No PR, novo trecho da PRC-466 terá restauração e ampliação em pavimento de concreto

O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) anunciou o lançamento do edital de restauração em concreto e ampliação da rodovia PRC-466 entre os municípios de Lidianópolis, no Vale do Ivaí, e Manoel Ribas, na região Central, em uma extensão de 51,86 quilômetros. O trecho contemplado começa em Porto Ubá, localidade de Lidianópolis, incluindo uma ponte sobre o Rio Ivaí, passando por Jardim Alegre e Ivaiporã, também no Vale do Ivaí, terminando no acesso a uma subestação de Furnas, no território de Manoel Ribas. A ABCP elaborou o projeto básico do trecho.

“Já estamos em obra na duplicação na PRC-466 entre Guarapuava e Pitanga, subimos pela PR-460 até o Rio Muquilão, e agora continuamos pela PRC-466 rumo a Mauá da Serra, com o primeiro lote até Furnas e agora com o segundo lote até Porto Ubá”, explica o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex. “É um grande investimento em rodovias de concreto sendo realizado pelo governo Ratinho Junior, garantindo mais segurança e progresso para a região Central”, afirma o secretário.

A sessão de disputa está marcada para o dia 30 de outubro, no portal de compras do governo federal compras.gov.

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No PR, novo trecho da PRC-466 terá restauração e ampliação em pavimento de concreto

O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) anunciou o lançamento do edital de restauração em concreto e ampliação da rodovia PRC-466 entre os municípios de Lidianópolis, no Vale do Ivaí, e Manoel Ribas, na região Central, em uma extensão de 51,86 quilômetros. O trecho contemplado começa em Porto Ubá, localidade de Lidianópolis, incluindo uma ponte sobre o Rio Ivaí, passando por Jardim Alegre e Ivaiporã, também no Vale do Ivaí, terminando no acesso a uma subestação de Furnas, no território de Manoel Ribas. A ABCP elaborou o projeto básico do trecho.

“Já estamos em obra na duplicação na PRC-466 entre Guarapuava e Pitanga, subimos pela PR-460 até o Rio Muquilão, e agora continuamos pela PRC-466 rumo a Mauá da Serra, com o primeiro lote até Furnas e agora com o segundo lote até Porto Ubá”, explica o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex. “É um grande investimento em rodovias de concreto sendo realizado pelo governo Ratinho Junior, garantindo mais segurança e progresso para a região Central”, afirma o secretário.

A sessão de disputa está marcada para o dia 30 de outubro, no portal de compras do governo federal compras.gov.

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Prefeito de Jequié visita obras de pavimento de concreto em Brasília

Participaram da visita, organizada pela ABCP, o presidente da Associação, Paulo Camillo Penna, o presidente da ABDER, Fauzi Nacfur Júnior, e o secretário de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal, Valter Casimiro Silveira

A ABCP recebeu nesta terça-feira, 15, em Brasília, o prefeito de Jequié-BA, Zé Cocá, para uma visita técnica às obras de pavimento de concreto em execução pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). 

O município de Jequié tem investido de forma consistente na adoção do pavimento de concreto para a requalificação de suas vias urbanas — um desafio técnico, considerando a topografia acidentada da região. Em apenas quatro anos, o município já aplicou mais de 300.000 m³ de concreto, demonstrando seu compromisso com soluções duráveis e sustentáveis para a infraestrutura viária. A proposta agora é levar a solução para vias de tráfego mais intenso.

O encontro contou com a presença do presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, do presidente da Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem (ABDER), Fauzi Nacfur Júnior, e do secretário de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal, Valter Casimiro Silveira, fortalecendo a integração entre gestão municipal, entidades técnicas e órgãos de infraestrutura.

Participaram também da missão técnica organizada pela ABCP os profissionais das Regionais da Associação: Fernando Crosara e Waldir Belisário (Centro-Oeste), Glécia Vieira e Ana Gabriela Saraiva de Aquino (Norte-Nordeste).

