Indústria do cimento contribuirá para destinação sustentável do lixo na região metropolitana de BH

Os principais representantes da cadeia produtiva do cimento estiveram reunidos nesta terça-feira (5) com autoridades do poder público local, estadual, especialistas internacionais e governo federal, para apresentação do programa de cooperação regional Euroclima+, que tem como objetivo promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e resiliente na América Latina.

O encontro, realizado no Hotel San Diego Veredas Sete Lagoas, no município de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi organizado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), empresa federal alemã que atua na cooperação técnica com diversos países e regiões geográficas.

Por meio do Programa Euroclima+, a GIZ coordena a implementação da ação no Brasil, visando apoiar a transformação sustentável do setor industrial brasileiro. A iniciativa tem apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Governo de Minas Gerais, do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC) e da ABCP.

Durante o encontro, buscou-se estabelecer uma estratégia de desenvolvimento sustentável inspirada nos princípios do “Acordo Verde” da União Europeia, com foco na criação de mecanismos e uma nova rota tecnológica para o tratamento e valorização de resíduos urbanos domésticos.

O objetivo deste trabalho é priorizar a reciclagem com inclusão, fortalecendo a atuação das cooperativas de catadores da região metropolitana de Belo Horizonte, contribuindo para um maior reaproveitamento dos resíduos, resultando na redução consequente das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

“Essa abordagem não apenas assegurará plena conformidade com as normativas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 e o Novo Marco do Saneamento, publicado em 2020, mas também desempenhará um papel significativo na redução das emissões de carbono na indústria do cimento brasileira até 2050. Além disso, fortalecerá a cooperação necessária entre os setores público e privado, buscando soluções mutuamente benéficas”, afirmou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna.

A iniciativa visa estabelecer diretrizes para a viabilidade desse processo, estimulando a produção de combustíveis alternativos e sua destinação por meio da tecnologia de coprocessamento de resíduos em linha com a economia circular. “A ação ocorre em um local particularmente propício para a concretização de seus objetivos, devido à presença de uma indústria cimenteira robusta na área”, destacou o gerente de Coprocessamento da ABCP, Daniel Mattos. Para tanto, o projeto envolverá a colaboração de quatro fábricas de cimento estrategicamente localizadas em Sete Lagoas, Matozinhos, Pedro Leopoldo e Vespasiano e envolverá três fases de implantação.

Coprocessamento avança na indústria cimenteira

O coprocessamento, atividade responsável pela transição energética na indústria do cimento, atingiu sua melhor marca em 2022, desde o início das medições. Foram 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, sendo 2,856 milhões de toneladas de combustíveis alternativos e biomassas e 179 mil toneladas de matérias-primas alternativas. Ao todo foram cerca 2,9 milhões de toneladas de CO2 evitados no período. É o que revela o Panorama do Coprocessamento 2023 (ano base 2022), divulgado em novembro pela ABCP durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi), em São Paulo.

A atividade alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, volume que deixou de ser destinado a aterros e foi transformado em energia ou ainda que substituiu matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade.

Com o coprocessamento, o setor mantém seu compromisso e segue atuando na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento.

Inúmeros são os exemplos de resíduos coprocessados pela indústria do cimento, como: pneus usados; resíduos da agroindústria (como palha de arroz, casca de babaçu e caroço de açaí) e mais recentemente os resíduos sólidos urbanos – lixo doméstico, na sua fração não reciclável. Só em pneus inservíveis foram coprocessados 340 mil toneladas em 2022, o que corresponde a cerca de 68 milhões de pneus.

 

Alaim De Paula – Consultor que está desenvolvendo o projeto pela GIZ

Coordenadora de Projetos Euroclima+ – GIZ

Daniel Mattos – head de Coprocessamento da ABCP

José Eduardo – CEO da Cimento Nacional

 

Informações para Imprensa

Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br
Daniela Nogueira (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

ABCP celebra 87 anos de excelência em tecnologia sobre produção e aplicação do cimento

No dia 5 de dezembro de 2023, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) celebra 87 anos de fundação. Desde 1936 a associação segue na vanguarda, liderando debates, pesquisas, ensaios e estudos sobre o cimento e tendo se tornado referência nacional e internacional de excelência em tecnologia referente ao cimento e seus sistemas construtivos. 

A ABCP foi protagonista de marcos históricos ao longo de quase 100 anos de produção do cimento no país. Acompanhou a expansão da atividade com a expansão urbana e verticalização das cidades, até passar a figurar entre as 10 maiores produtoras mundiais, com uma capacidade instalada de 94 milhões de toneladas/ano. 

