Inventário de gases de efeito estufa é ferramenta importante para indústria reduzir emissões

Mecanismo permite que empresa identifique emissões e possa elaborar estratégias de mitigação, faça comparação com outras empresas e participe de iniciativas como a do mercado de carbono

Fonte: Indústria Verde

A necessidade de empresas e governos medirem e monitorarem as suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) foi um dos temas debatidos no pavilhão brasileiro durante a conferência do clima da ONU, a COP27, que chegou ao fim neste domingo, 20 de novembro. Medir as emissões, por meio de inventário, permite o mapeamento das fontes de GEEs de uma atividade, processo, organização, setor econômico, cidade, estado ou país, seguida da quantificação, monitoramento e registro de todos os dados. É uma radiografia que permite, assim, que sejam criadas estratégias para mitigar as emissões.

No âmbito federal, o Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de GEE é disponibilizado por meio do Sistema de Registro Nacional de Emissões (SIRENE), cuja responsabilidade pela implementação e manutenção foi conferida ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A disponibilização de resultados de inventários de emissões, através de suas Comunicações Nacionais, faz parte dos compromissos do Brasil como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC).

Diversas instituições públicas e privadas participam do processo de elaboração do Inventário Nacional, contribuindo com a disponibilização de dados de atividades, ou com o desenvolvimento de parâmetros e fatores de emissão nacionais, pertinentes ao exercício da metodologia a ser aplicada na elaboração dessas estimativas para o país.

“A ideia do inventário é conhecer da forma mais precisa possível as emissões. Quais são as fontes, quais gases estão sendo emitidos. Conhecendo isso, temos condições de buscar alternativas para reduzir as emissões”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima e Sustentabilidade do Ministério de Ciência e Tecnologia, Márcio Rojas.

No ambiente corporativo, esse mapeamento permite que a empresa identifique suas emissões e possa compensá-las, elabore estratégias de mitigação, compare suas emissões com as de outras empresas e ainda participe de iniciativas como a do mercado de carbono.

“O inventário engloba métodos elaborados para viabilizar uma comparabilidade entre unidades produtivas, empresas, municípios ou países”, afirmou Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “É uma ferramenta indispensável para a verificação dos compromissos e das metas estabelecidas por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) de cada país no âmbito do Acordo de Paris”, explicou Bomtempo.

Atualmente não há um banco de inventários de emissão consolidado e disponível para a indústria. Porém, diversas empresas já realizam seus inventários de emissões de GEEs e publicam em programas e iniciativas voluntárias, como o Programa Brasileiro GHG Protocol e o Carbon Disclosure Project (CDP), ou mesmo em sistemas de relato estaduais.

 

Case de sucesso: inventário e setor de cimento

O setor do cimento já realiza esse mapeamento há 20 anos de maneira organizada e, segundo dados do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), entre 1990 e 2015, houve uma redução de 20% na emissão de CO2, evitando que 125 Mt de CO2 chegassem na atmosfera.

A indústria de cimento mundial segue uma metodologia específica e unificada, chamada Getting the Numbers Right (GNR). O relatório é preenchido anualmente e enviado para a Global Cement and Concrete Association (GCCA), que gerencia essas informações e depois as torna públicas. Com base nelas, é possível fazer recortes e comparar os números no Brasil e no mundo.

“Cada planta de cada empresa aderente a esta plataforma trabalha com a mesma planilha e coloca as informações nos mínimos detalhes”, explicou Gonzalo Visedo, head de Sustentabilidade do SNIC. “Quando consolidada, essa informação permite mapear como determinada planta está evoluindo em relação a outras plantas, ver como aquela empresa está evoluindo em relação à média brasileira, como o Brasil está evoluindo em relação à média mundial e, a partir dali, é possível traçar estratégias”, resumiu Visedo.

