Paredes de Concreto ganham espaço e transformam o mercado da construção no Brasil

O sistema construtivo Paredes de Concreto tem avançado de forma acelerada no Brasil, e se consolidado como a principal solução para habitação em larga escala. A tecnologia, que ganhou força com os programas habitacionais do governo federal, combina rapidez de execução, menor custo e maior qualidade nas edificações.

A ABCP foi protagonista nesse processo, promovendo missões técnicas internacionais, criando o programa “Paredes de Concreto” e liderando a elaboração da norma ABNT NBR 16055, publicada em 2012 e revisada em 2022. A entidade também tem desempenhado papel estratégico ao oferecer cursos online, treinamentos in company, apoio técnico na viabilidade do sistema e a formação de montadores de paredes de concreto.

Dentre os principais benefícios do sistema construtivo estão: alta produtividade, com obras concluídas em prazos menores; redução de custos, graças ao uso otimizado da mão de obra e ao menor desperdício de materiais; qualidade estrutural e maior planejamento, que torna o processo competitivo e bem controlado.

Essas características vêm atraindo tanto empreendimentos populares quanto projetos voltados à classe média e até de alto padrão em grandes cidades, onde a escassez de mão de obra especializada tem sido um desafio.

 

Nordeste

No Ceará, o sistema é destaque do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), especialmente no Cariri, com aplicação em casas térreas e edifícios de quatro pavimentos. A tecnologia chegou a prédios de mais de 12 andares em Fortaleza, incluindo empreendimentos na Praia do Futuro. Na Bahia, o MCMV segue em ritmo acelerado, com destaque para os grandes condomínios, que somam quase 11 mil unidades em um novo bairro.

A tecnologia alcançou patamares ainda mais altos em Pernambuco: além de sua utilização em projetos habitacionais, está sendo aplicada em edifícios com mais de 30 pavimentos. O programa Morar Bem Pernambuco – Entrada Garantida fortalece esse movimento ao apoiar famílias de baixa renda.

No Rio Grande do Norte, o uso é expressivo em Mossoró, voltado principalmente para casas térreas. E o Estado do Piauí começa a implantar o sistema em empreendimentos do segmento econômico.

 

Centro-Oeste

No Distrito Federal, a Parede de Concreto foi o sistema construtivo escolhido no Alto Mangueiral, um bairro planejado com mais de 7 mil unidades que está sendo construído para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab). Há ainda empreendimentos menores em Samambaia que utilizam a tecnologia.

No Mato Grosso do Sul, a ABCP e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) realizaram mais um evento que reuniu 300 participantes para capacitar construtoras de Campo Grande. ​Essa iniciativa impulsiona o uso do sistema na região, que agora é adotado em diversos projetos, desde edifícios para a classe média até casas populares, como as 600 moradias que a empresa Arauco construirá para seus futuros funcionários da nova fábrica de papel e celulose.

 

Sul

O desastre natural causado pelas fortes chuvas e inundações no Rio Grande do Sul não apenas evidenciou a vulnerabilidade climática da região, mas também abriu espaço para a consolidação de sistemas construtivos mais rápidos e industrializados. Nesse contexto, a tecnologia das paredes de concreto moldadas in loco foi uma das soluções mais viáveis, permitindo erguer conjuntos habitacionais em menor tempo, com qualidade e durabilidade. No Estado, o método construtivo foi usado na construção de 500 unidades habitacionais no Loteamento Novo Passo, em Cruzeiro do Sul, e em 100 casas no Residencial Renascer, em Estrela e em Lajeado.

A Prefeitura de Lajeado assinou em julho, junto ao Governo Federal e à empresa responsável pela obra, a ordem de início da construção de 102 casas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – Calamidade, que terá como sistema construtivo as paredes de concreto.

Outro exemplo marcante vem de Cruzeiro do Sul-RS, município de aproximadamente 10 mil habitantes no Vale do Taquari, que recentemente aprovou a construção de 500 unidades habitacionais em paredes de concreto. Número bastante expressivo para a realidade local: trata-se do maior empreendimento habitacional da história do município e também da primeira vez que a prefeitura aprova obras com esse sistema construtivo.

Venda de cimento cai em maio pressionada por enchentes no Sul

O desastre natural causado pelas fortes chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul afetaram as vendas cimento no mês de maio. Em termos nominais foram comercializadas 5,3 milhões de toneladas, uma queda de 5,6% em comparação ao mesmo mês do ano passado. A comercialização do produto no acumulado dos cinco primeiros meses do ano somou 25,2 milhões de toneladas, um ligeiro aumento de 0,8%. A tragédia ambiental no Rio Grande do Sul influenciou também na queda da confiança do consumidor, diante dos impactos nas condições de vida dos cidadãos e incertezas em relação à economia local.

Apesar do índice de confiança da construção ter apresentado retomada em maio, disseminada pelos três grandes segmentos de atividade: Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados, será necessário acompanhar os efeitos secundários do desastre gaúcho nos próximos meses. O processo de reconstrução pode realçar a dificuldade na contratação de mão de obra qualificada.

A confiança da indústria continua avançando. A percepção sobre a demanda continua melhorando gradualmente, com os estoques se aproximando da normalidade. Há uma percepção positiva do ambiente de negócios para o segundo semestre, com o aquecimento no mercado de trabalho e alta da massa salarial.

Porém, cabe ressaltar que o índice não captou a danosa publicação da Medida Provisória nº 1.227, no dia 4 de junho, cujo efeito impacta diretamente a competitividade da indústria e o fluxo de caixa das empresas, pois limita e impossibilita a compensação de créditos tributários de PIS/COFINS. Essa medida vem na contramão das premissas do governo, prevista no programa Nova Indústria Brasil.

No entanto, ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 0,8% no primeiro trimestre de 2023 em relação ao trimestre anterior, a Construção caiu 0,5% em igual período, resultado da taxa de juros ainda elevada, que desafia o setor e traz reflexos diretos tanto para os financiamentos, quanto para os investimentos produtivos e no consumo da população.

Ação do fogo nas estruturas de concreto

A palestra do dr. Carlos Britez busca conceituar os temas mais importantes sobre o comportamento do concreto em situação de incêndio por meio de estudos de caso.

A proposta é elucidar e propor as melhores práticas em proteção passiva contra incêndio em elementos de concreto nos edifícios passíveis de reformas e/ou retrofits, os quais necessitam se adequar a normalização vigente.

Assista à palestra: