Coletânea de Métodos de Análise

Com o objetivo de trazer mais confiabilidade e reduzir discrepâncias entre metodologias, a ABCP, em parceria com o setor de cimento e fornecedores de resíduos, está desenvolvendo uma Coletânea de Métodos de Análise.

Esses métodos seguem normas internacionais adaptadas à realidade nacional e já contam com três procedimentos disponíveis, que podem ser baixados nos links:

Amostragem (PDF)

Procedimento visa estabelecer um padrão de amostragem e coleta de “CDR – Combustíveis Derivados de Resíduos” para ser aplicado na etapa do recebimento para coprocessamento nas cimenteiras. Não é aplicável a CDR constituído por líquidos ou lodos, mas se aplica a lodos desidratados.

 

 

Preparação de amostra (PDF)

Este padrão aplica-se às áreas de controle de qualidade, produção e coprocessamento na indústria cimenteira e operador responsável pelo preparo (Blendeira).

 

 

 

Determinação de umidade (PDF)

Este procedimento descreve o método para a determinação da umidade de uma amostra de blend de resíduos sólidos e/ou matéria-prima alternativa, mediante a secagem em estufa.

Em breve, mais métodos serão disponibilizados para apoiar toda a cadeia do setor.

Indústria brasileira do cimento transforma problema dos resíduos em solução

Celebrado em 27 de agosto, o Dia Mundial da Limpeza Urbana mobiliza a sociedade sobre a conscientização para a destinação correta do lixo que produzimos. A indústria cimenteira está constantemente repensando os desafios relacionados aos resíduos no país. Para minimizar ao máximo o descarte em aterros, o setor tem contribuído de forma efetiva para a economia circular, transformando o problema dos resíduos em solução, reincorporando-os em seu processo produtivo, seja como fonte energética ou como substitutos de matéria-prima, tecnologia essa conhecida como coprocessamento. A atividade é responsável pela transição energética, substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

O coprocessamento alcançou, em 2022, 30% de participação na matriz energética do setor, antecipando a meta prevista para 2025. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e 179 mil toneladas de matérias-primas substitutas. Ao todo, a troca de combustíveis fósseis por alternativos contribuiu para que fosse evitada a emissão de cerca de 2,9 milhões de toneladas de CO2 no ano.

Em um momento em que a crise climática se aprofunda, a urgência de ações se torna mais necessária do que nunca. É preciso avançar em todas as frentes para eliminar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Neste sentido, minimizar ao máximo o descarte de resíduos em aterros é crucial.

Para avançar nessa agenda, a indústria brasileira do cimento vem empenhando esforços significativos na promoção e desenvolvimento de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) para fins de coprocessamento, contribuindo para o encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Esta iniciativa é uma das inúmeras que estão em andamento e que seguem como diretriz o Roadmap Tecnológico do Cimento, lançado em 2019 de forma pioneira entre os segmentos industriais brasileiros, para orientar a descarbonização da indústria por meio de uma série de alternativas de redução de CO2.

A partir da análise das capacidades de coprocessamento das fábricas e a localização geográfica de pelo menos duas plantas de cimento situadas em um raio de até 200 Km da geração de resíduos urbanos, foram identificadas sete regiões estratégicas para atuação setorial. O conjunto dessas regiões abrange aproximadamente 45% (2,5 Mt) da capacidade de coprocessamento de Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR) e investimentos previstos de 3,5 bilhões até 2030. A iniciativa já vem sendo implementada com sucesso nas regiões metropolitanas de Curitiba e Belo Horizonte e comprovam que oferecer soluções tecnológicas de forma orientada para o futuro requer ações inovadoras, engajamento ativo e colaboração de muitos atores.

38ª Oktoberfest valoriza todos os resíduos e oferece água ultrafiltrada para visitantes

Fonte: Prefeitura de Blumenau

As iniciativas fazem parte da estratégia de sustentabilidade do evento, que ocorre de 4 a 22 de outubro

A maior festa alemã das Américas, a Oktoberfest, chega à sua 38ª edição em outubro e promete atrair milhares de visitantes à Vila Germânica, em Blumenau, Santa Catarina. Para oferecer aos participantes uma experiência mais sustentável, a Veolia, empresa líder global em soluções de gestão de água, resíduos e energia, renovou sua parceria com o evento para gerenciar todos os resíduos e disponibilizar água ultrafiltrada para os visitantes.

