Indústria do cimento apresenta diretrizes para futuro do setor

Foto: Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e SNIC, na abertura do evento 

 

Alinhadas ao Acordo de Paris, as ações apresentadas na FIEMG propõem redução de emissão de gases de efeito estufa (CO2) em até 33%

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) apresentaram nesta quarta-feira (02/10/2019), na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o Roadmap Tecnológico do Cimento, um documento que traça a ambição e as diretrizes para a indústria se tornar ainda mais eficiente e sustentável.

O evento também contou com um módulo sobre o Coprocessamento, uma tecnologia de queima de resíduos industriais e passivos ambientais em fornos de cimento, substituindo a utilização de combustíveis fósseis não renováveis.

Na ocasião, estiveram presentes Teodomiro Diniz, presidente da Câmara da Indústria da Construção da FIEMG, Renato Teixeira Brandão, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), e executivos das principais empresas da construção civil, que debateram, durante toda a manhã, os caminhos para um futuro sustentável do setor.

A indústria desenvolveu o Roadmap em colaboração com a Agência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvi­mento Sustentável (WBCSD), International Finance Corporation (IFC) – membro do Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor emérito e ex-ministro José Goldemberg.

O estudo propõe alternativas para reduzir, ainda mais, as baixas emissões de CO2 da indústria nacional de cimento. Mais do que isso, identifica barreiras e gargalos que limitam a adoção de políticas públicas, regulações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões em curto, médio e longo prazo.

“A indústria brasileira do cimento apresenta um dos menores índices de emissão de CO2 no mundo, por conta de ações que vêm sendo implementadas nas últimas décadas e queremos continuar liderando esse processo no futuro”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Segundo dados dessas entidades, enquanto a produção de cimento aumentou 273% entre 1990 e 2014 (de 26 para 71 milhões de toneladas), a curva da emissão de carbono cresceu 223% nesse intervalo, uma redução de 18% das emissões específicas (de 700 para 564 kg CO2 /t cimento). Por sua vez, o projeto vislumbra a possibilidade da indústria alcançar patamares da ordem de 375 kg CO2 /t cimento até 2050, uma redução de 33% com relação aos valores atuais.


Teodomiro Diniz, vice-presidente da FIEMG, na abertura do evento 

 

O coprocessamento

O coprocessamento, além de ser um dos pilares previstos pelo Roadmap como uma das soluções para a redução na emissão de gases de efeito estufa, se apresenta como uma alternativa viável e acessível para a destinação de resíduos sólidos urbanos em cidades próximas da indústria, e que é empregada pela indústria brasileira desde 1990, portanto há quase 3 décadas, garantindo toda a segurança e saúde do trabalhador que se envolve com a tecnologia.

O uso de combustíveis alternativos na produção de cimento, através do coprocessamento, não gera novos resíduos e contribui para a preservação de recursos naturais, por substituir matérias-primas e combustíveis fósseis no processo industrial, habilitando-se como uma das soluções possíveis para a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, infelizmente não atendida por cerca de 3.350 municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disto, trata-se de um processo existente e consolidado mundialmente, gerando ganhos sociais, econômicos e ambientais – a tríade do conceito de sustentabilidade – para os envolvidos em toda a cadeia de coleta e descarte de resíduos.

Metas alinhadas ao Acordo de Paris

O Acordo de Paris, negociado em 2015 na 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e ratificado pelo Brasil em 2016, estabeleceu diretrizes e compromissos para tentar limitar o aumento das temperaturas neste século a menos de 2°C.

Para alcançar essa meta desafiadora, foram reunidas no mapeamento medidas que se concentram em quatro principais pilares: adições e substitutos de clínquer – produto intermediário do cimento -, por meio do uso de subprodutos de outras atividades; combustíveis alternativos, com a utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição a combustíveis fósseis não renováveis; medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico; tecnologias inovadoras e emergentes, por meio da pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas, como a captura de carbono.

