Rede More: inovação em habitação sustentável

As mudanças climáticas representam uma das principais ameaças ao ambiente urbano atual. O aumento das temperaturas e os eventos extremos — como secas, enchentes, deslizamentos, apagões de energia e vendavais — afetam toda a sociedade. No entanto, seus impactos são sentidos de maneira mais intensa nas comunidades onde a construção autogerida é a principal alternativa para suprir a demanda por moradia.

Embora representem um volume expressivo das edificações no Brasil, com parte significativa localizada em favelas, essas obras realizadas sem a participação de construtoras ou agentes públicos são pouco estudadas sob a ótica ambiental. Para preencher essa lacuna e investigar essa fronteira esquecida nasceu a Rede More, uma iniciativa inédita que mergulha na realidade dessas habitações para encontrar soluções baseadas em ciência.

O projeto é pioneiro ao mensurar uma variável crucial e até então invisível nesse contexto: o “carbono incorporado”. O conceito refere-se a todas as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas ao longo do ciclo de vida dos materiais — da extração da matéria-prima e fabricação ao transporte, instalação e descarte. Pela primeira vez, propõe-se calcular essa pegada oculta, revelando o impacto ambiental da forma como grande parte do Brasil constrói e buscando compreender uma cadeia produtiva que opera à margem dos sistemas tradicionais de planejamento.

Para muitos moradores, a casa, que deveria ser um abrigo, acaba se transformando em uma armadilha climática. Durante a primeira fase da pesquisa na comunidade São Remo, em São Paulo, relatos e dados relevaram um quadro preocupante. Os moradores descreveram uma sensação térmica excessiva, especialmente à noite, que prejudica o sono, somada à ventilação insuficiente, falta de iluminação natural e presença constante de umidade e mofo. Sensores instalados nas residências confirmaram essas percepções, registrando altas concentrações de dióxido de carbono (CO₂), o que configura um ambiente interno insalubre e aumenta o risco de doenças respiratórias. Evidencia-se que, embora a autoconstrução resulte do esforço legítimo dos moradores para melhorar sua qualidade de vida, as moradias acabam restritas por limitações de execução, escassez de espaço e uso de materiais de baixa eficiência.

Para decifrar a complexidade da autoconstrução, o projeto More combinou métodos de pesquisa inovadores, contrastando a natureza das moradias com a sofisticação das ferramentas de análise. Os pesquisadores adotaram uma abordagem integrada, que uniu entrevistas aprofundadas ao uso de tecnologia LiDAR — sistema de sensoriamento remoto a laser — para medir distâncias e formas com alta precisão. Esse mapeamento foi essencial para entender como a densidade e o layout dos edifícios contribuem para a falta de luz e ar. A metodologia une tecnologia de ponta, participação comunitária e ciência aplicada, gerando dados precisos sobre uma realidade até então compreendida apenas superficialmente.

A força da Rede More reside em uma aliança que redefine o papel da indústria, unindo o setor de cimento, a academia e o governo. A iniciativa é coordenada pelo hubIC (Hub Brasileiro de Inovação da Construção), uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), com financiamento da Caixa. O projeto conta com a participação de 31 pesquisadores e profissionais, envolvendo universidades, organizações de pesquisa e extensão, e pretende integrar na próxima fase grandes empresas do setor produtivo. Juntos, esses atores buscam desenvolver soluções de baixo carbono viáveis para o mercado da autoconstrução, demonstrando que os desafios complexos das cidades exigem cooperação ampla.

Finalizada a etapa exploratória, os próximos passos da iniciativa incluem o aprimoramento dos métodos de mapeamento, visando escalá-los para moradias de construção autogerida em todo o Brasil. O planejamento abrange também o desenvolvimento de um banco de dados para estimar o estoque de carbono atrelado ao consumo de materiais e a realização de simulações computacionais para prever cenários futuros do impacto das mudanças climáticas no bem-estar da população. O objetivo final é elaborar recomendações técnicas sólidas e apoiar políticas públicas capazes de melhorar efetivamente as condições habitacionais.

