Indústria do cimento contribui para destinação sustentável do lixo na região metropolitana de Curitiba

Foto: Ricardo Marajó / Prefeitura de Curitiba

 

A ABCP e o Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (CONRESOL), que reúne 24 municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), firmaram nesta quarta-feira (10/5) um acordo de cooperação técnica que buscará dar uma destinação mais sustentável ao lixo da região. O objetivo do convênio é viabilizar o tratamento dos resíduos sólidos dos municípios consorciados para a produção de CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), com destinação para o uso em fornos das cimenteiras instaladas na região. O Consórcio é responsável pela implementação do projeto em sua região de atuação.

O CDRU representa uma grande oportunidade para o setor cimenteiro e para a sociedade como um todo. Trata-se de um substituto energético do coque de petróleo (utilizado como combustível para a fabricação de cimento) que traz inúmeros benefícios ambientais e sociais. Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir significativamente as emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública.

 

Aterros sobrecarregados

A busca por soluções para transformar o problema dos resíduos em oportunidade de geração de energia nunca foi tão urgente. Só em 2022, o brasileiro gerou 81,8 milhões de toneladas de lixo. A destinação final ainda é um desafio, pois 39% dos resíduos sólidos coletados continuam sendo encaminhados para aterros sanitários, ocasionando graves prejuízos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população.

 

A contribuição das fábricas de cimento

Com investimentos privados que podem chegar a R$ 500 milhões, o projeto prevê a adequação das fábricas de cimento e a construção de unidades de preparo do CDRU. Além disso, a iniciativa tem potencial para gerar em torno de 400 novos postos de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.

A indústria do cimento é um dos segmentos com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo doméstico não reciclável. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno para a produção do clínquer (principal matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento. As três fábricas de cimento instaladas na RMC possuem capacidade para consumir anualmente cerca de 200 mil a 300 mil toneladas de CDRU.

 

Foto: Ricardo Marajó / Prefeitura de Curitiba

 

O setor cimenteiro pode colaborar no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais. Ademais, fomenta o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Portanto, este acordo traz um enorme potencial para ampliar as discussões e achar alternativas viáveis para que os investimentos necessários para uma destinação ambientalmente mais adequada ocorram na cadeia como um todo, trazendo, portanto, benefícios concretos ao meio ambiente e à sociedade.

Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP

 

É importante ainda ressaltar a parceria atual entre a indústria do cimento e as cooperativas de reciclagem e catadores da região. Graças a essa colaboração, os rejeitos gerados pelas cooperativas de reciclagem e catadores, que antes eram simplesmente descartados em aterros sanitários, agora são destinados às fábricas de cimento, reduzindo os custos de descarte e promovendo a economia circular. Essa prática não apenas traz benefícios para a indústria, como também contribui para a inclusão social e a preservação do meio ambiente.

 

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu, poda de árvores) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, equivalente a quase 2.5 milhões de toneladas por ano, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais inadequados quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, finaliza o dirigente.

Veja também:

>> Reportagem “Rejeitos viram matéria-prima para a indústria” (Globoplay)
>> Curitiba e região avançam para nova destinação de resíduos sólidos urbanos (Prefeitura de Curitiba)

Atlas de Recuperação Energética incentiva parcerias com o setor privado na gestão dos resíduos sólidos

Ferramenta integra o SINIR+, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, e tem o apoio da indústria do cimento para garantir uma destinação mais sustentável ao lixo urbano

A busca por alternativas sustentáveis para a destinação das mais de 82 milhões de toneladas de resíduos urbanos gerados no Brasil somente em 2021 é um desafio para o poder público e toda a sociedade. Diante do aumento expressivo da produção de lixo, agravado pela pandemia da Covid-19, a busca por soluções para transformar o problema dos resíduos e lixões em oportunidade de geração de energia nunca foi tão urgente.

Para contribuir com a gestão de resíduos sólidos, a ABCP integra uma das frentes previstas pelo programa Lixão Zero, o Atlas de Recuperação Energética, que faz parte da nova versão do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos, o SINIR+. Lançada na quarta-feira (13/4), pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ferramenta mapeia as regiões com maior potencial de aproveitamento do lixo para geração de energia e traz informações interativas e painéis que detalham a gestão dos resíduos sólidos em todo o País.

O desenvolvimento do Atlas de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos é parte de um acordo assinado pelo MMA junto com a ABCP e demais integrantes da Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER). Fruto de um amplo trabalho de dois anos, o esforço em conjunto com as associações é de extrema importância para auxiliar no esforço governamental de colocar a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática e atender ao Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê a universalização dos serviços de saneamento até 2033 e o encerramento dos lixões até o final de 2024, priorizando a reciclagem e o reaproveitamento dos resíduos.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), recém-publicado pelo governo, traz diretrizes, estratégias, ações e metas para modernizar a gestão de resíduos sólidos no país, de forma a colocar em prática os objetivos previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei n° 12.305, de 2010. O novo dispositivo prevê o aumento crescente da recuperação de resíduos, estabelecendo uma meta de 50% de aproveitamento em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado passará a ser valorizado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética (coprocessamento), o que representa um grande avanço se comparado ao cenário atual em que apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos são recuperados.

A indústria de cimento, por exemplo, é um dos segmentos com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo urbano não reciclável. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno – que transforma argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento.

Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP

 

“O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, de recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento atuamos na redução das emissões de CO2, através do uso de diversas tipologias de resíduos e, mais recentemente, destaca-se a utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos), em substituição ao coque de petróleo, que é o combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento. O acordo traz um enorme potencial para ampliar as discussões e achar alternativas viáveis para que os investimentos necessários para uma destinação ambientalmente mais adequada ocorram na cadeia como um todo, trazendo, portanto, benefícios concretos ao meio ambiente e à sociedade” diz o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna.

 

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 28% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais inadequados quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, finaliza o presidente da ABCP.

Sustentabilidade e Inovação: questão de competitividade

Economia circular, precificação de carbono, mitigação de CO2 e investimentos em ESG são conceitos e tendências mundiais que vieram para ficar

Por Paulo Camillo Penna*
Publicado originalmente em Concrete Digital 

Economia circular, precificação de carbono, mitigação de CO2 e, mais recentemente, investimentos em ESG (ambiental, social e governança, em inglês) são conceitos e tendências mundiais que vieram para ficar e as empresas que melhor se adaptarem terão mais competitividade, trazendo benefícios para toda a sociedade.

A indústria do cimento brasileira, nesse sentido, sempre caminhou lado a lado com a sustentabilidade, inovando e investindo, historicamente, em medidas que diminuam os impactos ambientais das operações.

Em virtude destes esforços que vêm sendo realizados há anos, a indústria nacional registra – desde o início da contabilização de emissões em 1990 até hoje – os menores níveis mundiais de emissão de CO2 por tonelada de cimento produzido, de acordo com dados internacionais da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês). E é justamente na busca por soluções para reduzir ainda mais a ‘pegada’ de carbono que a atividade do cimento vem constantemente se aprimorando.

Com o objetivo de acelerar a transição do setor rumo a uma economia de baixo carbono, a indústria do cimento brasileira, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC) do Banco Mundial e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) – além de um grupo de renomados acadêmicos de importantes universidades brasileiras – lançou, em 2019, o Roadmap Tecnológico do Cimento.

Este projeto, um dos mais ambiciosos do setor nos últimos anos, analisa e propõe uma série de medidas de redução de emissões a médio e longo prazos. Assim, mesmo sendo aquela que obteve os melhores resultados na mitigação das emissões nas últimas décadas, a indústria nacional apresenta, por meio de seu Roadmap, metas ainda mais desafiadoras para o futuro: reduzir em 33% a ‘pegada’ de carbono até 2050, evitando a emissão de cerca de 420 milhões de toneladas de CO2 até lá. Entre as principais iniciativas para isso estão elevar o uso de adições e substitutos de clínquer de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos, dos atuais 23% para 55%.