 

Ações-chave para 2030

Para atingir os níveis de melhoria nos diferentes indicadores de performance (KPI’s) e as conse­quentes reduções na emissão de carbono estimadas, governo, indústria e sociedade em geral devem criar uma agenda conjunta de ações estruturantes, de forma a acelerar a transição sustentável da indústria brasileira de cimento. Entre as ações prioritárias, visando um horizonte de curto/médio prazo (2030), estão:

  • Reforçar a cooperação nacional e internacional; promover o desenvolvimento de novas normas de cimento, permitindo a incorporação de maiores teores de substitutos de clínquer;
  • Valorizar a recuperação energética de resíduos, em atendimento à Política Nacio­nal de Resíduos Sólidos (PNRS);
  • Compartilhar melhores práticas em nível nacional e internacional para a promoção da eficiência energética na indústria do cimen­to;
  • Promover Pesquisa e Desenvolvimento em tecnologias emergen­tes e inovadoras de mitigação de gases de efeito estufa.

 

Veja no link abaixo a íntegra do Roadmap Tecnológico do Cimento:  https://www.abcp.org.br/cms/wp-content/uploads/2019/04/Roadmap_Tecnologico_Cimento_Brasil_Encarte.pdf

 

Mapeamento Tecnológico do Cimento: Roadmap Brasil 2019 – SNIC/ABCP

Na busca da diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE), a indústria do cimento desenvolveu estudo, com foco em 2030 e 2050, que se baseia em quatro pilares:

  • Dobrar a utilização de combustíveis alternativos
  • Melhorar em 15% a eficiência energética do processo
  • Continuar buscando novas tecnologias para aumentar a utilização de resíduos de outras indústrias para reduzir a utilização do clínquer
  • Buscar tecnologias inovadoras como captura do próprio carbono emitido no processo fabril.

Como o caroço do açaí nos faz mais sustentáveis

Você sabia que o açaí ajuda na produção do cimento? Em seu caroço existe algo único, que está mudando a história e tornando a produção de cimento mais sustentável. Este vídeo produzido pela Votorantim Cimentos mostra como isso acontece.

Assista ao vídeo e descubra como esta deliciosa fruta contribui para o compromisso da Votorantim Cimentos em reduzir a emissão de CO2.

O vídeo tem 2min39 e foi publicado em 2 de outubro de 2018.

Cimento do futuro será o Portland

Investimento em tecnologia faz a indústria superar os desafios referentes a desempenho e emissão de gases

Em sua palestra na Concrete Show 2019, intitulada “Cimento do Futuro”, o gerente dos Laboratórios da ABCP, Arnaldo Battagin, fez um relato das pesquisas mais relevantes para se chegar a um produto que substitua o cimento Portland em larga escala de consumo, desempenho e, principalmente, com menores emissões de CO2. Até agora, todos os materiais estudados focaram na mitigação do impacto ambiental, mas não conseguiram se tornar viáveis economicamente.

Por outro lado, a indústria de cimento Portland tem agregado cada vez mais inovações, a fim de aumentar o desempenho do material e diminuir as emissões de gases. Com isso, se sobrepõe aos desafios que crescem ano a ano. “Certa vez ouvi em uma palestra que a indústria de cimento teria futuro sustentável se a taxa de inovações fosse maior que a taxa de restrições. O investimento em tecnologia faz o setor superar os desafios referentes a desempenho e agora a tecnologia tem trabalhado para mitigar as emissões e superar as restrições ambientais impostas”, diz.

Adequação às normas

Em 1990, apenas na Europa, havia 19 regulamentações de meio ambiente exclusivas para a indústria de cimento. Em 2010, segundo a estatística mais atualizada, esse número subiu para 635. Para se adequar às normas ambientais, o cimento Portland encontrou no incremento de teores de adições uma fórmula de sucesso. De acordo com Battagin, no futuro a captura de carbono poderá se mostrar mais eficaz, mas por enquanto ela esbarra nas mesmas restrições que dificultam a substituição do Cimento Portland por outro material: a inviabilidade econômica.

Como exemplo, o gerente dos Laboratórios da ABCP citou o cimento desenvolvido a partir de 2007 no Imperial College London, na Grã-Bretanha. Usando silicato de magnésio como ligante, o material foi testado em concreto estrutural e artefatos pré-fabricados de cimento. Em 2010, foi premiado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e havia a promessa de que entraria em escala comercial em 2014. No entanto, todo o planejamento foi paralisado. “Apesar do forte apelo tecnológico, esbarrou na questão do custo. No futuro, poderá vir a ocupar um nicho de mercado”, afirma Arnaldo Battagin.

Outro exemplo é o de um cimento desenvolvido há mais de 20 anos nos Estados Unidos, com comportamento que se assemelha à cerâmica. Testado na estabilização de resíduos radioativos e como selante de poços petrolíferos, o material também não alcançou competitividade comercial para substituir o cimento Portland. Atualmente, desponta como um produto para uso restrito na construção civil.

