Indústria do cimento avança na descarbonização

Presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, concede entrevista à CNN Brasil e explica que a indústria brasileira do cimento tem trabalhado, nas últimas décadas, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e alcançar a neutralidade do carbono. “Vamos evitar a emissão de 420 milhões de toneladas de CO2”, disse. Para isso, a indústria tem ampliado os investimentos em combustíveis alternativos (resíduos e biomassas), em substituição ao combustível fóssil (coque de petróleo).

 

Acompanhe a entrevista:

Indústria do cimento contribuirá para destinação sustentável do lixo na região metropolitana de BH

Os principais representantes da cadeia produtiva do cimento estiveram reunidos nesta terça-feira (5) com autoridades do poder público local, estadual, especialistas internacionais e governo federal, para apresentação do programa de cooperação regional Euroclima+, que tem como objetivo promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e resiliente na América Latina.

O encontro, realizado no Hotel San Diego Veredas Sete Lagoas, no município de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi organizado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), empresa federal alemã que atua na cooperação técnica com diversos países e regiões geográficas.

Por meio do Programa Euroclima+, a GIZ coordena a implementação da ação no Brasil, visando apoiar a transformação sustentável do setor industrial brasileiro. A iniciativa tem apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Governo de Minas Gerais, do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC) e da ABCP.

Durante o encontro, buscou-se estabelecer uma estratégia de desenvolvimento sustentável inspirada nos princípios do “Acordo Verde” da União Europeia, com foco na criação de mecanismos e uma nova rota tecnológica para o tratamento e valorização de resíduos urbanos domésticos.

O objetivo deste trabalho é priorizar a reciclagem com inclusão, fortalecendo a atuação das cooperativas de catadores da região metropolitana de Belo Horizonte, contribuindo para um maior reaproveitamento dos resíduos, resultando na redução consequente das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

“Essa abordagem não apenas assegurará plena conformidade com as normativas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 e o Novo Marco do Saneamento, publicado em 2020, mas também desempenhará um papel significativo na redução das emissões de carbono na indústria do cimento brasileira até 2050. Além disso, fortalecerá a cooperação necessária entre os setores público e privado, buscando soluções mutuamente benéficas”, afirmou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna.

A iniciativa visa estabelecer diretrizes para a viabilidade desse processo, estimulando a produção de combustíveis alternativos e sua destinação por meio da tecnologia de coprocessamento de resíduos em linha com a economia circular. “A ação ocorre em um local particularmente propício para a concretização de seus objetivos, devido à presença de uma indústria cimenteira robusta na área”, destacou o gerente de Coprocessamento da ABCP, Daniel Mattos. Para tanto, o projeto envolverá a colaboração de quatro fábricas de cimento estrategicamente localizadas em Sete Lagoas, Matozinhos, Pedro Leopoldo e Vespasiano e envolverá três fases de implantação.

Coprocessamento avança na indústria cimenteira

O coprocessamento, atividade responsável pela transição energética na indústria do cimento, atingiu sua melhor marca em 2022, desde o início das medições. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassas e 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período. É o que revela o Panorama do Coprocessamento 2023 (ano base 2022), divulgado em novembro pela ABCP durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi), em São Paulo.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, volume que deixou de ser destinado a aterros e foi transformado em energia ou ainda que substituiu matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade.

Com o coprocessamento, o setor mantém seu compromisso e segue atuando na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento.

Inúmeros são os exemplos de resíduos coprocessados pela indústria do cimento, como: pneus usados; resíduos da agroindústria (como palha de arroz, casca de babaçu e caroço de açaí) e mais recentemente os resíduos sólidos urbanos – lixo doméstico, na sua fração não reciclável. Só em pneus inservíveis foram coprocessados 340 mil toneladas em 2022, o que corresponde a cerca de 68 milhões de pneus.

