Venda de cimento cresce 7,5% em fevereiro no país

As vendas de cimento em fevereiro de 2025 totalizaram 5,1 milhões de toneladas, um crescimento de 7,5% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o setor apresentou alta de 6,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

A venda por dia útil – indicador que considera o número de dias trabalhados e que tem forte influência no consumo de cimento – foi de 232,1 mil toneladas, um aumento de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior e uma alta de 4,1% em relação ao acumulado no ano.

Os principais indutores do desempenho foram o mercado de trabalho ainda aquecido, com expansão do emprego formal, aumentando a massa salarial e do PIB, além do desempenho do mercado imobiliário. As vendas e os lançamentos de novos imóveis seguiram em expansão, impulsionadas principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Apesar do momento promissor, a falta de mão de obra e os aumentos dos custos já impactam a confiança da construção, que caiu para o pior nível desde março de 2022. Soma-se a esse cenário a preocupação das empresas do setor com a redução da disponibilidade de crédito via SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e FGTS, que podem afetar os investimentos e desacelerar o número de lançamentos imobiliários, diminuindo a oferta. Nesse sentido, é consenso do mercado a necessidade de procurar alternativas de funding para as construções imobiliárias.

A mesma percepção de pessimismo foi observada pelo consumidor, que pela terceira vez consecutiva manteve-se menos confiante com a piora da inflação de alimentos, que reduz o poder de compra das famílias em bens essenciais e a elevação da taxa de juros, que agrava a situação financeira da população.

A indústria também segue com cautela quanto à situação presente. O cenário macroeconômico da Selic em elevação e o câmbio desvalorizado, aliados a uma expectativa geral de desaceleração da economia, podem significar um ano difícil para o setor industrial, apesar dos bons resultados de 2024.

Mesmo diante desse cenário desafiador, a indústria brasileira de cimento segue moderadamente otimista com a espera de um melhor desempenho do PAC, o avanço no uso do pavimento de concreto e obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

No ano em que o Brasil será o centro das atenções na agenda ambiental, ao sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, a indústria vem colaborando com o governo federal para a elaboração de metas setoriais, no âmbito do Plano Clima. O objetivo é contemplar tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico, para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Indústria do cimento apresenta forte alta em fevereiro

A indústria do cimento registrou um desempenho de vendas favorável. A comercialização do insumo no país em fevereiro totalizou 5,1 milhões de toneladas, um crescimento de 7,5% em relação ao mesmo mês de 2024 e uma alta de 6,4% frente ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC).

 

Venda de cimento cresce 5,3% em janeiro no país

A indústria do cimento registrou um início de ano com desempenho de vendas favorável. A comercialização do insumo no país em janeiro totalizou 5,2 milhões de toneladas, um crescimento de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2024 e uma alta de 10% frente a dezembro último. Por dia útil, que considera o número de dias trabalhados e tem forte influência no consumo, a comercialização de cimento foi de 215,6 mil toneladas no mês de janeiro, o que representa uma evolução de 5,4%, comparado ao mesmo mês do ano anterior e queda de 1,1% em relação a dezembro de 2024.

O resultado é atribuído ao contínuo aquecimento do mercado de trabalho e à renda da população, com a massa salarial em alta, desemprego em nível baixo e recorde em carteiras assinadas.

Além disso, o mercado imobiliário, importante indutor do consumo de cimento, registrou crescimento no financiamento em 2024, ainda que mudanças em linha de crédito habitacional vêm sendo negativamente realizadas.

Verifica-se forte movimentação de vendas e de lançamentos, puxada pelas obras do programa Minha Casa, Minha Vida, que permanece em expansão. A comercialização de materiais de construção também seguiu em alta no ano passado.

No entanto, apesar da demanda aquecida da construção civil, o setor começa a sentir os impactos da pressão inflacionária, do custo de mão de obra, da continuidade do aumento da taxa de juros (13,25%) e do endividamento e inadimplência elevados, que exercem pressão na situação financeira e no consumo das famílias, contribuindo, inclusive, para a queda na confiança do consumidor em janeiro. Este índice registrou o menor nível desde fevereiro de 2023, refletindo uma maior preocupação com o momento atual e com as expectativas futuras, em todas as classes de renda, principalmente as mais elevadas.

Na construção e indústria, a confiança também piorou. O ambiente econômico, com a Selic em elevação (com probabilidade de atingir 15% até dezembro) e o câmbio desvalorizado, já representa um desafio para as empresas.