Novos produtos

Arnaldo Battagin também relatou outros cimentos que tendem a se tornar nichos de mercado, como o cimento com nanotubos de carbono, o cimento modificado energeticamente (EMC, do inglês energetically modified cement) e o cimento de sulfalominato de cálcio, com tempo de pega de 10 minutos e cuja resistência máxima é atingida nas primeiras 12 horas. “Trata-se de um cimento que possui norma técnica na Europa, mas que a confiança sobre a durabilidade ainda não está madura”, expôs o palestrante.

Para finalizar, Battagin concluiu sua fala com a seguinte reflexão: “Nenhum cimento ainda consegue competir com o cimento Portland em larga escala. Graças ao cimento Portland, um quilo de concreto custa menos que um litro de água. Por isso, por longo tempo, continuará como produto-chave para a indústria da construção civil. Não significa que não buscará atingir menores níveis de emissão de gases, o que virá através do clínquer coprocessado e de maiores níveis de adições. É o cenário que se desenha até 2050, pelo menos.”

Fonte: Massa Cinzenta / Cia de Cimento Itambé

Texto baseado na palestra “Cimento do Futuro”, do gerente dos Laboratórios da ABCP, Arnaldo Battagin, durante a Concrete Show 2019.

Atenção ao meio ambiente

Seminário na Concrete Show apresenta iniciativas da indústria para mitigar emissões de CO2 na cadeia do concreto

No último dia 16 de agosto, foi realizado, durante a Concrete Show South America, o Seminário “Mitigação da Pegada de Carbono na Cadeia do Concreto. A contribuição da Indústria Brasileira”. Organizado pela ABCP, Associação Brasileira de Cimento Portland, o painel contou com a participação de representantes da indústria do cimento brasileira e de dois representantes do governo federal: o secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, André França, e o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Vidigal.

O seminário apresentou ao público temas como: o mapeamento das iniciativas que ajudarão a indústria de cimento no trabalho de redução da emissão de gases do efeito estufa até 2050, em linha com as metas definidas pelo Acordo de Paris; a utilização de novos resíduos industriais e de biomassa como combustíveis alternativos; as frentes de atuação visando uma maior eficiência energética da indústria; o enorme potencial de uso de resíduos urbanos nos fornos de cimento e os estudos voltados para o desenvolvimento de tecnologias que permitam a captura de CO2 nos elementos à base de cimento e concreto.

Cimento: apoio à sustentabilidade

Reportagem mostra iniciativa da indústria brasileira do cimento para reduzir as emissões de CO2

 

A indústria do cimento e todo seu compromisso com a mitigação do impacto ambiental da atividade foram tema de capa da edição 192, ano 2019, da revista “Saneamento Ambiental”. A reportagem “O esforço da indústria brasileira do cimento para reduzir as emissões de CO2” traz um panorama abrangente das diversas ações da indústria nesse tema.

O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, destaca na matéria que a indústria brasileira possui um dos menores níveis de emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida e segue no propósito de reduzir sua intensidade carbônica em 33% até 2050. O setor conta, no Brasil, com 100 fábricas, sendo 64 integradas (abrangem todo o ciclo de produção) e 36 moagens (sem fornos). Mas parte desse parque industrial está fechada, o que representa uma capacidade ociosa de 47%.

A matéria registra o pioneirismo da indústria do cimento em relação à questão ambiental e ao próprio conceito de sustentabilidade, ao destacar o processo de adição de outros materiais ao clínquer, iniciativa tomada desde os anos 20. E mais recentemente, lembra a matéria, a indústria nacional iniciou o desafiador projeto do Roadmap da Indústria do Cimento, em parceria com a Agência Internacional de Energia, Conselho Empresarial de Desenvolvimento Sustentável e Banco Mundial.

Enquanto a indústria mundial de cimento respondeu, em 2018, por 7% das emissões globais de gás carbônico, as indústrias cimenteiras do Brasil geraram apenas 2,6%. “Efetivamente temos um compromisso de reduzir ainda mais essas emissões e não apenas pela preocupação ambiental – temos percepção de que essa vulnerabilidade precisa ser reduzida”, disse Paulo Camillo. Ele acrescentou que o processo de precificação de carbono está avançando e os países vizinhos (Chile, Argentina, México) já implantaram uma política de taxação, que pode ser via tributação ou preço de mercado. “Temos conhecimento também de que o Ministério da Fazenda e o Banco Mundial estão trabalhando no assunto com o propósito de buscar uma redução significativa das emissões”, informa o presidente da ABCP/SNIC.

