Carbono Zero no Concreto. O que significa isso e como atingir

A indústria do cimento global, através da GCCA, apresentou uma nova versão do Roadmap do Cimento para baixo carbono e atribui aos clientes da indústria uma parte da tarefa de mitigação.

O webinar, mediado por Marcelo Pecchio (ABCP) e apresentado pelo professor Vanderley John (POLI USP e hubIC) e Gonzalo Visedo (SNIC), discutiu os desafios e as novas oportunidades de negócio de baixo carbono na cadeia de valor do concreto.

Assista à palestra:

 

COP-26: indústria brasileira se destaca por pioneirismo 

Foto: indústria do cimento utiliza combustíveis alternativos para a produção, como resíduos e pneus (Divulgação)

 

Iniciativas de empresas locais na prática de economia de baixo carbono devem atrair investimentos para diversos setores 

Por CNI – 04/11/2021 (Valor Econômico)

Os interessados em indústrias comprometidas com o meio ambiente e a sustentabilidade se sentirão tentados a demorar mais tempo no estande do Brasil na COP-26 diante de tantas novidades. Por meio da CNI, o setor apresentará ao público de Glasgow experiências empresariais bem-sucedidas, alinhadas com o projeto nacional da instituição para consolidar a economia de baixo carbono.

Dentre as iniciativas promovidas pelas empresas do setor estão o uso de matérias- primas alternativas (filler calcário, escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas, por exemplo) e combustíveis alternativos tais como biomassas, resíduos industriais, comerciais e domésticos, pneus, entre outros. Essas ações elevaram o Brasil a condição de referência global como o país que menos emite CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

A indústria de cimento brasileira se destaca por um processo industrial menos agressivo, já que o segmento responde por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem, mas, no Brasil, a participação cai para quase um terço da média mundial, 2,3% (dados do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal). 

A partir dessas frentes aliadas à eficiência energética e captura e estocagem de carbono, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões até 2050, evitando a emissão de 420 milhões de toneladas de CO2. Isso implicará a redução da intensidade carbônica do cimento brasileiro de 564 kg por tonelada, hoje a menor emissão global, para 375 kg por tonelada — afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). 

Net Zero 

Outro destaque em neutralização de carbono é a JBS, primeira empresa global do setor de proteína a estabelecer a meta Net Zero, com compromisso de alcançar esse objetivo até 2040. A proposta da empresa é zerar o balanço líquido das emissões de gases causadores do efeito estufa, reduzindo suas emissões diretas e indiretas e compensando todo residual até 2040. A empresa é a segunda maior empresa de alimentos do mundo e a primeira no setor de proteína. 

Empresa de produtos de limpeza ultraconcentrados sem químicos e vendidos em cápsulas retornáveis e recicláveis, a YVY oferece seus produtos não poluentes por meio de e-commerce. O comprador tem acesso a um item fabricado sem nenhum ingrediente sintético nem embalagens plásticas de uso único. Inovação na categoria economia circular, tanto no modelo de negócios quanto no processo de fabricação, e exemplo para encher os olhos dos investidores. 

No Paraná, a Federação das Indústrias (Fiep) atua junto ao governo do estado para criar uma política pública específica para economia circular e também apoia as empresas locais que se adequem à nova legislação. 

Energia limpa 

Cases de indústrias que utilizam fontes renováveis de geração de energia reforçam a adesão do setor à transição energética na indústria brasileira. A Aperam South America e a sua subsidiária, a Aperam BioEnergia, produtora de aço, são as únicas do segmento no mundo a utilizar apenas carvão vegetal como combustível, tendo como resultado o Aço Verde Aperam. 

Já a Fibertex, que investe em fibras recicladas de garrafas PET, usa energia proveniente 100% de fonte renovável e tem um sistema de energia fotovoltaica para a área do escritório administrativo, sustentável em diferentes etapas produtivas. 

Produção de cimento 

A indústria do cimento brasileira desenvolveu o Roadmap Tecnológico do Cimento, uma ferramenta que mapeia diferentes cenários e alternativas capazes de acelerar a transição de baixo carbono do setor a curto, médio e longo prazos até 2050. Com a medida, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões projetadas. Entre as alternativas propostas, o uso de matérias-primas alternativas, ou adições, representaria 69% do potencial de redução do setor, enquanto os combustíveis alternativos respondem por 13%.

O projeto foi resultado da parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e especialistas de universidades e centros tecnológicos do país. 

