Rumo à transição energética

Daniel Mattos, gerente de Coprocessamento da ABCP, concedeu uma entrevista ao site AECweb / Construmarket sobre a utilização de resíduos sólidos como fonte de energia alternativa para a produção de cimento, alternativa que se tornou ainda mais oportuna com a guerra entre Rússia e Ucrânia. 

Embora a substituição térmica seja um objetivo conhecido da indústria, essa transição acelerou-se recentemente. “De acordo com o Roadmap Tecnológico do Cimento, para 2020 (base mais atual), tínhamos projetado uma substituição térmica de 22% na matriz energética, porém o percentual real alcançado foi de 28%”, explicou Mattos. 

Veja a íntegra da entrevista no site AECweb / Construmarket 

 

Atlas de Recuperação Energética incentiva parcerias com o setor privado na gestão dos resíduos sólidos

Ferramenta integra o SINIR+, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, e tem o apoio da indústria do cimento para garantir uma destinação mais sustentável ao lixo urbano

A busca por alternativas sustentáveis para a destinação das mais de 82 milhões de toneladas de resíduos urbanos gerados no Brasil somente em 2021 é um desafio para o poder público e toda a sociedade. Diante do aumento expressivo da produção de lixo, agravado pela pandemia da Covid-19, a busca por soluções para transformar o problema dos resíduos e lixões em oportunidade de geração de energia nunca foi tão urgente.

Para contribuir com a gestão de resíduos sólidos, a ABCP integra uma das frentes previstas pelo programa Lixão Zero, o Atlas de Recuperação Energética, que faz parte da nova versão do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos, o SINIR+. Lançada na quarta-feira (13/4), pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ferramenta mapeia as regiões com maior potencial de aproveitamento do lixo para geração de energia e traz informações interativas e painéis que detalham a gestão dos resíduos sólidos em todo o País.

O desenvolvimento do Atlas de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos é parte de um acordo assinado pelo MMA junto com a ABCP e demais integrantes da Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER). Fruto de um amplo trabalho de dois anos, o esforço em conjunto com as associações é de extrema importância para auxiliar no esforço governamental de colocar a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática e atender ao Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê a universalização dos serviços de saneamento até 2033 e o encerramento dos lixões até o final de 2024, priorizando a reciclagem e o reaproveitamento dos resíduos.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), recém-publicado pelo governo, traz diretrizes, estratégias, ações e metas para modernizar a gestão de resíduos sólidos no país, de forma a colocar em prática os objetivos previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei n° 12.305, de 2010. O novo dispositivo prevê o aumento crescente da recuperação de resíduos, estabelecendo uma meta de 50% de aproveitamento em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado passará a ser valorizado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética (coprocessamento), o que representa um grande avanço se comparado ao cenário atual em que apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos são recuperados.

A indústria de cimento, por exemplo, é um dos segmentos com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo urbano não reciclável. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno – que transforma argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento.

Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP

 

“O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, de recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento atuamos na redução das emissões de CO2, através do uso de diversas tipologias de resíduos e, mais recentemente, destaca-se a utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), em substituição ao coque de petróleo, que é o combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento. O acordo traz um enorme potencial para ampliar as discussões e achar alternativas viáveis para que os investimentos necessários para uma destinação ambientalmente mais adequada ocorram na cadeia como um todo, trazendo, portanto, benefícios concretos ao meio ambiente e à sociedade” diz o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna.

 

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 28% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais inadequados quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, finaliza o presidente da ABCP.

COP-26: indústria brasileira se destaca por pioneirismo 

Foto: indústria do cimento utiliza combustíveis alternativos para a produção, como resíduos e pneus (Divulgação)

 

Iniciativas de empresas locais na prática de economia de baixo carbono devem atrair investimentos para diversos setores 

Por CNI – 04/11/2021 (Valor Econômico)

Os interessados em indústrias comprometidas com o meio ambiente e a sustentabilidade se sentirão tentados a demorar mais tempo no estande do Brasil na COP-26 diante de tantas novidades. Por meio da CNI, o setor apresentará ao público de Glasgow experiências empresariais bem-sucedidas, alinhadas com o projeto nacional da instituição para consolidar a economia de baixo carbono.