Hoje, 80% da produção nacional se reporta ao inventário. No caso brasileiro, a indústria de cimento nacional estampa a menor média de emissão mundial. Em 2020, a média brasileira era de 565 Kg de CO2 por tonelada de cimento (referência internacional) e a mundial, 620 kg CO2/t cimento. O objetivo do setor é reduzir as emissões em mais 33%, entre 2015 e 2050, evitando assim a emissão de 420 toneladas de CO2 na atmosfera.

Para atingir esse objetivo, com ajuda do inventário de emissões, já foram identificadas quatro áreas temáticas principais que irão auxiliar nessa meta: matérias-primas alternativas, combustíveis alternativos, eficiência energética e captura de carbono. “O inventário é essencial para atingirmos a meta. A frase mais emblemática é: ‘quem não mede, não gerencia’. Conhecer é o ponto de partida. Não se consegue gerenciar nada se não se tem os números. Se não se conhece a informação, não se consegue traçar estratégias e definir potenciais de redução”, afirmou Visedo.

 

O que é o inventário nacional ponto a ponto?

• O Brasil, como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), apresenta o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE) a cada 4 anos.

• O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), por meio da atuação da Coordenação-Geral da Ciência do Clima e Sustentabilidade (CGCL), é responsável pela coordenação da elaboração do Inventário Nacional.

• Em 2020, o Brasil publicou seu mais recente Inventário Nacional, contemplado na Quarta Comunicação Nacional do país submetida à UNFCCC. A elaboração deste inventário representou um esforço coletivo e multidisciplinar, que envolveu cerca de 185 instituições e mais de 300 especialistas de todas as regiões do país.

• O relatório usa metodologia aprovada no âmbito de uma força tarefa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Essas diretrizes são atualizadas periodicamente. O último inventário nacional foi feito com base nas diretrizes de 2006.

• Com base nos inventários, o MCTI disponibiliza o Simulador Nacional de Políticas Públicas Setoriais e Emissões (SINAPSE), uma plataforma que apresenta 50 possibilidades de políticas públicas. No portal, é possível selecionar a política pública, a intensidade dessa política e o cronograma. A partir daí, a ferramenta dá uma série de informações sobre qual vai ser o impacto disso do ponto de vista da redução de emissões, qual vai ser o custo dessa política, dentre outras informações.

 

Gonzalo Visedo, head de Sustentabilidade do SNIC: “O inventário é essencial para atingirmos a meta. Quem não mede, não gerencia”. Foto: Divulgação

Atlas de Recuperação Energética incentiva parcerias com o setor privado na gestão dos resíduos sólidos

Ferramenta integra o SINIR+, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, e tem o apoio da indústria do cimento para garantir uma destinação mais sustentável ao lixo urbano

A busca por alternativas sustentáveis para a destinação das mais de 82 milhões de toneladas de resíduos urbanos gerados no Brasil somente em 2021 é um desafio para o poder público e toda a sociedade. Diante do aumento expressivo da produção de lixo, agravado pela pandemia da Covid-19, a busca por soluções para transformar o problema dos resíduos e lixões em oportunidade de geração de energia nunca foi tão urgente.

Para contribuir com a gestão de resíduos sólidos, a ABCP integra uma das frentes previstas pelo programa Lixão Zero, o Atlas de Recuperação Energética, que faz parte da nova versão do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos, o SINIR+. Lançada na quarta-feira (13/4), pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ferramenta mapeia as regiões com maior potencial de aproveitamento do lixo para geração de energia e traz informações interativas e painéis que detalham a gestão dos resíduos sólidos em todo o País.

O desenvolvimento do Atlas de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos é parte de um acordo assinado pelo MMA junto com a ABCP e demais integrantes da Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER). Fruto de um amplo trabalho de dois anos, o esforço em conjunto com as associações é de extrema importância para auxiliar no esforço governamental de colocar a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática e atender ao Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê a universalização dos serviços de saneamento até 2033 e o encerramento dos lixões até o final de 2024, priorizando a reciclagem e o reaproveitamento dos resíduos.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), recém-publicado pelo governo, traz diretrizes, estratégias, ações e metas para modernizar a gestão de resíduos sólidos no país, de forma a colocar em prática os objetivos previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei n° 12.305, de 2010. O novo dispositivo prevê o aumento crescente da recuperação de resíduos, estabelecendo uma meta de 50% de aproveitamento em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado passará a ser valorizado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética (coprocessamento), o que representa um grande avanço se comparado ao cenário atual em que apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos são recuperados.