As alternativas propostas pelo segmento se concentraram em quatro principais pilares. O primeiro, entre as ações para acelerar a transição, está relacionado às matérias-primas alternativas, por meio de adições e substitutos de clínquer, produto intermediário do cimento como escórias siderúrgicas, cinzas volantes e fíler calcário. Os combustíveis fósseis não renováveis também seriam substituídos por alternativos, por meio da utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição. 

Medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico, constituem o terceiro pilar. O quarto pilar é desenvolvido por meio de inovações, com pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas como a captura de carbono.

Papel e celulose 

Talvez o mais representativo dos pilares da estratégia de baixo carbono da CNI, o eixo de conservação florestal se destaca pela indústria de papel e celulose, com o avanço de biotecnologia para um processo mais sustentável, e pelo investimento em concessões florestais. A indústria brasileira de árvores é responsável por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país, e o Brasil abriga nove milhões de hectares de árvores plantadas e 5,9 milhões de hectares para conservação. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), 90% da energia consumida pelo setor é renovável e 70% vêm de autoprodução.

A indústria nacional de produção de papel também é uma das que mais reciclam no Brasil, com uma média de 70% do total produzido, ainda segundo o Ibá. Outra medida sustentável do segmento foi a redução em 75% da água necessária para produzir uma tonelada de celulose, além do índice de reaproveitamento de 43%. 

A CNI defende a inclusão, em processos de concessões florestais, as terras devolutas, que hoje somam mais de 60 milhões de hectares. As áreas públicas sem destinação pelo poder público ficam mais expostas à ação de grileiros e ao desmatamento ilegal. Ao todo, são quase 30 milhões de hectares de terras federais e aproximadamente 34 milhões de hectares de áreas estaduais.

A Lei 11.284, que trata de gestão de terras públicas, é de 2006 e, de acordo com Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, o aprimoramento das regras para a concessão florestal deve contemplar modificações que reflitam aprendizados adquiridos ao longo dos últimos 15 anos. 

Indústria brasileira do cimento: compromissos ambientais e ações

O vídeo elaborado a pedido do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e destinado à COP-26 Glasgow mostra o compromisso do setor de cimento com as questões ambientais, no que tange às emissões dos gases de efeito estufa (GEE), em especial do CO2.

A indústria cimenteira nacional é referência em ecoeficiência, com a menor quantidade (2,3%) de COemitida por tonelada de cimento produzida, enquanto a média mundial está em 7%.

Além disso, a indústria tem metas ainda mais ambiciosas traçadas em seu Roadmap Tecnológico do Cimento, estudo conduzido pelo setor com renomados parceiros nacionais e internacionais e apresentado ao governo, que indica para 2050 uma redução de 55% nas já baixas emissões.

A queima de combustíveis alternativos nos fornos de cimento empregando a tecnologia do coprocessamento tem contribuído de maneira inequívoca para esses resultados tão exitosos.

Assista ao vídeo

 

Gestão e Destinação de Resíduos para Cidades Sustentáveis – Tecnologia de Coprocessamento

Por iniciativa conjunta da ABCP e do SNIC, profissionais e técnicos de órgãos ambientais de Amazonas, Bahia, Sergipe e Tocantins participaram na manhã desta quarta-feira, 26/08, do webinar “Gestão e Destinação de Resíduos para Cidades Sustentáveis – Tecnologia de Coprocessamento”. O evento, realizado em formato on-line, teve o objetivo de contribuir para o desenvolvimento técnico das equipes dos órgãos ambientais e buscar harmonização conceitual da tecnologia do coprocessamento de resíduos em fornos de clínquer, reforçando a atividade como uma alternativa adequada e complementar para a gestão de resíduos em cidades sustentáveis e inteligentes. Cerca de 35 profissionais da área participaram do encontro.

 

>> Esta foi a segunda edição do evento. Na primeira realização, ocorrida dia 18/08/2021, participaram profissionais de Alagoas, Espírito Santo, Pará, Roraima e Santa Catarina. Na ocasião, cerca de 50 profissionais estiveram presentes. Mais dois encontros serão realizados em setembro próximo, em datas ainda a ser confirmadas, com a participação de outros estados da federação.

 

Aberto pelo presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, e mediado pelo diretor de Comunicação, Hugo Rodrigues, o encontro contou com palestra do consultor Gunther André Hofstatter, da FG Serviços Ambientais, que contribuiu decisivamente para a nova Resolução Conama 499/20, que dispõe sobre o licenciamento da atividade de coprocessamento de resíduos em fornos rotativos de produção de clínquer. Cerca de 50 profissionais da área participaram do encontro.

O presidente da ABCP lembrou que, até os anos 40, o Brasil tinha menos de 20% da sua população nas cidades e essa pirâmide se inverteu significativamente, e que cada um dos 220 milhões de brasileiros produz 383 kg de resíduos domésticos por ano. “Algo que parecia distante e pouco provável já ocorre. O relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) deixa claro o impacto direto do aquecimento da atmosfera sobre a humanidade devido à emissão dos gases de efeito estufa (GEE)”, disse.   

Para Paulo Camillo, a tecnologia de coprocessamento exerce duas funções essenciais no ambiente e está plenamente inserida no conceito de economia circular, já que aproveita o poder energético dos resíduos e também elimina o passivo ambiental representado pelo acúmulo deles em aterros e lixões. “Como sabemos, a utilização de combustíveis alternativos pelo setor potencializa uma menor emissão de CO2 por substituir combustíveis fósseis tradicionais, como coque de petróleo e carvão. Os benefícios da técnica incluem a preservação de recursos naturais em matérias-primas. A redução de GEE gera empregos, a redução de lixões, a melhoria da saúde pública e o aumento da vida útil dos aterros sanitários existentes.”

CONTEÚDO

O evento de duas horas, aproximadamente, foi organizado em três módulos, que trataram de: 1) Cidades Sustentáveis e sua Conexão com o Processamento de Resíduos Sólidos; 2) Coprocessamento de Resíduos Sólidos na ótica da Indústria Cimenteira; e 3) Políticas Públicas e a base legal para execução da atividade de Coprocessamento de resíduos sólidos e conexão mundial. Ao final de cada módulo, os participantes puderam apresentar dúvidas e aprofundar o debate.

Em sua palestra, Gunther Hofstatter destacou o conceito de coprocessamento, definido por quatro vertentes: matérias-primas alternativas, combustíveis alternativos, destruição térmica de passivos e ganhos ambientais. Segundo ele, “é simplista definir o coprocessamento apenas pela substituição de matérias-primas ou uso de combustíveis alternativos. O coprocessamento é uma solução ambiental integrada”, que se oferece às políticas públicas de destinação de resíduos urbanos. “Os resíduos ocupam o quarto lugar entre as fontes emissoras de GEE no mundo e a transformação energética está em primeiro lugar. Portanto, é fantástico quando podemos atuar nessas duas frentes, como é o caso do coprocessamento”, explicou Hofstatter.

Ao tratar dos aspectos técnicos, o especialista observou que o licenciamento concedido à indústria refere-se à capacidade do forno de destruir os resíduos, ou seja à atividade, não aos materiais que serão coprocessados, e que o coprocessamento acaba impulsionando a indústria a seguir um novo e mais elevado patamar de controle das emissões”. Ele informou que já existem no país plantas industriais que coprocessam o resíduo sólido urbano (RSU), assim como plantas de preparo de RSU. “O que precisamos agora é ampliar essas atividades”, concluiu.

Para o presidente da ABCP, “devemos erradicar a ideia de ser um dos países que ainda enterram energia. Esperamos que haja aqui uma troca de muito conhecimento técnico e sinergia, e que tenhamos o sentimento de que a transformação virá a partir dos nossos próprios atos. A união de esforços de todos aqui presentes é um marco para continuarmos seguindo em uma agenda tão importante como esta. Ou seja, uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição de resíduos em aterros”.

Pavimento de concreto emite menos CO2

Estrada Cimesa. Foto: JR Ramos

 

O Banco Mundial aponta que existem quase 45 milhões de quilômetros de rodovias pavimentadas no planeta – a maioria em asfalto. Isso levou o Centro de Sustentabilidade do Concreto do MIT (do inglês, Concrete Sustainability Hub [CSHub]) a medir o impacto ambiental causado pelo tráfego constante dos veículos sobre as estradas. A conclusão do trabalho no Massachusetts Institute of Technology (MIT) revela por que o pavimento de concreto é mais amigo do meio ambiente em comparação ao asfalto.