Além de ressaltar essa relevância global, a indústria brasileira do cimento é responsável por mais de 80 mil empregos, receita de R$ 23 bilhões ao ano, arrecadação líquida anual de R$ 3,6 bilhões em tributos e desempenha um importante papel com respeito à sustentabilidade, principalmente no que tange à questão da substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas. 

A atividade de coprocessamento responsável pela transição energética em nossa cadeia produtiva alcançou 30% de participação na matriz energética – antecipando a meta prevista para 2026. Já são 25,813 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2022, ou seja, uma nova destinação aos resíduos, que deixam de ir para aterros e são transformados em energia ou substituem matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. 

Com o coprocessamento, o setor mantém seu compromisso e segue atuando na redução das emissões de CO2, com o uso de diversos tipos de resíduos em substituição ao coque de petróleo, combustível fóssil mais utilizado no processo de fabricação de cimento. 

Na agenda de sustentabilidade, a indústria, por intermédio da ABCP, deu um importante passo ao lançar durante o 8º Congresso Brasileiro de Cimento (CBCi) as bases do Roadmap Net Zero para acelerar a transição rumo a uma economia neutra em carbono. O setor que, internacionalmente, foi o primeiro a firmar um compromisso de neutralidade climática em escala global, dentro do programa Race to Zero da ONU, agora avança no seu compromisso de neutralidade climática no Brasil. 

A iniciativa vem num momento mais do que oportuno, quando se discute no âmbito nacional a descarbonização dos setores industriais – e da economia como um todo – com ativa participação da indústria do cimento na esfera setorial e federal. 

Por se tratar de um país com dimensões continentais, a ABCP está conectada – juntamente com o produto que representa – à sociedade e à cadeia produtiva da construção de diversas formas, quais sejam: edificações para distintas finalidades (moradias, escolas, hospitais, centros e espaços de lazer entre tantos), aeroportos, portos, ferrovias, mar e rios. Não bastasse o enorme déficit habitacional brasileiro, onde o cimento tem participação preponderante, tem-se também a extensão da malha viária nacional, de 1.720.700 quilômetros de estradas e rodovias, da qual apenas 12,4% está pavimentada. 

Portanto, é imprescindível incluir o concreto como opção nas licitações de ruas e rodovias, por ser um sistema construtivo de maior durabilidade, mais econômico, que exerce menor impacto ambiental e ainda traz conforto e segurança para o usuário. 

No que tange à aplicação e uso de soluções para as cidades, o setor segue apoiando os municípios brasileiros com sistemas construtivos que atendam às necessidades locais por infraestrutura e tragam melhorias a favor da mobilidade urbana, saneamento, espaços públicos e habitação. 

Na pauta da inovação, o acordo de cooperação técnica com a Universidade de São Paulo (USP) para a criação de um espaço focado em pesquisa e desenvolvimento a favor da construção digital (hubIC) alcançou resultados significativos, como a produção das primeiras peças cimentícias em 3D e a adesão de mais de 30 companhias ao ambiente de construção digital. 

Todas essas conquistas merecem ser celebradas e motivam o setor e a entidade a seguirem em frente, mantendo a ABCP moderna, atualizada e de excelência, consolidando assim, cada dia mais, o compromisso de representar uma indústria forte e necessária, que é base para desenvolvimento econômico e social do Brasil. 

Vendas de cimento caem 5,1% em setembro

As vendas de cimento em setembro totalizaram 5,2 milhões de toneladas, recuo de 5,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, a soma é de 46,8 milhões de toneladas, recuo de 2% ante igual período de 2022. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

A taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados (12,75%) impacta diretamente no número de financiamentos imobiliários para construção, que registrou redução de 44% no acumulado até agosto de 2023, na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.

Os principais indicadores de vendas de materiais de construção, particularmente do cimento, continuam desacelerando em virtude da lenta recuperação da renda da população e do alto endividamento das famílias que atingiu 47,8% em julho deste ano, muito próximo do pico de 50% em julho de 2022.

Além disso, o forte regime de chuvas registrados em setembro no país, especialmente nos estados do Sul, comprometeu fortemente a performance de vendas do setor.

No entanto, um cenário de franca recuperação de empregos e do Produto Interno Bruto e o arrefecimento da inflação, em relação ao ano passado, têm potencial para queda de vendas em torno de -1% no fechamento do ano, em linha com as projeções do SNIC.

Na esfera federal a aprovação pelo Senado do Projeto de Lei (PL) 412/22, que regulamenta o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), chamado de Mercado de Carbono, tem sua construção ativa participação da indústria do cimento, que segue na vanguarda como primeiro setor a firmar um compromisso de neutralidade climática, em escala global, dentro do programa Race to Zero da ONU. O projeto brasileiro de neutralidade terá suas bases lançadas no 8º Congresso Brasileiro de Cimento (CBCi).