A indústria de cimento, por exemplo, é um dos segmentos com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo urbano não reciclável. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno – que transforma argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento.

Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP

 

“O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, de recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento atuamos na redução das emissões de CO2, através do uso de diversas tipologias de resíduos e, mais recentemente, destaca-se a utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), em substituição ao coque de petróleo, que é o combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento. O acordo traz um enorme potencial para ampliar as discussões e achar alternativas viáveis para que os investimentos necessários para uma destinação ambientalmente mais adequada ocorram na cadeia como um todo, trazendo, portanto, benefícios concretos ao meio ambiente e à sociedade” diz o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna.

 

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 28% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais inadequados quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, finaliza o presidente da ABCP.

COP-26: indústria brasileira se destaca por pioneirismo 

Foto: indústria do cimento utiliza combustíveis alternativos para a produção, como resíduos e pneus (Divulgação)

 

Iniciativas de empresas locais na prática de economia de baixo carbono devem atrair investimentos para diversos setores 

Por CNI – 04/11/2021 (Valor Econômico)

Os interessados em indústrias comprometidas com o meio ambiente e a sustentabilidade se sentirão tentados a demorar mais tempo no estande do Brasil na COP-26 diante de tantas novidades. Por meio da CNI, o setor apresentará ao público de Glasgow experiências empresariais bem-sucedidas, alinhadas com o projeto nacional da instituição para consolidar a economia de baixo carbono.

Dentre as iniciativas promovidas pelas empresas do setor estão o uso de matérias- primas alternativas (filler calcário, escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas, por exemplo) e combustíveis alternativos tais como biomassas, resíduos industriais, comerciais e domésticos, pneus, entre outros. Essas ações elevaram o Brasil a condição de referência global como o país que menos emite CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

A indústria de cimento brasileira se destaca por um processo industrial menos agressivo, já que o segmento responde por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem, mas, no Brasil, a participação cai para quase um terço da média mundial, 2,3% (dados do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal). 

A partir dessas frentes aliadas à eficiência energética e captura e estocagem de carbono, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões até 2050, evitando a emissão de 420 milhões de toneladas de CO2. Isso implicará a redução da intensidade carbônica do cimento brasileiro de 564 kg por tonelada, hoje a menor emissão global, para 375 kg por tonelada — afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). 

Net Zero 

Outro destaque em neutralização de carbono é a JBS, primeira empresa global do setor de proteína a estabelecer a meta Net Zero, com compromisso de alcançar esse objetivo até 2040. A proposta da empresa é zerar o balanço líquido das emissões de gases causadores do efeito estufa, reduzindo suas emissões diretas e indiretas e compensando todo residual até 2040. A empresa é a segunda maior empresa de alimentos do mundo e a primeira no setor de proteína. 

Empresa de produtos de limpeza ultraconcentrados sem químicos e vendidos em cápsulas retornáveis e recicláveis, a YVY oferece seus produtos não poluentes por meio de e-commerce. O comprador tem acesso a um item fabricado sem nenhum ingrediente sintético nem embalagens plásticas de uso único. Inovação na categoria economia circular, tanto no modelo de negócios quanto no processo de fabricação, e exemplo para encher os olhos dos investidores. 

No Paraná, a Federação das Indústrias (Fiep) atua junto ao governo do estado para criar uma política pública específica para economia circular e também apoia as empresas locais que se adequem à nova legislação. 

Energia limpa 

Cases de indústrias que utilizam fontes renováveis de geração de energia reforçam a adesão do setor à transição energética na indústria brasileira. A Aperam South America e a sua subsidiária, a Aperam BioEnergia, produtora de aço, são as únicas do segmento no mundo a utilizar apenas carvão vegetal como combustível, tendo como resultado o Aço Verde Aperam. 

