Uso do pavimento intertravado avança em Sergipe

O uso do pavimento intertravado tem ganhado espaço nas principais cidades do Nordeste. Após o Estado do Ceará ter sido vanguarda no uso desta tecnologia, tendo executado mais de 300 quilômetros de vias na capital, Fortaleza, a solução está chegando a Sergipe. Por lá, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER/SE) executará dois projetos importantes. O primeiro é um trecho de 8,5 quilômetros entre Ponta dos Mangues/Pacatuba e Saramem/Brejo Grande na rodovia SE-100; o outro, de 6 quilômetros, localiza-se no município de Campo do Brito. Somadas, essas duas obras representam 100 mil m² de pavimento intertravado, consolidando o uso da solução no Estado.

Além disso, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Emurb (Empresa Municipal de Obras e Urbanização), avança com o projeto da nova Beira-Mar na revitalização da Orla de Atalaia, com a execução de 3 quilômetros e cerca de 30 mil m² de pavimento intertravado. O empreendimento inclui calçadão modernizado, paisagismo, iluminação, espaços de lazer e acessibilidade, alinhando-se às práticas de sustentabilidade urbana.

Os pavimentos intertravados são compostos por peças pré-moldadas de concreto e constituem uma eficaz solução para uso em ruas, calçadas, calçadões e praças, sendo largamente difundidos no Brasil – tanto na construção como na reconstrução e reabilitação desse tipo de instalação urbana.

A solução tem sido cada vez mais procurada para obras de pavimentação por combinar durabilidade, facilidade de manutenção e economia. Além disso, ajuda a reduzir o calor urbano devido à coloração clara com menor absorção térmica.

A Regional Norte/Nordeste da ABCP tem atuado de forma estratégica para difundir o uso do pavimento intertravado, promovendo capacitação para técnicos e qualificação de fornecedores locais, fortalecendo toda a cadeia produtiva e garantindo excelência na execução.

Pavimento de concreto avança nas rodovias federais

Para melhorar e modernizar a malha rodoviária brasileira, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) vem ampliando os investimentos e sua carteira de projetos. Em recente evento realizado na FIESP, durante o lançamento da Comunidade Pavi+, o diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, engenheiro Luiz Guilherme Melo, observou a tendência de crescimento do uso do pavimento de concreto nas rodovias federais gerenciadas pelo órgão, que hoje já responde por 4,5% da malha, com a perspectiva de atingir 10%.

Apenas em 2024 são oito projetos sendo executados em concreto, totalizando 673 quilômetros, com destaque para o Norte e o Nordeste brasileiro. A ABCP realizou nessas regiões um amplo trabalho de apoio técnico para a execução de mais 800 quilômetros e a capacitação envolvendo um público de aproximadamente 1200 participantes desde 2021. Neste ano, a região deu início a duas importantes obras: a pavimentação de trechos da BR-135 no Maranhão e a duplicação da BR-230 na Paraíba, projetos esses que utilizam tecnologias modernas, trazendo melhorias à infraestrutura.

A BR-135 será a primeira rodovia do Estado do Maranhão a receber pavimento de concreto. O trecho de 74 quilômetros entre os municípios Miranda do Norte e o povoado de Caxuxa, em Alto, será restaurado com whitetopping, técnica que permite reabilitar pavimentos asfálticos deteriorados com aplicação do concreto.

No Maranhão, a ABCP apoia a Superintendência do DNIT no Estado desde 2022, oferecendo treinamentos e, mais recentemente, o curso “Execução e Controle de Pavimentos de Concreto”, com uma visita técnica à obra e participação de 40 profissionais.

Na BR-230, uma das principais rodovias da Paraíba, no trecho entre Campina Grande e Farinha, a ABCP fornece apoio à  duplicação de 30 quilômetros em pavimento de concreto, além da restauração de oito quilômetros em whitetopping. Por lá, a entidade é parceira do DNIT/PB desde 2021, com treinamentos especializados, como o curso de “Execução de Pavimento de Concreto”, realizado em setembro, com a participação de 20 profissionais.

A ABCP também participou da duplicação da BR-304/RN como fornecedora dos equipamentos usados para a construção do pavimento de concreto. A obra impulsiona o desenvolvimento econômico potiguar e incentiva o turismo ao contemplar a chamada Reta Tabajara, um trecho com 16 km de extensão localizado no município de Macaíba-RN.