Dentre as iniciativas promovidas pelas empresas do setor estão o uso de matérias- primas alternativas (filler calcário, escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas, por exemplo) e combustíveis alternativos tais como biomassas, resíduos industriais, comerciais e domésticos, pneus, entre outros. Essas ações elevaram o Brasil a condição de referência global como o país que menos emite CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

A indústria de cimento brasileira se destaca por um processo industrial menos agressivo, já que o segmento responde por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem, mas, no Brasil, a participação cai para quase um terço da média mundial, 2,3% (dados do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal). 

A partir dessas frentes aliadas à eficiência energética e captura e estocagem de carbono, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões até 2050, evitando a emissão de 420 milhões de toneladas de CO2. Isso implicará a redução da intensidade carbônica do cimento brasileiro de 564 kg por tonelada, hoje a menor emissão global, para 375 kg por tonelada — afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). 

Net Zero 

Outro destaque em neutralização de carbono é a JBS, primeira empresa global do setor de proteína a estabelecer a meta Net Zero, com compromisso de alcançar esse objetivo até 2040. A proposta da empresa é zerar o balanço líquido das emissões de gases causadores do efeito estufa, reduzindo suas emissões diretas e indiretas e compensando todo residual até 2040. A empresa é a segunda maior empresa de alimentos do mundo e a primeira no setor de proteína. 

Empresa de produtos de limpeza ultraconcentrados sem químicos e vendidos em cápsulas retornáveis e recicláveis, a YVY oferece seus produtos não poluentes por meio de e-commerce. O comprador tem acesso a um item fabricado sem nenhum ingrediente sintético nem embalagens plásticas de uso único. Inovação na categoria economia circular, tanto no modelo de negócios quanto no processo de fabricação, e exemplo para encher os olhos dos investidores. 

No Paraná, a Federação das Indústrias (Fiep) atua junto ao governo do estado para criar uma política pública específica para economia circular e também apoia as empresas locais que se adequem à nova legislação. 

Energia limpa 

Cases de indústrias que utilizam fontes renováveis de geração de energia reforçam a adesão do setor à transição energética na indústria brasileira. A Aperam South America e a sua subsidiária, a Aperam BioEnergia, produtora de aço, são as únicas do segmento no mundo a utilizar apenas carvão vegetal como combustível, tendo como resultado o Aço Verde Aperam. 

Já a Fibertex, que investe em fibras recicladas de garrafas PET, usa energia proveniente 100% de fonte renovável e tem um sistema de energia fotovoltaica para a área do escritório administrativo, sustentável em diferentes etapas produtivas. 

Produção de cimento 

A indústria do cimento brasileira desenvolveu o Roadmap Tecnológico do Cimento, uma ferramenta que mapeia diferentes cenários e alternativas capazes de acelerar a transição de baixo carbono do setor a curto, médio e longo prazos até 2050. Com a medida, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões projetadas. Entre as alternativas propostas, o uso de matérias-primas alternativas, ou adições, representaria 69% do potencial de redução do setor, enquanto os combustíveis alternativos respondem por 13%.

O projeto foi resultado da parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e especialistas de universidades e centros tecnológicos do país. 

As alternativas propostas pelo segmento se concentraram em quatro principais pilares. O primeiro, entre as ações para acelerar a transição, está relacionado às matérias-primas alternativas, por meio de adições e substitutos de clínquer, produto intermediário do cimento como escórias siderúrgicas, cinzas volantes e fíler calcário. Os combustíveis fósseis não renováveis também seriam substituídos por alternativos, por meio da utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição. 

Medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico, constituem o terceiro pilar. O quarto pilar é desenvolvido por meio de inovações, com pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas como a captura de carbono.

Papel e celulose 

Talvez o mais representativo dos pilares da estratégia de baixo carbono da CNI, o eixo de conservação florestal se destaca pela indústria de papel e celulose, com o avanço de biotecnologia para um processo mais sustentável, e pelo investimento em concessões florestais. A indústria brasileira de árvores é responsável por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país, e o Brasil abriga nove milhões de hectares de árvores plantadas e 5,9 milhões de hectares para conservação. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), 90% da energia consumida pelo setor é renovável e 70% vêm de autoprodução.

A indústria nacional de produção de papel também é uma das que mais reciclam no Brasil, com uma média de 70% do total produzido, ainda segundo o Ibá. Outra medida sustentável do segmento foi a redução em 75% da água necessária para produzir uma tonelada de celulose, além do índice de reaproveitamento de 43%. 

A CNI defende a inclusão, em processos de concessões florestais, as terras devolutas, que hoje somam mais de 60 milhões de hectares. As áreas públicas sem destinação pelo poder público ficam mais expostas à ação de grileiros e ao desmatamento ilegal. Ao todo, são quase 30 milhões de hectares de terras federais e aproximadamente 34 milhões de hectares de áreas estaduais.

A Lei 11.284, que trata de gestão de terras públicas, é de 2006 e, de acordo com Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, o aprimoramento das regras para a concessão florestal deve contemplar modificações que reflitam aprendizados adquiridos ao longo dos últimos 15 anos. 

Indústria brasileira do cimento: compromissos ambientais e ações

O vídeo elaborado a pedido do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e destinado à COP-26 Glasgow mostra o compromisso do setor de cimento com as questões ambientais, no que tange às emissões dos gases de efeito estufa (GEE), em especial do CO2.

A indústria cimenteira nacional é referência em ecoeficiência, com a menor quantidade (2,3%) de COemitida por tonelada de cimento produzida, enquanto a média mundial está em 7%.

Além disso, a indústria tem metas ainda mais ambiciosas traçadas em seu Roadmap Tecnológico do Cimento, estudo conduzido pelo setor com renomados parceiros nacionais e internacionais e apresentado ao governo, que indica para 2050 uma redução de 55% nas já baixas emissões.

A queima de combustíveis alternativos nos fornos de cimento empregando a tecnologia do coprocessamento tem contribuído de maneira inequívoca para esses resultados tão exitosos.

Assista ao vídeo

 

Gestão e Destinação de Resíduos para Cidades Sustentáveis – Tecnologia de Coprocessamento

Por iniciativa conjunta da ABCP e do SNIC, profissionais e técnicos de órgãos ambientais de Amazonas, Bahia, Sergipe e Tocantins participaram na manhã desta quarta-feira, 26/08, do webinar “Gestão e Destinação de Resíduos para Cidades Sustentáveis – Tecnologia de Coprocessamento”. O evento, realizado em formato on-line, teve o objetivo de contribuir para o desenvolvimento técnico das equipes dos órgãos ambientais e buscar harmonização conceitual da tecnologia do coprocessamento de resíduos em fornos de clínquer, reforçando a atividade como uma alternativa adequada e complementar para a gestão de resíduos em cidades sustentáveis e inteligentes. Cerca de 35 profissionais da área participaram do encontro.

 

>> Esta foi a segunda edição do evento. Na primeira realização, ocorrida dia 18/08/2021, participaram profissionais de Alagoas, Espírito Santo, Pará, Roraima e Santa Catarina. Na ocasião, cerca de 50 profissionais estiveram presentes. Mais dois encontros serão realizados em setembro próximo, em datas ainda a ser confirmadas, com a participação de outros estados da federação.

 

Aberto pelo presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, e mediado pelo diretor de Comunicação, Hugo Rodrigues, o encontro contou com palestra do consultor Gunther André Hofstatter, da FG Serviços Ambientais, que contribuiu decisivamente para a nova Resolução Conama 499/20, que dispõe sobre o licenciamento da atividade de coprocessamento de resíduos em fornos rotativos de produção de clínquer. Cerca de 50 profissionais da área participaram do encontro.

O presidente da ABCP lembrou que, até os anos 40, o Brasil tinha menos de 20% da sua população nas cidades e essa pirâmide se inverteu significativamente, e que cada um dos 220 milhões de brasileiros produz 383 kg de resíduos domésticos por ano. “Algo que parecia distante e pouco provável já ocorre. O relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) deixa claro o impacto direto do aquecimento da atmosfera sobre a humanidade devido à emissão dos gases de efeito estufa (GEE)”, disse.   

