, pode ser utilisada uma escavadeira hidráulica na frente da pavimentadora.
  5. Barras de transferência – Colocação manual se o equipamento não possuir insersor automático de barras (DBI).
  6. Espalhamento e Vibração do Concreto.
  7. Colocação das barras de ligação manualmente, se o equipamento não possuir insersor automático.
  8. Acabamento – Desempeno mecânico com Auto float SP 500 e Float Pan CMI SF 3004.
  9. Acabamento manual com com float e rodo de corte.
  10. Texturização manual ou mecânica.
  11. Cura química – Manual (quando não há possibilidade de uso de equipamento mecanizado) ou Mecânica, por meio de equipamento chamado de texturizadora e aplicadora de cura química.
  12. Serragem das juntas.
  13. Selagem das juntas.
  14. Juntas de construção – São executadas manualmente. Devem ser tomados cuidados no nivelamento da fôrma, que deve ser preferencialmente metálica.

 

O uso do concreto como revestimento e base em recapeamentos de pavimentos asfálticos, chamado whitetopping ou “cobertura branca”, aplica-se em qualquer tipo de via, rodovias, vias urbanas, portos e aeroportos, com o objetivo de recuperá-las.

O whitetopping, quando executado encaixado, recebe o nome de Inlay, muito utilizado nos corredores exclusivos de ônibus urbanos e BRTs (e também em perimetrais e marginais) em diversas cidades no Brasil, há muitos anos. Esta tecnologia tem se mostrado a melhor, senão a única, solução de engenharia para a reabilitação de pavimentos asfálticos existentes, tanto sob o aspecto técnico quanto econômico.