Minas Gerais define diretrizes e obrigações para os Sistemas de Logística Reversa (SLR) no estado

MG é o quinto estado (juntamente com SP, PR, RJ e MA) a regulamentar a obrigatoriedade da logística reversa para várias categorias de produtos pós-consumo

O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), publicou em janeiro a Deliberação Normativa Copam nº 249/2024, que define diretrizes para implementação, operacionalização e monitoramento dos SLR (Sistemas de Logística Reversa) no estado. O novo ato normativo, que altera a DN 217/2017, determina que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de diversos produtos(*) estruturem, implementem e operacionalizem um SLR para retorno dos produtos e embalagens pós-consumo. Esses agentes têm até 30 de dezembro de 2024 para formalizar (cadastrar), junto à Semad, o Plano de Logística Reversa ou o Termo de Compromisso de Logística.

A logística reversa envolve coleta, transporte, reciclagem e tratamento de resíduos gerados pelo descarte de produtos e embalagens pós-consumo e visa minimizar o impacto ambiental desses resíduos. Por meio dessa operação, os produtos, as suas embalagens ou outros resíduos voltam ao fabricante, que fica responsável por sua destinação final.

Segundo o art. 37 da DN, os SLR implementados deverão dar “destinação final ambientalmente adequada a 100% dos resíduos recebidos por eles”, sendo admitida, excepcionalmente, a destinação para tratamento térmico, aproveitamento energético ou coprocessamento de até 5% da massa estabelecida para contabilização da meta quantitativa (art. 38, § 2º).

“O coprocessamento –  que consiste no reaproveitamento de resíduos em fornos de cimento – tem sido um forte aliado da indústria e da sociedade na pauta ambiental, seja para o uso de fontes alternativas de energia em substituição aos combustíveis fósseis, em particular o coque de petróleo, seja como contribuição para a destinação adequada de enorme passivo ambiental, antes disposto em aterros sanitários e lixões”, explica Daniel Mattos, Head de Coprocessamento da ABCP.

O papel da indústria do cimento

A indústria brasileira do cimento tem tido, há décadas, um papel pioneiro e relevante na agenda ambiental. Seus esforços para a re­dução de sua pegada de carbono resultam na adoção de diferentes práticas que se refletem nos seus indicadores de intensidade carbônica.

Historica­mente, o Brasil posiciona-se como um dos países com a menor emissão de carbono por tonelada de cimento produzida, tendo estado à frente desse indicador em mais de 20 dos cerca de 30 anos de série histórica. Nesse período, a despeito do aumento de sua produção, o setor conseguiu reduzir em 18% suas emissões de carbono, sendo cada vez mais significativo para isso o uso de combustíveis alternativos, por meio do coprocessamento de resíduos e biomassas.

A busca por novas fontes de energia em substituição aos combustíveis convencionais não renováveis, especialmente a partir do início dos anos 2000, tem sido uma importante ferramenta do setor para a redução de suas emissões de CO2, no Brasil e no mundo. Além disso, surge como uma solução ao passivo ambiental representado pelo acúmulo de resíduos na natureza, transformados em energia.

Novo patamar

No período de 2000 a 2022, a indústria conseguiu aumentar a participação dos combustíveis alternativos em sua matriz energética de 9% para 30% (antecipando a meta prevista para 2026). Como fonte de energia, foram coprocessados cerca de 2,9 milhões de toneladas de resíduos em 2022, a melhor marca desde o início da atividade no Brasil.

Diante do desafio de procurar meios para reduzir, ainda mais, as suas já baixas emissões de CO2, a indústria brasileira do cimento, em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Corporação Financeira Internacional (IFC) – braço do Banco Mundial -, o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e uma equipe de cientistas de renomadas universidades brasileiras, lançou em 2019 o Roadmap Tecnológico do Cimento, compromisso atualizado em 2021 pelo Roadmap Net Zero, proposto pela Global Cement and Concrete Association (GCCA), visando não apenas a redução de emissões, mas a neutralidade em carbono até 2050.

(*)  Produtos abrangidos na Deliberação Normativa Copam nº 249/2024

  • Produtos eletroeletrônicos de uso doméstico, seus componentes e suas embalagens;
  • Pilhas e baterias portáteis;
  • Baterias chumbo-ácido automotivas, industriais e de motocicletas;
  • Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio, de vapor de mercúrio e de luz mista;
  • Embalagens de óleos lubrificantes;
  • Embalagens em geral de plástico, papel, papelão, metais e vidro;
  • Medicamentos domiciliares de uso humano, vencidos ou em desuso, e suas embalagens;
  • Pneus inservíveis

Fontes de apoio:

  • Deliberação Normativa Copam nº 249, de 30/01/2024 (S2F Partners by Soler & Silva Filho) – Link
  • Sustentabilidade: Governo de Minas define diretrizes para implementação da logística reversa no estado (Matheus Adler – Ascom/Sisema/Governo de Minas Gerais) – Link
  • MG regulamenta sistema de logística reversa (Artigo de Fabricio Soler – 18/02/2024) – Link

Solução sustentável e competitiva

A reciclagem a frio “in situ” com adição de cimento portland é uma técnica de reabilitação voltada basicamente para a melhoria da qualidade estrutural do pavimento. A reciclagem é um processo de reconstrução parcial da estrutura do pavimento asfáltico com aproveitamento dos materiais existentes. Essa característica faz com que a técnica assuma um papel preponderante no contexto do desenvolvimento sustentável. Como os recursos naturais estão cada vez mais escassos, torna-se imprescindível a utilização de tecnologias que evitem a exploração de novas jazidas e que possibilitem a redução dos consumos energéticos.