Veja o depoimento do prefeito Zé Cocá sobre a visita técnica:

Um balanço do maior evento da indústria brasileira do cimento  

Com mais de 1,1 mil participantes, 9º CBCi mostra liderança da indústria do cimento em temas vitais para a sustentabilidade

O 9º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi, promovido pela ABCP e pelo SNIC, deve entrar para a história como o maior e melhor evento da indústria brasileira do cimento até o momento. Realizado no Golden Hall WTC São Paulo, reuniu durante três dias (30 de junho a 2 de julho de 2025) mais de 1.100 pessoas e cerca de 100 palestras e apresentações sobre os principais temas que orientam o setor, como descarbonização, transição energética, infraestrutura e inovações tecnológicas. O 9º CBCi teve a companhia da Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025, igualmente relevante, com mais de 50 expositores da cadeia produtiva do cimento, e do II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025).

Mas os números exitosos explicam apenas em parte o sucesso do evento. O grande destaque foi o conteúdo apresentado sobre as iniciativas, o papel e as perspectivas da indústria nacional frente à necessidade de mitigação da pegada de carbono do setor (e também da construção civil), justamente no ano em que o Brasil sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, em Belém-PA. Em meio a estudos e análises consistentes, apresentados por especialistas nos temas, o evento trouxe ao final uma iniciativa inédita: uma mesa-redonda de CEOs sobre assuntos que afetam o setor: reformas e políticas públicas, inovação tecnológica, perspectivas de mercado e aspectos ambientais. Na verdade, um bate-papo descontraído raramente compartilhado com o público.

 

Descarbonização e crescimento econômico

Na abertura do evento, o Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna, deu o tom do que seria o encontro, destacando a contribuição da indústria brasileira de cimento diante das mudanças climáticas e as soluções sustentáveis desenvolvidas por ela nas últimas décadas.

“É nesse cenário que a indústria brasileira do cimento se apresenta, não como um problema, mas como parte essencial da solução. Há muitos anos assumimos com seriedade e compromisso nosso papel diante da agenda global. Atuamos com responsabilidade ambiental, social e econômica. Fomos pioneiros e seguimos como referência internacional em descarbonização. Desde 1990 temos uma das menores pegadas de carbono do mundo. Tratamos com rigor técnico e visão estratégica temas como combustíveis alternativos, adições ao cimento, matérias-primas substitutas do clínquer, eficiência energética e soluções de captura, estocagem e uso de carbono, sejam elas tecnológicas ou baseadas na natureza. Essa trajetória nos orgulha, mas também nos impõe continuar avançando”, destacou o dirigente.

No início do Congresso, importantes lideranças, como o Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o Presidente da Global Cement and Concrete Association (GCCA), Thomas Guillot, o deputado federal Rodrigo Rollemberg e o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, analisaram as necessidades e a contribuição da indústria nacional para um mundo ecoeficiente.

“O desenvolvimento socioeconômico do país depende de uma indústria forte, uma vez que ela responde pela infraestrutura e o cimento é transversal”, disse Ricardo Alban (CNI), que anunciou o Sistema Business COP (SB COP), iniciativa da CNI que visa mobilizar o setor empresarial para a COP30. O objetivo é estruturar uma representação empresarial internacional, semelhante ao que ocorre no G20 e no BRICS, para garantir que as contribuições do setor privado sejam consideradas nas decisões da COP30 e de conferências futuras. “Queremos mostrar cases, para transformar a COP em uma vitrine de bons exemplos”, disse, referindo-se às iniciativas do cimento. Os esforços da indústria também foram reconhecidos pelo embaixador André Côrrea do Lago, presidente da COP30, em depoimento exibido em vídeo, na abertura do evento.

Maior autoridade no assunto, o Presidente da GCCA, Thomas Guillot, destacou as perspectivas nacionais para alcançar a neutralidade climática. “A indústria brasileira é referência nessa agenda, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética”.

Mais recentemente, a indústria participou da histórica aprovação do Marco Legal do Mercado de Carbono no Brasil, instituindo o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, e agora trabalha na sua regulamentação. Em paralelo, atua ativamente, junto ao governo federal, na definição das metas setoriais de descarbonização e de crescimento econômico que integram o Plano Clima. A indústria tem sido presença constante e propositiva nos debates sobre transição energética, bioeconomia, descarbonização e neutralidade climática. Na Missão 5 da Nova Indústria Brasil, que aborda esses temas, levou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) uma pauta concreta, construída em parceria com a indústria energointensiva.

