Vendas de cimento desaceleram em abril

Após o primeiro trimestre de 2025 registrar forte alta, as vendas da indústria do cimento apresentaram retração em abril. Em termos nominais, foram comercializadas 5,2 milhões de toneladas, uma queda de 3,0% em comparação ao mesmo mês do ano passado. No entanto, a comercialização do produto no acumulado dos quatro primeiros meses do ano aumentou 4,2%.

Já o volume de vendas de cimento por dia útil registrou 236,8 mil toneladas, um recuo de 4,1% em comparação ao mês de março e alta de 5,8% ante o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano (jan-abril), o desempenho registra crescimento de 6,5%.

O resultado positivo do acumulado do ano é atribuído ao aquecimento do mercado de trabalho e renda da população, com o salário dos trabalhadores atingindo o valor mais alto já registrado desde 2012. A melhora das expectativas para os próximos meses, principalmente sobre a situação econômica local, elevou a confiança do consumidor pelo segundo mês consecutivo.

O mercado imobiliário, outro importante indutor do consumo de cimento, apresentou queda no número de lançamentos no primeiro bimestre de 2025 comparado com o mesmo período de 2024, indicando que as obras iniciadas no passado ainda estão influenciando positivamente o desempenho do setor de cimento. As recentes mudanças no programa federal Minha Casa Minha Vida (MCMV), que passou a incluir também famílias com renda de até 12 mil reais, serão importantes para a manutenção da boa performance da indústria.

Apesar do momento promissor, o ambiente de incerteza que prevalece na economia devido à elevada taxa básica de juros, inadimplência e endividamento das famílias tem afetado a confiança do setor da construção, que recuou em abril para o menor nível desde março de 2022. Soma-se a esse cenário a preocupação das empresas com a falta de mão de obra qualificada e a redução dos estoques imobiliários, resultantes do acréscimo de vendas e queda dos lançamentos verificados no início de 2025.

A mesma percepção de pessimismo foi observada no setor industrial. O ciclo de alta da Selic e a expectativa geral de desaceleração da economia devem refletir em um cenário difícil para a indústria em 2025, sobretudo no segundo semestre.

Mesmo diante de um ano desafiador, a indústria brasileira de cimento segue moderadamente otimista, influenciada pelos avanços em projetos de habitação e infraestrutura. O setor aposta no uso crescente do insumo como opção nas licitações de ruas e rodovias em pavimento de concreto, um sistema construtivo de maior durabilidade, economia e que proporciona mais conforto e segurança aos usuários, além de exercer menor impacto ambiental.

A elaboração do Plano Clima, política climática em desenvolvimento pelo governo federal, que trará compromissos de descarbonização a diferentes setores da economia, dentre eles a indústria, está a pleno vapor. O instrumento deverá ser concluído até o final deste mês, passando posteriormente por consulta pública, para ser apresentado até novembro, quando se realiza a COP30, em Belém-PA. O desafio é integrar a trajetória de descarbonização da indústria nacional com o crescimento da indústria de base, necessário para abastecer a demanda por infraestrutura e habitação no país.

As últimas inovações na aplicação do cimento Portland – material predominante na construção civil – serão apresentados no 9º Congresso Brasileiro de Cimento e na ExpoCimento, que ocorrerá de 30 de junho a 2 de julho de 2025, no Golden Hall WTC, em São Paulo. Os principais nomes do mercado já confirmaram presença nos eventos. Esta edição promete ser maior que as anteriores, com público ampliado, mais de 100 palestras e ampla área de exposição dos fornecedores da construção. Mais informações no site.

Vendas de cimento desaceleram em abril

Após o primeiro trimestre de 2025 registrar forte alta, as vendas da indústria do cimento apresentaram retração em abril. Em termos nominais foram comercializadas 5,2 milhões de toneladas, uma queda de 3,0% em comparação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). No entanto, a comercialização do produto no acumulado dos quatro primeiros meses do ano aumentou 4,2%.

Já o volume de vendas de cimento por dia útil registrou 236,8 mil toneladas, um recuo de 4,1% em comparação ao mês de março e alta de 5,8% ante o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano (jan-abril), o desempenho registra crescimento de 6,5%.