O estudo, publicado no Journal of Cleaner Production, constatou que, no asfalto, o efeito chamado de interação pavimento-veículo libera maior volume de CO2 na atmosfera. Outra observação é que a deflexão do asfalto leva os veículos a consumirem mais combustível. “A qualidade do pavimento impacta no desempenho dos veículos e na capacidade de economizarem combustível, ou seja, ao longo de seu ciclo de vida o pavimento influencia para uma pegada maior ou menor de carbono”, deduz o estudo.

O relatório do CSHub ainda faz a seguinte análise: “Ao estudar todas as etapas da vida de uma estrada, usando uma técnica chamada de avaliação do ciclo de vida do pavimento, fica claro que o impacto ambiental de um pavimento não termina com a construção. De fato, há emissões significativas associadas ao asfalto durante sua vida operacional, em comparação ao concreto”. A pesquisa ressalta que as maiores diferenças entre o pavimento flexível e o rígido se dão quando os caminhões estão nas rodovias. (…)

O Centro de Sustentabilidade do Concreto do MIT analisou pavimentos em quatro estados dos Estados Unidos, com diferentes climas: Missouri, Arizona, Colorado e Flórida. Dentro de cada zona climática, foram estudados diferentes níveis de tráfego. A pesquisa concluiu que nas estradas avaliadas aeconomia de combustívelseria de 3,8 bilhões de litros em cinco anos, caso houvesse somente pavimento de concreto, em vez de pavimento de asfalto.

Leia a reportagem completa no site Massa Cinzenta*

* Matéria do jornalista Altair Santos (MTB 2330) com base no estudo do Concrete Sustainability Hub (CSHub) do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Mapeamento Tecnológico do Cimento 2050

O debate sobre mudanças climáticas é questão importante para a indústria de cimento, uma vez que a emissão de COé inerente ao seu processo de produção. Conhecer a projeção de emissões setoriais a médio e longo prazo e seu respectivo potencial de redução é essencial para avançar na direção de uma economia de baixo carbono.

Mas o Mapeamento Tecnológico do Cimento é apenas uma das iniciativas da indústria em defesa do meio ambiente. Ao seu lado está a adoção do coprocessamento de resíduos industriais, que contribui para preservar recursos não renováveis, reduzir o impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e diminuir o passivo ambiental dos aterros.

Roadmap Brazil

Atentos a isso, a ABCP e o SNIC propuseram o desenvolvimento do Projeto Cement Technology Road Map Brazil 2050 em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Cement Sustainability Initiative (CSI), do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). Assim, a indústria brasileira de cimento iniciou em fins de 2014 um roteiro com o desafio de encontrar soluções para reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono, que já são as mais baixas do mundo.

No caso particular da indústria brasileira de cimento, a combinação de várias ações, algumas iniciadas há décadas, outras mais recentemente, ajudou a posicionar o setor brasileiro de cimento entre os mais eficazes em termos e emissão de CO2por tonelada de cimento produzido, de acordo com a CSI.

O objetivo do estudo abordado pelo Roadmap é traçar a projeção do total das emissões provenientes da produção de cimento, identificando as principais alternativas para reduzir essas emissões e minimizar o impacto do setor nas mudanças climáticas. As propostas de alternativas de redução que estão em andamento são focadas em quatro pilares:

  • eficiência energética
  • combustíveis alternativos
  • substitutos de clínquer
  • captura e armazenamento de carbono

Os estudos estão sendo preparados por uma equipe de renomados especialistas das principais universidades e centros técnicos no Brasil, proporcionando, além do conhecimento internacional, uma visão geral das características, limitações e potencialidades locais. Para cada uma das quatro propostas estão sendo considerados:

  • ► Cenário atual das alternativas: investigação das principais alternativas de redução, sua disponibilidade, disposição geográfica etc.
  • ► Cenário futuro das alternativas: projeção de crescimento potencial e disposição geográfica destas principais alternativas e estimativa das emissões evitadas etc.
  • ► Inovação: perspectivas de novas alternativas de redução e inovações tecnológicas em relação às já existentes.
  • ► Barreiras: principais barreiras (geográficas, técnicas, econômicas, legais, sociais, políticas etc.) que possam limitar o crescimento das alternativas abordadas.
  • ► Recomendações: desenvolvimento de série de recomendações para todas as partes interessadas (indústria, governo, academia, sociedade), para ajudar a superar as barreiras acima e fomentar essas alternativas.

Os resultados e conclusões dos documentos técnicos estão previstos para 2019, juntamente com os modelos de projeção e redução de emissões, executados por especialistas da IEA.