Para Paulo Camillo, a tecnologia de coprocessamento exerce duas funções essenciais no ambiente e está plenamente inserida no conceito de economia circular, já que aproveita o poder energético dos resíduos e também elimina o passivo ambiental representado pelo acúmulo deles em aterros e lixões. “Como sabemos, a utilização de combustíveis alternativos pelo setor potencializa uma menor emissão de CO2 por substituir combustíveis fósseis tradicionais, como coque de petróleo e carvão. Os benefícios da técnica incluem a preservação de recursos naturais em matérias-primas. A redução de GEE gera empregos, a redução de lixões, a melhoria da saúde pública e o aumento da vida útil dos aterros sanitários existentes.”

CONTEÚDO

O evento de duas horas, aproximadamente, foi organizado em três módulos, que trataram de: 1) Cidades Sustentáveis e sua Conexão com o Processamento de Resíduos Sólidos; 2) Coprocessamento de Resíduos Sólidos na ótica da Indústria Cimenteira; e 3) Políticas Públicas e a base legal para execução da atividade de Coprocessamento de resíduos sólidos e conexão mundial. Ao final de cada módulo, os participantes puderam apresentar dúvidas e aprofundar o debate.

Em sua palestra, Gunther Hofstatter destacou o conceito de coprocessamento, definido por quatro vertentes: matérias-primas alternativas, combustíveis alternativos, destruição térmica de passivos e ganhos ambientais. Segundo ele, “é simplista definir o coprocessamento apenas pela substituição de matérias-primas ou uso de combustíveis alternativos. O coprocessamento é uma solução ambiental integrada”, que se oferece às políticas públicas de destinação de resíduos urbanos. “Os resíduos ocupam o quarto lugar entre as fontes emissoras de GEE no mundo e a transformação energética está em primeiro lugar. Portanto, é fantástico quando podemos atuar nessas duas frentes, como é o caso do coprocessamento”, explicou Hofstatter.

Ao tratar dos aspectos técnicos, o especialista observou que o licenciamento concedido à indústria refere-se à capacidade do forno de destruir os resíduos, ou seja à atividade, não aos materiais que serão coprocessados, e que o coprocessamento acaba impulsionando a indústria a seguir um novo e mais elevado patamar de controle das emissões”. Ele informou que já existem no país plantas industriais que coprocessam o resíduo sólido urbano (RSU), assim como plantas de preparo de RSU. “O que precisamos agora é ampliar essas atividades”, concluiu.

Para o presidente da ABCP, “devemos erradicar a ideia de ser um dos países que ainda enterram energia. Esperamos que haja aqui uma troca de muito conhecimento técnico e sinergia, e que tenhamos o sentimento de que a transformação virá a partir dos nossos próprios atos. A união de esforços de todos aqui presentes é um marco para continuarmos seguindo em uma agenda tão importante como esta. Ou seja, uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição de resíduos em aterros”.

Sustentabilidade e Inovação: questão de competitividade

Economia circular, precificação de carbono, mitigação de CO2 e investimentos em ESG são conceitos e tendências mundiais que vieram para ficar

Por Paulo Camillo Penna*
Publicado originalmente em Concrete Digital 

Economia circular, precificação de carbono, mitigação de CO2 e, mais recentemente, investimentos em ESG (ambiental, social e governança, em inglês) são conceitos e tendências mundiais que vieram para ficar e as empresas que melhor se adaptarem terão mais competitividade, trazendo benefícios para toda a sociedade.

A indústria do cimento brasileira, nesse sentido, sempre caminhou lado a lado com a sustentabilidade, inovando e investindo, historicamente, em medidas que diminuam os impactos ambientais das operações.

Em virtude destes esforços que vêm sendo realizados há anos, a indústria nacional registra – desde o início da contabilização de emissões em 1990 até hoje – os menores níveis mundiais de emissão de CO2 por tonelada de cimento produzido, de acordo com dados internacionais da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês). E é justamente na busca por soluções para reduzir ainda mais a ‘pegada’ de carbono que a atividade do cimento vem constantemente se aprimorando.