Mercado de cimento se prepara para o 9º CBCi e ExpoCimento 2025

Edição promete ser ainda maior, com público ampliado, mais de 100 palestras, ampla área de exposição dos fornecedores da construção e apresentação das últimas inovações da aplicação do cimento

Os principais nomes do mercado já confirmaram presença no 9º CBCi – Congresso Brasileiro do Cimento e da ExpoCimento, marcado para acontecer de 30 de junho a 2 de julho de 2025 no Golden Hall WTC, em São Paulo. Organizado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o evento promete ser maior, tanto em público quanto em área de exposição.

Com mais de 100 palestras agendadas, autoridades, lideranças empresariais, corpo técnico, pesquisadores e especialistas, nacionais e estrangeiros, vão marcar presença no evento, que vai apresentar as últimas inovações da aplicação do cimento Portland – material predominante para a construção civil.
Três eventos do mercado de cimento em paralelo

Paralelamente ao evento, haverá o II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025), de 27 de junho a 2 de julho, com a presença dos maiores especialistas e acadêmicos do tema. Com tema central “A indústria do cimento e seu papel transformador para um mundo ecoeficiente”, o 9º CBCI contará com painéis sobre temas como a transição energética, descarbonização, infraestrutura e inovação.

Já Exposição Internacional do Cimento – EXPOCIMENTO 2025, ocupará um moderno espaço especialmente concebido para acolher as palestras, debates e apresentar o que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e também para as organizações que aplicam sistemas cimentícios.

O II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025) que já está com programação completa terá palestras, cursos pré-eventos, sessões técnicas e discussões sobre os avanços da ciência do cimento e as soluções para a descarbonização da indústria.

Fonte: InfraRoi

ABCP promove em Vitória workshop sobre inovação, mercado e tecnologia para a indústria de artefatos

Iniciativa tem apoio de mais de 40 entidades e empresas

A ABCP, em parceria com o Mundo Concreto, realiza nesta terça-feira, 06/05, das 9h às 12h30, no Sinduscon ES, em Vitória, o workshop “Impulsionando a indústria de artefatos no Brasil: inovação, mercado e tecnologia”, voltado para profissionais e empreendedores do setor e construtores. O evento conta com a presença de instrutores renomados. Entre eles destacam-se Eduardo D’Avila (ABCP), Filipe Honorato (Mundo Concreto), Rodrigo Saboya (Block Beton) e Kleyton Mendes Pacheco (Vibracom). Os especialistas apresentarão suas experiências e conhecimento sobre novas tecnologias e processos construtivos, o futuro do mercado de artefatos no Brasil, sustentabilidade e desempenho e casos de sucesso.

 

Programa de Desenvolvimento Empresarial

O workshop faz parte do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial), da ABCP, em parceria com o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e o Mundo Concreto. Desde 2010, o PDE desenvolve o setor da indústria de artefatos de concreto, pré-fabricados e acabamentos, visando ampliar a utilização eficiente do cimento como insumo, e promover a industrialização e a qualidade dos produtos e processos, estimulando a melhoria na gestão, a inovação e a sustentabilidade. Assim, ampliando os negócios e a melhoria na competitividade das empresas.

O programa já atendeu 600 fábricas, em 196 municípios e realizou 15 missões nacionais e 11 internacionais envolvendo a cadeia produtiva de artefatos e concreto. O PDE proporciona uma visão de 360 graus da indústria, abordando os principais fatores, como gerenciamento de rotina, finanças, marketing, vendas, modelos de negócios e atingimento de metas, que são focos empresariais essenciais.

ABCP apresenta soluções para cidades sustentáveis no Congresso Mineiro de Municípios

Tecnologias de pavimentação à base de cimento serão apresentadas em estande direcionado para prefeitos, gestores públicos, loteadores, projetistas e fornecedores

De 6 a 7/05, cerca de 10 mil prefeitos e gestores públicos estarão reunidos no Expominas, em Belo Horizonte, durante o 40º Congresso Mineiro de Municípios. O evento promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) contará com uma programação de seminários e salas técnicas, que abordarão soluções práticas e estratégias inovadoras para a administração pública.

