Pavimento rígido agora é pavimento reflexivo

Os pesquisadores do MIT Concrete Sustainability Hub (Centro de Sustentabilidade do Concreto do Massachusetts Institute of Technology) estão adotando outra nomenclatura para o pavimento de concreto. Agora, eles o chamam de pavimento reflexivo. Por quê? A razão está ligada à capacidade do material de dissipar ilhas de calor quando usado em áreas urbanas ou rodovias.

As pesquisas realizadas no MIT estimam que, em 20 anos, se as autopistas dos Estados Unidos migrarem do asfalto para o pavimento rígido, as ilhas de calor baixarão a temperatura em 40%. “O pavimento de concreto reflete mais luz solar. Consequentemente, retém menos calor. Isso ajuda no resfriamento das cidades”, atesta o coordenador do estudo e pós-doutor do MIT, Hessam Azarijafari, explicando o porquê do termo pavimento reflexivo.

O MIT Concrete Sustainability Hub atua em parceria com a Portland Cement Association (PCA) – equivalente à ABCP no Brasil – e com a Ready Mixed Concrete Research and Education Foundation. Na pesquisa, são reforçadas outras vantagens do pavimento rígido, como levar os veículos a consumirem menos combustível e, consequentemente, emitirem menores volumes de gases na atmosfera.

Calcula-se que um pavimento de qualidade permita que o veículo economize de 10% a 20% o consumo de combustível a cada 1 quilômetro percorrido. “O pavimento de concreto já comprovou ser mais eficaz para a trafegabilidade de automotores. Outro fator importante é que a vida útil deste tipo de revestimento é mais longa e requer menos manutenção”, resume Hessam Azarijafari.

Levantamento da ABCP vai ao encontro das conclusões do instituto norte-americano

Pesquisas anteriores coordenadas pelo MIT CSHub atestaram o que o recente estudo veio comprovar: no asfalto, o efeito chamado de interação pavimento-veículo libera maior volume de CO2 na atmosfera. “A qualidade do pavimento impacta no desempenho dos veículos e na capacidade de economizarem combustível, ou seja, ao longo de seu ciclo de vida o pavimento influencia para uma pegada maior ou menor de carbono”, diz o coordenador do estudo.

Em palestra realizada na Paving Expo 2020, o gerente do Núcleo de Pavimentação da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o engenheiro civil Marcos Dutra de Carvalho, reiterou essas características do pavimento de concreto e elencou as razões que fazem o revestimento rígido ser mais competitivo e mais sustentável. São elas:

Desempenho e durabilidade

O concreto não sofre as deformações típicas do pavimento asfáltico. Também não amolece quando esquenta. No prazo mínimo, o pavimento rígido presta serviço de 20 anos contra o máximo de 10 anos do asfalto.

Análise de longo prazo

Considerando o pavimento rígido para rodovia, com espessura de 25 centímetros, no primeiro ano de execução ele já se torna 16% mais competitivo do que o asfalto. Ao longo de 20 anos, esse percentual pode chegar a 41%.

Economia de combustível da frota circulante

Para veículos pesados, o pavimento de concreto oferece economia de até 20%.

Segurança do usuário

O pavimento rígido possibilita menor distância de frenagem. Na superfície molhada, chega a 40%. Por ter melhor refletância, permite que a via ou a rodovia receba 30% a menos de postes de iluminação.

Redução de ilhas de calor

Há redução comprovada de até 5 °C no ambiente. O recorde mundial foi registrado no Arizona-EUA, onde se chegou a 11 °C de redução.

Projetos mais precisos

O pavimento de concreto tem uma execução e um controle de obra mais rigorosos. Os projetos-executivos são inspecionados em cada uma das etapas: lançamento e espalhamentos, adensamento e acabamento, texturização e cura e selagem.

 

Entrevistado: engenheiro civil e pós-doutor do Departamento de Engenharia Civil do MIT Concrete Sustainability Hub Hessam Azarijafari (cshub@mit.edu)

Fonte: Cimento Itambé – Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Precificação de Carbono

Alinhada ao Acordo de Paris, indústria brasileira do cimento lança seu posicionamento sobre o tema

A indústria brasileira do cimento fez na sexta-feira (27/11), por meio da Presidência da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o lançamento oficial do seu posicionamento sobre a Precificação do Carbono, iniciativa em debate no país e que integra os esforços globais para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Pioneiro, no Brasil, no tratamento de questões ambientais, o setor de cimento é amplamente favorável a uma economia de baixo carbono e propõe que uma eventual precificação deve considerar que:

