Vendas de cimento caem 5,1% em setembro

As vendas de cimento em setembro totalizaram 5,2 milhões de toneladas, recuo de 5,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, a soma é de 46,8 milhões de toneladas, recuo de 2% ante igual período de 2022. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

A taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados (12,75%) impacta diretamente no número de financiamentos imobiliários para construção, que registrou redução de 44% no acumulado até agosto de 2023, na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.

Os principais indicadores de vendas de materiais de construção, particularmente do cimento, continuam desacelerando em virtude da lenta recuperação da renda da população e do alto endividamento das famílias que atingiu 47,8% em julho deste ano, muito próximo do pico de 50% em julho de 2022.

Além disso, o forte regime de chuvas registrados em setembro no país, especialmente nos estados do Sul, comprometeu fortemente a performance de vendas do setor.

No entanto, um cenário de franca recuperação de empregos e do Produto Interno Bruto e o arrefecimento da inflação, em relação ao ano passado, têm potencial para queda de vendas em torno de -1% no fechamento do ano, em linha com as projeções do SNIC.

Na esfera federal a aprovação pelo Senado do Projeto de Lei (PL) 412/22, que regulamenta o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), chamado de Mercado de Carbono, tem sua construção ativa participação da indústria do cimento, que segue na vanguarda como primeiro setor a firmar um compromisso de neutralidade climática, em escala global, dentro do programa Race to Zero da ONU. O projeto brasileiro de neutralidade terá suas bases lançadas no 8º Congresso Brasileiro de Cimento (CBCi).

Votorantim Cimentos: decarbonization ambitions

A International Cement Review traz, em sua edição de setembro de 2023, artigo de Álvaro Lenz, Global Director of Sustainability, Institutional Relations, Product Development and Engineering da Votorantim Cimentos, sobre descarbonização na indústria do cimento.

Confira aqui (texto em inglês):

 

> Baixe aqui o artigo em PDF.

 

Votorantim Cimentos: decarbonization ambitions

A International Cement Review traz, em sua edição de setembro de 2023, artigo de Álvaro Lenz, Global Director of Sustainability, Institutional Relations, Product Development and Engineering da Votorantim Cimentos, sobre descarbonização na indústria do cimento.

Confira aqui (texto em inglês):

 

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Expectativa cercada por horizonte de incertezas

A instabilidade da economia brasileira marcada por um prolongado cenário de juros elevados, mesmo com o anúncio da redução da taxa Selic pelo Banco Central em agosto, somada ao alto endividamento das famílias e queda dos lançamentos imobiliários, seguem travando o crescimento da atividade cimenteira.

A expectativa do setor é de melhora para os próximos meses, impulsionada pelas obras do ciclo imobiliário recente, com reforço do Programa Minha Casa, Minha Vida e retomada de obras paradas e de infraestrutura. O anúncio do governo federal de ampliar o subsídio e reduzir a taxas de juros do MCMV, traz um alento ao setor e deve impulsionar os investimentos em construção civil no país.

O uso de paredes de concreto vem ganhando destaque na construção dos conjuntos habitacionais, devido à rapidez e competitividade. O sistema construtivo vem sendo cada vez mais utilizado devido a qualidade e velocidade de execução, pois é três vezes mais ágil do que o sistema convencional, permitindo utilizá-lo como solução em projetos com prazos apertados e alta repetitividade, além de integrar conforto térmico e acústico à obra.

Há ainda uma efetiva apreensão do mercado com as recentes alterações dos Marco do Saneamento Básico. O Censo Demográfico divulgado pelo IBGE indicou que a população brasileira aumentou 6,5% (para 203 milhões) entre 2010 e 2022, enquanto o número de residências cresceu 34% (para 91 milhões) no período. Esse movimento torna mais difícil o cumprimento das metas de universalização do saneamento básico, mas a indústria de cimento está pronta para fornecer os cerca de 5 milhões de toneladas do insumo necessário para o atingimento desse objetivo.

Apesar do cenário econômico ainda incerto, as perspectivas do setor para os próximos meses são positivas. A aprovação do arcabouço fiscal, a tramitação da Reforma Tributária no Senado, a retomada de obras paradas e de infraestrutura, além do início do ciclo de redução da taxa de juros, são fatores que trazem maior segurança e previsibilidade ao setor, e consequentemente para a economia em 2023.

Vendas de cimento crescem em agosto

As vendas de cimento em agosto apresentaram ligeira alta, totalizando 6 milhões de toneladas, um crescimento de 1,4% em relação ao mesmo mês de 2022. No acumulado do ano (janeiro a agosto), os números permaneceram negativos, alcançando 41,7 milhões de toneladas, uma queda de 1,3% comparado ao mesmo período do ano passado. 

Conforme demonstram os principais indicadores, as vendas de materiais de construção, particularmente do cimento, vêm sendo impactadas pela menor renda da população, elevadas taxas de juros e alto endividamento das famílias, próximo ao recorde da série histórica – atingiu 48,3%, em junho. 