Com relação às adições, um divisor de águas foi, certamente, a atualização das normas de cimento da ABNT – defasadas em quase 30 anos – que foram recentemente revisadas e adequadas aos mais modernos padrões internacionais. Um grupo representado por produtores de cimento, consumidores, entidades governamentais e privadas, universidades, entre outros, conseguiu criar as regras para um cimento mais verde, com teores mais altos de adições e sem perda do alto patamar de qualidade já atingido. E a indústria brasileira do cimento já produz com este novo padrão, contribuindo ainda mais para a redução de suas emissões.

Já no que diz respeito aos combustíveis alternativos, o setor deu um importante salto a partir da publicação, em 2020, da nova Resolução CONAMA, que dispõe sobre o Coprocessamento de Resíduos em fornos de cimento. Esta nova norma substitui a anterior, em vigor por mais de vinte anos. Com a modernização da resolução, o setor segue a passos largos rumo à redução da ‘pegada’ de carbono, uso sustentável de recursos naturais e em linha com os conceitos mais atuais de economia circular.

Presente no Brasil desde o final da década de 90 – e na Europa há pelo menos 20 anos – a tecnologia de coprocessamento constitui, ainda, uma das soluções para o problema de disposição ambientalmente adequada de resíduos, infelizmente não atendida pela maior parte dos municípios brasileiros, em claro conflito com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Um grande marco para o país, neste sentido, aconteceu em 2019, quando o setor cimenteiro passou a coprocessar – além dos resíduos industriais há muito utilizados – resíduos sólidos urbanos. Importante ressaltar que, até 2030, o setor pretende coprocessar cerca de 2,5 milhões de toneladas/ano deste tipo de resíduo, contribuindo diretamente para a erradicação dos lixões nas cidades e para significativa ampliação da vida útil de aterros sanitários.

Com o objetivo maior de atender à demanda por cimento para a construção das necessidades habitacionais e de infraestrutura do país, investir em inovação e sustentabilidade é questão de competitividade para o setor, ainda mais em um mundo em rápida transformação. Os caminhos a serem percorridos para continuar liderando este processo são desafiadores. Mas faz parte do DNA da indústria do cimento vencer desafios.

 

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* Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, possui vivência de mais de 30 anos em altos cargos executivos no setor público, empresas e entidades nacionais representativas de diversos segmentos, tais como: Presidente da Fundação TV Minas – Cultural e Educativa de Minas Gerais, Diretor da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (ABRALATAS), Diretor e, posteriormente, Vice-Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (SINFERBASE), Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e Vice-Presidente do Grupo AES Brasil. Integrante de conselhos e fóruns empresariais no País e no exterior como membro titular do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) e do Conselho de Assuntos Legislativos (COAL) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), membro convidado do World Economic Forum (WEF), membro titular do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (DECONCIC), entre outros. Eleito Diretor da FIESP para o triênio 2018 – 2020. Tem ativa participação na mídia nacional e internacional.

Indústria brasileira faz a sua parte na redução de emissões

Com uso de tecnologias mais eficientes e crescente participação de fontes renováveis na geração de energia, os processos industriais são responsáveis por apenas 6% das emissões do País

Texto e fotos: CNI

A indústria tem participação de 20,4% no PIB brasileiro. Mesmo assim, os processos industriais são responsáveis por apenas por 6% das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Boa parte da explicação para esse feito está no forte uso de fontes renováveis na geração de energia e a acelerada modernização tecnológica do parque industrial brasileiro, com máquinas e equipamentos cada vez mais eficientes e que consomem menos energia.

Enquanto a participação de renováveis na geração elétrica dos países da OCDE está em torno de 18% a 27%, no Brasil as fontes renováveis representam 83% da matriz elétrica.