As incertezas fiscais do país somadas à trajetória de alta da Selic, anunciada pelo Banco Central, tornam as perspectivas do setor para o ano mais conservadoras.

Ainda assim, a indústria do cimento segue otimista com a possibilidade de elevar a presença do cimento e do pavimento de concreto como opção nas licitações de ruas, estradas e rodovias. Fatores como esses levam a uma projeção de crescimento de consumo do produto estimada em 1% para este ano, o que representa um acréscimo de 650 mil de toneladas de cimento, atingindo um total anual de 65,5 milhões de toneladas.

Na perspectiva da sustentabilidade, o ano de 2025 traz desafios importantes para o setor produtivo, como a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões – Mercado de Carbono, bem como a definição de metas de descarbonização setoriais no âmbito do Plano Clima, quando se avizinha a COP30.

Vendas de cimento iniciam o ano em alta

A indústria do cimento registrou um início de ano com desempenho de vendas favorável. A comercialização do insumo no país em janeiro totalizou 5,2 milhões de toneladas, um crescimento de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2024 e uma alta de 10% frente a dezembro último, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC).

 

 

Setor prevê crescimento de 1% em 2025

O cenário econômico, marcado por incertezas fiscais do governo, inflação projetada acima do teto da meta, aliado com a trajetória de alta de juros, endividamento e inadimplência, indica que a taxa de crescimento do consumo de cimento será menor em 2025 do que foi em 2024.

A majoração da Selic deve ampliar a concorrência dos ativos financeiros frente aos ativos imobiliários. Ainda assim, a indústria brasileira do cimento espera crescer em torno de 1% este ano, influenciada em parte pelos avanços em projetos de infraestrutura e desenvolvimento urbano, principalmente nas áreas de habitação e saneamento.

No segmento habitacional, o sistema construtivo Parede de Concreto é uma solução para programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), por trazer como benefícios padronização e velocidade de construção – três vezes mais ágil do que o sistema convencional -, permitindo que as empresas o utilizem em projetos com prazos apertados e alta repetitividade. Caso se confirme a previsão de entrega, pelo MCMV, de 500 mil unidades em 2025, o consumo estimado de cimento será da ordem de 2,5 milhões de toneladas.

Em relação aos investimentos previstos em infraestrutura de transporte, vale lembrar que o Brasil possui aproximadamente 1,72 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, o que representa a quarta maior malha viária do mundo. Por outro lado, há um dado que preocupa: somente 12,4% dela é pavimentada.

O Ministério dos Transportes apresentou diretrizes para alocação de recursos em contratos de concessão rodoviária que visam mitigar as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e impulsionar a transição energética do setor. Entre outras medidas, a portaria MT 622/2024 estabelece que as concessionárias deverão adotar métodos construtivos e tecnologias com menores emissões de GEE.

O pavimento de concreto vai justamente ao encontro dessa portaria. É uma solução mais econômica, com longa durabilidade, sustentável – por ser altamente engajada com a diminuição das emissões – e reduz o consumo de combustível e pneus. Além disso, contribui para reduzir as ilhas de calor e ampliar a luminosidade das rodovias.

No que tange às soluções para as cidades, o setor segue apoiando os municípios brasileiros com sistemas construtivos que atendam às necessidades locais por infraestrutura e tragam melhorias a favor da mobilidade urbana, saneamento, espaços públicos e habitação.

O setor de saneamento prevê a retomada de concessões e a expectativa é de que novos projetos para 2025 possam acrescentar mais 72,4 bilhões de reais em investimentos. Com isso, as projeções do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) apontam para um crescimento da demanda do insumo.

A expectativa em 2025 é de alta, desde que se efetivem programas com ênfase na habitação, no saneamento e na logística.

Vendas de cimento fecham 2024 em alta

As vendas de cimento em dezembro somaram 4,7 milhões de toneladas, um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2023, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor termina o ano de 2024, com um total de 64,7 milhões de toneladas de cimento vendidas, um aumento de 3,9%, ou seja, 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior. 

Vendas de cimento fecham 2024 em alta

As vendas de cimento em dezembro somaram 4,7 milhões de toneladas, um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2023, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor termina o ano de 2024 com um total de 64,7 milhões de toneladas de cimento vendidas, um aumento de 3,9%, ou seja, 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior.