Já a Fibertex, que investe em fibras recicladas de garrafas PET, usa energia proveniente 100% de fonte renovável e tem um sistema de energia fotovoltaica para a área do escritório administrativo, sustentável em diferentes etapas produtivas. 

Produção de cimento 

A indústria do cimento brasileira desenvolveu o Roadmap Tecnológico do Cimento, uma ferramenta que mapeia diferentes cenários e alternativas capazes de acelerar a transição de baixo carbono do setor a curto, médio e longo prazos até 2050. Com a medida, a indústria espera reduzir em 33% suas emissões projetadas. Entre as alternativas propostas, o uso de matérias-primas alternativas, ou adições, representaria 69% do potencial de redução do setor, enquanto os combustíveis alternativos respondem por 13%.

O projeto foi resultado da parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e especialistas de universidades e centros tecnológicos do país. 

As alternativas propostas pelo segmento se concentraram em quatro principais pilares. O primeiro, entre as ações para acelerar a transição, está relacionado às matérias-primas alternativas, por meio de adições e substitutos de clínquer, produto intermediário do cimento como escórias siderúrgicas, cinzas volantes e fíler calcário. Os combustíveis fósseis não renováveis também seriam substituídos por alternativos, por meio da utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição. 

Medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico, constituem o terceiro pilar. O quarto pilar é desenvolvido por meio de inovações, com pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas como a captura de carbono.

Papel e celulose 

Talvez o mais representativo dos pilares da estratégia de baixo carbono da CNI, o eixo de conservação florestal se destaca pela indústria de papel e celulose, com o avanço de biotecnologia para um processo mais sustentável, e pelo investimento em concessões florestais. A indústria brasileira de árvores é responsável por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país, e o Brasil abriga nove milhões de hectares de árvores plantadas e 5,9 milhões de hectares para conservação. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), 90% da energia consumida pelo setor é renovável e 70% vêm de autoprodução.

A indústria nacional de produção de papel também é uma das que mais reciclam no Brasil, com uma média de 70% do total produzido, ainda segundo o Ibá. Outra medida sustentável do segmento foi a redução em 75% da água necessária para produzir uma tonelada de celulose, além do índice de reaproveitamento de 43%. 

A CNI defende a inclusão, em processos de concessões florestais, as terras devolutas, que hoje somam mais de 60 milhões de hectares. As áreas públicas sem destinação pelo poder público ficam mais expostas à ação de grileiros e ao desmatamento ilegal. Ao todo, são quase 30 milhões de hectares de terras federais e aproximadamente 34 milhões de hectares de áreas estaduais.

A Lei 11.284, que trata de gestão de terras públicas, é de 2006 e, de acordo com Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, o aprimoramento das regras para a concessão florestal deve contemplar modificações que reflitam aprendizados adquiridos ao longo dos últimos 15 anos. 

Gestão e Destinação de Resíduos para Cidades Sustentáveis – Tecnologia de Coprocessamento

Por iniciativa conjunta da ABCP e do SNIC, profissionais e técnicos de órgãos ambientais de Amazonas, Bahia, Sergipe e Tocantins participaram na manhã desta quarta-feira, 26/08, do webinar “Gestão e Destinação de Resíduos para Cidades Sustentáveis – Tecnologia de Coprocessamento”. O evento, realizado em formato on-line, teve o objetivo de contribuir para o desenvolvimento técnico das equipes dos órgãos ambientais e buscar harmonização conceitual da tecnologia do coprocessamento de resíduos em fornos de clínquer, reforçando a atividade como uma alternativa adequada e complementar para a gestão de resíduos em cidades sustentáveis e inteligentes. Cerca de 35 profissionais da área participaram do encontro.

 

>> Esta foi a segunda edição do evento. Na primeira realização, ocorrida dia 18/08/2021, participaram profissionais de Alagoas, Espírito Santo, Pará, Roraima e Santa Catarina. Na ocasião, cerca de 50 profissionais estiveram presentes. Mais dois encontros serão realizados em setembro próximo, em datas ainda a ser confirmadas, com a participação de outros estados da federação.