“Há décadas, a sustentabilidade está na estratégia da indústria brasileira, que não só usa a matriz energética a seu favor, mas está constantemente se atualizando para aumentar sua eficiência”, explica Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para mostrar os feitos do setor em prol da transição para uma economia de baixo carbono, a CNI fez um levantamento de iniciativas e indicadores de seis setores – cimento, alumínio, vidro, papel e celulose, químico e aço –, responsáveis por 85% das emissões do setor.

“Mesmo emitindo menos CO2 equivalente na comparação com empresas de outros países, a indústria brasileira vem construindo metas cada vez mais ambiciosas”, destaca Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, responsável pelo levantamento. Confira os principais destaques do relatório:

Setor cimenteiro brasileiro é o que menos emitiu gases de efeito estufa nos últimos anos

A indústria cimenteira, globalmente, responde por cerca de 7% de todo o CO2 equivalente emitido pela ação humana. Já no Brasil, a participação do setor nas emissões nacionais é de 2,3%, cerca de um terço da média mundial.

 

As cimenteiras brasileiras são as que emitiram menor quantidade de gases de efeito estufa por tonelada de cimento produzida desde 1990, quando se iniciou a contabilização de emissões pelo setor. Enquanto a média mundial de emissão específica encontra-se hoje em cerca de 634 quilos de CO2 equivalente por tonelada de cimento, no Brasil esse valor é de 564 quilos por tonelada de cimento – ou 11% a menos.

 

O esforço de redução das emissões no setor se deve a três fatores, principalmente: uso de matérias-primas alternativas ao clínquer – chamadas de adições -, como escórias siderúrgicas, cinzas de termoelétricas e pó de calcário; uso de combustíveis alternativos, como biomassas e resíduos; e medidas de eficiência energética, ao investir em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e elétrico. Essas medidas foram responsáveis pela redução de 18% na intensidade de carbono do setor de 1990 a 2019, enquanto a produção de cimento cresceu cerca de 220%.

Mesmo sendo a que apresentou melhores resultados na redução de emissões nos últimos anos, a indústria de cimento tem metas ainda mais ambiciosas para o futuro. O setor lançou em 2019 o Roadmap Tecnológico do Cimento, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e a Corporação Financeira Internacional (IFC) – do Banco Mundial.

A meta é reduzir as emissões atuais – que já são referência internacional – em mais 33% até 2050. “Com isso evitaríamos lançar 420 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera”, prevê Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Segundo Penna, as metas da indústria cimenteira brasileira estão plenamente alinhadas às do Acordo de Paris. Entre as principais iniciativas do setor está elevar o uso de adições de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos dos atuais 23% para 55% até 2050. “Os níveis da Europa de uso de combustíveis alternativos já estão em cerca de 50% hoje”, comenta Penna.

Leia aqui a matéria completa

Sima e Sabesp promovem 5° Ciclo sobre Tecnologias de Tratamento de Resíduos

Quase 400 pessoas acompanharam nesta terça-feira (05/05/2020) a videoconferência do “5º Ciclo de Tecnologias de Tratamento de Resíduos Sólidos”, organizada pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Sima) do Estado de São Paulo, por meio do Comitê de Integração de Resíduos Sólidos (CIRS), e a Sabesp, por meio de sua Diretoria T.

Durante o encontro foram apresentados aspectos legais, tecnologias de processamento, viabilidade técnica e financeira, além dos benefícios ambiental e social no uso do coprocessamento dos resíduos pelas fabricas de cimento.

“Transformar resíduos em recurso é a chave para uma economia circular, tendo a indústria do cimento muito a contribuir na geração de soluções sustentáveis para a sociedade”, comentou o executivo da ABCP, Daniel Mattos.

Atualmente, o Brasil produz 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. “A experiência dos países europeus mostra que o aproveitamento energético caminha junto com a reciclagem dos resíduos, as questões são complementares”, complementou o diretor da Votorantim, Eduardo Porciúncula.