 

Alaim De Paula – Consultor que está desenvolvendo o projeto pela GIZ

Coordenadora de Projetos Euroclima+ – GIZ

Daniel Mattos – head de Coprocessamento da ABCP

José Eduardo – CEO da Cimento Nacional

 

Informações para Imprensa

Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br
Daniela Nogueira (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

MDIC e CNI promovem “diálogo” sobre mercado de carbono

Foto: Gilberto Sousa / CNI

Indústria estruturou proposta de modelo regulado de precificação de emissões de gases de efeito estufa que pode movimentar até R$ 128 bilhões em receitas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) sediou na terça-feira, 20, o “Diálogo: O Mercado Regulado de Carbono e a Competitividade Industrial”, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com a própria CNI. O evento contou com a presença do vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, do secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg, do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e de representantes da União Europeia, do Banco Mundial e de diversas associações setoriais, dentre elas ABCP e SNIC.

Durante o encontro, o vice-presidente Geraldo Alckmin reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o desenvolvimento sustentável e apontou, como um importante passo nessa direção, a regulação do mercado de carbono. Lembrou que “o governo federal reuniu mais de 15 ministérios para a elaboração de um projeto de mercado regulado de carbono para o país e que o texto final deve ser concluído nas próximas semanas”.

Também na abertura, o presidente da CNI, Robson de Andrade, ressaltou a posição da indústria como aliada na busca de soluções para os desafios da sustentabilidade. “A indústria tem um papel fundamental na consolidação de uma economia de baixo carbono que seja, ao mesmo tempo, dinâmica e inovadora. A participação ativa da indústria na estruturação e na gestão desse novo mercado ajudará o país a ter um sistema eficiente de comércio de emissões”, declarou.

No “Diálogo”, a CNI também lançou o documento “Proposta da Indústria para o Mercado Regulado de Carbono”, que apresenta contribuições para a construção de um Sistema de Comércio de Emissões no Brasil moderno, eficiente e que preserve a competitividade ambiental e econômica da indústria nacional.

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Dia Mundial do Meio Ambiente

Indústria brasileira do cimento é referência na redução de emissões dos gases de efeito estufa

Ações levaram o Brasil a se tornar um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho de 2023, sensibilizará toda a sociedade sobre a importância de se adotar práticas sustentáveis para promover a preservação do meio ambiente às futuras gerações. A indústria do cimento está fazendo sua parte, promovendo esforços significativos para reduzir o impacto causado pela atividade. As ações levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial entre os países com a menor emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo, tendo estado à frente desse indicador em mais de 20 dos 30 anos da série histórica.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

“A agenda de carbono é o maior e mais importante compromisso com o meio ambiente já firmado pela indústria do cimento. Tanto que, há 20 anos, os maiores grupos cimenteiros do mundo se uniram para criar o que é hoje considerado o maior banco de dados de emissões de uma atividade industrial no mundo. Atualmente, esse banco de dados é abastecido por 48 empresas cimenteiras atuantes no mundo todo, cobrindo cerca de 850 unidades industriais”

(Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e da ABCP)

Mas esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáticas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Diante desse cenário, o setor tem inovado com o uso de tecnologias como o coprocessamento de combustíveis alternativos nos fornos das cimenteiras para substituição de um insumo intensivo em carbono: coque de petróleo, combustível fóssil usado na queima do calcário para se obter o clínquer, a principal matéria-prima do cimento.

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP e SNIC.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais impróprios quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, destaca o dirigente.

Coprocessamento

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados. Ademais, colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. “Com a tecnologia de coprocessamento, atuamos na redução das emissões de CO2 através do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento”, destaca o presidente da ABCP/SNIC.

