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FBRER lança Guia Do Resíduo à Energia – Caminhos e Oportunidades
A ABCP, em parceria com as associações ABiogás (Biogás), Abetre (Empresas de Tratamento de Resíduos) e Abrelpe (Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), todas integrantes da FBRER (Frente Brasil para Recuperação Energética de Resíduos), lançou no último dia 9/11 o Guia “Do Resíduo à Energia – Caminhos e Oportunidades”, que aborda as tecnologias, potencial e oportunidades para a recuperação energética de resíduos no Brasil.
O lançamento ocorreu durante a 9a edição da Waste Expo Brasil (8 a 10/11), o maior e mais completo evento sobre gestão de Resíduos Sólidos da América Latina, com participação de mais de 150 empresas expositoras, representando 15 países. A cooperação entre as entidades visa apoiar institucional e tecnicamente a gestão integrada e sustentável dos resíduos sólidos e efluentes, com vistas a viabilizar a recuperação energética e promover a integração ao mercado de energias limpas e renováveis.
> Acesse aqui para obter o guia (formato digital) gratuitamente.
Atlas de Recuperação Energética incentiva parcerias com o setor privado na gestão dos resíduos sólidos
Ferramenta integra o SINIR+, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, e tem o apoio da indústria do cimento para garantir uma destinação mais sustentável ao lixo urbano
A busca por alternativas sustentáveis para a destinação das mais de 82 milhões de toneladas de resíduos urbanos gerados no Brasil somente em 2021 é um desafio para o poder público e toda a sociedade. Diante do aumento expressivo da produção de lixo, agravado pela pandemia da Covid-19, a busca por soluções para transformar o problema dos resíduos e lixões em oportunidade de geração de energia nunca foi tão urgente.
Para contribuir com a gestão de resíduos sólidos, a ABCP integra uma das frentes previstas pelo programa Lixão Zero, o Atlas de Recuperação Energética, que faz parte da nova versão do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos, o SINIR+. Lançada na quarta-feira (13/4), pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ferramenta mapeia as regiões com maior potencial de aproveitamento do lixo para geração de energia e traz informações interativas e painéis que detalham a gestão dos resíduos sólidos em todo o País.
O desenvolvimento do Atlas de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos é parte de um acordo assinado pelo MMA junto com a ABCP e demais integrantes da Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER). Fruto de um amplo trabalho de dois anos, o esforço em conjunto com as associações é de extrema importância para auxiliar no esforço governamental de colocar a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática e atender ao Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê a universalização dos serviços de saneamento até 2033 e o encerramento dos lixões até o final de 2024, priorizando a reciclagem e o reaproveitamento dos resíduos.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), recém-publicado pelo governo, traz diretrizes, estratégias, ações e metas para modernizar a gestão de resíduos sólidos no país, de forma a colocar em prática os objetivos previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei n° 12.305, de 2010. O novo dispositivo prevê o aumento crescente da recuperação de resíduos, estabelecendo uma meta de 50% de aproveitamento em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado passará a ser valorizado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética (coprocessamento), o que representa um grande avanço se comparado ao cenário atual em que apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos são recuperados.
A indústria de cimento, por exemplo, é um dos segmentos com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo urbano não reciclável. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno – que transforma argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento.
Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP
“O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, de recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento atuamos na redução das emissões de CO2, através do uso de diversas tipologias de resíduos e, mais recentemente, destaca-se a utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), em substituição ao coque de petróleo, que é o combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento. O acordo traz um enorme potencial para ampliar as discussões e achar alternativas viáveis para que os investimentos necessários para uma destinação ambientalmente mais adequada ocorram na cadeia como um todo, trazendo, portanto, benefícios concretos ao meio ambiente e à sociedade” diz o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna.
Combustíveis renováveis
O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.
“Atualmente, a matriz energética já utiliza 28% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente.
Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais inadequados quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, finaliza o presidente da ABCP.
A guerra e a transição energética na indústria do cimento

ANEEL debate oportunidades para aproveitamento de RSU
FBRER, representada por ABCP, Abetre e Abiogás, participam de painel
O aproveitamento dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) para fins energéticos esteve em pauta nesta quarta-feira, 08/12, em Brasília. Durante todo o dia, autoridades e lideranças empresariais debateram o tema no I Seminário Desafios da Geração de Energia Elétrica com Resíduos Sólidos Urbanos, promovido pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). O encontro trouxe ao debate políticas públicas, atributos e experiências internacionais com a geração de energia elétrica a partir do RSU.
Os ministros Joaquim Leite, do Meio Ambiente, e Bento Albuquerque, de Minas e Energia, abriram o encontro, que contou com a participação da FBRER (Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos), formada por quatro importantes entidades setoriais – ABCP (cimento Portland), Abetre (tratamento de resíduos e efluentes), Abiogás (produção e aproveitamento do biogás) e Abrelpe (limpeza pública). Abrelpe, Abiogás e ABCP, representada pelo presidente Paulo Camillo, participaram do painel “Atributos da geração com RSU”.
FBRER e os resíduos sólidos
O potencial de aproveitamento energético dos resíduos sólidos foi destacado por Luiz Gonzaga Alves Pereira, diretor-presidente da Abetre (Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes). Segundo ele, a geração atual de resíduos urbanos é de 82,5 milhões de toneladas/ano, sendo que 39,8% desse volume têm disposição inadequada (Panorama Abrelpe 2021). “Essa é uma preocupação, um retrato feio, mas real”, ponderou.
Paulo Camillo, presidente da ABCP, entende que o país tem avançado na questão do aproveitamento energético dos resíduos. Do ponto de vista normativo, a Resolução Conama 499/2020, que trata do licenciamento da atividade de coprocessamento, reflete uma adequação da legislação aos conceitos de economia circular, economia de baixo carbono e uso sustentável dos recursos naturais. Dados do setor, indicam que maioria das fábricas está preparada para esta atividade. Segundo ele, o Brasil precisa apenas deixar de “enterrar energia”, destacando, como exemplo positivo, o Ecoparque Pernambuco, que conseguiu erradicar 18 lixões e deve eliminar outros 13 futuramente.
O presidente da ABCP ressaltou o compromisso histórico da indústria brasileira do cimento com a pauta ambiental. Lembrou que a indústria cimenteira, globalmente, responde por cerca de 7% do CO2 equivalente emitido pela ação humana, mas no Brasil a participação do setor nas emissões nacionais é de 2,3%, cerca de um terço da média mundial. Mesmo com um resultado altamente positivo, a indústria nacional lançou em 2019 o Roadmap Tecnológico do Cimento, tendo o coprocessamento de resíduos sólidos como um dos seus pilares para reduzir ainda mais as emissões de GEE. “Com isso evitamos lançar 420 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera”.
Atlas de Recuperação Energética
O seminário foi palco também para o anúncio do Atlas de Recuperação Energética, desenvolvido pela FBRER a partir do acordo de cooperação firmado em 2021 entre a entidade e o Ministério do Meio Ambiente, visando impulsionar a recuperação energética de resíduos sólidos no país. Apresentado de forma simbólica por meio de peças impressas, o Atlas estará integrado à plataforma do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos – SINIR (https://sinir.gov.br), e ajudará a identificar, por meio digital, em multicamadas, as regiões com maior potencial para investimentos em recuperação energética de resíduos sólidos.
Interesses convergentes
O seminário mostrou a oportunidade – e a tendência – de unir as áreas de Meio Ambiente e Energia em torno do aproveitamento dos resíduos urbanos. “Diante do preço dos combustíveis fósseis e da dependência do país em relação a eles, devemos entender a geração de energia com RSU como segurança energética, acrescentou Tamar Roitman, representante da Abiogás (Associação Brasileira do Biogás). A exemplo da energia solar e eólica, “nós já alcançamos a maturidade tecnológica para isso”, acrescentou.
O ministro Joaquim Leite (MMA) lembrou que, na COP26, realizada recentemente em Glasgow, o Brasil firmou o compromisso de reduzir as emissões de metano em 30%, o que significa um enfrentamento direto aos lixões. “O MMA tem três agendas importantes e as cidades são uma delas”, disse o ministro.
Bento Albuquerque (MME), por sua vez, disse que a preocupação com o meio ambiente não é nova, já que a Política Nacional de Resíduos Sólidos é de 2010, “mas ela se efetivou agora”. André França, secretário de Qualidade Ambiental do MMA, lembrou que faltava regulamentação à PNRS, o que veio com a Portaria Interministerial MMA-MME-MDR nº 274, de 2019, que disciplina a recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos referenciados na Lei nº 12.305/2010. Na mesma época, foi publicada a Portaria MMA Nº 307, que dispõe sobre o Programa Nacional Lixão Zero, que visa fortalecer a gestão integrada dos resíduos urbanos, por meio de coleta seletiva, reciclagem, logística reversa, recuperação energética e disposição adequada dos rejeitos.
Leia mais no site do Ministério do Meio Ambiente.