A atividade voltou a crescer após registrar quedas anuais consecutivas, -2,8% em 2022 e -0,89%, em 2023. O resultado recupera as perdas dos últimos dois anos, mas ainda longe do consumo recorde de 2014, de 73 milhões de toneladas.

O desempenho positivo é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica. Além disso, o mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão a partir do segundo trimestre, puxado pela retomada das obras do programa Minha Casa, Minha Vida. No acumulado até setembro, as unidades enquadradas no programa cresceram 58,7% nos lançamentos e 43,6% nas vendas de imóveis no País.

No entanto, apesar da demanda aquecida da construção civil, o setor enfrentou desafios significativos, com aumento nos custos com mão de obra aliado às taxas de juros, endividamento e inadimplência em níveis elevados.

A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação já tem elevado salários, pressionando a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do Índice Nacional de Custo da Construção – INCC.

Já o ciclo de alta da Selic iniciado em setembro acirrou a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado.

As mudanças no financiamento habitacional dificultaram também os novos empréstimos. Os recursos disponíveis para financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, cada vez mais restritos, reforçaram a necessidade de buscar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

Apesar da recuperação do mercado de trabalho com a redução do desemprego e a alta nos salários, o endividamento da população permaneceu alto durante o ano, atingindo 47,98% em setembro. A inadimplência chegou no recorde da série histórica em outubro, com 73,1 milhões de indivíduos inadimplentes. A nova mudança no perfil de consumo da população, com a incorporação das apostas on-line, impactaram o orçamento das famílias e o consumo de cimento.

As condições climáticas extremas enfrentadas ao longo do ano, com temperaturas e chuvas acima da média, como a tragédia ambiental no Rio Grande do Sul e seca em algumas regiões do país, refletiram na comercialização do cimento e comprometeram os cronogramas das obras.

Os baixos investimentos em infraestrutura também impactaram o setor. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) até o momento não tomou a velocidade necessária e já sofreu cortes.

Para reverter esse cenário é imprescindível ampliar os investimentos na construção civil e incluir o pavimento de concreto como opção nas licitações de ruas e rodovias, por ser um método construtivo de maior durabilidade, mais econômico, oferecer mais conforto e segurança para os usuários e ainda exercer menor impacto ambiental.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, provocando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento dos custos de produção, principalmente do coque de petróleo, matéria-prima essencial na geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão nos preços do insumo, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. A atividade responsável pela transição energética substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Dados do relatório “Panorama do Coprocessamento 2024″, recém publicado pela ABCP, mostram que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica. Segundo o documento, nesse mesmo ano a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Atualmente, 32% da matriz energética do setor é composta por fontes renováveis e mais limpas. Resíduos domésticos pós-triagem continuam sendo a principal alavanca de crescimento e deverá representar quase 55% da energia do setor até 2050.

A matriz energética atual está dividida em 68% de fósseis, 18% de biomassas (cavaco, licuri, babaçu, caroço do açaí, carvão vegetal, entre outros) e 14% de resíduos (pneus inservíveis, perigosos e urbano).

Diante desse cenário, a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras, representa uma grande oportunidade para o setor e para a sociedade como um todo. Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública, além de alongar a vida útil dessas estruturas.

A partir de uma forte atuação regional, a indústria do cimento está acelerando cada vez mais o desenvolvimento de CDRU no Brasil para fins de coprocessamento, seguindo como diretriz o Roadmap Tecnológico, buscando o aumento de recicláveis, encerramento dos lixões e redução da disposição em aterros.

Ainda na agenda ambiental, a indústria brasileira do cimento esteve à frente dos debates do Plano Clima como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos, bem como na melhoria da sua eficiência energética. Vale destacar que o setor, que é carbono-intensivo e o primeiro no país a ter um Roadmap de Descarbonização, está atualizando suas bases para um Roadmap Net Zero 2050.

O setor está trabalhando junto com o governo na elaboração de metas setoriais (Plano Clima), contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. O Plano Clima será concluído e divulgado pelo Governo em 2025, ano da COP30 no Brasil.

Outro avanço do ano foi a aprovação no Congresso Nacional da legislação que cria o mercado de carbono no Brasil. O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) contou com ativa participação da indústria brasileira do cimento. Pontos fundamentais para o setor produtivo foram incorporados, como: o modelo cap and trade, seguindo as melhores práticas internacionais e os princípios de proporcionalidade, gradualidade, medição, compatibilidade, compensações e reciclagem de receitas.