“A única maneira de alcançar as metas de crescimento no uso de combustível derivado de resíduos é através do uso conjunto de CDRI e CDRU, de forma a assegurar o desempenho das unidades industriais”, destacou o executivo da Intercement, Alexandre Citvaras.

O encontro foi mediado pelos coordenadores do CIRS, José Valverde e Ivan Mello; e contou também com a participação do secretário executivo da Sima, Luis Ricardo Santoro, e do presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Paulo Camillo.

“Não tem cabimento jogar fora a quantidade de material servível que estamos desperdiçando, precisamos utilizar todo esse potencial no aproveitamento e amadurecimento de uma economia circular e as soluções passam por diferentes modelagens, de acordo com cada região do Estado”, disse o secretário, Marcos Penido.

Fonte: Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente

Roadmap Tecnológico do Cimento pretende reduzir emissões de CO2

ENTREVISTA COM PAULO CAMILLO PENNA, PRESIDENTE-EXECUTIVO DO SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DO CIMENTO (SNIC) E DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND (ABCP)

Fonte: Portal AEC Web | BR – 10/03/2020

A indústria nacional do cimento, que apresenta um dos menores índices mundiais de emissão de CO2 do setor, aprofunda medidas para reduzir sua pegada de carbono. O estudo Roadmap Tecnológico do Cimento, preparado pelo SNIC e ABCP em conjunto com entidades brasileiras e internacionais, coordenado pelo professor José Goldemberg, traça os caminhos. Nesta entrevista ao Portal AECweb, o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna, fala sobre este e outros assuntos, como o impacto que a recessão econômica do país causou às cimenteiras e as expectativas positivas do setor para 2020.

AECweb – O que é o estudo Roadmap Tecnológico do Cimento?

Paulo Camillo Penna – Este estudo mapeia a situação atual e as tendências futuras da indústria brasileira do cimento. Se suas trajetórias de crescimento e grau de desenvolvimento tecnológico continuassem sem intervenção, em um cenário de referência climático (aumento de 6°C), as emissões absolutas decorrentes da produção de cimento no Brasil atingiriam cerca de 66 Mt (milhões de toneladas) de CO2 em 2050, um aumento de 64% em relação aos níveis de 2014 (40 Mt CO2). A partir desse cenário, o Roadmap propõe diferentes alternativas técnicas capazes de reduzir essas emissões a patamares condizentes com o de menor impacto climático, limitando o aumento da temperatura global em até 2°C em longo prazo.

AECweb – Qual a matriz energética empregada para a produção de cimento no país?

Paulo Camillo – Em 2014, ano de referência do Roadmap, a matriz energética da indústria brasileira de cimento era composta de 85% de coque de petróleo e 15% de combustíveis alternativos. A participação de combustíveis fósseis não renováveis na produção de cimento deverá decrescer de 85% para 45% no “Cenário 2°C”, em função do uso crescente de resíduos e biomassas. O aumento no uso de combustíveis alternativos reduziria cerca de 55 Mt de CO2, ou 13% da mitigação cumulativa de emissões de CO2 até 2050 no “Cenário 2°C”, em comparação com o “Cenário 6°C”.

AECweb – Qual a quantidade de gás carbônico emitida, hoje, por tonelada de cimento produzido?

Paulo Camillo – Em 1990, as emissões específicas do cimento eram 700 kg CO2/t cimento. Devido aos investimentos e esforços da indústria brasileira de cimento, em 2014 (ano base de referência do Roadmap) as emissões foram reduzidas para 564 kg CO2/t cimento, o equivalente a 18%, enquanto a produção de cimento nesse mesmo período aumentou 277%. Graças fundamentalmente à revisão da norma de cimento, antecipamos para 2019/2020 a meta de 2025, ou seja, a redução para 540 kg CO2/t cimento.