A ABCP, por meio do Escritório Regional de Minas Gerais, participará do congresso com estande (nº153), que destacará o tema “Soluções para Cidades Sustentáveis”. Durante o evento, a Associação apresentará as tecnologias de pavimentação à base de cimento, como pavimento intertravado, placas pré-fabricadas, pavimento permeável, Pavimento Urbano de Concreto (PUC), bem como os sistemas complementares de drenagem e mobiliário urbano. Além disso, serão mostrados casos de sucesso e as mais últimas inovações, evidenciando a competitividade, durabilidade e viabilidade técnica e econômica dessas soluções.

“Nosso objetivo é destacar as soluções que contribuam para o desenvolvimento da infraestrutura urbana. A pavimentação é reconhecida como um dos grandes desafios da gestão pública, que demanda soluções mais duradouras e econômicas”, afirma Lincoln Raydan, gerente da regional Minas Gerais da ABCP.

Haverá ainda palestra no dia 7/05, às 11h30, sobre Soluções para Cidades no espaço AMM, durante o evento.

Mais informações podem ser obtidas no site do congresso.

Pavimento Urbano de Concreto avança como solução para loteamentos

O Pavimento Urbano de Concreto (PUC), que já é utilizado por mais de 170 municípios em ruas e avenidas de tráfego leve a pesado, também tem despontado como solução para diversos tipos de loteamentos, públicos ou privados, rurais ou urbanos, incluindo os residenciais, comerciais, empresariais e industriais. Em 2024, foram executados mais de 2 milhões de metros quadrados de PUC e projetados mais de 7 milhões de metros quadrados, o que reflete o avanço da solução em diversas regiões do país.

Em loteamentos, o sistema já é usado em cidades como Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Joaçaba (SC), Pinhalzinho (SC), Francisco Beltrão (PR), Cascavel (PR), Pato Bragado (PR), São Borja (RS), Ipumirim (SC) e Caçador (SC), entre outras, que atestam as inúmeras vantagens da solução em concreto. Entre elas estão: maior resistência à fadiga do pavimento, alta performance ao longo do tempo, baixa necessidade de manutenção, redução da temperatura ambiente em até 4°C e da superfície do piso em até 17°C, melhor visibilidade devido à coloração clara do concreto e menor emissão de CO₂.

Além disso, o sistema proporciona uma qualidade de rolamento superior, pois não apresenta deformações plásticas, trilhas de rodas ou depressões, eliminando a necessidade de operações frequentes de tapa-buracos e recapeamentos, que geram altos custos de manutenção.

Outros fatores contribuem ainda para avaliar a competitividade dos pavimentos de concreto, destacando-se o custo de construção e de manutenção ao longo de sua vida útil. Estudos indicam que, tanto para tráfego leve como pesado, a solução se mostra bastante viável. À medida que a intensidade do tráfego aumenta, pode gerar economia de até 20% em comparação com pavimentos flexíveis.

Além disso, quando se considera o custo de manutenção ao longo do período de projeto, os pavimentos de concreto podem ser até 35% mais econômicos, em relação aos pavimentos flexíveis, dependendo da característica da obra. Quando bem projetado e executado, o pavimento de concreto pode ultrapassar a vida útil estimada mínima de 20 anos, como é o caso de muitos pavimentos que resistem por mais de 70 anos no Brasil, entre muitos construídos nas décadas de 50 e 60.

A chave para uma boa implantação do pavimento de concreto está na combinação de três fatores essenciais: um bom projeto, o uso de produtos e equipamentos de qualidade e uma boa execução. Cada uma dessas etapas requer atenção para garantir que o pavimento entregue qualidade e durabilidade.

O desafio de aplicar essas boas práticas em todo o país é mais complexo quando se consideram as dimensões e as variabilidades regionais do Brasil. Nesse sentido, a ABCP vem atuando de forma efetiva na promoção e desenvolvimento do pavimento de concreto por meio de seus Escritórios Regionais e Representações, em diferentes frentes, como pesquisa, inovação, normalização, capacitação técnica e disseminação de boas práticas, a fim de impulsionar cada vez mais esse sistema construtivo.

Tecnologia de concreto na pavimentação é apresentada em Marília com vantagem de custo

A ABCP, em parceria com a Secretaria de Planejamento Urbano de Marília-SP, promoveu na sexta-feira, 25/04, no Auditório do Gabinete da Prefeitura de Marília, uma apresentação sobre a tecnologia de pavimentação em cimento Portland. Considerado uma alternativa viável ao asfalto, o material já é amplamente utilizado em loteamentos e rodovias em diversas regiões do Brasil.

O objetivo do evento foi destacar os benefícios dessa solução, que oferece maior durabilidade e custo reduzido quando comparada à massa asfáltica convencional. O material já é muito utilizado em loteamentos e rodovias em diversas regiões do Brasil. “A tecnologia do concreto evolui constantemente. Buscamos fazer mais por menor valor. Hoje nossa produção chega 1.000 metros cúbicos diários com qualidade”, afirmou Ricardo Humberto Moschetti, gerente da Regional São Paulo da ABCP.

Outro benefício significativo do concreto é sua menor dependência de fatores externos, como a oscilação dos preços dos derivados de petróleo. Em períodos de alta, o asfalto se torna um investimento mais oneroso, enquanto o cimento mantém estabilidade nos custos. Planilhas comparativas mostram que a escolha pelo concreto pode gerar economia substancial a longo prazo.

A ABCP também destaca a sustentabilidade da pavimentação em cimento. Diferente do asfalto, que pode sofrer com deformações causadas pelo calor e por tráfego intenso, o concreto tem maior resistência e menor impacto ambiental. Além disso, sua aplicação reduz a emissão de poluentes durante o processo de produção e manutenção. “Ninguém gosta de gastar dinheiro público refazendo obras. Por isso, tem aumentado muito o interesse de prefeituras e DERs (Departamento de Estradas de Rodagem), dos governos estaduais, pelo produto. Sem falar que não é poluente”, completou.

Além disso, a ABCP oferece suporte técnico gratuito para projetos de loteamento que utilizam o cimento Portland. Isso incentiva empresas e prefeituras a adotarem a tecnologia, fortalecendo a cadeia produtiva do cimento e garantindo soluções inovadoras para pavimentação urbana.

O secretário de Planejamento Urbano de Marília, Ernesto Tadeu Consoni, disse que o objetivo do evento foi destacar os benefícios dessa solução, que oferece maior durabilidade e custo reduzido quando comparada à massa asfáltica convencional. “A pavimentação em concreto proporciona diversas vantagens, principalmente em momentos de instabilidade nos preços dos derivados de petróleo, usados na composição do asfalto. A técnica vem se consolidando como uma opção eficiente para pavimentação de vias públicas. A base rígida do concreto também garante maior estabilidade ao pavimento, pois não sofre tanto com movimentações do solo, como acontece com o asfalto. Por ser composto por placas, a manutenção se torna mais simples e eficiente, permitindo a compatibilização com redes de água e esgoto sem prejudicar a estrutura viária” afirmou Consoni.

Segundo ele, outro fator relevante é a tecnologia de aplicação do cimento. “Os mesmos equipamentos utilizados na pavimentação asfáltica podem ser adaptados para o concreto, tornando o processo ágil e econômico. A acabadora, que espalha a argamassa de petróleo, pode ser utilizada para distribuir o concreto. Isso agiliza a obra e reduz custos operacionais”, afirma.

Nos últimos anos, diversas empresas passaram a adotar exclusivamente o pavimento em concreto para novos loteamentos, eliminando completamente o uso do asfalto tradicional. Essa mudança foi motivada pelo aumento no preço do CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), que dobrou de custo em determinados períodos, tornando a alternativa em concreto ainda mais vantajosa financeiramente.