Roadmap Net Zero da indústria brasileira do cimento é lançado na COP30

Após lançar, de forma pioneira, o maior e mais ambicioso roteiro de descarbonização na indústria de base do Brasil, a indústria brasileira do cimento atualizou sua trajetória de mitigação, por meio do Roadmap Net Zero, que foi apresentado no dia 15/11 durante a COP30. A iniciativa integrou os 140 painéis que compuseram o Pavilhão Brasil,  dos mais de 1250 projetos submetidos para avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

O painel contou com a participação de Paulo Camillo Penna (Presidente ABCP/SNIC), Thomas Guillot (CEO GCCA), Clovis Zapata (Country Representative UNIDO/Brazil), Gonzalo Visedo (Head de Sustentabilidade do SNIC), com a moderação de Stefania Relva (Diretora Instituto E+).

A indústria brasileira do cimento tem uma longa trajetória de atuação em responsabilidade ambiental, social e econômica. Pouco depois de implementar o Roadmap de mitigação do setor em 2019, renovou o compromisso com a descarbonização, lançando a proposta de neutralização de emissões até 2050. O novo Roadmap tem como base todo o ciclo de vida da cadeia do cimento apoiado no desenvolvimento de combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, captura, estocagem e uso de carbono, além de Soluções baseadas na Natureza (SbN). Todo esse mapa do caminho incorpora fortemente tecnologia e inovação, com ativa participação da academia, agências de fomento e os diversos integrantes da cadeia da construção.

 

Liderança em sustentabilidade

Em um cenário global onde a sustentabilidade se tornou premissa para o desenvolvimento, a indústria nacional demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social. Segundo dados da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA) — o maior e mais completo banco de dados de indicadores ambientais e de CO2 do setor industrial no mundo —, a produção de uma tonelada de cimento no planeta gera, em média, 610 kg de CO2. O Brasil, no entanto, se destaca por estar entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2 por tonelada, resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos. Essa liderança é fruto de uma estratégia consolidada que aposta na economia circular e na redução do impacto ambiental da produção de cimento.

A indústria brasileira do cimento é pioneira no uso de adições e subprodutos de outras cadeias produtivas, alcançando os maiores percentuais de substituição de clínquer (componente principal do cimento) do mundo. Além disso, dobrou sua participação no uso de combustíveis alternativos nos últimos 15 anos, superando 30% da matriz energética — ficando atrás apenas da União Europeia.

Biomassas como casca de arroz, caroço de açaí, cavaco de madeira e resíduos urbanos e industriais são hoje fontes significativas de energia no setor, substituindo combustíveis fósseis como o coque de petróleo. Esses avanços anteciparam em cinco anos metas previamente estabelecidas e demonstram um compromisso real com a sustentabilidade.

Esse compromisso está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), com metas até 2035. A indústria está trabalhando em estreita colaboração com o governo federal para definir metas setoriais que combinem a descarbonização com o crescimento econômico.

O Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira pode ser conferido no site.

 

Descarbonização da indústria energointensiva

Na sexta-feira, 14, a ABCP/SNIC participou ainda no estande da Confederação Nacional da Indústria do Painel CNI – Descarbonização da indústria energointensiva, ao lado de outras lideranças: Adriano Scarpa (indústria florestal), Janaina Donas (alumínio), André Passos (química) e Priscila Cardoso (aço). O debate teve como moderador o Superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

Setores como alumínio, aço, cimento, vidro, químico e papel e celulose são pilares do desenvolvimento nacional, mas também estão entre os mais impactados pelas exigências de redução de emissões de gases de efeito estufa. É essencial compreender como essas cadeias produtivas podem se adaptar, mantendo competitividade e garantindo segurança operacional, ao mesmo tempo em que contribuem para a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira. O objetivo do painel, portanto, foi debater caminhos para acelerar a descarbonização das indústrias, identificando desafios, oportunidades e soluções colaborativas entre governo e setor produtivo.

ABCP e SNIC lançam Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira na COP30

Após lançar, de forma pioneira, o maior e mais ambicioso roteiro de descarbonização na indústria de base do Brasil, a indústria brasileira do cimento atualizou sua trajetória de mitigação, por meio do Roadmap Net Zero, que foi apresentado no último sábado (15/11) durante a COP30. A iniciativa foi escolhida entre os 140 painéis que compõem o Pavilhão Brasil, dos mais de 1250 projetos submetidos para avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

O painel contou com a participação de Paulo Camillo Penna (Presidente ABCP/SNIC), Thomas Guillot (CEO GCCA), Clovis Zapata (Country Representative UNIDO/Brazil) e Gonzalo Visedo (Head de Sustentabilidade do SNIC), com a moderação de Stefania Relva (Diretora Instituto E+).