AECweb – Quais dados apoiam o fato de a indústria cimenteira nacional ser considerada referência internacional na emissão de CO2?

Paulo Camillo – Globalmente, as emissões de CO2 da indústria do cimento representam cerca de 7% das emissões totais produzidas pelo homem. No Brasil, em função de ações que vêm sendo implementadas há anos, esta participação é praticamente um terço da média mundial, ou 2,6%, segundo o Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

AECweb – O cimento nacional tem passado por processo de evolução de produção e de qualidade?

Paulo Camillo – Investimento em combustíveis alternativos, equipamentos mais eficientes, melhoria de processos e atualização da norma são as principais ações realizadas pela indústria do cimento. Em julho de 2018, finalizamos a modernização da norma de cimento brasileiro tendo como referência a norma europeia, com ampliação significativa de filler calcário, o que propiciou, entre outras vantagens, a redução de emissão de CO2 do nosso produto. Além disso, a partir do mapeamento brasileiro de fontes alternativas de energia, foi possível incorporar novos insumos energéticos que irão favorecer não só a redução de emissões, mas também a geração de renda de populações que se ocupam da exploração destes produtos, bem como eliminação de passivos ambientais decorrentes desse uso. É o caso de caroço de açaí, casca de babaçu entre outros. Importante observar que a indústria do cimento tem avançado no processo de industrialização do chamado CDRU (Combustível Derivado de Resíduo Urbano), que tem por base o lixo doméstico. Esse movimento contribui significativamente para a erradicação dos lixões, ampliação da vida útil dos aterros sanitários existentes e redução das emissões, não só advindas do processo produtivo do cimento, mas também daquelas que têm origem nesses locais como o metano, gás infinitamente mais tóxico que o CO2. Com um ambiente macroeconômico mais auspicioso, a expectativa do SNIC para 2020 é de um crescimento no consumo acima de 3%. A retomada do mercado imobiliário vem sendo o grande influenciador da melhora no consumo de cimento.

AECweb – Quais os benefícios que a evolução da qualidade do cimento trouxe para o concreto?

Paulo Camillo – O processo de qualificação do principal insumo para o concreto propiciará um produto ambientalmente de melhor qualidade e a redução dos riscos advindos no momento em que o mundo busca uma economia de baixo carbono, atenuando os impactos ambientais. Fatores como esses ampliam a competitividade do produto num ambiente de grande disputa de mercado com concorrentes como aço, madeira e outras soluções nas edificações.

AECweb – Em 2019, o setor apresentou crescimento?

Paulo Camillo – Em 2019, o setor de cimento vem apresentando crescimento de 3,4% no acumulado do consumo até novembro. O melhor desempenho do ano de 2019 está fortemente ligado à recuperação do setor imobiliário. O número de novos lançamentos residenciais acumula aumento de 17% até setembro, comparado ao mesmo período de 2018. A quantidade de imóveis novos financiados pelo SBPE (Sistema Brasileiros de Poupança e Empréstimo) também apresentou um bom resultado, com crescimento de 45% na comparação janeiro a setembro de 2019 com janeiro a setembro de 2018. A melhora do ambiente macroeconômico possibilitou essa retomada. A inflação baixa e controlada, aliada às novas linhas de financiamento com juros mais atrativos e uma nova modalidade, com indexador de inflação (INPC) mais juros aqueceram o mercado imobiliário.

AECweb – Como foi o desempenho de produção e vendas na última década?