 

O setor se movimenta

Sob moderação de Gonzalo Visedo, Head de Sustentabilidade do SNIC, executivos da Votorantim, Nacional (Grupo Buzzi, anunciado no evento), Ciplan, Apodi e InterCement expuseram em uma mesa-redonda as diversas iniciativas tomadas por suas empresas ao longo das últimas décadas (e também agora), visando a transição energética e a descarbonização.

Em outro painel, foram debatidos os instrumentos de descarbonização industrial dentro da Estratégia Climática Brasileira. Aloisio Melo, Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério de Meio Ambiente (MMA), reconheceu a expertise e o esforço do setor e anunciou a perspectiva de créditos internacionais da ordem de 500 bilhões de dólares para projetos voltados à mudança climática, 4,5% desses recursos para a América Latina.

O coprocessamento de resíduos e biomassas em fornos de cimento tem sido um importante pilar da estratégia de descarbonização (já que substitui parte do combustível fóssil) e de solução sustentável na gestão de resíduos urbanos e industriais, por eliminar esse passivo ambiental. Daniel Mattos, Head de Coprocessamento da ABCP, trouxe números do “Panorama do Coprocessamento 2024″, publicado pela ABCP, para mostrar que, em 2023, pelo menos 29 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), de um total de 81 milhões de toneladas geradas, tiveram destinação inadequada e 5 milhões de toneladas sequer foram coletadas. Nesse mesmo ano, a indústria cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos, evitando a emissão e o lançamento de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, o que ocorreria se fosse usado o coque de petróleo como combustível.

 

Gestão de resíduos

Diante de sua importância, o coprocessamento foi tema de mesas-redondas, que trouxeram experiências concretas de seus benefícios. Anicia Pio, Gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIESP, e Cristiano Kenji Iwai, Subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento do Governo do Estado de São Paulo, destacaram a necessidade de promover a economia circular. “A destinação dos resíduos é adequada, mas linear. É preciso viabilizar novas rotas tecnológicas para fortalecer a economia circular”, disse Kenji. Ele anunciou a revisão do programa de resíduos do Estado de São Paulo, um plano de combate ao lixo no mar e a ampliação da logística reversa a outros atores da cadeia produtiva, antes restrita a embalagens.

Em outro painel, Rosamaria Milléo Costa, Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, João Audi, VP Economia Circular da Orizon, Anderson do Carmo Diniz, Subsecretário de Saneamento de Minas Gerais, e Pedro Coelho Teixeira Cavalcanti, auditor de Controle Externo do TCE-PE, debateram situações concretas em que o coprocessamento é instrumento de gestão de resíduos urbanos. A autarquia dirigida por Rosamaria Milléo reúne 26 municípios da região de Curitiba, coleta resíduos de 3,4 milhões de habitantes e tem a ABCP como parceira desde 2018.

O auditor Pedro Coelho lembrou que em Pernambuco cerca de 80% dos resíduos são destinados a aterros privados, restando buscar mais qualidade para o tratamento do material restante. O caminho pode estar no modelo da Orizon. Segundo o VP João Audi, a empresa possui 17 ecoparques e seu propósito é obter um aproveitamento completo dos resíduos. Situação bem diversa de Minas Gerais, onde ainda existem 222 municípios com lixões, segundo o subsecretário Anderson Diniz.

Todos concordam que o maior desafio é encontrar a sustentabilidade financeira das estruturas de coleta e tratamento, o que requer instrumentos fiscais e econômicos adequados e leis mais assertivas, principalmente nos níveis estadual e municipal. Uma mesa-redonda sobre o tema reuniu, no ultimo dia, representantes das principais empresas de tratamento de resíduos ou envolvidos com a atividade: Renova, Verdera (Votorantim Cimentos), Revalora (CSN Cimentos), Cimento Nacional e Orizon.

 

Infraestrutura

O último dia do congresso foi dedicado à infraestrutura e às cidades. Em relação ao primeiro tema, o Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, fez um diagnóstico da infraestrutura brasileira, apontando como problemas o esvaziamento das agências reguladoras e do Ibama, responsável pelo licenciamento de projetos. Por outro lado, identificou que o setor possui novas fontes de financiamento, como o mercado de capitais, fontes externas e o incremento dos recursos do BNDES, na casa dos 250 bilhões de reais.