Prevalecem, entretanto, dois pontos de melhoria defendidos pelo setor industrial e que não foram plenamente atendidos. O primeiro deles é o de governança com os setores regulados integrando instância apenas consultiva (Comitê Consultivo) e concentrando todas as deliberações no Governo (Comitê Deliberativo). Além disso, as multas e penalidades atreladas ao faturamento da empresa (limitado a até 3%) podem gerar distorções preocupantes, uma vez que não há, tecnicamente falando, correlação entre emissões de GEE e faturamento.

A Nova Indústria Brasil (NIB) foi lançada em 2024 pelo governo com missões específicas voltadas à neoindustrialização do país. Uma delas, a Missão 5, contempla Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Nesse sentido, a inclusão do setor de cimento com destaque na Missão 5 representa marco fundamental para o fortalecimento da integração entre o desenvolvimento socioeconômico e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

No entanto, o êxito da descarbonização, como acontece nas principais economias do mundo, se dará a partir da conjugação de esforços entre o setor industrial, o governo, a academia e a sociedade.

Vendas de cimento acumulam crescimento em novembro

As vendas de cimento registraram ligeira queda de 0,3% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2023, totalizando 5,4 milhões de toneladas. No acumulado do ano (janeiro a novembro), os números foram positivos, alcançando 60 milhões de toneladas, aumento de 4,0% comparado a igual período do ano passado.

Ao se analisar a comercialização por dia útil em novembro, de 255 mil toneladas, as vendas também são crescentes, com acréscimo de 5,5% sobre outubro deste ano e de 4,6% ante novembro de 2023. O desempenho é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica.

O aquecimento do mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão no terceiro trimestre, puxado pelo desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, responsável por 50% dos lançamentos e 44% das vendas no período. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguem em alta.

No entanto, apesar de o Brasil ter atingido o menor nível de desemprego da história em outubro, de acordo com o IBGE, o setor da construção civil vem encontrando dificuldade em preencher as vagas disponíveis. A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação têm elevado salários, pressionado a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do INCC. Somados com o novo ciclo expansionista da Selic, a confiança da construção caiu em novembro para o menor nível desde abril deste ano.

Na mesma direção, a confiança da indústria também recuou pela terceira vez consecutiva em novembro, registrando a quarta queda do ano, devido à piora tanto na percepção do setor sobre a situação atual quanto nas expectativas para os próximos meses, influenciada pelo novo ciclo de alta na taxa de juros e pela questão fiscal.

A Selic em elevação aumenta a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado imobiliário.

Com os recursos disponíveis para o financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo cada vez mais restritos, acende a necessidade de ampliar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, gerando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento de custos de produção, principalmente do coque de petróleo, fonte essencial para geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão dos preços do cimento, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. Nesse sentido, o setor tem investido e ampliado fortemente as tecnologias, como o coprocessamento de resíduos. A atividade, responsável pela transição energética, substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Em 2022, o coprocessamento alcançou 30% de participação na matriz energética do setor, antecipando a meta prevista para 2025, o que mostra a disposição da indústria em avançar cada vez mais nessa agenda. Foram mais de 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, a maior marca da série histórica. A tecnologia evitou a emissão de quase 3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Vendas de cimento têm crescimento consistente em agosto

As vendas de cimento em agosto apresentaram alta, totalizando 6,2 milhões de toneladas, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2023. No acumulado do ano (janeiro a agosto), os números permaneceram em elevação, alcançando 43 milhões de toneladas, um crescimento de 3,1% comparado ao mesmo período do ano passado.

Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil, nota-se uma alta de 5,6% sobre o mesmo mês do ano anterior, ou seja, comercialização de 252 mil toneladas por dia em agosto de 2024.

Todas as regiões apresentaram evolução nas vendas. Norte e Nordeste registraram o melhor desempenho. O Sul, que vinha registrando declínio até julho, voltou a crescer em níveis anteriores às inundações do Rio Grande do Sul. Já o Centro-Oeste permanece com resultado positivo, assim como o Sudeste registra alta acumulada.

O mercado imobiliário brasileiro, importante indutor no consumo de cimento, apontou mais lançamentos e vendas de imóveis residenciais no segundo trimestre de 2024, impulsionado, principalmente, pelo programa Minha Casa Minha Vida. Somente o MCMV lançou 86,7% de imóveis a mais que no mesmo período do ano passado, dando continuidade à alavancagem do programa. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguiram tendência de alta.