Criada a FBRER – Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos
ABCP, Abetre, Abiogás e Abrelpe se unem para viabilizar soluções técnicas e operacionais em prol da destinação mais sustentável do lixo urbano no país
Com a participação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quatro importantes entidades setoriais – ABCP (cimento portland), Abetre (tratamento de resíduos e efluentes), Abiogás (produção e aproveitamento do biogás) e Abrelpe (limpeza pública) – lançaram nesta terça-feira (02/06/2020), a FBRER (Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos), que tem como objetivo impulsionar a captação de energia a partir de rejeitos depositados em aterros sanitários. A assinatura do Acordo de Cooperação para Recuperação Energética de Resíduos foi firmada pelas entidades e o MMA em uma reunião virtual da qual participaram mais de 400 pessoas.
A iniciativa é um marco histórico para os esforços de destinação mais sustentável e ambientalmente adequada dos resíduos do Brasil. O acordo de cooperação buscará, entre outras iniciativas, coordenar esforços para a remoção de barreiras regulatórias que dificultam o aproveitamento mais intenso dos resíduos. Além disso, pretende viabilizar projetos para a recuperação energética de resíduos sólidos e promover sua integração ao mercado de energias limpas e renováveis. Isso será possível com a conjugação de esforços multissetoriais para o desenvolvimento de um trabalho institucional e de estudos técnicos, com propostas conjuntas de políticas públicas para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e das estratégias de recuperação energética dos resíduos orgânicos. O trabalho das entidades, juntamente com os esforços do governo e da sociedade, fará com que as soluções sejam colocadas em prática de maneira mais rápida e com a devida sustentabilidade ao longo do tempo.
O presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, declarou que, após alguns meses de conversas, estava “extremamente satisfeito pelo lançamento da FBRER, que conjuga visões em comum entre quatro grandes associações com enorme abrangência em seus respectivos mercados no Brasil”. Ele lembrou que a indústria brasileira –referência internacional em emissões de CO2 (12% menos que a média global do setor) – lançou há um ano o Roadmap Tecnológico do Cimento 2020 / 2050, no qual as fábricas procuram formas de substituir o combustível fóssil, no caso, o coque de petróleo, por combustíveis renováveis – especialmente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), pauta deste acordo. E reafirmou a importância do coprocessamento, adotado desde os anos 90, responsável hoje por promover anualmente a destinação correta de 60 milhões de pneus, “o equivalente a 1,3 vezes o perímetro da Terra”, acrescentou.
Potencial
Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe, afirmou que o país gera 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, conforme dados do panorama setorial 2018/2019, volume que poderia gerar 14,5 gigawatts-hora por ano de eletricidade – o que equivale a 3% do consumo nacional de energia elétrica.
Para Alessandro Gardemann, presidente da Abiogás, o potencial de aproveitamento alcança 5 bilhões de metros cúbicos de metano por ano. O setor possui cerca de 300 megawatts (MW) de potência instalada, mas essa capacidade poderia se multiplicar se houvesse a destinação adequada dos resíduos. No entanto, afirmou, “apenas 42% do lixo urbano coletado atualmente vai para locais adequados e podem ter algum tipo de processamento. O resto é depositado em lixões, que deveriam ter acabado em 2014, se a Política Nacional de Resíduos Sólidos tivesse sido seguida à risca”.
O investimento em aterros sanitários regionais e na recuperação energética podem eliminar desperdícios e fortalecer a economia circular, afirmou o presidente da Abetre, Luiz Gonzaga. “Com um ano de funcionamento, os aterros que substituirão esses depósitos de lixo a céu aberto estarão aptos a produzir metano e, com as usinas de biogás, podemos ter uma produção elétrica quase dez vezes superior à atual”.
Para Paulo Camillo, a recuperação energética de resíduos reduz passivos ambientais, apoia a geração de empregos e contribui com a saúde pública. No caso da indústria, especificamente, os resíduos podem substituir parte do combustível fóssil – e dolarizado – que alimenta a chama dos fornos, transformando argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). “Hoje, apenas 17% da energia térmica para essa finalidade vem de fontes alternativas ao coque”, observa o presidente da ABCP. “Utilizando o lixo, as companhias poderão substituir até 80% do combustível usado hoje no processo produtivo”, completou.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, considerou que o acordo de cooperação “é um passo significativo para o avanço da questão do resíduo sólido em âmbito nacional”. Ele elogiou as propostas de cada entidade e agradeceu diretamente à ABCP e ao seu presidente pela disposição de sempre colaborar para a solução de problemas. “Assim foi com o advento do óleo no Nordeste e agora com a substituição do coque de petróleo pelos resíduos, com o seu coprocessamento nas indústrias. Os clusters referentes a essa iniciativa são muito importantes para alavancarmos respostas concretas”, disse o ministro.
Assista à live de lançamento da FBRER.