A atratividade do setor a novos investimentos foi reforçada pelo Diretor de Engenharia do grupo Motiva, Angelo Lodi, que espera para breve o anúncio de 190 bilhões de reais em leilões para a pavimentação de 16 mil quilômetros de vias. A empresa detém a concessão de 4.475 km de rodovias em seis estados, além de negócios nas áreas ferroviária e aeroportuária.

O Diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, mostrou-se otimista com a recuperação da capacidade de investimento do órgão nos últimos dois anos e confirmou o avanço do pavimento de concreto na malha federal, presente hoje em 4,5% das rodovias e com potencial para alcançar 10% em breve. O órgão já trabalha com o prazo de projeto de 30 anos, o que mostra a alta competitividade do pavimento de concreto, tanto técnica como economicamente.

 

Cidades

Entre as apresentações feitas no último dia do CBCi, a palestra do Diretor-presidente do Instituto Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, chamou a atenção pelo volume de dados que permitem uma ampla visão dos municípios brasileiros. A entidade acompanha, por meio de mais de 100 indicadores, as desigualdades existentes dentro das próprias cidades, que afetam seu desenvolvimento e sustentabilidade.

A indústria do cimento possui várias soluções voltadas à sustentabilidade das cidades e algumas delas foram mostradas por Klecios Vieira, gestor das obras do Programa de Gestão de Risco Climático do bairro Novo Caximba, de Curitiba-PR, o maior projeto socioambiental do município, financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

 

Inovação

O papel da inovação na mitigação climática foi tema das apresentações dos professores da Escola Politécnica da USP Vanderley John e Rafael Pileggi, que também integram o Laboratório de Construção Digital do projeto hubIC, em parceria com ABCP e SNIC. Ambos trouxeram visões sobre a importância da tecnologia para que a construção civil possa fazer frente à emergência climática. “Os efeitos da mudança climática não vão mudar, ao contrário, vão se agravar”, diz Vanderley John, acrescentando que o mercado de carbono pode ser um indutor da inovação. O Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, reforçou a necessidade de governo e iniciativa privada trabalharem juntos e de forma estruturada.

 

A última palavra

O 9º CBCi reservou uma surpresa para o fechamento do evento. No último bloco, em painel mediado pelo Presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camillo Penna, CEOs de grandes cimenteiras brasileiras formaram uma mesa-redonda para debater os temas cruciais do setor. Estavam presentes os CEOs Alexander Capela Andras (Cimento Itambé), José Eduardo Ferreira Ramos (Cimento Nacional), Sérgio Bautz (Ciplan Cimento Planalto) e Roberto de Oliveira (Mizu Cimentos), e Álvaro Lorenz, Diretor Global de Sustentabilidade da Votorantim Cimentos. Os executivos debateram temas como os ciclos de crescimento e retração do mercado, confiança no futuro do país, consumo do cimento, inovação tecnológica na forma de construir, compartilhamento de experiências, qualidade de máquinas e equipamentos, passando pelos aspectos ambientais. O 9º CBCi foi encerrado com um comunicado do Presidente da ABCP/SNIC: em 2026 a indústria nacional do cimento celebra o seus centenário e a ABCPO, 90 anos de fundação; em 2027 ocorre o 10º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi.

Cimento – Uma solução para cada desafio

Vídeo de abertura do 9º Congresso Brasileiro do Cimento – CBCi e da Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025, realizados no Golden Hall WTC São Paulo, de 30 de junho a 02 de julho de 2025.

O principal e maior evento do setor do cimento teve como tema principal “A indústria do cimento e seu papel transformador para um mundo ecoeficiente”, destacando em sua agenda debates sobre descarbonização, transição energética, infraestrutura e inovações tecnológicas.

O evento contou com mais de 1,1 mil participantes, entre palestrantes, expositores e visitantes, e cerca de 100 palestras e apresentações, além de reunir diversas autoridades federais e estaduais para apresentar suas perspectivas quando ao uso do cimento e seus sistemas construtivos.

 

Confira:

 

O cimento como agente de transformação da infraestrutura está na pauta do maior evento do setor

O Brasil possui aproximadamente 1,72 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, o que faz do país o dono da quarta maior malha rodoviária do mundo. Por outro lado, há um dado que assusta: somente 12,4% das vias são pavimentadas.