“A indústria brasileira do cimento tem uma longa trajetória de atuação em responsabilidade ambiental, social e econômica. Pouco depois de implementarmos o Roadmap de mitigação do setor em 2019, renovamos nosso compromisso com a descarbonização, lançando nossa proposta de neutralização de emissões até 2050. O novo Roadmap tem como base todo o ciclo de vida da cadeia do cimento apoiado no desenvolvimento de combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, captura, estocagem e uso de carbono, além de Soluções baseadas na Natureza (SbN). Todo esse mapa do caminho incorpora fortemente tecnologia e inovação, com ativa participação da academia, agências de fomento e os diversos integrantes da cadeia da construção”, destacou Paulo Camillo.

 

Liderança em sustentabilidade

Em um cenário global onde a sustentabilidade se tornou premissa para o desenvolvimento, a indústria nacional demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social. Segundo dados da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA) — o maior e mais completo banco de dados de indicadores ambientais e de CO2 do setor industrial no mundo —, a produção de uma tonelada de cimento no planeta gera, em média, 610 kg de CO2.

O Brasil, no entanto, se destaca por estar entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2 por tonelada, resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos. Essa liderança é fruto de uma estratégia consolidada que aposta na economia circular e na redução do impacto ambiental da produção de cimento.

A indústria brasileira do cimento é pioneira no uso de adições e subprodutos de outras cadeias produtivas, alcançando os maiores percentuais de substituição de clínquer (componente principal do cimento) do mundo. Além disso, dobrou sua participação no uso de combustíveis alternativos nos últimos 15 anos, superando 30% da matriz energética — ficando atrás apenas da União Europeia.

Biomassas como casca de arroz, caroço de açaí, cavaco de madeira e resíduos urbanos e industriais são hoje fontes significativas de energia no setor, substituindo combustíveis fósseis como o coque de petróleo. Esses avanços anteciparam em cinco anos metas previamente estabelecidas e demonstram um compromisso real com a sustentabilidade.

Esse compromisso está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), com metas até 2035. A indústria está trabalhando em estreita colaboração com o governo federal para definir metas setoriais que combinem a descarbonização com o crescimento econômico.

Informações para Imprensa

Daniela Nogueira – (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

Krishma Carreira – (11) 99467-8080 – krishma.carreira@fsb.com.br

Indústria do cimento avança para alcançar a neutralidade de carbono em 2050

Em novembro, o Brasil será o centro das atenções na agenda ambiental ao sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30. Representantes de 196 países, ONGs, cientistas, líderes do setor privado e sociedade civil estarão reunidos em Belém (PA) para discutir o futuro do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável e da transição para uma economia de baixo carbono.

Em apoio a essa agenda, a indústria brasileira do cimento está à frente dos debates do Plano Clima, que será apresentado na COP 30, como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética.

O setor está trabalhando junto ao governo na elaboração de metas setoriais contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender a demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

Diante desse desafio de procurar meios para reduzir, ainda mais, as suas já baixas emissões de CO2, a indústria do cimento do Brasil, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC) – braço do Banco Mundial, o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e uma série de renomados especialistas de importantes universidades e centros tecnológicos do país, desenvolveram em 2019, o Roadmap Tecnológico do Cimento, um dos mais ambiciosos projetos do setor nas últimas décadas e sem precedentes entre outros setores industriais brasileiros.

De 1990 a 2015, reduzimos em 20% nossa intensidade carbônica, o que significa que foram evitadas 125 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Nosso plano nos leva além, indicando um potencial de reduzir ainda mais 33% das nossas emissões dentro do processo produtivo, evitando mais 420 megatoneladas de CO2 até 2050. É desafiador, estamos falando de sair de 564kg, o número mais baixo da série histórica, para 365kg de CO2 emitido por tonelada de cimento produzida.

Em 2023 demos um importante passo junto à Global Cement and Concrete Association (GCCA), sendo escolhido como um dos cinco primeiros países a integrar o programa de aceleração de Roadmaps nacionais Net Zero em Carbono. O ambicioso projeto ampliará o alcance do Roadmap de 2019 não somente sobre o processo produtivo do cimento, mas sobre todo o seu ciclo de vida no uso do produto no concreto e na construção, de forma a alcançar a neutralidade em carbono até 2050.

Em fevereiro de 2025 esse compromisso foi fortalecido com a união de esforços entre a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o SNIC e o Instituto E+ para a atualização do Roadmap de Descarbonização do setor.

A iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional de apoio a países em desenvolvimento para dar mais sustentabilidade a setores cujo processo produtivo é difícil de descarbonizar. A parceria pretende dar continuidade aos trabalhos iniciados em 2023 para uma trajetória de neutralidade climática em 2050.

Ainda na esfera federal, participamos ativamente da Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), cujas diretrizes contemplam Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Atuando junto com a indústria de base, estamos relacionando uma série de medidas necessárias para acelerar a redução das emissões de GEE. E sem deixar de citar o importante processo de regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões – Mercado de Carbono, que também contou com a articulação da indústria brasileira do cimento e que se inicia em 2025.

Responsável por cerca de 82 mil empregos, com receita de aproximadamente R$ 26,5 bilhões ao ano, uma arrecadação líquida anual de R$ 4 bilhões em impostos e R$27,5 bilhões de investimentos planejados entre 2023 e 2027, o setor desempenha um importante papel na sustentabilidade, principalmente no que tange à questão da substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas.

A atividade de coprocessamento, responsável pela transição energética em nosso processo produtivo, atingiu sua melhor marca em 2023, antecipando a meta prevista para 2025. Foram 3,25 milhões de toneladas de resíduos processados. A tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente, 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas e deverá representar mais de 55% da energia do setor até 2050. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento futuro. A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% resíduos (pneus inservíveis, resíduos industriais e urbanos).

Entendemos que é preciso avançar em todas as frentes para eliminar ou mitigar as emissões, oferecendo soluções tecnológicas de forma orientada para o futuro. Isso requer ações inovadoras, engajamento ativo e colaboração de muitos atores.

Se 2024 foi o ano mais quente da história recente, foi também um ano aquecido na defesa dos interesses da indústria, a começar pelos projetos de fomento ao consumo de cimento, que avançaram com o Programa Minha Casa, Minha Vida e as obras de infraestrutura de transporte com a expansão do uso do pavimento de concreto na malha urbana e rodoviária.

Todas essas iniciativas reforçam o papel transformador da indústria do cimento para um mundo ecoeficiente, que é o tema central do 9º CBCi – Congresso Brasileiro do Cimento e, pela primeira vez, a Exposição Internacional do Cimento, a EXPOCIMENTO 2025 que serão realizados de 30 de junho a 2 de junho, no Golden Hall WTC em São Paulo e irão apresentar as inúmeras possibilidades de aplicação do cimento Portland, material predominante e vital para a construção civil.

Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP e Sindicato Nacional da Indústria do Cimento – SNIC.

Artigo publicado no site ESG Inside

Setor de cimento avança em trajetória sustentável para zerar emissões até 2050

Representantes da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e do Instituto E+ deram início no dia 5 de fevereiro à atualização do Roadmap de Descarbonização para o setor de cimento.

A iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional de apoio a países em desenvolvimento para dar mais sustentabilidade a setores cujo processo produtivo é difícil de descarbonizar.

A parceria pretende dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo SNIC em 2023, junto à Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês), de atualizar o Roadmap que o setor lançou em 2019 para uma trajetória de neutralidade climática em 2050.

Para tanto, o Roadmap levará em consideração, além de soluções tecnológicas no processo produtivo, alternativas de descarbonização ao longo do ciclo de vida do produto que ajudem o setor a alcançar a neutralidade de emissões no Brasil até 2050. Embora o setor de cimento no país já registre um dos mais baixos índices de emissão de CO2 equivalente em comparação com padrões internacionais, há um compromisso crescente com a adoção de soluções que impulsionem a competitividade e a sustentabilidade.

Diante desse cenário, serão analisadas melhorias no processo produtivo e uso do produto, considerando barreiras regulatórias e financeiras e a incorporação de tecnologias inovadoras, como captura e armazenamento de carbono (CCS), combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, uso de hidrogênio verde e produção de concreto de baixo carbono.

Entre as ações previstas estão o mapeamento de iniciativas já implementadas no Brasil, a identificação de fontes de financiamento nacionais e internacionais para viabilizar a modernização do setor e o desenvolvimento de uma plataforma digital para conectar projetos inovadores com oportunidades de investimento.

Essa iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional que apoia países em desenvolvimento na descarbonização de setores industriais de difícil descarbonização, como cimento e aço, por meio de assistência técnica e promoção de tecnologias inovadoras. Além disso, o estudo integra o escopo do Hub de Descarbonização da Indústria (ID Hub), plataforma coliderada pelo Brasil e pelo Reino Unido, que visa fomentar investimentos e parcerias para acelerar a transição da indústria para uma economia de baixo carbono. A UNIDO é responsável pela gestão do Secretariado do ID Hub, atuando para facilitar parcerias estratégicas.

A definição do Roadmap sustentável para a indústria de cimento deverá ser concluída em até 18 meses e contribuirá para que a indústria cimenteira brasileira se alinhe às metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, consolidando sua trajetória rumo à neutralidade de carbono.

Vale destacar que a descarbonização da indústria é uma prioridade para o Brasil, e o setor cimenteiro tem um papel estratégico nesse processo. Nesse sentido, a indústria está à frente dos debates na agenda climática, como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética. O setor é o primeiro no país a ter um Roadmap de Descarbonização e está atualizando suas bases para um Roadmap Net Zero 2050.

O setor está trabalhando junto com o governo na elaboração de metas setoriais (Plano Clima), contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. O Plano Clima será concluído e divulgado pelo Governo Federal em 2025, ano da COP30 no Brasil.

Além disso, o setor lidera a agenda do programa Nova Indústria Brasil (NIB),  missões específicas voltadas à neoindustrialização do país. Uma delas, a Missão 5, contempla Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Nesse sentido, a inclusão do setor de cimento com destaque na Missão 5 representa marco fundamental para o fortalecimento da integração entre o desenvolvimento socioeconômico e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Vendas de cimento fecham 2024 em alta

As vendas de cimento em dezembro somaram 4,7 milhões de toneladas, um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2023, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor termina o ano de 2024 com um total de 64,7 milhões de toneladas de cimento vendidas, um aumento de 3,9%, ou seja, 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior.

A atividade voltou a crescer após registrar quedas anuais consecutivas, -2,8% em 2022 e -0,89%, em 2023. O resultado recupera as perdas dos últimos dois anos, mas ainda longe do consumo recorde de 2014, de 73 milhões de toneladas.

O desempenho positivo é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica. Além disso, o mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão a partir do segundo trimestre, puxado pela retomada das obras do programa Minha Casa, Minha Vida. No acumulado até setembro, as unidades enquadradas no programa cresceram 58,7% nos lançamentos e 43,6% nas vendas de imóveis no País.

No entanto, apesar da demanda aquecida da construção civil, o setor enfrentou desafios significativos, com aumento nos custos com mão de obra aliado às taxas de juros, endividamento e inadimplência em níveis elevados.

A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação já tem elevado salários, pressionando a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do Índice Nacional de Custo da Construção – INCC.

Já o ciclo de alta da Selic iniciado em setembro acirrou a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado.

As mudanças no financiamento habitacional dificultaram também os novos empréstimos. Os recursos disponíveis para financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, cada vez mais restritos, reforçaram a necessidade de buscar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

Apesar da recuperação do mercado de trabalho com a redução do desemprego e a alta nos salários, o endividamento da população permaneceu alto durante o ano, atingindo 47,98% em setembro. A inadimplência chegou no recorde da série histórica em outubro, com 73,1 milhões de indivíduos inadimplentes. A nova mudança no perfil de consumo da população, com a incorporação das apostas on-line, impactaram o orçamento das famílias e o consumo de cimento.

As condições climáticas extremas enfrentadas ao longo do ano, com temperaturas e chuvas acima da média, como a tragédia ambiental no Rio Grande do Sul e seca em algumas regiões do país, refletiram na comercialização do cimento e comprometeram os cronogramas das obras.

Os baixos investimentos em infraestrutura também impactaram o setor. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) até o momento não tomou a velocidade necessária e já sofreu cortes.

Para reverter esse cenário é imprescindível ampliar os investimentos na construção civil e incluir o pavimento de concreto como opção nas licitações de ruas e rodovias, por ser um método construtivo de maior durabilidade, mais econômico, oferecer mais conforto e segurança para os usuários e ainda exercer menor impacto ambiental.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, provocando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento dos custos de produção, principalmente do coque de petróleo, matéria-prima essencial na geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão nos preços do insumo, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. A atividade responsável pela transição energética substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, recém publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, nesse mesmo ano a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente, 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento e deverá representar quase 55% da energia do setor até 2050.

A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% de biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% de resíduos (pneus inservíveis, perigosos e urbano).

Diante desse cenário, a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras, representa uma grande oportunidade para o setor e para a sociedade como um todo. Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública, além de alongar a vida útil dessas estruturas.

A partir de uma forte atuação regional, a indústria do cimento está acelerando cada vez mais o desenvolvimento de CDRU no Brasil para fins de coprocessamento, seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Ainda na agenda ambiental, a indústria brasileira do cimento esteve à frente dos debates do Plano Clima como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos, bem como na melhoria da sua eficiência energética. Vale destacar que o setor, que é carbono-intensivo e o primeiro no país a ter um Roadmap de Descarbonização, está atualizando suas bases para um Roadmap Net Zero 2050.

O setor está trabalhando junto com o governo na elaboração de metas setoriais (Plano Clima), contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. O Plano Clima será concluído e divulgado pelo Governo em 2025, ano da COP30 no Brasil.

Outro avanço do ano foi a aprovação no Congresso Nacional da legislação que cria o mercado de carbono no Brasil. O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) contou com ativa participação da indústria brasileira do cimento. Pontos fundamentais para o setor produtivo foram incorporados, como: o modelo cap and trade, seguindo as melhores práticas internacionais e os princípios de proporcionalidade, gradualidade, medição, compatibilidade, compensações e reciclagem de receitas.

Prevalecem, entretanto, dois pontos de melhoria defendidos pelo setor industrial e que não foram plenamente atendidos. O primeiro deles é o de governança com os setores regulados integrando instância apenas consultiva (Comitê Consultivo) e concentrando todas as deliberações no Governo (Comitê Deliberativo). Além disso, as multas e penalidades atreladas ao faturamento da empresa (limitado a até 3%) podem gerar distorções preocupantes, uma vez que não há, tecnicamente falando, correlação entre emissões de GEE e faturamento.

A Nova Indústria Brasil (NIB) foi lançada em 2024 pelo governo com missões específicas voltadas à neoindustrialização do país. Uma delas, a Missão 5, contempla Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Nesse sentido, a inclusão do setor de cimento com destaque na Missão 5 representa marco fundamental para o fortalecimento da integração entre o desenvolvimento socioeconômico e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

No entanto, o êxito da descarbonização, como acontece nas principais economias do mundo, se dará a partir da conjugação de esforços entre o setor industrial, o governo, a academia e a sociedade.

Destinação sustentável do lixo ainda é um enorme desafio no Brasil

O total de lixo produzido no Brasil já atingiu a marca de 80 milhões de toneladas, o que dá, em média, 382 quilos de resíduos descartados por pessoa no país durante o ano. No entanto, em 2023, apenas 58,5% dos resíduos sólidos urbanos gerados foram encaminhados para destinação ambientalmente adequada.

Os dados do “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024”, divulgado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), chamam a atenção para soluções capazes de transformar o problema dos resíduos em oportunidade de geração de energia.

De acordo com o estudo, 41,5% do que foi descartado pelos brasileiros e encaminhado para disposição final tiveram destinação inadequada, como os lixões, que receberam 35,5% dos resíduos gerados no país, ocasionando graves prejuízos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população.

A indústria brasileira do cimento está empenhada em contribuir com uma destinação mais sustentável do lixo. Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, recém publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento e deverá representar quase 35% da energia do setor até 2050.

A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% resíduos (pneus inservíveis, perigosos e urbano).

Diante desse cenário, a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras, representa uma grande oportunidade para o setor cimenteiro e para a sociedade como um todo. Trata-se de um substituto energético do coque de petróleo, utilizado como combustível para a fabricação de cimento, que traz inúmeros benefícios ambientais e sociais.

Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública.

A partir de uma forte atuação regional, a indústria do cimento está acelerando cada vez mais o desenvolvimento de CDRU no Brasil para fins de coprocessamento, seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Neste sentido é possível citar o trabalho realizado na Região Metropolitana de Curitiba, cujos rejeitos da coleta seletiva gerados pelas cooperativas de reciclagem (formalizadas) são agora destinados às fábricas de cimento da região.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte existe ainda projeto em curso, por meio da parceria com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), no âmbito do Programa Euroclima+, financiado pela União Europeia. O objetivo é promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e resiliente na América Latina, tendo como estruturador do projeto a agência alemã GIZ.