Assim como no ano passado, a Veolia será responsável pelo tratamento de aproximadamente 150 toneladas de resíduos gerados ao longo dos 19 dias de festa. A empresa valorizará, por meio de coprocessamento, todos os resíduos gerados no festival, garantindo a meta de Aterro Zero (Zero Waste to Landfill).

O coprocessamento transforma os resíduos em CDR (Combustível Derivado de Resíduos), ou seja, um combustível alternativo e menos poluente. Em 2022, cerca de 2 milhões de copos foram valorizados e se tornaram uma opção “mais verde” de combustível para alimentar fornos e caldeiras de indústrias, substituindo assim os combustíveis fósseis.

Segundo Lina del Castillo, diretora de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da Veolia, a pauta ESG (ambiental, social e de governança corporativa) deve ser levada para os grandes eventos e executada de forma que integre todos os pilares, impulsionando práticas mais sustentáveis para indústrias e cidades, e conscientizando o público no geral.

“Os eventos também são aliados para contribuir com a conscientização ambiental ao adotarem práticas mais sustentáveis. Nos últimos anos, a Oktoberfest se tornou uma grande parceira quando o assunto é manter a tradição, mas com menor pegada ambiental. Para nós da Veolia, é muito importante ser, novamente, parceira de um evento de tanta relevância para o Brasil. Ao mesmo tempo em que a Oktoberfest oferece diversão, ela se transforma para envolver práticas ambientalmente corretas que promovem a Transformação Ecológica da sociedade como um todo”, afirma Lina.

A novidade desta edição, no entanto, é a oferta de água ultrafiltrada a todos os visitantes que passarem pelo festival entre os dias 4 e 22 de outubro. A iniciativa, realizada em parceria com a Ambev, promete reduzir o consumo de garrafas plásticas durante o evento e, assim, diminuir o impacto ambiental, além de conscientizar o consumo consciente de bebida alcoólica.

 

A festa ocorre de 4 a 22 de outubro e os ingressos já podem ser adquiridos pelo site oficial do evento.

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Governo de Goiás conhece as instalações de preparo de CDR de Salto-SP

Sob coordenação da ABCP, uma missão técnica da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás visitou em maio as instalações de Triagem Mecanizada da Usina de Valorização de Resíduos Sólidos Urbanos da cidade de Salto-SP.

Inaugurada em agosto de 2020, a unidade é operada pela Corpus Saneamento e tem capacidade de triagem de mais de 100 toneladas por dia. Nela, o lixo doméstico é recebido, triado (recicláveis e orgânicos) e, na última etapa do processo, os resíduos são transformados em CDR (Combustível Derivado de Resíduos) e direcionados para o coprocessamento, como fonte energética para a indústria do cimento.

A menor disposição em aterros, transformando resíduos em recursos, é uma solução sustentável e que traz enormes ganhos ambientais e de mitigação dos gases de efeito estufa. A solução passa a ser estudada pelo Estado de Goiás e pode ser replicada em inúmeras outras regiões do nosso país.

A comitiva contou com a presença do subsecretário de Planejamento, Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, José Bento da Rocha, e da superintendente de Políticas Públicas em Saneamento do Estado, Kaoara Batista de Sá, bem como outros membros da secretaria. A ABCP foi representada por Daniel Mattos, head de Coprocessamento, e associadas: InterCement, Cristiano Ferreira, e Votorantim Cimentos, Larissa Dias.

> Saiba mais sobre a Usina de Salto.

 

DF promove seminário sobre coprocessamento

A Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) realizou na última quarta-feira (19/09/2018), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal e com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o seminário “Coprocessamento de Resíduos”. O evento, que procura ampliar o debate sobre o tema, sucedeu à concessão, pelo Governo do DF, de licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal: a Votorantim Cimentos (renovação e ampliação da licença existente desde 1991) e a Ciplan (autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus).