Com o objetivo de acelerar a transição do setor rumo a uma economia de baixo carbono, a indústria do cimento brasileira, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC) do Banco Mundial e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) – além de um grupo de renomados acadêmicos de importantes universidades brasileiras – lançou, em 2019, o Roadmap Tecnológico do Cimento.

Este projeto, um dos mais ambiciosos do setor nos últimos anos, analisa e propõe uma série de medidas de redução de emissões a médio e longo prazos. Assim, mesmo sendo aquela que obteve os melhores resultados na mitigação das emissões nas últimas décadas, a indústria nacional apresenta, por meio de seu Roadmap, metas ainda mais desafiadoras para o futuro: reduzir em 33% a ‘pegada’ de carbono até 2050, evitando a emissão de cerca de 420 milhões de toneladas de CO2 até lá. Entre as principais iniciativas para isso estão elevar o uso de adições e substitutos de clínquer de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos, dos atuais 23% para 55%.

Com relação às adições, um divisor de águas foi, certamente, a atualização das normas de cimento da ABNT – defasadas em quase 30 anos – que foram recentemente revisadas e adequadas aos mais modernos padrões internacionais. Um grupo representado por produtores de cimento, consumidores, entidades governamentais e privadas, universidades, entre outros, conseguiu criar as regras para um cimento mais verde, com teores mais altos de adições e sem perda do alto patamar de qualidade já atingido. E a indústria brasileira do cimento já produz com este novo padrão, contribuindo ainda mais para a redução de suas emissões.

Já no que diz respeito aos combustíveis alternativos, o setor deu um importante salto a partir da publicação, em 2020, da nova Resolução CONAMA, que dispõe sobre o Coprocessamento de Resíduos em fornos de cimento. Esta nova norma substitui a anterior, em vigor por mais de vinte anos. Com a modernização da resolução, o setor segue a passos largos rumo à redução da ‘pegada’ de carbono, uso sustentável de recursos naturais e em linha com os conceitos mais atuais de economia circular.

Presente no Brasil desde o final da década de 90 – e na Europa há pelo menos 20 anos – a tecnologia de coprocessamento constitui, ainda, uma das soluções para o problema de disposição ambientalmente adequada de resíduos, infelizmente não atendida pela maior parte dos municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Um grande marco para o país, neste sentido, aconteceu em 2019, quando o setor cimenteiro passou a coprocessar – além dos resíduos industriais há muito utilizados – resíduos sólidos urbanos. Importante ressaltar que, até 2030, o setor pretende coprocessar cerca de 2,5 milhões de toneladas/ano deste tipo de resíduo, contribuindo diretamente para a erradicação dos lixões nas cidades e para significativa ampliação da vida útil de aterros sanitários.

Com o objetivo maior de atender à demanda por cimento para a construção das necessidades habitacionais e de infraestrutura do país, investir em inovação e sustentabilidade é questão de competitividade para o setor, ainda mais em um mundo em rápida transformação. Os caminhos a serem percorridos para continuar liderando este processo são desafiadores. Mas faz parte do DNA da indústria do cimento vencer desafios.

 

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* Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, possui vivência de mais de 30 anos em altos cargos executivos no setor público, empresas e entidades nacionais representativas de diversos segmentos, tais como: Presidente da Fundação TV Minas – Cultural e Educativa de Minas Gerais, Diretor da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (ABRALATAS), Diretor e, posteriormente, Vice-Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (SINFERBASE), Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e Vice-Presidente do Grupo AES Brasil. Integrante de conselhos e fóruns empresariais no País e no exterior como membro titular do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) e do Conselho de Assuntos Legislativos (COAL) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), membro convidado do World Economic Forum (WEF), membro titular do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (DECONCIC), entre outros. Eleito Diretor da FIESP para o triênio 2018 – 2020. Tem ativa participação na mídia nacional e internacional.

Reaproveitamento de resíduos para minimizar o impacto ambiental

No Dia Internacional da Reciclagem, 17/05, Daniel Mattos, head de Coprocessamento e Sustentabilidade da ABCP, fala à Rádio Cidade em Dia, de Criciúma-SC, sobre o reaproveitamento de resíduos para minimizar o impacto ambiental.

Confira: