Indústria brasileira do cimento na COP30

No momento em que o mundo todo se volta à COP30, conferência que reúne em Belém-PA delegações de 194 países para debater as mudanças climáticas, a indústria brasileira do cimento demonstra que é possível promover o crescimento econômico com sustentabilidade, responsabilidade ambiental e inclusão social. Durante os 12 dias da cúpula do clima (10 a 21/11), a ABCP e o SNIC participarão de quatro eventos que trazem ao debate questões prioritárias ao Brasil e ao planeta, como descarbonização e economia circular.

 

Descarbonização da indústria energointensiva

Na sexta-feira, 14, o Presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camilo Penna, participou no estande da Confederação Nacional da Indústria do Painel CNI – Descarbonização da indústria energointensiva, ao lado de outras lideranças: Adriano Scarpa (indústria florestal), Janaina Donas (alumínio), André Passos (química) e Priscila Cardoso (aço). O debate teve como moderador o Superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

Setores como alumínio, aço, cimento, vidro, químico e papel e celulose são pilares do desenvolvimento nacional, mas também estão entre os mais impactados pelas exigências de redução de emissões de gases de efeito estufa. É essencial compreender como essas cadeias produtivas podem se adaptar, mantendo competitividade e garantindo segurança operacional, ao mesmo tempo em que contribuem para a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira. O objetivo do painel, portanto, foi debater caminhos para acelerar a descarbonização das indústrias, identificando desafios, oportunidades e soluções colaborativas entre governo e setor produtivo.

 

Roadmap Net Zero e descarbonização (vantagens regionais)

No sábado, 15, o Painel COP30 – Roadmap Net Zero da Indústria do Cimento Brasileira apresentou oficialmente a versão atualizada do Roadmap do Cimento, lançado em 2019 e agora focado não apenas nas emissões do processo produtivo, mas no ciclo de vida completo do cimento, incluindo seu uso na cadeia da construção civil, e as potencialidades das remoções florestais e soluções baseadas na natureza (SbN). A iniciativa tem como meta atingir a neutralidade de carbono até 2050. O Roadmap Net Zero integrou os 140 painéis selecionados entre mais de 1250 projetos submetidos à avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

É importante lembrar que o Brasil está entre os países com menor intensidade de carbono no setor, com 580 kg de CO2por tonelada de cimento, enquanto a média global é de 610 kg de CO2 por tonelada. Este nível de emissão é resultado direto de décadas de investimento em inovação, eficiência energética, uso de energias renováveis e de matérias-primas e combustíveis alternativos pela indústria nacional. O compromisso brasileiro com o meio ambiente, que começou em 1990, está alinhado às diretrizes do Plano Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).

O painel teve uma apresentação da Agenda de Descarbonização do Cimento e do Roadmap Net Zero, por Gonzalo Visedo (Head de Sustentabilidade do SNIC), e um debate moderado por Stefania Relva (Diretora Instituto E+), com participação de Paulo Camillo Penna (Presidente ABCP/SNIC), Thomas Guillot (CEO GCCA) e Clovis Zapata (Country Representative UNIDO/Brazil).

Ainda no dia 15, no estande UNIDO, a ABCP e o SNIC participaram do painel Financiamento e Vantagens Produtivas Regionais para a Descarbonização Industrial.

Circularidade na indústria: caminhos para descarbonizar setores hard-to-abate

No dia 20, véspera do encerramento da COP30, no Pavilhão da ABDI, a descarbonização industrial voltou à pauta no Painel Circularidade na Indústria: Caminhos para Descarbonizar Setores Hard-to-Abate, que reuniu lideranças industriais para discutir soluções práticas de economia circular capazes de reduzir emissões em setores de difícil mitigação (hard-to-abate).

Por meio do compartilhamento de experiências e boas práticas dos setores de alumínio, química, vidro e cimento, o painel evidenciou o papel estratégico da circularidade de materiais e de novos modelos de negócio na transição climática, além de estimular soluções conjuntas. O painel teve moderação de Davi Bomtempo (CNI) e participação, como painelistas, de Janaína Donas (ABAL), Carolina Sartori (Abiquim) e Gonzalo Visedo (SNIC).