Expectativa cercada por horizonte de incertezas

A instabilidade da economia brasileira marcada por um prolongado cenário de juros elevados, mesmo com o anúncio da redução da taxa Selic pelo Banco Central em agosto, somada ao alto endividamento das famílias e queda dos lançamentos imobiliários, seguem travando o crescimento da atividade cimenteira.

A expectativa do setor é de melhora para os próximos meses, impulsionada pelas obras do ciclo imobiliário recente, com reforço do Programa Minha Casa, Minha Vida e retomada de obras paradas e de infraestrutura. O anúncio do governo federal de ampliar o subsídio e reduzir a taxas de juros do MCMV, traz um alento ao setor e deve impulsionar os investimentos em construção civil no país.

O uso de paredes de concreto vem ganhando destaque na construção dos conjuntos habitacionais, devido à rapidez e competitividade. O sistema construtivo vem sendo cada vez mais utilizado devido a qualidade e velocidade de execução, pois é três vezes mais ágil do que o sistema convencional, permitindo utilizá-lo como solução em projetos com prazos apertados e alta repetitividade, além de integrar conforto térmico e acústico à obra.

Há ainda uma efetiva apreensão do mercado com as recentes alterações dos Marco do Saneamento Básico. O Censo Demográfico divulgado pelo IBGE indicou que a população brasileira aumentou 6,5% (para 203 milhões) entre 2010 e 2022, enquanto o número de residências cresceu 34% (para 91 milhões) no período. Esse movimento torna mais difícil o cumprimento das metas de universalização do saneamento básico, mas a indústria de cimento está pronta para fornecer os cerca de 5 milhões de toneladas do insumo necessário para o atingimento desse objetivo.

Apesar do cenário econômico ainda incerto, as perspectivas do setor para os próximos meses são positivas. A aprovação do arcabouço fiscal, a tramitação da Reforma Tributária no Senado, a retomada de obras paradas e de infraestrutura, além do início do ciclo de redução da taxa de juros, são fatores que trazem maior segurança e previsibilidade ao setor, e consequentemente para a economia em 2023.

Vendas de cimento crescem em agosto

As vendas de cimento em agosto apresentaram ligeira alta, totalizando 6 milhões de toneladas, um crescimento de 1,4% em relação ao mesmo mês de 2022. No acumulado do ano (janeiro a agosto), os números permaneceram negativos, alcançando 41,7 milhões de toneladas, uma queda de 1,3% comparado ao mesmo período do ano passado. 

Conforme demonstram os principais indicadores, as vendas de materiais de construção, particularmente do cimento, vêm sendo impactadas pela menor renda da população, elevadas taxas de juros e alto endividamento das famílias, próximo ao recorde da série histórica – atingiu 48,3%, em junho. 

No entanto, o setor de Infraestrutura vê como grande avanço o Novo Programa de Aceleração do Crescimento – PAC3, iniciativa do governo lançado em agosto, que prevê desembolso de R$ 1,4 trilhão entre 2023 e 2026. Somente em rodovias estão previstos 269 projetos de restauração, construção e duplicação de estradas pelo país, com investimentos previstos de R$ 186 bilhões, aporte que poderá abrir oportunidades para o uso de soluções mais econômicas e ambientalmente sustentáveis, como o pavimento rígido de concreto. 

Essa solução construtiva utilizada em diversos países oferece maior durabilidade e vantagens aos usuários que economizam combustível e pneus, além de mais segurança nas vias, graças ao menor espaço de frenagem, redução das ilhas de calor e ampliação da luminosidade das rodovias. 

Com referência a infraestrutura habitacional, o Programa Minha Casa Minha Vida, que integra o Novo PAC, já incorpora ações de desburocratização e facilidades para compra do imóvel com a redução de juros e aumento dos valores do subsídio. O conjunto de medidas começa a ser percebido com aumento nas vendas de unidades adquiridas dentro do programa. 

O investimento em infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do País e é imprescindível que os projetos saiam do papel e as obras sejam retomadas.

Dia Mundial do Meio Ambiente

Indústria brasileira do cimento é referência na redução de emissões dos gases de efeito estufa

Ações levaram o Brasil a se tornar um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho de 2023, sensibilizará toda a sociedade sobre a importância de se adotar práticas sustentáveis para promover a preservação do meio ambiente às futuras gerações. A indústria do cimento está fazendo sua parte, promovendo esforços significativos para reduzir o impacto causado pela atividade. As ações levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial entre os países com a menor emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo, tendo estado à frente desse indicador em mais de 20 dos 30 anos da série histórica.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

“A agenda de carbono é o maior e mais importante compromisso com o meio ambiente já firmado pela indústria do cimento. Tanto que, há 20 anos, os maiores grupos cimenteiros do mundo se uniram para criar o que é hoje considerado o maior banco de dados de emissões de uma atividade industrial no mundo. Atualmente, esse banco de dados é abastecido por 48 empresas cimenteiras atuantes no mundo todo, cobrindo cerca de 850 unidades industriais”

(Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e da ABCP)

Mas esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáticas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Diante desse cenário, o setor tem inovado com o uso de tecnologias como o coprocessamento de combustíveis alternativos nos fornos das cimenteiras para substituição de um insumo intensivo em carbono: coque de petróleo, combustível fóssil usado na queima do calcário para se obter o clínquer, a principal matéria-prima do cimento.