O desenvolvimento da infraestrutura rodoviária nas regiões Norte e Nordeste contará ainda com projetos em andamento, como a duplicação e restauração da BR-343 no Piauí e BR-364/RO, BR-101/SE, BR-222/MA (80 km) e BR-101/BA (67 km) com total apoio da ABCP.

O Estado de Sergipe contará também com um trecho de 53 km em whitetopping na recuperação da pista antiga até a divisa com a Bahia, além da nova pista (duplicação) em pavimento de concreto, totalizando 106 km.

Além disso, há perspectivas promissoras para o uso do pavimento de concreto em outras obras federais nas regiões Norte e Nordeste, como as duplicações da BR-116/CE, BR-242/BA, além de obras estaduais como o Arco Metropolitano de Recife (65 km).

Todos esses avanços reforçam a importância da parceria entre a ABCP e o DNIT para promover o desenvolvimento do pavimento de concreto no país, aprofundar o estudo sobre o método, a capacitação do setor e difundir os benefícios da técnica.

Óleo no litoral, o destino dos resíduos retirados das praias

A expectativa é coprocessar ao menos 2.000 toneladas do óleo retirado das praias

Fonte: Estadão – https://marsemfim.com.br/oleo-no-litoral-o-destino-dos-residuos-retirados-das-praias/ – Texto: João Lara Mesquita. Foto: Carlos Ezequiel Vannoni / Agência Pixel Press / Estadão

 

O óleo cru que desde o final de agosto de 2019 passou atingir o litoral brasileiro, sem que ainda se saiba a origem e os responsáveis, já poluiu 980 localidades. Até 20 de dezembro, eram 129 cidades afetadas de 11 Estados brasileiros. Números grandiosos e que crescem dia a dia, com a chegada do óleo ao Rio de Janeiro. Esse óleo já matou 112 animais, a maioria tartarugas marinhas e aves. Está causando um prejuízo incalculável a estuários, manguezais, recifes de corais, entre outros ecossistemas berçários da cadeia alimentar marítima. Além dos prejuízos econômicos para quem sobrevive da pesca e do turismo. Mas o que tem sido feito com os resíduos retirados das praias? Quem é o responsável por administrar esse lixo e recuperar o óleo, que pode servir como combustível, se tratado adequadamente?

Mais de 4.700 toneladas de resíduos de óleo no litoral

Afinal, já são mais de 4.700 toneladas de resíduos retirados de óleo no litoral. A questão é que, sem descarte adequado, os prejuízos ambientais podem ser ainda maiores. Nesse total, têm muito óleo e areia. Mas também equipamentos de proteção pessoal utilizados na limpeza das praias. E ainda lonas e até pedras, entre outros tipos de lixo gerado pelo derramamento. É o que diz o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Esses resíduos podem contaminar ainda mais o meio ambiente, sem uma destinação correta. Segundo nota do Ibama, a gestão de resíduos sólidos é de responsabilidade de municípios.

Cidades são responsáveis pelo descarte

Em outras palavras, as cidades são as responsáveis pelo descarte ou reaproveitamento desse óleo no litoral. Mas, observa o Ibama, “sem prejuízo das competências de controle e fiscalização dos órgãos federais e estaduais…, bem como da responsabilidade do gerador pelo gerenciamento de resíduos”. Gerador que ninguém ainda sabe quem é. O Ibama, informa a nota, tem realizado vistoria nos locais de armazenamento provisório. O órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), entretanto, não soube informar quanto do total apenas de óleo foi recuperado para outros usos.

Resíduos de óleo no litoral, sem dados consolidadas

“O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) requer regularmente via ofício das secretarias estaduais informações sobre quantidade, armazenamento e destinação final dos resíduos. Devido às informações incompletas enviadas pelos Estados, o Ibama ainda não consolidou todos os dados”, afirma a nota. Os resíduos que estão sob gestão do Ibama e da Marinha serão encaminhados a aterros de classe 1, diz. São aterros preparados próprios para resíduos perigosos, com alto potencial de inflamabilidade, toxicidade e corrosividade. O envio dos resíduos para esses aterros é também uma das orientações do Ibama para gestores públicos municipais e estaduais.