A atividade do coprocessamento atingiu sua melhor marca em 2021, desde o início das medições. Foram 2.408 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 44% de combustíveis alternativos, 48% a partir de biomassas e 8% de matérias-primas alternativas, segundo o Panorama do Coprocessamento 2022 (ano base 2021), divulgado pela ABCP. (Acesso aqui o estudo)

Já são 22.778 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2021, ou seja, resíduos que deixaram de ser destinados a aterros e que foram transformados em energia ou que substituíram matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. A tecnologia já é utilizada no Brasil há mais de 25 anos em todo território nacional, contribuindo para uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição em aterros.

 

Informações para Imprensa

>> Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br

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Governo de Goiás conhece as instalações de preparo de CDR de Salto-SP

Sob coordenação da ABCP, uma missão técnica da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás visitou em maio as instalações de Triagem Mecanizada da Usina de Valorização de Resíduos Sólidos Urbanos da cidade de Salto-SP.

Inaugurada em agosto de 2020, a unidade é operada pela Corpus Saneamento e tem capacidade de triagem de mais de 100 toneladas por dia. Nela, o lixo doméstico é recebido, triado (recicláveis e orgânicos) e, na última etapa do processo, os resíduos são transformados em CDR (Combustível Derivado de Resíduos) e direcionados para o coprocessamento, como fonte energética para a indústria do cimento.

A menor disposição em aterros, transformando resíduos em recursos, é uma solução sustentável e que traz enormes ganhos ambientais e de mitigação dos gases de efeito estufa. A solução passa a ser estudada pelo Estado de Goiás e pode ser replicada em inúmeras outras regiões do nosso país.

A comitiva contou com a presença do subsecretário de Planejamento, Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, José Bento da Rocha, e da superintendente de Políticas Públicas em Saneamento do Estado, Kaoara Batista de Sá, bem como outros membros da secretaria. A ABCP foi representada por Daniel Mattos, head de Coprocessamento, e associadas: InterCement, Cristiano Ferreira, e Votorantim Cimentos, Larissa Dias.

> Saiba mais sobre a Usina de Salto.

 

Inventário de gases de efeito estufa é ferramenta importante para indústria reduzir emissões

Mecanismo permite que empresa identifique emissões e possa elaborar estratégias de mitigação, faça comparação com outras empresas e participe de iniciativas como a do mercado de carbono

Fonte: Indústria Verde

A necessidade de empresas e governos medirem e monitorarem as suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) foi um dos temas debatidos no pavilhão brasileiro durante a conferência do clima da ONU, a COP27, que chegou ao fim neste domingo, 20 de novembro. Medir as emissões, por meio de inventário, permite o mapeamento das fontes de GEEs de uma atividade, processo, organização, setor econômico, cidade, estado ou país, seguida da quantificação, monitoramento e registro de todos os dados. É uma radiografia que permite, assim, que sejam criadas estratégias para mitigar as emissões.

No âmbito federal, o Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de GEE é disponibilizado por meio do Sistema de Registro Nacional de Emissões (SIRENE), cuja responsabilidade pela implementação e manutenção foi conferida ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A disponibilização de resultados de inventários de emissões, através de suas Comunicações Nacionais, faz parte dos compromissos do Brasil como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC).

Diversas instituições públicas e privadas participam do processo de elaboração do Inventário Nacional, contribuindo com a disponibilização de dados de atividades, ou com o desenvolvimento de parâmetros e fatores de emissão nacionais, pertinentes ao exercício da metodologia a ser aplicada na elaboração dessas estimativas para o país.

“A ideia do inventário é conhecer da forma mais precisa possível as emissões. Quais são as fontes, quais gases estão sendo emitidos. Conhecendo isso, temos condições de buscar alternativas para reduzir as emissões”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima e Sustentabilidade do Ministério de Ciência e Tecnologia, Márcio Rojas.

No ambiente corporativo, esse mapeamento permite que a empresa identifique suas emissões e possa compensá-las, elabore estratégias de mitigação, compare suas emissões com as de outras empresas e ainda participe de iniciativas como a do mercado de carbono.