Seminário discute em Uberlândia pavimento de concreto como solução sustentável e competitiva para rodovias

A ABCP realiza nesta terça-feira, 4/11, das 19h às 22h, no Auditório da Uniube (Universidade de Uberlândia), em Uberlândia-MG, o seminário Pavimento de concreto: uma solução sustentável e competitiva para vias urbanas, rodoviárias, industriais e rurais. O evento é voltado à apresentação e discussão de tecnologias, aplicações e vantagens do uso do pavimento de concreto em diferentes tipos de vias.

A programação inclui palestras de Lincoln Raydan, gerente regional da ABCP em Minas, que abordará os conceitos e aplicações do pavimento de concreto, e de Carlos Bessamino, diretor técnico da R9Pro Engenharia e Consultoria, que apresentará casos de pavimentos de concreto reforçado com fibras, destacando experiências práticas em projetos como CCRF DER-SP, EPIG e Restauração MG-10.
O encontro é uma oportunidade para profissionais, estudantes e gestores públicos conhecerem tecnologias e estratégias para uma infraestrutura mais sustentável e duradoura. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site:

https://cursos.abcp.org.br/eventos/seminario-pavimento-de-concreto-uberlandia-mg/

 

Serviço

Pavimento de concreto: uma solução sustentável e competitiva para vias urbanas, rodoviárias, industriais e rurais
Data: 4 de novembro
Horário: 19h às 22h
Endereço: Auditório da UNIUBE | Av. Afonso Pena, 1177 Centro, Uberlândia/MG
Inscrições: https://cursos.abcp.org.br/eventos/seminario-pavimento-de-concreto-uberlandia-mg/

Programação

19h00 – Recepção dos participantes
19h30 – Pavimento de Concreto: conceitos, competitividade e aplicações – Lincoln Raydan – Gerente Regional ABCP – MG
20h10 – Pavimento de Concreto Reforçado com Fibras: cases do projetos CCRF DER-SP, EPIG e Restauração MG-10 – Carlos Bessamino – Diretor Técnico, R9Pro Engenharia e Consultoria
20h50 – Debate
21h30 – Coquetel de encerramento

Informações para Imprensa

Daniela Nogueira – (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br
Krishma Carreira – (11) 99467-8080 – krishma.carreira@fsb.com.br

Cidades buscam soluções sustentáveis para amenizar o impacto das mudanças climáticas

O ano de 2024 foi considerado o mais quente da história com cerca de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A onda de calor intenso enfrentada por diversas cidades brasileiras tem desafiado os administradores públicos diante das consequências das mudanças climáticas.

A fim de debater soluções sustentáveis para amenizar esses impactos no ambiente urbano, autoridades, lideranças e especialistas estarão reunidos no 9º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi), que ocorre junto da primeira edição da ExpoCimento, de 30 de junho a 2 de julho no Golden Hall WTC, em São Paulo.  Saiba mais

No último dia do evento, o 9º CBCi contará com palestras, das 11h às 12h, do pesquisador reconhecido nacional e internacionalmente Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, do diretor-presidente do Instituto Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, e de Klecios Vieira, gestor das obras do Programa de Gestão de Risco Climático do bairro Novo Caximba, de Curitiba-PR, maior projeto socioambiental do município, financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O papel da inovação na mitigação climática será tema do painel a ser realizado das 14h às 16h, que contará com a participação do professor titular da Escola Politécnica da USP, Vanderley John, do Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima, e do Diretor Regional de Vendas da Sinoma CBMI Américas, Paulo Marcos Penna de Sena Orsini.

A programação terá ainda painel sobre Mitigação de CO₂ na prática, das 16h às 17h, com Mayara Regina Munaro, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Fernando Furiatti, Diretor Presidente do DER/PR, e do professor titular da Escola Politécnica da USP, Rafael Pileggi (que também é um dos responsáveis pela implementação do Laboratório de Construção Digital do projeto hubIC).

