Indústria brasileira do cimento na COP30

No momento em que o mundo todo se volta à COP30, conferência que reúne em Belém-PA delegações de 194 países para debater as mudanças climáticas, a indústria brasileira do cimento demonstra que é possível promover o crescimento econômico com sustentabilidade, responsabilidade ambiental e inclusão social. Durante os 12 dias da cúpula do clima (10 a 21/11), a ABCP e o SNIC participarão de quatro eventos que trazem ao debate questões prioritárias ao Brasil e ao planeta, como descarbonização e economia circular.

 

Descarbonização da indústria energointensiva

Na sexta-feira, 14, o Presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camilo Penna, participou no estande da Confederação Nacional da Indústria do Painel CNI – Descarbonização da indústria energointensiva, ao lado de outras lideranças: Adriano Scarpa (indústria florestal), Janaina Donas (alumínio), André Passos (química) e Priscila Cardoso (aço). O debate teve como moderador o Superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

Setores como alumínio, aço, cimento, vidro, químico e papel e celulose são pilares do desenvolvimento nacional, mas também estão entre os mais impactados pelas exigências de redução de emissões de gases de efeito estufa. É essencial compreender como essas cadeias produtivas podem se adaptar, mantendo competitividade e garantindo segurança operacional, ao mesmo tempo em que contribuem para a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira. O objetivo do painel, portanto, foi debater caminhos para acelerar a descarbonização das indústrias, identificando desafios, oportunidades e soluções colaborativas entre governo e setor produtivo.

 

Roadmap Net Zero e descarbonização (vantagens regionais)

No sábado, 15, o Painel COP30 – Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira apresentou oficialmente a versão atualizada do Roadmap do Cimento, lançado em 2019 e agora focado não apenas nas emissões do processo produtivo, mas no ciclo de vida completo do cimento, incluindo seu uso na cadeia da construção civil, e as potencialidades das remoções florestais e soluções baseadas na natureza (SbN). A iniciativa tem como meta atingir a neutralidade de carbono até 2050. O Roadmap Net Zero integrou os 140 painéis selecionados entre mais de 1250 projetos submetidos à avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

É importante lembrar que o Brasil está entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2por tonelada de cimento, enquanto a média global é de 610 kg de CO2 por tonelada. Este nível de emissão é resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos pela indústria nacional. O compromisso brasileiro com o meio ambiente, que começou em 1990, está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).

O painel teve uma apresentação da Agenda de Descarbonização do Cimento e do Roadmap Net Zero, por Gonzalo Visedo (Head de Sustentabilidade do SNIC), e um debate moderado por Stefania Relva (Diretora Instituto E+), com participação de Paulo Camillo Penna (Presidente ABCP/SNIC), Thomas Guillot (CEO GCCA) e Clovis Zapata (Country Representative UNIDO/Brazil).

Ainda no dia 15, no estande UNIDO, a ABCP e o SNIC participaram do painel Financiamento e Vantagens Produtivas Regionais para a Descarbonização Industrial.

Circularidade na indústria: caminhos para descarbonizar setores hard-to-abate

No dia 20, véspera do encerramento da COP30, no Pavilhão da ABDI, a descarbonização industrial voltou à pauta no Painel Circularidade na Indústria: Caminhos para Descarbonizar Setores Hard-to-Abate, que reuniu lideranças industriais para discutir soluções práticas de economia circular capazes de reduzir emissões em setores de difícil mitigação (hard-to-abate).

Por meio do compartilhamento de experiências e boas práticas dos setores de alumínio, química, vidro e cimento, o painel evidenciou o papel estratégico da circularidade de materiais e de novos modelos de negócio na transição climática, além de estimular soluções conjuntas. O painel teve moderação de Davi Bomtempo (CNI) e participação, como painelistas, de Janaína Donas (ABAL), Carolina Sartori (Abiquim) e Gonzalo Visedo (SNIC).