O Índice de Confiança da Construção ficou relativamente estável em agosto, ao fechar o quarto mês seguido sem queda. A atividade segue aquecida, gerando escassez de trabalhadores, que já é considerada a principal limitação ao crescimento do setor no cenário atual. Outro fator que impactou negativamente a confiança da construção foi a possibilidade de aumento da Selic.

Já a confiança do consumidor subiu em agosto pelo terceiro mês consecutivo, porém em ritmo mais lento, influenciada, desta vez, pela faixa de renda mais alta. O mercado de trabalho aquecido e a inflação controlada vem contribuindo para esse desempenho.

Na indústria, após a quarta melhora consecutiva, a confiança do empresário registrou estabilidade em agosto. O resultado ocorre depois de um período de seguidas melhoras na demanda e redução dos estoques. O setor continua com perspectivas positivas para o fim do ano. No cenário macroeconômico, os indicadores de trabalho e renda continuam positivos, porém já acende alerta para uma pressão de custos.

Neste sentido, o anúncio do acréscimo da conta de energia com bandeira vermelha no Brasil, devido à escassez de chuvas, já traz preocupações ao setor de cimento, tanto nos custos de produção quanto na logística. O Brasil vem enfrentando em 2024 a pior seca da história e isso pode impactar as vendas de cimento, principalmente na região Norte.

Os recentes cortes orçamentários no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também elevam as incertezas da indústria do cimento em relação à execução dos investimentos em infraestrutura.

Ainda assim, o setor cimenteiro segue otimista com a sazonalidade nas vendas do produto, que tem, historicamente, melhor desempenho no segundo semestre, podendo levar a uma parcial recuperação nas perdas ocorridas nos últimos dois anos.

Vendas de cimento crescem 6,6% em julho

As vendas da indústria do cimento apresentaram recuperação em julho, após fechar o semestre com leve crescimento. Em termos nominais foram comercializadas 5,9 milhões de toneladas, um aumento de 6,6% em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

A comercialização do produto no acumulado dos sete primeiros meses do ano fechou em alta de 2%.

Parte desse desempenho é atribuído ao número de dias úteis, que foi maior que em 2023. Ao se analisar o despacho do insumo por dia útil nota-se um aumento de 0,5% sobre o mesmo mês do ano passado, ou seja, comercialização de 234 mil toneladas por dia em julho de 2024.

O setor ainda segue afetado pela dificuldade no acesso ao crédito em meio a taxa de juros elevada (10,5%) e endividamento da população, que apesar de apresentar uma trajetória de queda, permanece elevado (47,5%), próximo ao recorde da série histórica, de 49,9%, registrado em julho de 2022.

Por outro lado, a queda do desemprego e aumento no rendimento da população elevou a confiança dos consumidores pelo segundo mês consecutivo, impulsionado, majoritariamente, pelas faixas de renda mais baixas.

A confiança do setor da construção apresentou otimismo, influenciada pela recuperação das expectativas empresariais em relação aos negócios e à demanda nos três segmentos setoriais – Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados. As vendas de materiais de construção e o número de financiamentos imobiliários acompanharam essa percepção e registram alta acumulada até junho.

Já o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), importante indutor de consumo do cimento, passou por mudanças mais duras para os imóveis usados da Faixa 3, visando conter a alta de financiamentos desses imóveis e preservar a essência do programa, que é atender a população com baixo poder aquisitivo e garantir recursos para compra de imóveis novos. Ainda carece de avaliação de impacto os cortes determinados pelo governo, que afetam o Ministério das Cidades e o MCMV.

Na indústria, o índice de confiança subiu em julho pelo quarto mês seguido. A percepção sobre a demanda continua avançando, enquanto o nível de estoques melhora gradualmente, com uma expectativa positiva em relação ao ambiente de negócios para o fim do ano e a novas contratações.

No entanto, o setor industrial segue atento à regulamentação da Lei 14.871/24, que autoriza a concessão de quotas diferenciadas de depreciação acelerada para máquinas e equipamentos, permitindo contabilizar os custos dos ativos mais rapidamente, resultando em benefícios fiscais imediatos. A indústria do cimento, para reduzir sua emissão de gases do efeito estufa, assegurando o bom desempenho da atividade, mantém programa de investimentos em seu parque industrial. Nesse sentido, é importante que o setor integre o rol de atividades econômicas que serão beneficiadas com a lei.