• A inclusão do setor em instrumento de precificação deve considerar também o contexto internacional;

• Esforços históricos devem ser levados em conta;

• A sobreposição de mais de um instrumento de precificação de carbono deve ser evitada;

• Os esforços de redução de emissões devem ocorrer em todos os setores econômicos;

• A política de precificação de carbono deve ser precedida por um sistema de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV);

• Deve-se priorizar sistemas de precificação via mercado, em detrimento da taxação;

• Uma agenda de implementação gradual deve ser discutida;

• Fugas de carbono devem ser evitadas;

• Instrumentos de fomento a tecnologias e processos mais eficientes devem ser considerados.

Leia aqui o documento completo:

Roadmap Tecnológico do Cimento e Coprocessamento no Norte/Nordeste

A ABCP e o SNIC apresentaram nesta sexta-feita (27/11/2020), em evento virtual com cerca de três horas de duração, o Roadmap Tecnológico do Cimento e Coprocessamento para os principais stakeholders do setor nas regiões Norte e Nordeste do País, público formado especialmente por associadas, empresas da cadeia produtiva do cimento, autoridades públicas e meio técnico e acadêmico.

O encontro foi aberto e encerrado pelo presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camillo Penna, e teve no diretor de Comunicação da ABCP, Hugo Rodrigues, o mestre de cerimônias. “Foi um exercício de inteligência que tivemos aqui”, disse o presidente da ABCP e SNIC, que citou os avanços significativos na relação entre indústria, autoridades e universidades e a recente aprovação da Resolução Conama 499/20, que cobriu 95% das proposições do setor.

O projeto Roadmap, elaborado pela ABCP e pelo SNIC com apoio de diversas entidades nacionais e internacionais, traça as principais diretrizes e ações da indústria brasileira do cimento para a redução das suas emissões de CO2 em um horizonte que vai até 2050. O documento já havia sido apresentado em 2019, porém em eventos presenciais, ao Governo Federal, na sede da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), e nas federações da indústria sediadas em Belo Horizonte (Fiemg), Curitiba (Fiep) e São Paulo (Fiesp).

Norte/Nordeste

O evento apresentado em 2020 – via plataforma Zoom e Canal YouTube devido à pandemia – contou com apoio das associadas Apodi, Brennand e Mizu e foi organizado em dois módulos, que trataram, respectivamente, do Roadmap Tecnológico em si e do Coprocessamento, técnica que utiliza o Combustível Derivado de Resíduos (CDR) para abastecer os fornos das cimenteiras, em substituição aos combustíveis fósseis, que são mais poluentes.

O projeto Roadmap foi apresentado pelo coordenador de Meio Ambiente do SNIC, Gonzalo Visedo, no módulo 1, que contou com o painel “Estratégias de Redução de Emissões, Ações já implementadas e Desafios Futuros”, do qual participaram Fabio Cirilo (Votorantim Cimentos), Seiiti Suzuki (InterCement), Marco Aurélio da Silva (Apodi) e Arnaldo Battagin (ABCP), sob mediação de Marcelo Pecchio, responsável pelo Laboratório de Mineralogia da ABCP.

Aberto pela especialista em coprocessamento Antonia Jadranka Suto (ABCP), a quem coube expor a “Evolução do Coprocessamento e o Novo Ciclo de Crescimento”, o módulo 2 trouxe a debate o painel “Desafios e Oportunidades para a Recuperação de Resíduos Sólidos”, moderado pelo gerente de Relações Institucionais da Associação, Mário William Esper. Participaram deste painel: Alcindo Chruscielski (Mizu), Nelson Viana (LafargeHolcim) e Pedro Carvalho  (Brennand).

A etapa de encerramento contou com as palavras de Gilvan Dias, presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente do Sergipe (Adema), e Paulo Henrique Lustosa, secretário executivo de Saneamento do Governo do Estado do Ceará, além do presidente Paulo Camillo, que fez o lançamento oficial do posicionamento da indústria do cimento sobre a precificação do carbono no País. Paulo Camillo lembrou que o SNIC acompanha e participa, como membro do Comitê Consultivo, do Projeto PMR – Brasil (Partnership for Market Readiness), parceria entre o Ministério da Economia e o Banco Mundial, que avalia a conveniência de implementação de um sistema de precificação de carbono no País. O projeto, com duração de cerca de quatro anos, deve ser concluído em fins de 2020.

Assista aqui a íntegra do evento.