“O inventário engloba métodos elaborados para viabilizar uma comparabilidade entre unidades produtivas, empresas, municípios ou países”, afirmou Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “É uma ferramenta indispensável para a verificação dos compromissos e das metas estabelecidas por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) de cada país no âmbito do Acordo de Paris”, explicou Bomtempo.

Atualmente não há um banco de inventários de emissão consolidado e disponível para a indústria. Porém, diversas empresas já realizam seus inventários de emissões de GEEs e publicam em programas e iniciativas voluntárias, como o Programa Brasileiro GHG Protocol e o Carbon Disclosure Project (CDP), ou mesmo em sistemas de relato estaduais.

 

Case de sucesso: inventário e setor de cimento

O setor do cimento já realiza esse mapeamento há 20 anos de maneira organizada e, segundo dados do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), entre 1990 e 2015, houve uma redução de 20% na emissão de CO2, evitando que 125 Mt de CO2 chegassem na atmosfera.

A indústria de cimento mundial segue uma metodologia específica e unificada, chamada Getting the Numbers Right (GNR). O relatório é preenchido anualmente e enviado para a Global Cement and Concrete Association (GCCA), que gerencia essas informações e depois as torna públicas. Com base nelas, é possível fazer recortes e comparar os números no Brasil e no mundo.

“Cada planta de cada empresa aderente a esta plataforma trabalha com a mesma planilha e coloca as informações nos mínimos detalhes”, explicou Gonzalo Visedo, head de Sustentabilidade do SNIC. “Quando consolidada, essa informação permite mapear como determinada planta está evoluindo em relação a outras plantas, ver como aquela empresa está evoluindo em relação à média brasileira, como o Brasil está evoluindo em relação à média mundial e, a partir dali, é possível traçar estratégias”, resumiu Visedo.

Hoje, 80% da produção nacional se reporta ao inventário. No caso brasileiro, a indústria de cimento nacional estampa a menor média de emissão mundial. Em 2020, a média brasileira era de 565 Kg de CO2 por tonelada de cimento (referência internacional) e a mundial, 620 kg CO2/t cimento. O objetivo do setor é reduzir as emissões em mais 33%, entre 2015 e 2050, evitando assim a emissão de 420 toneladas de CO2 na atmosfera.

Para atingir esse objetivo, com ajuda do inventário de emissões, já foram identificadas quatro áreas temáticas principais que irão auxiliar nessa meta: matérias-primas alternativas, combustíveis alternativos, eficiência energética e captura de carbono. “O inventário é essencial para atingirmos a meta. A frase mais emblemática é: ‘quem não mede, não gerencia’. Conhecer é o ponto de partida. Não se consegue gerenciar nada se não se tem os números. Se não se conhece a informação, não se consegue traçar estratégias e definir potenciais de redução”, afirmou Visedo.

 

O que é o inventário nacional ponto a ponto?

• O Brasil, como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), apresenta o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE) a cada 4 anos.

• O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), por meio da atuação da Coordenação-Geral da Ciência do Clima e Sustentabilidade (CGCL), é responsável pela coordenação da elaboração do Inventário Nacional.

• Em 2020, o Brasil publicou seu mais recente Inventário Nacional, contemplado na Quarta Comunicação Nacional do país submetida à UNFCCC. A elaboração deste inventário representou um esforço coletivo e multidisciplinar, que envolveu cerca de 185 instituições e mais de 300 especialistas de todas as regiões do país.

• O relatório usa metodologia aprovada no âmbito de uma força tarefa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Essas diretrizes são atualizadas periodicamente. O último inventário nacional foi feito com base nas diretrizes de 2006.

• Com base nos inventários, o MCTI disponibiliza o Simulador Nacional de Políticas Públicas Setoriais e Emissões (SINAPSE), uma plataforma que apresenta 50 possibilidades de políticas públicas. No portal, é possível selecionar a política pública, a intensidade dessa política e o cronograma. A partir daí, a ferramenta dá uma série de informações sobre qual vai ser o impacto disso do ponto de vista da redução de emissões, qual vai ser o custo dessa política, dentre outras informações.