Para debater os principais desafios e oportunidades ao desenvolvimento da infraestrutura nacional, autoridades, especialistas e lideranças empresariais estarão reunidos no 9º CBCi – Congresso Brasileiro do Cimento e na ExpoCimento, que acontecem de 30 de junho a 2 de julho de 2025 no Golden Hall WTC, em São Paulo. Os eventos são organizados pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

A programação do congresso destaca, em seu último dia, o tema “O cimento como agente de transformação – Infraestrutura e Inovação”, com palestras do Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Venilton Tadini, do Diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, do Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, e do CEO da Motiva, Miguel Setas.

Diante dos desafios climáticos e da necessidade de infraestrutura viária mais durável e sustentável, o pavimento de concreto vem se consolidando como uma solução técnica e economicamente vantajosa. Além de apresentar um custo de construção competitivo, sendo em muitos casos mais barato que soluções convencionais de revestimento para pavimentos, sua vida útil é significativamente superior, reduzindo a necessidade de manutenção frequente e os custos associados a ela ao longo do tempo. As vantagens do sistema construtivo incluem ainda a redução do consumo de combustível e de pneus e a diminuição do número de acidentes.

Nas rodovias federais, a solução está presente, por exemplo, no Paraná, Santa Catarina e em Brasília. No território paranaense, o concreto está dando uma nova cara à logística viária, com segurança e ganhos operacionais para quem trafega pelo Estado. Já foram pavimentados 110 quilômetros e estão em execução outros 237 quilômetros de rodovias, além de 250 quilômetros de restauração de pavimento flexível pelo sistema whitetopping, que consiste no uso de concreto para a reabilitação de pavimentos asfálticos deteriorados, aumentando a qualidade da obra e a durabilidade das estradas. Há ainda mais 167 quilômetros em projetos. Já Santa Catarina tem atualmente em execução 110 quilômetros de restauração de rodovias, também com whitetopping.

Em Brasília, as vantagens do sistema foram comprovadas em diversas rodovias, entre elas a DF-095, conhecida como Via Estrutural, que teve todo o seu asfalto recoberto por pavimento de concreto (whitetopping), tornando-se a primeira do Distrito Federal a ter essa tecnologia em toda sua extensão, de aproximadamente 45 quilômetros.

Nas cidades, o Pavimento Urbano de Concreto (PUC) já é adotado por mais de 150 municípios brasileiros, contribuindo para a melhoria das ruas com qualidade e economia de recursos financeiros, além de gerar ganhos adicionais para os usuários e para a própria natureza. A pavimentação de concreto em vias urbanas, que começou com seu emprego em corredores de ônibus e avenidas de trânsito pesado, hoje está presente também em vias de menor tráfego. Esta é a realidade de cidades como Piracicaba, no interior de São Paulo.

A expansão do pavimento rígido se deve às vantagens competitivas do PUC, como a vida útil até cinco vezes mais longa em relação ao asfalto, a redução de custos de manutenção, a reflexão de luz até 30% superior à do asfalto e a consequente redução no consumo de energia elétrica das cidades. Além disso, esse tipo de pavimento também pode reduzir em até 4°C a temperatura ambiente e em até 14°C a temperatura da superfície da via, contribuindo para uma menor emissão de dióxido de carbono (CO2). O PUC pode ainda ser utilizado como solução de whitetopping como forma de recuperar e aumentar a capacidade de carga da via.

ExpoCimento

A Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025 ocupará um moderno espaço do Golden Hall WTC, especialmente concebido para acolher as palestras e também para apresentar o que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e sua aplicação nos sistemas cimentícios.

O 9º CBCi e a ExpoCimento têm patrocínio de: Aditibras, Beumer Latinoamericana Equipamentos, Cimento Nacional, Ciplan Cimento Planalto S/A, Claudius Peters do Brasil, Chryso Saint-Gobain, Dairix Equipamentos Analíticos, FIEMG – SENAI, FIRJAN – SENAI, FLSmidth Brasil, Fuchs Lubrificantes do Brasil, Gebr. Pfeiffer do Brasil, Haver & Boecker Latinoamericana, Hazemag do Brasil, Cia de Cimento Itambé, Magotteaux Brasil, Novakem Indústria Química, Orizon Valorização de Resíduos, Qlar Europe Gmbh, Renova, RHI Magnesita, RUD Correntes Industriais, Sika S/A, Sinoma – CBMI,  Sinoma – CDI,  Sinoma – CNBM Equipment Group Co, Sinoma Overseas Brazil,  UTIS e Votorantim Cimentos.