Paulo Camillo – A partir de 2004, diversos fatores colocaram a indústria do cimento de volta no rumo do crescimento. Além do ambiente macroeconômico favorável, o aumento da renda real e da massa salarial real e a redução dos juros e da inflação, a expansão do crédito imobiliário por parte do governo e por bancos privados e o objetivo governamental de crescimento dos investimentos em obras de infraestrutura foram fundamentais para a alavancagem da construção civil e, consequentemente, do consumo de cimento. Concorreu de forma decisiva para esta recuperação o chamado marco regulatório imobiliário, através da Lei n°10.931/2004 e da Resolução n° 3.177 do Banco Central. Tais medidas trouxeram um melhor ordenamento jurídico no setor da construção imobiliária e possibilitaram a capitalização das construtoras e incorporadoras no mercado acionário, bem como o retorno dos bancos privados ao financiamento imobiliário. Programas do governo, como o Minha Casa Minha Vida e o PAC, também impulsionaram o setor da construção civil, tanto na parte habitacional quanto na de infraestrutura. Entre 2004 e 2014, o consumo de cimento mais que dobrou, saindo de 35 milhões de toneladas para mais de 70 milhões, um movimento sustentável e presente em todas as regiões do país. Este movimento tornou o Brasil o 4° maior consumidor de cimento no mundo, atrás apenas da China, Índia e EUA.

AECweb – Em seguida, veio a crise econômica.

Paulo Camillo – Sim, o país passou pela pior crise da economia da sua história. Depois de um baixo crescimento econômico em 2014, de apenas 0,5%, a economia brasileira entrou em uma recessão sem precedentes. Em 2015, o PIB encolheu 3,8%, e em 2016, a queda foi de 3,5%, acumulando recuo de 7,1% no biênio 2015/16. Em 2017 houve uma pequena recuperação, quando o PIB subiu 1%. A crise atingiu mais fortemente o mercado imobiliário e o setor de infraestrutura, este último ainda agravado pela Operação Lava Jato. A restrição dos gastos públicos em construção, o aumento da taxa de juros e da inflação e a queda da massa salarial levou a cadeia da construção para uma recessão profunda, que inviabiliza a tomada de empréstimos para o financiamento de investimentos.

AECweb – Quais os números do impacto da recessão sobre o setor do cimento?

Paulo Camillo – A atividade da construção civil foi 16% menor no acumulado dos anos 2015 a 2017. Na indústria do cimento não poderia ser diferente, com retração de 26,5% no consumo do insumo nesse mesmo período, atingindo 52,9 milhões de toneladas, no final de 2018, o que representa retorno do nível de consumo de 2009. Esse panorama se torna dramático quando se verifica que a capacidade ociosa atingiu inédito nível de 47%. Com a ociosidade alta, há elevação dos custos fixos unitários, restringindo a capacidade de investimentos ou até mesmo fazendo com que algumas empresas optem por fechar suas fábricas, retirando fatores produtivos do mercado. Mais grave ainda, a profundidade da recessão pode comprometer a viabilidade econômica de algumas empresas, fazendo com que saiam definitivamente do mercado.

AECweb – Quais as perspectivas para 2020?

Paulo Camillo – Com um ambiente macroeconômico mais auspicioso, a expectativa do SNIC para 2020 é de um crescimento no consumo acima de 3%. A retomada do mercado imobiliário vem sendo o grande influenciador da melhora no consumo de cimento. Para um crescimento mais robusto e sustentável, é preciso a reversão da contínua queda do investimento em infraestrutura, cuja participação na venda de cimento já correspondeu a 25% e, hoje, representa menos de 10%.

 

Sobre Paulo Camillo Penna

Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG, é presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Possui vivência de mais de 30 anos em altos cargos executivos no setor público, empresas e entidades nacionais representativas de diversos segmentos, tais como, presidente da Fundação TV Minas – Cultural e Educativa de Minas Gerais; diretor da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas); diretor e, posteriormente, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Sinferbase); presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e vice-presidente do Grupo AES Brasil. Integrante de conselhos e fóruns empresariais no país e no exterior como membro titular do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) e do Conselho de Assuntos Legislativos (COAL) da Confederação Nacional da Indústria (CNI); membro convidado do World Economic Forum (WEF); membro titular do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deconcic), entre outros. Eleito diretor da FIESP para o triênio 2018 – 2020. Tem ativa participação na mídia nacional e internacional.