No entanto, é necessário avançar ainda mais nessa agenda para que se cumpram as políticas públicas, e principalmente faltam incentivos necessários para impulsionar o descarte adequado e o aumento da reciclagem no país.

Setor industrial busca soluções para reduzir emissão de gases do efeito estufa

Os impactos mais severos da crise climática já estão sendo sentidos no Brasil, com a elevação na temperatura, o aumento do volume de chuvas, inundações e seca. Fruto do aumento da emissão dos chamados gases de efeito estufa (GEE), as mudanças no clima são pauta urgente para a indústria. Para promover políticas públicas que estejam de acordo com uma agenda de mitigação, seis setores da indústria intensivos em carbono, entre eles o de cimento, participam até junho de um ciclo de workshops, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), para a elaboração da Estratégia Nacional de Descarbonização da Indústria.

A indústria brasileira do cimento foi a primeira a apresentar suas contribuições no evento organizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). O objetivo foi a criação de convergências em relação aos passos essenciais para a elaboração da estratégia de descarbonização da indústria, reconhecimento de rotas produtivas e tecnológicas, discussão de curvas de descarbonização e análise de instrumentos de viabilização.

A iniciativa se integra às ações para a consolidação da nova política industrial brasileira, proposta pelo CNDI, mais especificamente à Missão 5, que trata de Bioeconomia, Descarbonização e Transição Energética. Ao mesmo tempo, se insere nas discussões do Plano Clima, iniciativa do governo que pretende discutir e apresentar, até novembro, metas setoriais de redução de GEE para os diferentes setores da economia, dentre eles a indústria. Além do cimento, os setores de alumínio, vidro, papel e celulose, químico e aço estão sendo contemplados.

Durante o encontro, foi apresentado o Roadmap de Descarbonização da indústria cimenteira nacional, que sugere um potencial de reduzir em 33% sua intensidade de carbono até 2050, o que evitaria a emissão de cerca de 420 milhões de toneladas de CO2. Adicionalmente, foram discutidas outras soluções ao longo do ciclo de vida do produto capazes de levar o setor a alcançar a neutralidade em carbono, dentro do programa Roadmap Net Zero que está em desenvolvimento pela indústria.

O coprocessamento, atividade responsável pela transição energética na indústria do cimento, atingiu sua melhor marca em 2022, desde o início das medições. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassas e 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, ou seja, um novo destino aos resíduos que deixam de ser enviados a aterros e que são transformados em energia ou substituem matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade.

Inventário de gases de efeito estufa é ferramenta importante para indústria reduzir emissões

Mecanismo permite que empresa identifique emissões e possa elaborar estratégias de mitigação, faça comparação com outras empresas e participe de iniciativas como a do mercado de carbono

Fonte: Indústria Verde

A necessidade de empresas e governos medirem e monitorarem as suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) foi um dos temas debatidos no pavilhão brasileiro durante a conferência do clima da ONU, a COP27, que chegou ao fim neste domingo, 20 de novembro. Medir as emissões, por meio de inventário, permite o mapeamento das fontes de GEEs de uma atividade, processo, organização, setor econômico, cidade, estado ou país, seguida da quantificação, monitoramento e registro de todos os dados. É uma radiografia que permite, assim, que sejam criadas estratégias para mitigar as emissões.

No âmbito federal, o Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de GEE é disponibilizado por meio do Sistema de Registro Nacional de Emissões (SIRENE), cuja responsabilidade pela implementação e manutenção foi conferida ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A disponibilização de resultados de inventários de emissões, através de suas Comunicações Nacionais, faz parte dos compromissos do Brasil como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC).

Diversas instituições públicas e privadas participam do processo de elaboração do Inventário Nacional, contribuindo com a disponibilização de dados de atividades, ou com o desenvolvimento de parâmetros e fatores de emissão nacionais, pertinentes ao exercício da metodologia a ser aplicada na elaboração dessas estimativas para o país.

“A ideia do inventário é conhecer da forma mais precisa possível as emissões. Quais são as fontes, quais gases estão sendo emitidos. Conhecendo isso, temos condições de buscar alternativas para reduzir as emissões”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima e Sustentabilidade do Ministério de Ciência e Tecnologia, Márcio Rojas.

No ambiente corporativo, esse mapeamento permite que a empresa identifique suas emissões e possa compensá-las, elabore estratégias de mitigação, compare suas emissões com as de outras empresas e ainda participe de iniciativas como a do mercado de carbono.