 

Presidentes da indústria do cimento debaterão os principais temas do setor

O 9ºCBCi será encerrado, das 17h às 17h45, com debate entre os presidentes das principais cimenteiras do Brasil sobre os temas do setor, mediado pelo Presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna.

Entre os confirmados, o CEO da Cimento Itambé, Alexander Capela Andras, o Presidente Executivo da Cimento Nacional, José Eduardo Ferreira Ramos, o CEO Global da Votorantim Cimentos, Osvaldo Ayres, e CEO da Ciplan Cimento Planalto S/A, Sérgio Bautz.

 

ExpoCimento

A Exposição Internacional do Cimento – ExpoCimento 2025, ocupará um moderno espaço especialmente concebido para acolher as palestras, debates e apresentar o que existe de mais atual e relevante para a produção do insumo e também para as organizações que aplicam sistemas cimentícios.

 

II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025)

Paralelamente ao evento, haverá ainda uma semana de muito conhecimento, inovação e networking no II Simpósio Brasileiro de Ciência do Cimento (SBCC 2025), de 27 de junho a 2 de julho, com a presença dos maiores especialistas e acadêmicos do tema.

 

Patrocinadores

Os eventos têm patrocínio da Aditibras, Beumer Latinoamericana Equipamentos, Cimento Nacional, Ciplan Cimento Planalto S/A, Claudius Peters do Brasil, Chryso Saint-Gobain, Dairix Equipamentos Analíticos, FIEMG – SENAI, FIRJAN – SENAI, FLSmidth Brasil, Fuchs Lubrificantes do Brasil, Gebr. Pfeiffer do Brasil, Haver & Boecker Latinoamericana, Hazemag do Brasil, Cia de Cimento Itambé, Magotteaux Brasil, Novakem Indústria Química, Orizon Valorização de Resíduos, Qlar Europe Gmbh, Renova, RHI Magnesita, RUD Correntes Industriais, Sika S/A, Sinoma – CBMI,  Sinoma – CDI,  Sinoma – CNBM Equipment Group Co, Sinoma Overseas Brazil,  UTIS e Votorantim Cimentos.

Setor de cimento avança em trajetória sustentável para zerar emissões até 2050

Representantes da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e do Instituto E+ deram início no dia 5 de fevereiro à atualização do Roadmap de Descarbonização para o setor de cimento.

A iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional de apoio a países em desenvolvimento para dar mais sustentabilidade a setores cujo processo produtivo é difícil de descarbonizar.

A parceria pretende dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo SNIC em 2023, junto à Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês), de atualizar o Roadmap que o setor lançou em 2019 para uma trajetória de neutralidade climática em 2050.

Para tanto, o Roadmap levará em consideração, além de soluções tecnológicas no processo produtivo, alternativas de descarbonização ao longo do ciclo de vida do produto que ajudem o setor a alcançar a neutralidade de emissões no Brasil até 2050. Embora o setor de cimento no país já registre um dos mais baixos índices de emissão de CO2 equivalente em comparação com padrões internacionais, há um compromisso crescente com a adoção de soluções que impulsionem a competitividade e a sustentabilidade.

Diante desse cenário, serão analisadas melhorias no processo produtivo e uso do produto, considerando barreiras regulatórias e financeiras e a incorporação de tecnologias inovadoras, como captura e armazenamento de carbono (CCS), combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, uso de hidrogênio verde e produção de concreto de baixo carbono.

Entre as ações previstas estão o mapeamento de iniciativas já implementadas no Brasil, a identificação de fontes de financiamento nacionais e internacionais para viabilizar a modernização do setor e o desenvolvimento de uma plataforma digital para conectar projetos inovadores com oportunidades de investimento.