No entanto, o setor de Infraestrutura vê como grande avanço o Novo Programa de Aceleração do Crescimento – PAC3, iniciativa do governo lançado em agosto, que prevê desembolso de R$ 1,4 trilhão entre 2023 e 2026. Somente em rodovias estão previstos 269 projetos de restauração, construção e duplicação de estradas pelo país, com investimentos previstos de R$ 186 bilhões, aporte que poderá abrir oportunidades para o uso de soluções mais econômicas e ambientalmente sustentáveis, como o pavimento rígido de concreto. 

Essa solução construtiva utilizada em diversos países oferece maior durabilidade e vantagens aos usuários que economizam combustível e pneus, além de mais segurança nas vias, graças ao menor espaço de frenagem, redução das ilhas de calor e ampliação da luminosidade das rodovias. 

Com referência a infraestrutura habitacional, o Programa Minha Casa Minha Vida, que integra o Novo PAC, já incorpora ações de desburocratização e facilidades para compra do imóvel com a redução de juros e aumento dos valores do subsídio. O conjunto de medidas começa a ser percebido com aumento nas vendas de unidades adquiridas dentro do programa. 

O investimento em infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do País e é imprescindível que os projetos saiam do papel e as obras sejam retomadas.

38ª Oktoberfest valoriza todos os resíduos e oferece água ultrafiltrada para visitantes

Fonte: Prefeitura de Blumenau

As iniciativas fazem parte da estratégia de sustentabilidade do evento, que ocorre de 4 a 22 de outubro

A maior festa alemã das Américas, a Oktoberfest, chega à sua 38ª edição em outubro e promete atrair milhares de visitantes à Vila Germânica, em Blumenau, Santa Catarina. Para oferecer aos participantes uma experiência mais sustentável, a Veolia, empresa líder global em soluções de gestão de água, resíduos e energia, renovou sua parceria com o evento para gerenciar todos os resíduos e disponibilizar água ultrafiltrada para os visitantes.

Assim como no ano passado, a Veolia será responsável pelo tratamento de aproximadamente 150 toneladas de resíduos gerados ao longo dos 19 dias de festa. A empresa valorizará, por meio de coprocessamento, todos os resíduos gerados no festival, garantindo a meta de Aterro Zero (Zero Waste to Landfill).

O coprocessamento transforma os resíduos em CDR (Combustível Derivado de Resíduos), ou seja, um combustível alternativo e menos poluente. Em 2022, cerca de 2 milhões de copos foram valorizados e se tornaram uma opção “mais verde” de combustível para alimentar fornos e caldeiras de indústrias, substituindo assim os combustíveis fósseis.

Segundo Lina del Castillo, diretora de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da Veolia, a pauta ESG (ambiental, social e de governança corporativa) deve ser levada para os grandes eventos e executada de forma que integre todos os pilares, impulsionando práticas mais sustentáveis para indústrias e cidades, e conscientizando o público no geral.

“Os eventos também são aliados para contribuir com a conscientização ambiental ao adotarem práticas mais sustentáveis. Nos últimos anos, a Oktoberfest se tornou uma grande parceira quando o assunto é manter a tradição, mas com menor pegada ambiental. Para nós da Veolia, é muito importante ser, novamente, parceira de um evento de tanta relevância para o Brasil. Ao mesmo tempo em que a Oktoberfest oferece diversão, ela se transforma para envolver práticas ambientalmente corretas que promovem a Transformação Ecológica da sociedade como um todo”, afirma Lina.

A novidade desta edição, no entanto, é a oferta de água ultrafiltrada a todos os visitantes que passarem pelo festival entre os dias 4 e 22 de outubro. A iniciativa, realizada em parceria com a Ambev, promete reduzir o consumo de garrafas plásticas durante o evento e, assim, diminuir o impacto ambiental, além de conscientizar o consumo consciente de bebida alcoólica.

 

A festa ocorre de 4 a 22 de outubro e os ingressos já podem ser adquiridos pelo site oficial do evento.

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Lixo é fonte de energia para a indústria do cimento

A indústria do cimento exerce papel importante em relação à destinação dos resíduos urbanos não passíveis de reciclagem, utilizados como fonte de energia térmica para a produção do cimento. Esse processo, chamado de coprocessamento evita, que o lixo seja disposto em aterro, contribuindo com aredução das emissões de CO2 da indústria, bem como do metano emitido no aterro, que é cerca de 25 vezes superior à do CO2.

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, os quais ainda representam cerca de 40% da destinação dos resíduos gerados no país.

A indústria colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento, o setor atua na redução das emissões de CO2, por meio do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente pela utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível fóssil utilizado no processo de fabricação de cimento.

Investimentos na ordem de R$ 3.5 bilhões estão previstos até 2030, compreendendo a implantação das unidades de preparo do CDRU e adequação das fábricas de cimento. Este montante será suficiente paraatingir o patamar de aproximadamente 2.5 milhões de toneladas de CDRU anualmente. Para melhor compreensão do impacto ambiental, tal volume, que corresponde a cerca de 300 mil caminhões compactadores, que não serão mais descarregados em aterro.