II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025)

Paralelamente aos eventos, haverá ainda uma semana de muito conhecimento, inovação e networking no II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025), de 27 de junho a 2 de julho, com a presença renomados especialistas e acadêmicos do tema.

Veja como o calor está mudando as rodovias brasileiras

O asfalto não chega a reinar quando se observa a totalidade das rodovias brasileiras – aproximadamente 87% da malha rodoviária do país ainda é de terra -, mas historicamente manteve uma supremacia nos 12,3% de estradas pavimentadas no país. Esse predomínio começa a ser ameaçado pelo concreto a base de cimento Portland, tipo mais comum no Brasil.

Segundo executivos de departamentos governamentais de infraestrutura rodoviária ouvidos pelo Valor, a utilização do concreto na pavimentação de estradas tende a dobrar nos próximos dez anos. Essa perspectiva se baseia principalmente pelo encarecimento do ligante asfáltico comercializado pela Petrobras e pelos efeitos das mudanças climáticas, considerando que temperaturas mais altas e variações mais extremas costumam danificar mais o asfalto que o cimento. O asfalto também reflete mais calor para a atmosfera, contribuindo para elevar a temperatura, especialmente nos aglomerados urbanos.

 

Confira a matéria de Rafael Vazquez para o Valor na íntegra:

Pavimento de Concreto: solução competitiva e sustentável para infraestrutura rodoviária

Seminário apresenta programas de investimentos em infraestrutura em MG, PR e DF e traz cases de tecnologias e boas práticas

A Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (Seinfra/MG), o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER/MG) e a ABCP promoveram nesta quinta-feira, 29, no auditório do BDMG, em Belo Horizonte, o seminário “Pavimento de Concreto: solução competitiva e sustentável para infraestrutura rodoviária”. O evento contou, entre as lideranças e autoridades, com as presenças do presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, de Pedro Bruno Barros de Souza, secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (SEINFRA/MG), de Rodrigo Tavares, diretor geral do DER/MG, de Janice Kazmierczak Soares, diretora técnica do DER/PR, e de Fauzi Nacfur Júnior, presidente do DER/DF e da Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem (ABDER).

O seminário colocou em pauta importantes programas de investimento em infraestrutura, seja na forma de concessões ou na recuperação viária, parcerias fundamentais, como a celebrada entre o DER/MG, a Seinfra e a ABCP, e a criação da PAVI+, comunidade voltada exclusivamente ao desenvolvimento e implementação do pavimento rígido. Além disso, promoveu um debate sobre diretrizes de projeto de pavimento de concreto em rodovias e boas práticas para a execução de pavimentos urbanos (veja o programa).

“É importante destacar que as vantagens do pavimento de concreto em relação a outras opções se baseiam em parâmetros técnicos e econômicos. Os estudos comparativos de viabilidade mostram que o pavimento rígido, em relação ao asfalto, é competitivo já na implantação e gera menor custo anual de manutenção”, disse o presidente Paulo Camillo Penna.

Ao relacionar benefícios como resistência à deformação, excelente capacidade de reflexão da luz (exigindo menos iluminação pública em trechos urbanos), melhores condições de visibilidade ao motorista, maior segurança de tráfego (já que sua superfície oferece maior aderência aos pneus em dias de chuva, evitando aquaplanagem) e elevado conforto de rolamento, que resulta de procedimentos e cuidados executivos, Paulo Camillo Penna destacou a sustentabilidade do pavimento de concreto, que contribui para diminuir a temperatura ambiente, reduzindo as ilhas de calor e a poluição ambiental nas cidades.

 

Pavimento de concreto amplia presença no Paraná

O concreto está dando uma nova cara à logística viária do Paraná, com segurança e ganhos operacionais para quem trafega pelo Estado. Já foram pavimentados 110 quilômetros e estão em execução outros 120 quilômetros de rodovias, sendo 200 quilômetros de restauração de pavimento flexível pelo sistema whitetopping, que consiste no uso de concreto para a reabilitação de pavimentos asfálticos deteriorados, aumentando a qualidade da obra e a durabilidade das estradas. Há ainda mais de 240 quilômetros em projetos.