Essa iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional que apoia países em desenvolvimento na descarbonização de setores industriais de difícil descarbonização, como cimento e aço, por meio de assistência técnica e promoção de tecnologias inovadoras. Além disso, o estudo integra o escopo do Hub de Descarbonização da Indústria (ID Hub), plataforma coliderada pelo Brasil e pelo Reino Unido, que visa fomentar investimentos e parcerias para acelerar a transição da indústria para uma economia de baixo carbono. A UNIDO é responsável pela gestão do Secretariado do ID Hub, atuando para facilitar parcerias estratégicas.

A definição do Roadmap sustentável para a indústria de cimento deverá ser concluída em até 18 meses e contribuirá para que a indústria cimenteira brasileira se alinhe às metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, consolidando sua trajetória rumo à neutralidade de carbono.

Vale destacar que a descarbonização da indústria é uma prioridade para o Brasil, e o setor cimenteiro tem um papel estratégico nesse processo. Nesse sentido, a indústria está à frente dos debates na agenda climática, como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética. O setor é o primeiro no país a ter um Roadmap de Descarbonização e está atualizando suas bases para um Roadmap Net Zero 2050.

O setor está trabalhando junto com o governo na elaboração de metas setoriais (Plano Clima), contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. O Plano Clima será concluído e divulgado pelo Governo Federal em 2025, ano da COP30 no Brasil.

Além disso, o setor lidera a agenda do programa Nova Indústria Brasil (NIB),  missões específicas voltadas à neoindustrialização do país. Uma delas, a Missão 5, contempla Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Nesse sentido, a inclusão do setor de cimento com destaque na Missão 5 representa marco fundamental para o fortalecimento da integração entre o desenvolvimento socioeconômico e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Lixo é fonte de energia para a indústria do cimento

A indústria do cimento exerce papel importante em relação à destinação dos resíduos urbanos não passíveis de reciclagem, utilizados como fonte de energia térmica para a produção do cimento. Esse processo, chamado de coprocessamento evita, que o lixo seja disposto em aterro, contribuindo com aredução das emissões de CO2 da indústria, bem como do metano emitido no aterro, que é cerca de 25 vezes superior à do CO2.

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados, os quais ainda representam cerca de 40% da destinação dos resíduos gerados no país.

A indústria colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. Com a tecnologia de coprocessamento, o setor atua na redução das emissões de CO2, por meio do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente pela utilização do CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível fóssil utilizado no processo de fabricação de cimento.

Investimentos na ordem de R$ 3.5 bilhões estão previstos até 2030, compreendendo a implantação das unidades de preparo do CDRU e adequação das fábricas de cimento. Este montante será suficiente paraatingir o patamar de aproximadamente 2.5 milhões de toneladas de CDRU anualmente. Para melhor compreensão do impacto ambiental, tal volume, que corresponde a cerca de 300 mil caminhões compactadores, que não serão mais descarregados em aterro.

Os resultados são expressivos ao se avaliar que o percentual de utilização de combustíveis alternativos dentro da matriz energética do setor saltou de 9% para 26%, nos últimos 20 anos. Em termos absolutos, de 300 mil toneladas em 2000 para 2.5 milhões de toneladas de resíduos em 2021.

Esforços como esses levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial como um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo.

Em vez de lixo, energia e cimento

Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro
Por Lana Pinheiro

Ganhar dinheiro com lixo. Resumindo a grosso modo, a Votorantim Cimentos está provando que esse negócio não só é possível, como é rentável. Esse foi um dos motivos que fez a empresa, com receita líquida de R$ 25,8 bilhões no ano passado, decidir em 2019 transformar sua área de coprocessamento em unidade independente. Assim nasceu a Verdera cujo objetivo sob o comando do gerente geral, Eduardo Porciúncula, é vender soluções de gestão de resíduos ao mercado, de um lado, e atender a Votorantim Cimentos em seu processo de substituição térmica – troca de combustíveis fósseis por alternativos – de outro.