 

Gonzalo Visedo, head de Sustentabilidade do SNIC: “O inventário é essencial para atingirmos a meta. Quem não mede, não gerencia”. Foto: Divulgação

Indústria brasileira faz a sua parte na redução de emissões

Com uso de tecnologias mais eficientes e crescente participação de fontes renováveis na geração de energia, os processos industriais são responsáveis por apenas 6% das emissões do País

Texto e fotos: CNI

A indústria tem participação de 20,4% no PIB brasileiro. Mesmo assim, os processos industriais são responsáveis por apenas por 6% das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Boa parte da explicação para esse feito está no forte uso de fontes renováveis na geração de energia e a acelerada modernização tecnológica do parque industrial brasileiro, com máquinas e equipamentos cada vez mais eficientes e que consomem menos energia.

Enquanto a participação de renováveis na geração elétrica dos países da OCDE está em torno de 18% a 27%, no Brasil as fontes renováveis representam 83% da matriz elétrica.

“Há décadas, a sustentabilidade está na estratégia da indústria brasileira, que não só usa a matriz energética a seu favor, mas está constantemente se atualizando para aumentar sua eficiência”, explica Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para mostrar os feitos do setor em prol da transição para uma economia de baixo carbono, a CNI fez um levantamento de iniciativas e indicadores de seis setores – cimento, alumínio, vidro, papel e celulose, químico e aço –, responsáveis por 85% das emissões do setor.

“Mesmo emitindo menos CO2 equivalente na comparação com empresas de outros países, a indústria brasileira vem construindo metas cada vez mais ambiciosas”, destaca Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, responsável pelo levantamento. Confira os principais destaques do relatório:

Setor cimenteiro brasileiro é o que menos emitiu gases de efeito estufa nos últimos anos

A indústria cimenteira, globalmente, responde por cerca de 7% de todo o CO2 equivalente emitido pela ação humana. Já no Brasil, a participação do setor nas emissões nacionais é de 2,3%, cerca de um terço da média mundial.

 

As cimenteiras brasileiras são as que emitiram menor quantidade de gases de efeito estufa por tonelada de cimento produzida desde 1990, quando se iniciou a contabilização de emissões pelo setor. Enquanto a média mundial de emissão específica encontra-se hoje em cerca de 634 quilos de CO2 equivalente por tonelada de cimento, no Brasil esse valor é de 564 quilos por tonelada de cimento – ou 11% a menos.

 

O esforço de redução das emissões no setor se deve a três fatores, principalmente: uso de matérias-primas alternativas ao clínquer – chamadas de adições -, como escórias siderúrgicas, cinzas de termoelétricas e pó de calcário; uso de combustíveis alternativos, como biomassas e resíduos; e medidas de eficiência energética, ao investir em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e elétrico. Essas medidas foram responsáveis pela redução de 18% na intensidade de carbono do setor de 1990 a 2019, enquanto a produção de cimento cresceu cerca de 220%.

Mesmo sendo a que apresentou melhores resultados na redução de emissões nos últimos anos, a indústria de cimento tem metas ainda mais ambiciosas para o futuro. O setor lançou em 2019 o Roadmap Tecnológico do Cimento, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e a Corporação Financeira Internacional (IFC) – do Banco Mundial.

A meta é reduzir as emissões atuais – que já são referência internacional – em mais 33% até 2050. “Com isso evitaríamos lançar 420 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera”, prevê Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Segundo Penna, as metas da indústria cimenteira brasileira estão plenamente alinhadas às do Acordo de Paris. Entre as principais iniciativas do setor está elevar o uso de adições de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos dos atuais 23% para 55% até 2050. “Os níveis da Europa de uso de combustíveis alternativos já estão em cerca de 50% hoje”, comenta Penna.

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