 

Fotos: Divulgação

Fonte: Prefeitura de Marília

Indústria prevê crescimento moderado para 2025

Apesar de um início do ano fortemente positivo, a projeção para 2025 é de um crescimento mais modesto nas vendas de cimento, entre 1% e 1,5%, totalizando 65,5 milhões de toneladas. O desempenho dependerá da evolução da economia, da política monetária e dos investimentos em infraestrutura e habitação.

Ainda que o volume de recursos aportado pela iniciativa privada e pelo poder público no setor de infraestrutura tenha evoluído, não é suficiente para superar a baixa performance em setores como transportes e logística, que afetam a competitividade brasileira.

A atualização do marco legal das concessões é um movimento importante para impulsionar o investimento em infraestrutura. Nesse sentido, a indústria do cimento tem contribuído para a recuperação das principais rodovias das regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste pelo sistema whitetopping, que consiste no uso de concreto para reabilitação de pavimentos asfálticos deteriorados, aumentando a qualidade da obra e a durabilidade das estradas.

A revitalização das vias com concreto proporciona uma pavimentação mais duradoura e resistente ao tráfego pesado, em especial nos locais de forte produção agrícola e industrial. A solução é adotada principalmente nas estradas norte-americanas e alemãs, consideradas as mais eficientes do mundo, e vem sendo implementada com sucesso no Brasil, a partir de um processo contínuo de capacitação, conduzido pela indústria do cimento, de empresas, concessionárias e órgãos rodoviários.

O pavimento de concreto avança em outro importante vetor de infraestrutura, com a implementação do Pavimento Urbano de Concreto (PUC) em ruas, avenidas e estradas municipais em mais de 170 cidades do país, com destaque para obras emblemáticas em Brasilia (DF), Piracicaba (SP), Jequié (BA) e Cachoeiro do Itapemirim (ES).

Na agenda da habitação, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) deve manter o bom desempenho no ano, impulsionado pelo anúncio da ampliação do programa por parte do governo para famílias com renda de até 12 mil reais (faixa 4), com prazo de implementação na primeira quinzena de maio.

Na perspectiva da sustentabilidade, o ano em que o Brasil será o centro das atenções na agenda ambiental, ao sediar a COP30, traz desafios importantes para o setor produtivo, como a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões – Mercado de Carbono e a definição de metas de descarbonização setoriais no âmbito do Plano Clima.

Cresce a demanda por cimento no Brasil

O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, participou nesta quarta-feira, 16/4, do programa Real Time, da Times Brasil, onde analisou o avanço nas vendas de cimento no primeiro trimestre de 2025 (saiba mais), impulsionado pela construção imobiliária, em especial o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e pelos investimentos na área de infraestrutura.

Paulo Camillo Penna lembrou que o setor teve, em 2024, um ano de recuperação e considerou “excepcional” o desempenho da indústria neste primeiro trimestre de 2025. Ele se mostrou otimista com a recente criação, pelo Conselho Curador do FGTS, da faixa 4 (renda familiar de até 12 mil reais) do MCMV, “o que vai favorecer 128 mil novas famílias”. Mas advertiu que houve uma redução de 49% dos financiamentos imobiliários no primeiro bimestre do ano, em comparação com 2024. “Nos preocupa o fato de que a subida dos juros estabelece uma competição entre ativo financeiro e ativo imobiliário”, disse. O presidente também destacou o esforços da indústria visando a eficiência energética e a descarbonização do setor.

Assista à entrevista completa:

 

 

Indústria do cimento avança para alcançar a neutralidade de carbono em 2050

Em novembro, o Brasil será o centro das atenções na agenda ambiental ao sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30. Representantes de 196 países, ONGs, cientistas, líderes do setor privado e sociedade civil estarão reunidos em Belém (PA) para discutir o futuro do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável e da transição para uma economia de baixo carbono.

Em apoio a essa agenda, a indústria brasileira do cimento está à frente dos debates do Plano Clima, que será apresentado na COP 30, como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética.