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP e SNIC.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais impróprios quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, destaca o dirigente.

Coprocessamento

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados. Ademais, colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. “Com a tecnologia de coprocessamento, atuamos na redução das emissões de CO2 através do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento”, destaca o presidente da ABCP/SNIC.

A atividade do coprocessamento atingiu sua melhor marca em 2021, desde o início das medições. Foram 2.408 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 44% de combustíveis alternativos, 48% a partir de biomassas e 8% de matérias-primas alternativas, segundo o Panorama do Coprocessamento 2022 (ano base 2021), divulgado pela ABCP. (Acesso aqui o estudo)

Já são 22.778 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2021, ou seja, resíduos que deixaram de ser destinados a aterros e que foram transformados em energia ou que substituíram matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. A tecnologia já é utilizada no Brasil há mais de 25 anos em todo território nacional, contribuindo para uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição em aterros.

 

Informações para Imprensa

>> Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br

>> Daniela Nogueira (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br

Indústria do cimento contribui para destinação sustentável do lixo na região metropolitana de Curitiba

Foto: Ricardo Marajó / Prefeitura de Curitiba

 

A ABCP e o Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (CONRESOL), que reúne 24 municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), firmaram nesta quarta-feira (10/5) um acordo de cooperação técnica que buscará dar uma destinação mais sustentável ao lixo da região. O objetivo do convênio é viabilizar o tratamento dos resíduos sólidos dos municípios consorciados para a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras instaladas na região. O Consórcio é responsável pela implementação do projeto em sua região de atuação.

O CDRU representa uma grande oportunidade para o setor cimenteiro e para a sociedade como um todo. Trata-se de um substituto energético do coque de petróleo (utilizado como combustível para a fabricação de cimento) que traz inúmeros benefícios ambientais e sociais. Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública.

 

Aterros sobrecarregados

A busca por soluções para transformar o problema dos resíduos em oportunidade de geração de energia nunca foi tão urgente. Só em 2022, o brasileiro gerou 81,8 milhões de toneladas de lixo. A destinação final ainda é um desafio, pois 39% dos resíduos sólidos coletados continuam sendo encaminhados para aterros sanitários, ocasionando graves prejuízos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população.

 

A contribuição das fábricas de cimento

Com investimentos privados que podem chegar a R$ 500 milhões, o projeto prevê a adequação das fábricas de cimento e a construção de unidades de preparo do CDRU. Além disso, a iniciativa tem potencial para gerar em torno de 400 novos postos de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.

A indústria do cimento é um dos segmentos com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo doméstico não reciclável. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno para a produção do clínquer (principal matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento. As três fábricas de cimento instaladas na RMC possuem capacidade para consumir anualmente cerca de 200 mil a 300 mil toneladas de CDRU.

 

Foto: Ricardo Marajó / Prefeitura de Curitiba

 

O setor cimenteiro pode colaborar no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais. Ademais, fomenta o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Portanto, este acordo traz um enorme potencial para ampliar as discussões e achar alternativas viáveis para que os investimentos necessários para uma destinação ambientalmente mais adequada ocorram na cadeia como um todo, trazendo, portanto, benefícios concretos ao meio ambiente e à sociedade.

Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP

 

É importante ainda ressaltar a parceria atual entre a indústria do cimento e as cooperativas de reciclagem e catadores da região. Graças a essa colaboração, os rejeitos gerados pelas cooperativas de reciclagem e catadores, que antes eram simplesmente descartados em aterros sanitários, agora são destinados às fábricas de cimento, reduzindo os custos de descarte e promovendo a economia circular. Essa prática não apenas traz benefícios para a indústria, como também contribui para a inclusão social e a preservação do meio ambiente.

 

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu, poda de árvores) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, equivalente a quase 2.5 milhões de toneladas por ano, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais inadequados quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, finaliza o dirigente.

Veja também:

>> Reportagem “Rejeitos viram matéria-prima para a indústria” (Globoplay)
>> Curitiba e região avançam para nova destinação de resíduos sólidos urbanos (Prefeitura de Curitiba)