O processo consiste em triturar parte do pavimento asfáltico e misturá-lo simultaneamente com o cimento espalhado na pista. Depois de devidamente compactada, a camada reciclada passa a absorver muito bem os esforços gerados pelo tráfego e suas principais características são: elevada resistência, baixa deformabilidade, grande durabilidade na presença de água e baixa susceptibilidade a variações de temperatura.

 

Espalhamento manual (Foto: Tecnopav)

Espalhamento mecanizado (Foto: Tecnopav)

 

A técnica é relativamente nova no Brasil. Segundo relatos, a primeira obra de reciclagem “in situ” realizada no país ocorreu no início dos anos 90, na restauração da rodovia DF 065. As primeiras experiências mostraram-se satisfatórias e desde então centenas de quilômetros de estradas já foram recuperadas por meio da reciclagem.

Existem várias modalidades de reciclagem, porém, a mais utilizada no Brasil é a reciclagem com adição de cimento portland. A técnica é muito difundida no meio rodoviário e rapidamente transformou-se numa demanda real, seja pelas questões ambientais (aproveitamento dos materiais existentes no pavimento), seja pela facilidade e rapidez de execução. Além disso, o pavimento reciclado torna-se uma estrutura mais uniforme e mais resistente do que o pavimento original.

 

Trituração e homogeneização de materiais (Foto: Tecnopav)

 

O processo de execução é constituído pelas seguintes etapas:

  1. Espalhamento prévio do cimento, que pode ser manual ou mecanizado (figuras 1 e 2)
  2. Trituração do pavimento e homogeneização de materiais (figura 3)
  3. Compactação (figura 4)
  4. Nivelamento
  5. Acabamento da superfície
  6. Cura
  7. Aplicação do novo revestimento

 

Compactação da camada reciclada (Foto: Tecnopav)

Reaproveitamento de resíduos para minimizar o impacto ambiental

No Dia Internacional da Reciclagem, 17/05, Daniel Mattos, head de Coprocessamento e Sustentabilidade da ABCP, fala à Rádio Cidade em Dia, de Criciúma-SC, sobre o reaproveitamento de resíduos para minimizar o impacto ambiental.

Confira:

Ciplan evolui na destinação dos resíduos sólidos

Lei dos Resíduos Sólidos nº 12.305/10, implementada há dez anos pelo Governo Federal, vem sendo seguida à risca pela Ciplan.

A empresa, que é reconhecida como uma das maiores no segmento de cimento e agregados do país, buscou efetivar contratos na sua matriz, localizada na Fercal-DF, com empresas de reciclagem, como a cooperativa Recicle a Vida e as empresas Ecolimp, Zero Impacto e Lwart. A ação visa implementar com maior eficiência o armazenamento e o transporte dos resíduos sólidos gerados dentro da cimenteira. 

Na Semana do Meio Ambiente – o dia 5 de junho foi instituído para o olhar diferenciado das ações ambientais no Brasil – a fábrica tem foco no que já foi realizado e na conscientização de seus colaboradores dentro e fora da cimenteira.

No relatório de 2019 pode-se verificar que foram recolhidas 10 toneladas de papelão, papel e plástico pela Recicle a Vida; sucata tecnológica para descarte especializado: 214 kg, pela Zero Impacto; óleo de cozinha usado para descarte especializado: 400 litros, pela Ecolimp; óleo lubrificante usado, enviado para rerrefino:41.970 litros, pela Lwart; sacaria de cimento para reciclagem: 45,73 toneladas, pela Recicle a Vida, com a logística do transporte implementada pelas empresas parceiras.

O armazenamento e acondicionamento são realizados dentro de uma área construída, na forma de galpão, nas instalações da fábrica. Para Maria Teixeira, gerente ambiental da Ciplan, “o momento é de avançar ainda mais na meta de consolidarmos a logística reversa. Um país gigante se faz com ações ambientais que mirem o futuro do planeta”.

 

Outra parceria firmada em 2019 foi com a ONG Pata na Tampa. O trabalho de conscientização com os colaboradores dentro da fábrica possibilita que, ao utilizar um refrigerante ou garrafa de água, as tampas dos mesmos possam ser armazenadas em um recipiente adequado para serem recolhidas pela ONG. A verba conseguida é destinada ao auxílio dos cães de ruas e abrigos para castração dos animais. “Exercitamos a logística reversa e ajudamos a causa animal. O meio ambiente é responsabilidade de todos nós”, garante Teixeira.

Em 2020, devido à Covid-19, todas as ações voltadas para a Semana Ambiental serão via on-line, com vídeos e links diários para os colaboradores com diversos temas ambientais: consumo consciente da água, energia elétrica, desperdício de alimentos, descarte de resíduos sólidos, a importância da separação dos orgânicos dos secos e várias dicas para incentivar a reciclagem.

Reciclagem profunda de pavimentos (R&V68)

Por Paulo Cesar Arrieiro de Oliveira

Engenheiro da Tecnopav Engenharia

 

Dados do Boletim Estatístico da CNT (Confederação Nacional de Transportes) indicam que o modal rodoviário responde por mais de 60% de tudo que é transportado no país. Isso ocorre porque nesse meio de transporte as cargas podem ser conduzidas de ponto a ponto, sem a necessidade de transbordo. Além do mais, nossa malha viária atinge quase todas as localidades do território nacional, enquanto outros modais de transportes não estão disponíveis em muitas regiões do Brasil. A avaliação foi feita pelo autor na edição 68 de Rodovias & Vias.

 

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