O setor está trabalhando junto ao governo na elaboração de metas setoriais contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender a demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

Diante desse desafio de procurar meios para reduzir, ainda mais, as suas já baixas emissões de CO2, a indústria do cimento do Brasil, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC) – braço do Banco Mundial, o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e uma série de renomados especialistas de importantes universidades e centros tecnológicos do país, desenvolveram em 2019, o Roadmap Tecnológico do Cimento, um dos mais ambiciosos projetos do setor nas últimas décadas e sem precedentes entre outros setores industriais brasileiros.

De 1990 a 2015, reduzimos em 20% nossa intensidade carbônica, o que significa que foram evitadas 125 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Nosso plano nos leva além, indicando um potencial de reduzir ainda mais 33% das nossas emissões dentro do processo produtivo, evitando mais 420 megatoneladas de CO2 até 2050. É desafiador, estamos falando de sair de 564kg, o número mais baixo da série histórica, para 365kg de CO2 emitido por tonelada de cimento produzida.

Em 2023 demos um importante passo junto à Global Cement and Concrete Association (GCCA), sendo escolhido como um dos cinco primeiros países a integrar o programa de aceleração de Roadmaps nacionais Net Zero em Carbono. O ambicioso projeto ampliará o alcance do Roadmap de 2019 não somente sobre o processo produtivo do cimento, mas sobre todo o seu ciclo de vida no uso do produto no concreto e na construção, de forma a alcançar a neutralidade em carbono até 2050.

Em fevereiro de 2025 esse compromisso foi fortalecido com a união de esforços entre a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o SNIC e o Instituto E+ para a atualização do Roadmap de Descarbonização do setor.

A iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional de apoio a países em desenvolvimento para dar mais sustentabilidade a setores cujo processo produtivo é difícil de descarbonizar. A parceria pretende dar continuidade aos trabalhos iniciados em 2023 para uma trajetória de neutralidade climática em 2050.

Ainda na esfera federal, participamos ativamente da Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), cujas diretrizes contemplam Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Atuando junto com a indústria de base, estamos relacionando uma série de medidas necessárias para acelerar a redução das emissões de GEE. E sem deixar de citar o importante processo de regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões – Mercado de Carbono, que também contou com a articulação da indústria brasileira do cimento e que se inicia em 2025.

Responsável por cerca de 82 mil empregos, com receita de aproximadamente R$ 26,5 bilhões ao ano, uma arrecadação líquida anual de R$ 4 bilhões em impostos e R$27,5 bilhões de investimentos planejados entre 2023 e 2027, o setor desempenha um importante papel na sustentabilidade, principalmente no que tange à questão da substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas.

A atividade de coprocessamento, responsável pela transição energética em nosso processo produtivo, atingiu sua melhor marca em 2023, antecipando a meta prevista para 2025. Foram 3,25 milhões de toneladas de resíduos processados. A tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente, 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas e deverá representar mais de 55% da energia do setor até 2050. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento futuro. A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% resíduos (pneus inservíveis, resíduos industriais e urbanos).

Entendemos que é preciso avançar em todas as frentes para eliminar ou mitigar as emissões, oferecendo soluções tecnológicas de forma orientada para o futuro. Isso requer ações inovadoras, engajamento ativo e colaboração de muitos atores.

Se 2024 foi o ano mais quente da história recente, foi também um ano aquecido na defesa dos interesses da indústria, a começar pelos projetos de fomento ao consumo de cimento, que avançaram com o Programa Minha Casa, Minha Vida e as obras de infraestrutura de transporte com a expansão do uso do pavimento de concreto na malha urbana e rodoviária.

Todas essas iniciativas reforçam o papel transformador da indústria do cimento para um mundo ecoeficiente, que é o tema central do 9º CBCi – Congresso Brasileiro do Cimento e, pela primeira vez, a Exposição Internacional do Cimento, a EXPOCIMENTO 2025 que serão realizados de 30 de junho a 2 de junho, no Golden Hall WTC em São Paulo e irão apresentar as inúmeras possibilidades de aplicação do cimento Portland, material predominante e vital para a construção civil.

Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP e Sindicato Nacional da Indústria do Cimento – SNIC.

Artigo publicado no site ESG Inside