Leia a reportagem completa: Revista Saneamento Ambiental – nº 192 – 2019

Governo do DF concede licenças para cimenteiras do Fercal

O governo do Distrito Federal entregou licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal. A Votorantim Cimentos faz esse trabalho no DF desde 1991 e conseguiu a renovação e ampliação da licença, enquanto a Ciplan foi autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus.

O coprocessamento de pneus e biomassa substitui parte do combustível fóssil na fabricação de cimento. A medida contribui para reduzir o uso de recursos naturais não renováveis e a emissão de CO2, além de diminuir o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário. O forno de cimento garante a total eliminação térmica dos resíduos e a incorporação das cinzas no processo de fabricação, sem comprometer a qualidade do produto. O coprocessamento exerce ainda papel importante para a saúde pública, uma vez que auxilia a evitar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya, por exemplo.

A licença foi assinada pelo secretário da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, pelo secretário do Meio Ambiente, Felipe Ferreira, e pelo secretário-geral do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Ricardo Roriz. Compareceram o gerente da Votorantim no Distrito Federal, Waldir Gomides, o presidente da Ciplan, Sergio Bautz, e o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Marcontoni Montezuma.

“A Fibra lutou muito, ao lado das cimenteiras, para conseguir essas licenças. Enxergamos isso como um grande avanço, pois diminui os resíduos, além de destravar o emprego e o investimento. São empresas extremamente industrializadas, que sabem o que estão fazendo e vão trazer benefícios enormes à sociedade”, disse Montezuma.

Com o volume que já era licenciado, a Votorantim eliminava 1,5 tonelada de pneus por hora. Agora, a capacidade será quadruplicada. “A gente pode chegar a 3 mil pneus de caminhão por dia destruídos imediatamente nesse processo, sem alteração de características de produto, ou 9 mil unidades de pneus de carros de passeio por dia. Esse é um trabalho feito em várias vias do poder público, da sociedade e do setor industrial e envolve uma questão de saúde pública e de vigilância sanitária”, afirmou o representante da Votorantim.

A Ciplan, por sua vez, aguardava a licença havia vários anos para dar início ao coprocessamento em suas instalações. Agora, está autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus. “Mais que substituir um combustível de fonte não renovável, temos a oportunidade de fazer uma adequação ambiental no quesito de redução de emissão de CO2 e de eliminar a quantidade de pneus expostos de maneira irregular”, explicou o presidente da empresa, que destacou os benefícios ambientais, econômicos e sociais especialmente para a região da Fercal.

 

Coprocessamento de resíduos

O Brasil gera anualmente 63 milhões de toneladas de resíduos sólidos. A quantidade de lixo cresceu 21% só na última década, mas o tratamento adequado dado a esses resíduos não aumentou. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, só 3% dos resíduos sólidos produzidos nas cidades brasileiras são reciclados, apesar de um terço de todo o lixo urbano ser potencialmente reciclável.

O combustível derivado de resíduos pode, portanto, ser uma importante ferramenta de desenvolvimento sustentável para as economias regionais. Os empresários destacaram a importância desse coprocessamento não se restringir aos pneus: é preciso analisar o trabalho com resíduos triturados, restos de obras e resíduos sólidos urbanos para seguir o caminho da evolução de maneira sustentável.

Pensando em dar continuidade para esse debate, a Fibra receberá o seminário Coprocessamento de Resíduos em 19 de setembro, a partir das 14 horas. A programação inclui painéis sobre gestão de resíduos sólidos, potencial para recuperação energética, panorama de coprocessamento no Brasil, geração de combustíveis derivados de resíduos e planos e metas do poder público. Para se inscrever no evento, entre em contato pelo telefone (61) 3362-6190.

Texto: Aline Roriz

Foto da assinatura: Helio Montferre/Sistema Fibra

Foto da indústria: Moacir Evangelista/Sistema Fibra

Assessoria de Comunicação do Sistema Fibra

Mapeamento Tecnológico do Cimento 2050

O debate sobre mudanças climáticas é questão importante para a indústria de cimento, uma vez que a emissão de COé inerente ao seu processo de produção. Conhecer a projeção de emissões setoriais a médio e longo prazo e seu respectivo potencial de redução é essencial para avançar na direção de uma economia de baixo carbono.