Já foram concluídos dois trechos da PRC-280: entroncamento da BR-153 até o acesso de Palmas, indo até Clevelândia; e um trecho da PR-092 denominada Rodovia dos Minérios. As obras em execução são: o trecho final da PRC-280 entre Clevelândia e Pato Branco; um trecho da PR-466 entre Guarapuava e Palmeirinha; a continuação da Rodovia dos Minérios, entre Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul; a restauração da PR-180 entre Goioerê e Quarto Centenário; a restauração da PR-151 entre Ponta Grossa e Palmeira; e a estrada de ligação entre São José dos Pinhais e Mandirituba.

A revitalização dessas rodovias em concreto atende à necessidade de o Estado proporcionar uma pavimentação mais duradoura e que suporte melhor o tráfego pesado, uma vez que o Paraná possui importante produção agrícola e industrial transportada por essas vias.

A solução em concreto, adotada com sucesso nas estradas americanas e alemãs, consideradas as mais eficientes do mundo, vem sendo implementada com sucesso no Paraná, a partir de um processo contínuo de capacitação técnica conduzido pela ABCP.

 

Santa Catarina

Além do Paraná, a ABCP também apoia Santa Catarina na frente de capacitação. O Estado tem atualmente em execução 120 quilômetros de restauração de rodovias, também pelo sistema whitetopping. Somente na região Sul, a ABCP capacitou 1.121 profissionais em 2024, além de dar apoio ao acompanhamento de projetos e obras, que comprovam a elevada competitividade do pavimento de concreto.

Iniciada pavimentação em concreto da rodovia entre São José dos Pinhais e Mandirituba

Estima-se que, no ano de abertura ao tráfego, aproximadamente 1.265 veículos utilizarão diariamente a nova via. Crédito: Divulgação/AMEP

 

Após quase três décadas de espera, começaram as obras de pavimentação em concreto da estrada rural que conecta São José dos Pinhais a Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Com um investimento de R$ 96,8 milhões por parte do governo do Paraná, a iniciativa busca fortalecer a infraestrutura local e promover o desenvolvimento socioeconômico da região.

A pavimentação dessa via é considerada essencial para o escoamento da produção agrícola e para o turismo local. O diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos (Amep), Gilson Santos, destacou a relevância do projeto: “A nova ligação metropolitana estabelecerá uma conexão entre a BR-116, em Mandirituba, e a BR-376, em São José dos Pinhais. É uma nova conexão do Estado dentro da Região Metropolitana de Curitiba, que traz ganho de tempo para as pessoas, principalmente de quem vem da região Sul para o Litoral”, assinala.

 

Detalhes técnicos da pavimentação

O trecho a ser pavimentado possui 26,61 km de extensão, dividido em cinco segmentos. Nos trechos ímpares (1, 3 e 5), atualmente sem pavimentação, serão implantadas duas faixas de rolamento (uma em cada sentido) e uma ciclofaixa.

Já nos trechos pares (2 e 4), onde o pavimento existente é de paralelepípedo, será construída uma ciclovia adjacente. A pavimentação será realizada em concreto, garantindo maior durabilidade e resistência ao tráfego.

 

Obra de 26,61 km terá investimento de R$ 96,8 milhões por parte do governo do Paraná.
Crédito: Divulgação/AMEP

 

Impacto no tráfego local

De acordo com o projeto, estima-se que, no ano de abertura ao tráfego, aproximadamente 1.265 veículos utilizarão diariamente a nova via. Esse número deve aumentar para cerca de 1.934 veículos por dia no décimo ano de operação. A previsão de entrega da obra está prevista para daqui a 21 meses, possivelmente no final de 2026.

A melhoria na infraestrutura viária proporcionará maior segurança e eficiência no deslocamento de moradores, trabalhadores e no transporte de produtos agrícolas.

 

Perspectivas futuras

A conclusão da pavimentação entre São José dos Pinhais e Mandirituba representa um avanço significativo para a região, atendendo a uma reivindicação antiga da comunidade local. Espera-se que a nova rodovia estimule o crescimento econômico, facilite o acesso a mercados e serviços, além de promover o turismo e a qualidade de vida dos habitantes.

 

Fonte: Massa Cinzenta / Jornalista responsável: Ana Carvalho / Vogg Experience