Os resultados são expressivos ao se avaliar que o percentual de utilização de combustíveis alternativos dentro da matriz energética do setor saltou de 9% para 26%, nos últimos 20 anos. Em termos absolutos, de 300 mil toneladas em 2000 para 2.5 milhões de toneladas de resíduos em 2021.

Esforços como esses levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial como um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

Em vez de lixo, energia e cimento

Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro
Por Lana Pinheiro

Ganhar dinheiro com lixo. Resumindo a grosso modo, a Votorantim Cimentos está provando que esse negócio não só é possível, como é rentável. Esse foi um dos motivos que fez a empresa, com receita líquida de R$ 25,8 bilhões no ano passado, decidir em 2019 transformar sua área de coprocessamento em unidade independente. Assim nasceu a Verdera cujo objetivo sob o comando do gerente geral, Eduardo Porciúncula, é vender soluções de gestão de resíduos ao mercado, de um lado, e atender a Votorantim Cimentos em seu processo de substituição térmica – troca de combustíveis fósseis por alternativos – de outro.

A meta é chegar a 53% de substituição até 2030, evolução importante sobre 2022, quando o índice foi de 26,5% na operação global e 31,3% no Brasil. Nesse processo pensado para viabilizar a produção de cimento neutro em emissão de CO2 em 2050, o petróleo é substituído por resíduos industriais e urbanos, pneus e biomassas. Neste último grupo, casos interessantes como o uso do caroço do açaí (na unidade do Pará) e de cascas de arroz (nas unidades de Centro-Oeste e Sul) em projetos em parceria com o Instituto Votorantim.

“É um processo sustentável que se adequa às realidades regionais, sendo também um importante instrumento de transformação social”, afirmou Porciuncula à DINHEIRO. A grande escala, porém, vem da gestão de resíduos gerados pela indústria e por centros urbanos. Entre os clientes dessa frente, grupos como Bosch, Boticário e Renault. Na ponta do coprocessamento, o serviço é exclusivo para a empresa mãe. “Nossa oferta é 100% absorvida intermanente”.

A entrega de matérias-primas para alimentar os fornos que já ultrapassa 1 milhão de toneladas deve aumentar como resultado de investimentos como os US$ 150 milhões que a Votorantim Cimentos está fazendo na unidade de Salto de Pirapora (SP). O financiamento, obtido junto ao International Finance Corporation (IFC), foi o primeiro do setor conectado a indicadores de sustentabilidade e será usado para aumentar o nível de substituição térmica da operação de 30% para 70%. E assim, o plano de Porciúncula é manter o ritmo de crescimento aquecido: 20% ao ano.

Fac-símile da reportagem

 

Cimento mantém queda de vendas no ano

A instabilidade da economia brasileira marcada por um prolongado cenário de juros elevados, mesmo com o anúncio da redução da taxa Selic pelo Banco Central em agosto, somada ao alto endividamento das famílias e queda dos lançamentos imobiliários, seguem travando o crescimento da atividade cimenteira.

Em julho, as vendas do produto registraram queda de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2022, atingindo 5,5 milhões de toneladas comercializadas – e no acumulado do ano, janeiro a julho, o recuo foi de 1,8%, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil nota-se uma retração de 0,5% sobre o mesmo mês do ano passado, ou seja, comercialização de 233 mil toneladas por dia em julho de 2023.

O setor segue afetado por fatores domésticos relevantes que ainda impactam em sua recuperação. A dificuldade no acesso ao crédito em meio a taxa de juros elevada e a morosidade com relação às regulamentações do Minha Casa Minha Vida impediu uma melhor evolução do número de unidades financiadas e de lançamentos imobiliários1.

Apesar disso, a confiança do consumidor² subiu em julho pelo terceiro mês consecutivo, atingindo o maior nível desde janeiro de 2019. O arrefecimento da inflação, a recuperação da renda e as expectativas do início do programa para renegociar dívidas – Desenrola – refletiram no resultado. Entretanto, o alto endividamento e inadimplência ainda são obstáculos para uma confiança mais robusta.

O indicador de confiança da construção3 segue otimista influenciado pelas novas regras do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Houve uma percepção positiva em relação à demanda no setor e consequentemente aumento na tendência de contratação de novos funcionários. No entanto, o indicador ainda não atingiu o patamar da neutralidade. Um dos pontos de dificuldade para uma melhora continuada da confiança é o acesso ao crédito.

Apesar do cenário econômico ainda incerto, as perspectivas do setor para os próximos meses são positivas. A aprovação do arcabouço fiscal, a tramitação da Reforma Tributária no Senado, a retomada de obras paradas e de infraestrutura, além do início do ciclo de redução da taxa de juros, são fatores que trazem maior segurança e previsibilidade ao setor, e consequentemente para a economia em 2023.