Mas o Mapeamento Tecnológico do Cimento é apenas uma das iniciativas da indústria em defesa do meio ambiente. Ao seu lado está a adoção do coprocessamento de resíduos industriais, que contribui para preservar recursos não renováveis, reduzir o impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e diminuir o passivo ambiental dos aterros.

Roadmap Brazil

Atentos a isso, a ABCP e o SNIC propuseram o desenvolvimento do Projeto Cement Technology Road Map Brazil 2050 em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Cement Sustainability Initiative (CSI), do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). Assim, a indústria brasileira de cimento iniciou em fins de 2014 um roteiro com o desafio de encontrar soluções para reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono, que já são as mais baixas do mundo.

No caso particular da indústria brasileira de cimento, a combinação de várias ações, algumas iniciadas há décadas, outras mais recentemente, ajudou a posicionar o setor brasileiro de cimento entre os mais eficazes em termos e emissão de CO2por tonelada de cimento produzido, de acordo com a CSI.

O objetivo do estudo abordado pelo Roadmap é traçar a projeção do total das emissões provenientes da produção de cimento, identificando as principais alternativas para reduzir essas emissões e minimizar o impacto do setor nas mudanças climáticas. As propostas de alternativas de redução que estão em andamento são focadas em quatro pilares:

  • eficiência energética
  • combustíveis alternativos
  • substitutos de clínquer
  • captura e armazenamento de carbono

Os estudos estão sendo preparados por uma equipe de renomados especialistas das principais universidades e centros técnicos no Brasil, proporcionando, além do conhecimento internacional, uma visão geral das características, limitações e potencialidades locais. Para cada uma das quatro propostas estão sendo considerados:

  • ► Cenário atual das alternativas: investigação das principais alternativas de redução, sua disponibilidade, disposição geográfica etc.
  • ► Cenário futuro das alternativas: projeção de crescimento potencial e disposição geográfica destas principais alternativas e estimativa das emissões evitadas etc.
  • ► Inovação: perspectivas de novas alternativas de redução e inovações tecnológicas em relação às já existentes.
  • ► Barreiras: principais barreiras (geográficas, técnicas, econômicas, legais, sociais, políticas etc.) que possam limitar o crescimento das alternativas abordadas.
  • ► Recomendações: desenvolvimento de série de recomendações para todas as partes interessadas (indústria, governo, academia, sociedade), para ajudar a superar as barreiras acima e fomentar essas alternativas.

Os resultados e conclusões dos documentos técnicos estão previstos para 2019, juntamente com os modelos de projeção e redução de emissões, executados por especialistas da IEA.

 

 

 

 

 

 

Seminário sobre coprocessamento em Curitiba

A destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento, técnica conhecida como coprocessamento, é o tema central de um seminário que reuniu no dia 18/04/2018 mais de 100 pessoas – entre autoridades, executivos e técnicos – em Curitiba-PR. Realizado pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o Seminário Coprocessamento de Resíduos na Indústria de Cimento foi uma promoção do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e contou com o apoio de três grupos industriais da área de cimento: Itambé, Supremo Secil e Votorantim Cimentos.

As boas vindas do evento coube a Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC, juntamente com Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que foram acompanhados na solenidade de abertura por autoridades da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad/MG), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Durante a manhã, a programação ofereceu informações relevantes sobre a prática do coprocessamento e sua contribuição para a redução dos gases de efeito estufa, bem como as ações da indústria do cimento em favor do meio ambiente – caso, por exemplo, da palestra “ABCP e SNIC – RoadMap”, proferida por Gonzalo Visedo, analista de Meio Ambiente do SNIC.

Uma abordagem sobre a normalização técnica na área coube a Milton Norio Sogabe, gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que tratou do tema “Norma para coprocessamento de CDRU no Estado de São Paulo”, e Antônio Augusto Melo Malard, subsecretário de Regularização Ambiental da Semad/MG, que falou sobre a “Revisão da DN 154 – Coprocessamento de resíduos”.