Cimenteiras, destinação adequada para os resíduos

“No momento, o GAA está fazendo um trabalho de interlocução direta com os Estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para, oportunamente, realizar a destinação final ambientalmente adequada. Entre outros pontos, o objetivo desses diálogos é tentar reaproveitar o material recolhido. Governos estaduais e prefeituras têm autonomia para optar por outras modalidades de destinação ambientalmente adequadas”, afirma o Ibama. O instituto avalia ainda outras maneiras de reaproveitamento do óleo.

Resíduos oleados, combustível para as cimenteiras

Na indústria cimenteira, esse óleo já está virando combustível. A iniciativa partiu, primeiro, das próprias fabricantes de cimento do País, com unidades produtivas no Nordeste. Daniel Mattos, responsável pelo Núcleo técnico de Coprocessamento da ABCP, diz que a entidade ofereceu ajuda ao MMA, Ibama, Marinha e aos Estados logo no início do derramamento e tem acompanhado as reuniões do GAA. “Diante desse desastre ambiental, a indústria quer contribuir porque pode coprocessar esse óleo”, afirma Mattos.

2.000 toneladas de óleo coprocessadas

A expectativa da ABCP é coprocessar ao menos 2.000 toneladas do óleo retirado das praias. Embora tenha capacidade para coprocessar muito mais, se necessário. Cerca de 30% do total estimado já foi coprocessado, contabiliza o executivo. “O coprocessamento é uma tecnologia pouco divulgada, mas já existe há mais de 30 anos”, diz Mattos, ao explicar como funciona. Na prática, é utilizar resíduos que seriam descartados em aterros para alimentar os fornos das empresas na produção do cimento. Eles substituem o coque, derivado de petróleo, nessa tarefa.

Vantagens do coprocessamento

O coprocessamento traz uma série de vantagens. A economia de recursos naturais não renováveis, no caso o coque, é uma das principais. Hoje, observa Mattos, os resíduos já substituem 17% do total de combustível primário utilizado nos fornos. Percentual que subirá para 35%, em 2030, e 55%, em 2050. É o que planeja a indústria cimenteira brasileira para atender às metas do Acordo de Paris, de manutenção da temperatura abaixo de 2°C, ante os níveis pré-industriais.

25% do lixo pode ser coprocessado

Outra vantagem é o bom aproveitamento de lixo, impedindo que chegue a aterros ou desafogando os existentes. “Quase tudo que não é reciclável e orgânico pode ser coprocessado.” Ou seja, ele diz, 25% do total de lixo pode servir a essa finalidade. Um exemplo é pneu, que descartado a céu aberto vira criatório para mosquitos que transmitem doenças, como a dengue. Em 2017, o setor coprocessou 300 mil toneladas de pneus, metade do que é descartado por ano no Brasil. Naquele mesmo ano, coprocessou 1,15 milhão de toneladas de resíduos diversos.

Coprocessamento, redução de emissão de CO2

“Com esse lixo, as indústrias geram energia e reduzem o passivo dos aterros sanitários.” Importante também é a redução das emissões de gases de efeito estufa, que estão causando a crise climática. Conforme Mattos, em torno de 13% das metas de redução de CO2 do setor estão relacionadas ao coprocessamento. A indústria de cimento tem 64 unidades integradas no Brasil. Dessas, 38 são autorizadas pelos órgãos ambientais a coprocessar resíduos. Das sete fábricas de cimento no Nordeste, cinco já estão recebendo óleo retirado das praias.

Solução da UFBA, transformar o óleo no litoral em carvão

Outra solução para os resíduos oleados retirados das praias vem do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela é baseada em uma tecnologia inovadora desenvolvida na própria UFBA. Utiliza aditivos, como bioaceleradores e biofinalizadores, não agressivos ao meio ambiente. Eles degradam os resíduos e os transformam em uma espécie de carvão. Zênis Novais, professora de Química Inorgânica da UFBA, explica a receita: a massa oleada é misturada com pó de serragem e solvente, feito de acetona e etanol.

UFBA degrada resíduos em uma hora

Mais fluida, a massa é transferida para uma betoneira, onde são aplicados os aditivos. Em uma hora, os resíduos são degradados e transformados em carvão. “E sem o cheiro forte do óleo. Uma das possíveis aplicações é como carga para massa asfáltica. Pode deixá-la mais resistente. A outra é usar como combustível alternativo, inclusive nos próprios fornos das cimenteiras. É mais fácil de armazenar e transportar. É mais seguro ambientalmente e pode ficar em local aberto porque não é dissolvido pela água.”