 

Aberto pelo presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, e mediado pelo diretor de Comunicação, Hugo Rodrigues, o encontro contou com palestra do consultor Gunther André Hofstatter, da FG Serviços Ambientais, que contribuiu decisivamente para a nova Resolução Conama 499/20, que dispõe sobre o licenciamento da atividade de coprocessamento de resíduos em fornos rotativos de produção de clínquer. Cerca de 50 profissionais da área participaram do encontro.

O presidente da ABCP lembrou que, até os anos 40, o Brasil tinha menos de 20% da sua população nas cidades e essa pirâmide se inverteu significativamente, e que cada um dos 220 milhões de brasileiros produz 383 kg de resíduos domésticos por ano. “Algo que parecia distante e pouco provável já ocorre. O relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) deixa claro o impacto direto do aquecimento da atmosfera sobre a humanidade devido à emissão dos gases de efeito estufa (GEE)”, disse.   

Para Paulo Camillo, a tecnologia de coprocessamento exerce duas funções essenciais no ambiente e está plenamente inserida no conceito de economia circular, já que aproveita o poder energético dos resíduos e também elimina o passivo ambiental representado pelo acúmulo deles em aterros e lixões. “Como sabemos, a utilização de combustíveis alternativos pelo setor potencializa uma menor emissão de CO2 por substituir combustíveis fósseis tradicionais, como coque de petróleo e carvão. Os benefícios da técnica incluem a preservação de recursos naturais em matérias-primas. A redução de GEE gera empregos, a redução de lixões, a melhoria da saúde pública e o aumento da vida útil dos aterros sanitários existentes.”

CONTEÚDO

O evento de duas horas, aproximadamente, foi organizado em três módulos, que trataram de: 1) Cidades Sustentáveis e sua Conexão com o Processamento de Resíduos Sólidos; 2) Coprocessamento de Resíduos Sólidos na ótica da Indústria Cimenteira; e 3) Políticas Públicas e a base legal para execução da atividade de Coprocessamento de resíduos sólidos e conexão mundial. Ao final de cada módulo, os participantes puderam apresentar dúvidas e aprofundar o debate.

Em sua palestra, Gunther Hofstatter destacou o conceito de coprocessamento, definido por quatro vertentes: matérias-primas alternativas, combustíveis alternativos, destruição térmica de passivos e ganhos ambientais. Segundo ele, “é simplista definir o coprocessamento apenas pela substituição de matérias-primas ou uso de combustíveis alternativos. O coprocessamento é uma solução ambiental integrada”, que se oferece às políticas públicas de destinação de resíduos urbanos. “Os resíduos ocupam o quarto lugar entre as fontes emissoras de GEE no mundo e a transformação energética está em primeiro lugar. Portanto, é fantástico quando podemos atuar nessas duas frentes, como é o caso do coprocessamento”, explicou Hofstatter.

Ao tratar dos aspectos técnicos, o especialista observou que o licenciamento concedido à indústria refere-se à capacidade do forno de destruir os resíduos, ou seja à atividade, não aos materiais que serão coprocessados, e que o coprocessamento acaba impulsionando a indústria a seguir um novo e mais elevado patamar de controle das emissões”. Ele informou que já existem no país plantas industriais que coprocessam o resíduo sólido urbano (RSU), assim como plantas de preparo de RSU. “O que precisamos agora é ampliar essas atividades”, concluiu.

Para o presidente da ABCP, “devemos erradicar a ideia de ser um dos países que ainda enterram energia. Esperamos que haja aqui uma troca de muito conhecimento técnico e sinergia, e que tenhamos o sentimento de que a transformação virá a partir dos nossos próprios atos. A união de esforços de todos aqui presentes é um marco para continuarmos seguindo em uma agenda tão importante como esta. Ou seja, uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição de resíduos em aterros”.