À tarde, a programação trouxe Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que destacou a experiência paranaense na palestra “Licenciamento de resíduos para coprocessamento”, e Regina Froener, chefe do Serviço de Licenciamento de Atividades Industriais em Implantação – SELAI, da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul), que abordou “Gerenciamento de resíduos – Portaria 16”. Por fim, o Estado de Santa Catarina foi representado por Fábio Castagna da Silva, gerente de Gestão de Processos Ambientais da FATMA (Fundação Meio Ambiente de Santa Catarina), que apresentou o “Manifesto eletrônico de transporte de resíduos”.

Após as apresentações, o seminário seguiu com debates sobre os temas tratados, sob a coordenação do gerente de Relações Institucionais da ABCP, Mário William Esper.

Coprocessamento aproveita diferentes tipos de resíduos

ENTREVISTA: FERNANDO DALBON

Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da ABCP

Em 2015, a indústria nacional de cimento coprocessou 1,5 milhão de tonelada de resíduos, o que representa substituição de 13,4% da matriz de combustíveis. Entretanto, o setor tem potencial de atingir a ordem de 2,5 milhões de toneladas e 25% de substituição. “Para esse avanço, é importante que haja o estabelecimento de políticas públicas que incentivem a atividade. Há países na Europa em que os índices chegam a 100%”, informa Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

O coprocessamento é uma técnica utilizada na fabricação do cimento que reduz a quantidade de resíduos gerada durante o procedimento. O método é executado por meio da queima de materiais em fornos de cimento, o que promove a preservação de recursos naturais por substituir as matérias-primas tradicionalmente empregadas. Há mais de 25 anos, a solução é utilizada e regulamentada em diversos países. No Brasil, as primeiras iniciativas ocorreram no início da década de 1990.

 

“Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições
que comprovam que a técnica do coprocessamento
não altera a qualidade do produto final.”
Fernando Dalbon

Aproveitamento de materiais

Os materiais passíveis de aproveitamento no coprocessamento são variados, com destaque para pneus inservíveis – aqueles que chegaram ao fim da vida útil e precisam ser descartados; para o blend de resíduos – mistura de componentes industriais; para as borrachas; para o óleo usado; e para as biomassas – casca de arroz, cavaco de madeira e lama de tratamento de esgoto. Atualmente, os elementos mais aproveitados são os pneus inservíveis. “No ano passado, o material representou 43% do total de resíduos com potencial energético utilizado, seguido do blend, com 41%”, relata Dalbon.

O cimento resultante atende às normas técnicas específicas da ABNT e pode ser encontrado no mercado. Como as suas características não são alteradas, o produto é comercializado normalmente. “Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições que comprovam que a técnica não altera a qualidade do produto final”, diz Dalbon. A garantia da qualidade está presente em todas as legislações sobre o assunto.

Procedimento

O coprocessamento é realizado pelas indústrias de cimento que têm fornos rotativos para a produção do clínquer (matéria-prima básica do cimento). Esses equipamentos devem ser devidamente licenciados e monitorados pelos órgãos ambientais competentes. “Para isso, necessitam atender aos procedimentos e critérios técnicos e operacionais preconizados pelas legislações federal e estadual”, ressalta o especialista.

O calcário e a argila são as matérias-primas tradicionalmente queimadas nos fornos de cimento para a obtenção do clínquer, que, depois de resfriado e devidamente moído com outras adições, transforma-se nos diferentes tipos de cimento Portland. O forno rotativo de clínquer é o mais indicado para o tratamento de resíduos graças às suas altas temperaturas; ao ambiente oxidante e alcalino; à estabilidade térmica; e ao longo tempo de residência (referência ao tempo em que os gases permanecem dentro do forno).

 

“A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço
de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva,
associada com a recuperação de energia e materiais.”
Fernando Dalbon

 

As temperaturas internas do forno, no qual o resíduo é inserido, atingem cerca de 2.000ºC. “Devido ao calor extremo, os compostos orgânicos presentes nos materiais são destruídos com eficiência de 99,999%”, explica o engenheiro, destacando que os inorgânicos são incorporados à estrutura cristalina do clínquer, não gerando cinzas.

Vantagens

Além da preservação de recursos não renováveis, o coprocessamento proporciona outras vantagens, como a redução do impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e a diminuição do passivo ambiental dos aterros. “A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva, associada com a recuperação de energia e materiais. A utilização dos fornos de cimento representa importante ferramenta de gestão ambiental”, finaliza Dalbon.

Fonte: Redação AECweb / e-Construmarket