Manual de Pavimento Urbano – Execução do concreto moldado in loco

Esta publicação tem o objetivo de orientar sobre a maneira mais adequada e conveniente de executar o pavimento de concreto nas vias urbanas, compilando as diferentes técnicas, procedimentos e experiências sobre o assunto.

 

Pavimento Urbano de Concreto avança como solução para loteamentos

O Pavimento Urbano de Concreto (PUC), que já é utilizado por mais de 170 municípios em ruas e avenidas de tráfego leve a pesado, também tem despontado como solução para diversos tipos de loteamentos, públicos ou privados, rurais ou urbanos, incluindo os residenciais, comerciais, empresariais e industriais. Em 2024, foram executados mais de 2 milhões de metros quadrados de PUC e projetados mais de 7 milhões de metros quadrados, o que reflete o avanço da solução em diversas regiões do país.

Em loteamentos, o sistema já é usado em cidades como Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Joaçaba (SC), Pinhalzinho (SC), Francisco Beltrão (PR), Cascavel (PR), Pato Bragado (PR), São Borja (RS), Ipumirim (SC) e Caçador (SC), entre outras, que atestam as inúmeras vantagens da solução em concreto. Entre elas estão: maior resistência à fadiga do pavimento, alta performance ao longo do tempo, baixa necessidade de manutenção, redução da temperatura ambiente em até 4°C e da superfície do piso em até 17°C, melhor visibilidade devido à coloração clara do concreto e menor emissão de CO₂.

Além disso, o sistema proporciona uma qualidade de rolamento superior, pois não apresenta deformações plásticas, trilhas de rodas ou depressões, eliminando a necessidade de operações frequentes de tapa-buracos e recapeamentos, que geram altos custos de manutenção.

Outros fatores contribuem ainda para avaliar a competitividade dos pavimentos de concreto, destacando-se o custo de construção e de manutenção ao longo de sua vida útil. Estudos indicam que, tanto para tráfego leve como pesado, a solução se mostra bastante viável. À medida que a intensidade do tráfego aumenta, pode gerar economia de até 20% em comparação com pavimentos flexíveis.

Além disso, quando se considera o custo de manutenção ao longo do período de projeto, os pavimentos de concreto podem ser até 35% mais econômicos, em relação aos pavimentos flexíveis, dependendo da característica da obra. Quando bem projetado e executado, o pavimento de concreto pode ultrapassar a vida útil estimada mínima de 20 anos, como é o caso de muitos pavimentos que resistem por mais de 70 anos no Brasil, entre muitos construídos nas décadas de 50 e 60.

A chave para uma boa implantação do pavimento de concreto está na combinação de três fatores essenciais: um bom projeto, o uso de produtos e equipamentos de qualidade e uma boa execução. Cada uma dessas etapas requer atenção para garantir que o pavimento entregue qualidade e durabilidade.

O desafio de aplicar essas boas práticas em todo o país é mais complexo quando se consideram as dimensões e as variabilidades regionais do Brasil. Nesse sentido, a ABCP vem atuando de forma efetiva na promoção e desenvolvimento do pavimento de concreto por meio de seus Escritórios Regionais e Representações, em diferentes frentes, como pesquisa, inovação, normalização, capacitação técnica e disseminação de boas práticas, a fim de impulsionar cada vez mais esse sistema construtivo.

Pavimento Urbano de Concreto avança como solução para contribuir com conforto climático

O atendimento às diversas demandas nos municípios brasileiros torna-se, a cada dia, mais complexo. Cresce a importância da boa aplicação dos escassos recursos financeiros. Este ano, em particular, o acirramento dos fenômenos ligados às mudanças climáticas colocou novo desafio ao gestor público.

Em busca de soluções inovadoras e viáveis economicamente, e que possam contribuir para proporcionar maior conforto térmico e reduzir as chamadas ilhas de calor, mais de 150 municípios já adotam o Pavimento Urbano de Concreto (PUC).  

Isso porque de dia o PUC reflete melhor a radiação solar e pode minimizar em até 4°C a temperatura ambiente e reduzir em até 14°C a temperatura da superfície das vias e a emissão de dióxido de carbono (CO2). 

A pavimentação de concreto em vias urbanas, que começou com corredores de ônibus e hoje está presente também em vias de menor tráfego, é uma realidade no país. Essa expansão se deve às vantagens competitivas do PUC, como a vida útil até cinco vezes mais longa, comparada ao asfalto, a redução de custos na manutenção, a reflexão de luz até 30% superior ao asfalto e a consequente redução no consumo de energia elétrica das cidades. 

A tecnologia durável e sustentável foi escolhida por municípios em todas as regiões brasileiras. No Sul, o PUC está presente em 55 municípios com cerca de 200 km pavimentados. No Sudeste, Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, já tem cerca de 43 km de vias pavimentadas com concreto. 

Um dos casos de maior sucesso no uso do PUC é o município de Piracicaba, no interior de São Paulo, que receberá pavimento de concreto em cerca de 45 km de avenidas e ruas da cidade com intenso fluxo de veículos, e integra um pacote de recuperação de 258 km da malha viária, incluindo revestimento asfáltico. 

A inovação no município foi o uso do pavimento de concreto reforçado com macrofibras, tecnologia usada em inúmeras cidades ao redor do mundo, desde ruas e avenidas de tráfego leve a pesado até rodovias, mas principalmente em locais que necessitam de um pavimento sobre outro existente, como é o caso de Piracicaba. Dentre os benefícios da tecnologia estão a menor emissão de CO2 no seu ciclo de vida, menor consumo de combustíveis e otimização do uso de materiais.

A pavimentação de concreto em Piracicaba é acompanhada por representantes da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC) e Associação Brasileira da Indústria de Fibras para Construção Civil e Produtos Afins (ABIFIBRA).

Os BRTS em concreto (R&V66)

Equipe técnica da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

 

Até 2016, quatro sistemas de BRTs (Bus Rapid Transit) estarão operando na cidade do Rio. Ao todo, serão 135 km para melhorar a mobilidade urbana da população carioca e de turistas que chegarem pelo Aeroporto Internacional do Galeão. A tecnologia para execução contará com o uso de pavimentadoras de formas deslizastes em áreas urbanas, algo inédito no Brasil. A análise foi publicada na edição 66 de Rodovias & Vias.

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