UFBA, tecnologia inovadora de compostagem

Originalmente, a tecnologia da UFBA foi desenvolvida para compostagem. Ela consegue degradar em também uma hora resíduos orgânicos, como cascas de coco verde e restos de alimentos, incluindo carnes e gorduras. E transforma tudo em fertilizante orgânico. “Esses químicos fazem o mesmo papel das enzimas, mas muito mais rápido. Reduzimos de cerca de 135 dias para 15 o processo total de compostagem, atendendo a todas as normas para essa prática. Em três anos, já produzimos 35 toneladas de fertilizantes, que distribuímos gratuitamente para programas de hortas em escolas públicas, projetos da própria UFBA e também para hortas de presídios”, ressalta a professora Zênis Novais.

Cientistas desenvolvem projetos para reaproveitar o óleo que está poluindo o litoral do Nordeste

Revista Galileu: Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia trabalham com método para transformar o óleo em matéria-prima para a construção civil

 

Vanessa Centamori / Revista Galileu

Foto: Petróleo polui praias do Nordeste desde o início de setembro (Márcio Garcez / Agência O Globo)

 

31 OUT 2019 – 09H31

Desde que a primeira mancha de óleo foi observada no dia 30 de agosto no estado da Paraíba, municípios e governos tentam combater o pior desastre ambiental já registrado na região: mais de 250 locais que incluem praias e reservas ambientais já foram contaminados pelo vazamento, que ainda não tem origem oficialmente esclarecida. Já foram recolhidas mais de 1 mil toneladas do resíduo, mas a questão que fica é: qual será o destino desse óleo todo?

Em nota enviada à GALILEU, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) conta que parte do material recolhido está a cargo da Petrobras e o restante do resíduo recolhido foi destinado a empresas de tratamento ligadas a governos estaduais e municipais.

“Está sendo feito um trabalho de interlocução direta com os estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para, oportunamente, realizar a destinação final ambientalmente adequada”, diz o instituto.

A indústria do cimento

Em Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife, o petróleo está sendo utilizado em fábricas cimenteiras, além de servir como matéria-prima para fabricar combustível usado pelas indústrias. O processo de reaproveitamento do óleo ocorre no centro de tratamento de resíduos Ecoparque Pernambuco (CRT).

O diretor técnico do CRT, Laércio Braga Chaves, conta à GALILEU que desde sábado chegaram ao centro de tratamento mais de 18 toneladas de petróleo. “O óleo é misturado com outros resíduos industriais que a gente recebe como papelão, papel, plástico e madeira”, diz.

Segundo Chaves, a mistura de materiais passa por um pré-triturador, segue por uma esteira e por uma peneira, saindo mais fino. Depois, passa por outra peneira e por um triturador com mecanismo de rotação. O resultado é uma mistura energética, conhecida como blend, formada de pequenas partículas de cinco milímetros, que depois é vendida para duas fábricas cimenteiras no estado vizinho da Paraíba.

As indústrias usam esse produto nos fornos como combustível: de acordo com especialistas, tal material conta com um maior poder de queima e substitui outro derivado do óleo usado pelas indústrias de cimento, chamado de coque. Chaves explica que essa opção é melhor do que levar o petróleo até aterros sanitários, onde o material pode degradar o solo.

Leia a matéria completa no site da Galileu.

 

Óleo nas praias: fábrica de cimento usa substância em fornos

O óleo cru que vem contaminando as praias do litoral do Nordeste desde setembro de 2019 está sendo recolhido e utilizado como combustível pela indústria de cimento. Reportagem da GloboNews mostra como unidade da Brennand Cimentos na Paraíba está tratando o material a ser coprocessado.

Reportagem da GloboNews – 31/10/2019

>> Clique aqui para assistir ao ví­deo

 

Coprocessamento ajuda meio ambiente

O óleo cru que se espalha pelo litoral do Nordeste desde setembro de 2019 será recolhido e utilizado pela indústria de cimento como combustível, segundo reportagem da GloboNews em Pernambuco.

>> Clique aqui para assistir ao ví­deo