Roadmap Net Zero da indústria brasileira do cimento é lançado na COP30

Após lançar, de forma pioneira, o maior e mais ambicioso roteiro de descarbonização na indústria de base do Brasil, a indústria brasileira do cimento atualizou sua trajetória de mitigação, por meio do Roadmap Net Zero, que foi apresentado no dia 15/11 durante a COP30. A iniciativa integrou os 140 painéis que compuseram o Pavilhão Brasil,  dos mais de 1250 projetos submetidos para avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

O painel contou com a participação de Paulo Camillo Penna (Presidente ABCP/SNIC), Thomas Guillot (CEO GCCA), Clovis Zapata (Country Representative UNIDO/Brazil), Gonzalo Visedo (Head de Sustentabilidade do SNIC), com a moderação de Stefania Relva (Diretora Instituto E+).

A indústria brasileira do cimento tem uma longa trajetória de atuação em responsabilidade ambiental, social e econômica. Pouco depois de implementar o Roadmap de mitigação do setor em 2019, renovou o compromisso com a descarbonização, lançando a proposta de neutralização de emissões até 2050. O novo Roadmap tem como base todo o ciclo de vida da cadeia do cimento apoiado no desenvolvimento de combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, captura, estocagem e uso de carbono, além de Soluções baseadas na Natureza (SbN). Todo esse mapa do caminho incorpora fortemente tecnologia e inovação, com ativa participação da academia, agências de fomento e os diversos integrantes da cadeia da construção.

 

Liderança em sustentabilidade

Em um cenário global onde a sustentabilidade se tornou premissa para o desenvolvimento, a indústria nacional demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social. Segundo dados da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA) — o maior e mais completo banco de dados de indicadores ambientais e de CO2 do setor industrial no mundo —, a produção de uma tonelada de cimento no planeta gera, em média, 610 kg de CO2. O Brasil, no entanto, se destaca por estar entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2 por tonelada, resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos. Essa liderança é fruto de uma estratégia consolidada que aposta na economia circular e na redução do impacto ambiental da produção de cimento.

A indústria brasileira do cimento é pioneira no uso de adições e subprodutos de outras cadeias produtivas, alcançando os maiores percentuais de substituição de clínquer (componente principal do cimento) do mundo. Além disso, dobrou sua participação no uso de combustíveis alternativos nos últimos 15 anos, superando 30% da matriz energética — ficando atrás apenas da União Europeia.

Biomassas como casca de arroz, caroço de açaí, cavaco de madeira e resíduos urbanos e industriais são hoje fontes significativas de energia no setor, substituindo combustíveis fósseis como o coque de petróleo. Esses avanços anteciparam em cinco anos metas previamente estabelecidas e demonstram um compromisso real com a sustentabilidade.

Esse compromisso está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), com metas até 2035. A indústria está trabalhando em estreita colaboração com o governo federal para definir metas setoriais que combinem a descarbonização com o crescimento econômico.

O Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira pode ser conferido no site.

 

Descarbonização da indústria energointensiva

Na sexta-feira, 14, a ABCP/SNIC participou ainda no estande da Confederação Nacional da Indústria do Painel CNI – Descarbonização da indústria energointensiva, ao lado de outras lideranças: Adriano Scarpa (indústria florestal), Janaina Donas (alumínio), André Passos (química) e Priscila Cardoso (aço). O debate teve como moderador o Superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

Setores como alumínio, aço, cimento, vidro, químico e papel e celulose são pilares do desenvolvimento nacional, mas também estão entre os mais impactados pelas exigências de redução de emissões de gases de efeito estufa. É essencial compreender como essas cadeias produtivas podem se adaptar, mantendo competitividade e garantindo segurança operacional, ao mesmo tempo em que contribuem para a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira. O objetivo do painel, portanto, foi debater caminhos para acelerar a descarbonização das indústrias, identificando desafios, oportunidades e soluções colaborativas entre governo e setor produtivo.