Dividido em dois painéis (veja quadro com a Programação), o seminário abordou o panorama do coprocessamento no Brasil; a gestão dos resíduos sólidos e o potencial para recuperação energética; a geração de combustível derivado de resíduos no Distrito Federal; e o licenciamento ambiental para coprocessamento. O evento teve 71 participantes, representando entidades e empresas*. A ABCP foi representada por seu presidente, Paulo Camillo Penna,que compôs a mesa, e Mário William Esper, diretor de Relações Institucionais, que proferiu a palestra “Panorama do Coprocessamento no Brasil”.

Potencial econômico e ambiental

O coprocessamento é considerado uma alternativa sustentável e adequada à destinação de resíduos. Ele aumenta a vida útil dos aterros e contribui para a redução dos gases de efeito estufa, tanto pela não geração de metano da decomposição do lixo quanto pela substituição como combustível em função de seu conteúdo de biomassa. Marcontoni Montezuma, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Fibra, observou que “não existem muitas razões” para que o coprocessamento não se efetive, dado o atual controle dos processos industriais. Para ele, o seminário reuniu entes decisivos para que isso se torne realidade no Distrito Federal.

Por enquanto, as cimenteiras de Brasília só podem fazer o coprocessamento de pneus, não de outros resíduos, como industriais, urbanos (comerciais e residenciais) e os da agricultura. Apenas Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo têm regulamentação nesse sentido. Porém, é fato que a utilização de resíduos em fornos de cimento como substitutos de combustíveis e matérias-primas convencionais atende ao preconizado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, e contribui para a economia circular. Em muitos países da Europa onde a legislação baniu os aterros sanitários, os combustíveis derivados de resíduo (CDR) produzidos a partir de resíduos urbanos, comerciais e industriais não perigosos após triagem dos recicláveis tornaram-se uma ferramenta na gestão de resíduos.

Resultados concretos

Em 2016, o Brasil destruiu aproximadamente 1 milhão de toneladas de resíduos em fornos de cimenteiras. “Nesse sistema, os resíduos são transformados em potenciais subprodutos ou outros materiais, promovendo a reciclagem, a reutilização e a recuperação. A indústria do cimento do Brasil vem utilizando resíduos em seus fornos desde a década de 1990 e atualmente a substituição térmica está em torno de 10%. Na Europa, chega a 90%”, explicou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo.

O presidente do Ibram, Aldo César Vieira, mostrou-se favorável à ampliação do coprocessamento no Distrito Federal, destacando que ele traz benefício para a indústria quanto ao custo do produto e movimenta a cadeia produtiva. “No final, é um processo que vai beneficiar a sociedade como um todo. Espero que essa parceria para tratar desse assunto continue, não só com o setor produtivo, mas também com o Ministério Público, que está conosco nesse esforço”, disse. A promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Cristina Rasia, também participou do debate.

Próximos passos

Considerado um sucesso pela qualidade do conteúdo e dos apresentadores, o seminário deve agilizar o licenciamento do coprocessamento para combustível derivado de resíduo (CDR) nas duas fábricas do Distrito Federal. Para tanto, o próximo passo é a elaboração de uma resolução do Distrito Federal para CDR. Além disso, o encontro previu a elaboração, em conjunto com o Ministério das Cidades, de uma agenda para coprocessamento de CDR em todo o Brasil; e o agendamento de uma visita da Fibra, Promotoria Pública e Ministério das Cidades a uma unidade de produção de CDR localizada em Recife (PE).

Texto baseado em informações de: Aline Roriz / Sistema Fibra

Foto: Moacir Evangelista / Sistema Fibra

*  Entidades e empresas participantes: Fibra e Ibram, Sema, SEDICT, MPDFT, ABCP, Ibama, SLU, Adasa, CEB, Ministério das Cidades, CNI, UnB, Sindimam, Instituto Lixo Zero, Exército Brasileiro, Votorantim, Ciplan, Combral e JC Gontijo, Bonasa, Valor Ambiental, Scom Ambiental e Corsap DF/GO.