“O inventário engloba métodos elaborados para viabilizar uma comparabilidade entre unidades produtivas, empresas, municípios ou países”, afirmou Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “É uma ferramenta indispensável para a verificação dos compromissos e das metas estabelecidas por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) de cada país no âmbito do Acordo de Paris”, explicou Bomtempo.

Atualmente não há um banco de inventários de emissão consolidado e disponível para a indústria. Porém, diversas empresas já realizam seus inventários de emissões de GEEs e publicam em programas e iniciativas voluntárias, como o Programa Brasileiro GHG Protocol e o Carbon Disclosure Project (CDP), ou mesmo em sistemas de relato estaduais.

 

Case de sucesso: inventário e setor de cimento

O setor do cimento já realiza esse mapeamento há 20 anos de maneira organizada e, segundo dados do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), entre 1990 e 2015, houve uma redução de 20% na emissão de CO2, evitando que 125 Mt de CO2 chegassem na atmosfera.

A indústria de cimento mundial segue uma metodologia específica e unificada, chamada Getting the Numbers Right (GNR). O relatório é preenchido anualmente e enviado para a Global Cement and Concrete Association (GCCA), que gerencia essas informações e depois as torna públicas. Com base nelas, é possível fazer recortes e comparar os números no Brasil e no mundo.

“Cada planta de cada empresa aderente a esta plataforma trabalha com a mesma planilha e coloca as informações nos mínimos detalhes”, explicou Gonzalo Visedo, head de Sustentabilidade do SNIC. “Quando consolidada, essa informação permite mapear como determinada planta está evoluindo em relação a outras plantas, ver como aquela empresa está evoluindo em relação à média brasileira, como o Brasil está evoluindo em relação à média mundial e, a partir dali, é possível traçar estratégias”, resumiu Visedo.

Hoje, 80% da produção nacional se reporta ao inventário. No caso brasileiro, a indústria de cimento nacional estampa a menor média de emissão mundial. Em 2020, a média brasileira era de 565 Kg de CO2 por tonelada de cimento (referência internacional) e a mundial, 620 kg CO2/t cimento. O objetivo do setor é reduzir as emissões em mais 33%, entre 2015 e 2050, evitando assim a emissão de 420 toneladas de CO2 na atmosfera.

Para atingir esse objetivo, com ajuda do inventário de emissões, já foram identificadas quatro áreas temáticas principais que irão auxiliar nessa meta: matérias-primas alternativas, combustíveis alternativos, eficiência energética e captura de carbono. “O inventário é essencial para atingirmos a meta. A frase mais emblemática é: ‘quem não mede, não gerencia’. Conhecer é o ponto de partida. Não se consegue gerenciar nada se não se tem os números. Se não se conhece a informação, não se consegue traçar estratégias e definir potenciais de redução”, afirmou Visedo.

 

O que é o inventário nacional ponto a ponto?

• O Brasil, como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), apresenta o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE) a cada 4 anos.

• O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), por meio da atuação da Coordenação-Geral da Ciência do Clima e Sustentabilidade (CGCL), é responsável pela coordenação da elaboração do Inventário Nacional.

• Em 2020, o Brasil publicou seu mais recente Inventário Nacional, contemplado na Quarta Comunicação Nacional do país submetida à UNFCCC. A elaboração deste inventário representou um esforço coletivo e multidisciplinar, que envolveu cerca de 185 instituições e mais de 300 especialistas de todas as regiões do país.

• O relatório usa metodologia aprovada no âmbito de uma força tarefa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Essas diretrizes são atualizadas periodicamente. O último inventário nacional foi feito com base nas diretrizes de 2006.

• Com base nos inventários, o MCTI disponibiliza o Simulador Nacional de Políticas Públicas Setoriais e Emissões (SINAPSE), uma plataforma que apresenta 50 possibilidades de políticas públicas. No portal, é possível selecionar a política pública, a intensidade dessa política e o cronograma. A partir daí, a ferramenta dá uma série de informações sobre qual vai ser o impacto disso do ponto de vista da redução de emissões, qual vai ser o custo dessa política, dentre outras informações.

 

Gonzalo Visedo, head de Sustentabilidade do SNIC: “O inventário é essencial para atingirmos a meta. Quem não mede, não gerencia”. Foto: Divulgação