A meta é chegar a 53% de substituição até 2030, evolução importante sobre 2022, quando o índice foi de 26,5% na operação global e 31,3% no Brasil. Nesse processo pensado para viabilizar a produção de cimento neutro em emissão de CO2 em 2050, o petróleo é substituído por resíduos industriais e urbanos, pneus e biomassas. Neste último grupo, casos interessantes como o uso do caroço do açaí (na unidade do Pará) e de cascas de arroz (nas unidades de Centro-Oeste e Sul) em projetos em parceria com o Instituto Votorantim.

“É um processo sustentável que se adequa às realidades regionais, sendo também um importante instrumento de transformação social”, afirmou Porciuncula à DINHEIRO. A grande escala, porém, vem da gestão de resíduos gerados pela indústria e por centros urbanos. Entre os clientes dessa frente, grupos como Bosch, Boticário e Renault. Na ponta do coprocessamento, o serviço é exclusivo para a empresa mãe. “Nossa oferta é 100% absorvida intermanente”.

A entrega de matérias-primas para alimentar os fornos que já ultrapassa 1 milhão de toneladas deve aumentar como resultado de investimentos como os US$ 150 milhões que a Votorantim Cimentos está fazendo na unidade de Salto de Pirapora (SP). O financiamento, obtido junto ao International Finance Corporation (IFC), foi o primeiro do setor conectado a indicadores de sustentabilidade e será usado para aumentar o nível de substituição térmica da operação de 30% para 70%. E assim, o plano de Porciúncula é manter o ritmo de crescimento aquecido: 20% ao ano.

Fac-símile da reportagem

 

MDIC e CNI promovem “diálogo” sobre mercado de carbono

Foto: Gilberto Sousa / CNI

Indústria estruturou proposta de modelo regulado de precificação de emissões de gases de efeito estufa que pode movimentar até R$ 128 bilhões em receitas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) sediou na terça-feira, 20, o “Diálogo: O Mercado Regulado de Carbono e a Competitividade Industrial”, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com a própria CNI. O evento contou com a presença do vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, do secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg, do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e de representantes da União Europeia, do Banco Mundial e de diversas associações setoriais, dentre elas ABCP e SNIC.

Durante o encontro, o vice-presidente Geraldo Alckmin reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o desenvolvimento sustentável e apontou, como um importante passo nessa direção, a regulação do mercado de carbono. Lembrou que “o governo federal reuniu mais de 15 ministérios para a elaboração de um projeto de mercado regulado de carbono para o país e que o texto final deve ser concluído nas próximas semanas”.

Também na abertura, o presidente da CNI, Robson de Andrade, ressaltou a posição da indústria como aliada na busca de soluções para os desafios da sustentabilidade. “A indústria tem um papel fundamental na consolidação de uma economia de baixo carbono que seja, ao mesmo tempo, dinâmica e inovadora. A participação ativa da indústria na estruturação e na gestão desse novo mercado ajudará o país a ter um sistema eficiente de comércio de emissões”, declarou.

No “Diálogo”, a CNI também lançou o documento “Proposta da Indústria para o Mercado Regulado de Carbono”, que apresenta contribuições para a construção de um Sistema de Comércio de Emissões no Brasil moderno, eficiente e que preserve a competitividade ambiental e econômica da indústria nacional.

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Dia Mundial do Meio Ambiente

Indústria brasileira do cimento é referência na redução de emissões dos gases de efeito estufa

Ações levaram o Brasil a se tornar um dos países que emite a menor quantidade de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho de 2023, sensibilizará toda a sociedade sobre a importância de se adotar práticas sustentáveis para promover a preservação do meio ambiente às futuras gerações. A indústria do cimento está fazendo sua parte, promovendo esforços significativos para reduzir o impacto causado pela atividade. As ações levaram o Brasil a se tornar uma referência mundial entre os países com a menor emissão de CO2 por tonelada de cimento produzida no mundo, tendo estado à frente desse indicador em mais de 20 dos 30 anos da série histórica.

Considerada uma atividade intensiva na emissão de gases de efeito estufa (GEE), a produção de cimento responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Entretanto, em função de ações que vêm sendo conduzidas há décadas pelo setor, bem como do próprio perfil de emissões nacionais, no Brasil essa participação é de quase um terço da média mundial – ou 2,3% – segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa.

“A agenda de carbono é o maior e mais importante compromisso com o meio ambiente já firmado pela indústria do cimento. Tanto que, há 20 anos, os maiores grupos cimenteiros do mundo se uniram para criar o que é hoje considerado o maior banco de dados de emissões de uma atividade industrial no mundo. Atualmente, esse banco de dados é abastecido por 48 empresas cimenteiras atuantes no mundo todo, cobrindo cerca de 850 unidades industriais”

(Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e da ABCP)

Mas esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáticas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Diante desse cenário, o setor tem inovado com o uso de tecnologias como o coprocessamento de combustíveis alternativos nos fornos das cimenteiras para substituição de um insumo intensivo em carbono: coque de petróleo, combustível fóssil usado na queima do calcário para se obter o clínquer, a principal matéria-prima do cimento.

Combustíveis renováveis

O setor de cimento também estabeleceu de maneira vanguardista suas metas em relação à redução dos seus níveis de emissão dos gases de efeito estufa e para isso pretende chegar em 2050 utilizando 55% de combustíveis renováveis de diversas fontes, tais como: resíduos urbanos sem reciclabilidade, lodo de esgoto, pneus inservíveis, agrícolas (casca de arroz, caroço do açaí, casca do babaçu) e resíduos industriais.

“Atualmente, a matriz energética já utiliza 26% de combustíveis alternativos, e tem conseguido reduzir gradativamente a cada ano sua dependência do coque de petróleo, combustível fóssil, altamente emissor e em sua grande parte importado, sujeito às variações constantes de preço do mercado internacional”, explica o presidente da ABCP e SNIC.

Para tanto, a indústria do cimento tem como meta a inovação e o desenvolvimento tecnológico, que visa oferecer um cimento de qualidade que atenda às necessidades crescentes do país. “Somado a isso temos o compromisso de atingir nossas metas de emissão, ao mesmo tempo que desempenhamos um papel relevante na destinação mais adequada dos diversos tipos de resíduos, muitas vezes descartados em locais impróprios quando poderiam ser reaproveitados dentro do processo produtivo em conformidade com a economia circular”, destaca o dirigente.

Coprocessamento

O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais e, principalmente, com as metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados. Ademais, colabora com o progresso dos níveis de reciclagem, com a recuperação de áreas contaminadas, além da redução de emissão do gás metano. “Com a tecnologia de coprocessamento, atuamos na redução das emissões de CO2 através do uso de diversas tipologias de resíduos, sendo a mais recente o CDRU (Combustível Derivado de Resíduos Urbanos) em substituição ao coque de petróleo – combustível mais utilizado no processo de fabricação de cimento”, destaca o presidente da ABCP/SNIC.

A atividade do coprocessamento atingiu sua melhor marca em 2021, desde o início das medições. Foram 2.408 milhões de toneladas de resíduos processados, sendo 44% de combustíveis alternativos, 48% a partir de biomassas e 8% de matérias-primas alternativas, segundo o Panorama do Coprocessamento 2022 (ano base 2021), divulgado pela ABCP. (Acesso aqui o estudo)

Já são 22.778 milhões de toneladas de resíduos coprocessados nos fornos de cimento de 1999 a 2021, ou seja, resíduos que deixaram de ser destinados a aterros e que foram transformados em energia ou que substituíram matérias-primas utilizadas pela indústria do cimento, preservando os recursos naturais em linha com a circularidade. A tecnologia já é utilizada no Brasil há mais de 25 anos em todo território nacional, contribuindo para uma economia de baixo carbono, com fontes renováveis e menor disposição em aterros.

 

Informações para Imprensa

>> Celso de Souza (11) 99193-1593 – celso.souza@fsb.com.br

>> Daniela Nogueira (11) 96606-4960 – daniela.nogueira@fsb.com.br