ABCP participa da Conferência da Mata Atlântica, em Curitiba

A convite da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável do Estado do Paraná e da ICLEI Brasil, associação mundial de governos locais dedicada ao desenvolvimento sustentável, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) participou em Curitiba, nesta terça e quarta-feira, da Conferência da Mata Atlântica 2025, que se realiza de 19 a 21 de agosto no Teatro Guaíra (abertura) e no Salão de Atos do Parque Barigui. Segundo os organizadores, o bioma abriga cerca de 70% da população brasileira, correspondendo a 145 milhões de pessoas, em 17 estados e 3.429 municípios.

Governadores presentes

Participaram do evento os governadores ou vices dos sete Estados do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) – Romeu Zema (MG), Eduardo Leite (RS), Renato Casagrande (ES), Cláudio Castro (RJ), Felicio Ramuth (SP), Marilisa Bohem (SC) e Carlos Massa Ratinho Junior (PR) – e representantes do Consórcio Brasil Verde, formado por 21 estados. A solenidade foi aberta pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e contou com a presença de Rafael Greca, secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável, Ana Tori, diretora executiva da COP30, e Clovis Zapata, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), além de outras personalidades.

Iniciativas pelo clima

O encontro trouxe a celebração de importantes iniciativas do poder público voltadas à sustentabilidade e ao combate à crise climática. O prefeito Eduardo Pimentel informou sobre o encaminhamento à Câmara de Vereadores de Curitiba da Lei Municipal do Clima e o secretário estadual Rafael Greca anunciou a criação do Banco Verde, concebido para incentivar projetos voltados à preservação da biodiversidade e mitigação da emissão de carbono. Também foi anunciada parceria da Prefeitura com a Unido para a criação de um fundo para financiamento de fábricas de biofertilizantes a partir de resíduos urbanos.

 

Cimento

A ABCP esteve representada por Daniel Matos, Head de Coprocessamento, que participou do Painel Redução de Emissões de Gases do Efeito Estufa, realizado na manhã desta quarta-feira, 20. O painel procurou analisar como a inovação tecnológica, a regulamentação ambiental eficiente e os mecanismos de financiamento climático podem ser articulados para impulsionar uma trajetória de desenvolvimento sustentável na Mata Atlântica. 

Daniel Matos contextualizou os importantes avanços da indústria brasileira do cimento na redução das emissões de GEE ao longo das últimas décadas, iniciativa reforçada e ampliada pelo Roadmap Net Zero, e apresentou casos representativos de descarbonização realizados por todas as empresas associadas da ABCP em todas as regiões do país. Ele destacou ainda a importância do coprocessamento de resíduos na estratégia de substituição energética para a produção de cimento e também para a redução de passivos ambientais gerados pela destinação inadequada.

Em sua palestra, Matos lembrou que em 2023 o setor atingiu o recorde no uso de combustíveis alternativos e biomassas (3,1 milhões de toneladas), o que corresponde a 32% da matriz energética, e com isso a indústria evitou a emissão de 3,36 milhões de toneladas de CO2. A meta é que os resíduos e as biomassas representem 55% da matriz energética da indústria até 2050, evitando a emissão de 55 milhões de toneladas de CO2. Para isso, o setor deve investir, até 2030, 3,5 bilhões de reais nas fábricas e plantas de tratamento do CDRU (combustível derivado de resíduos urbanos).

Setor de cimento avança em trajetória sustentável para zerar emissões até 2050

Representantes da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e do Instituto E+ deram início no dia 5 de fevereiro à atualização do Roadmap de Descarbonização para o setor de cimento.

A iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional de apoio a países em desenvolvimento para dar mais sustentabilidade a setores cujo processo produtivo é difícil de descarbonizar.

A parceria pretende dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo SNIC em 2023, junto à Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, em inglês), de atualizar o Roadmap que o setor lançou em 2019 para uma trajetória de neutralidade climática em 2050.

Para tanto, o Roadmap levará em consideração, além de soluções tecnológicas no processo produtivo, alternativas de descarbonização ao longo do ciclo de vida do produto que ajudem o setor a alcançar a neutralidade de emissões no Brasil até 2050. Embora o setor de cimento no país já registre um dos mais baixos índices de emissão de CO2 equivalente em comparação com padrões internacionais, há um compromisso crescente com a adoção de soluções que impulsionem a competitividade e a sustentabilidade.

Diante desse cenário, serão analisadas melhorias no processo produtivo e uso do produto, considerando barreiras regulatórias e financeiras e a incorporação de tecnologias inovadoras, como captura e armazenamento de carbono (CCS), combustíveis e matérias-primas alternativas, eficiência energética, uso de hidrogênio verde e produção de concreto de baixo carbono.

Entre as ações previstas estão o mapeamento de iniciativas já implementadas no Brasil, a identificação de fontes de financiamento nacionais e internacionais para viabilizar a modernização do setor e o desenvolvimento de uma plataforma digital para conectar projetos inovadores com oportunidades de investimento.

Essa iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional que apoia países em desenvolvimento na descarbonização de setores industriais de difícil descarbonização, como cimento e aço, por meio de assistência técnica e promoção de tecnologias inovadoras. Além disso, o estudo integra o escopo do Hub de Descarbonização da Indústria (ID Hub), plataforma coliderada pelo Brasil e pelo Reino Unido, que visa fomentar investimentos e parcerias para acelerar a transição da indústria para uma economia de baixo carbono. A UNIDO é responsável pela gestão do Secretariado do ID Hub, atuando para facilitar parcerias estratégicas.

A definição do Roadmap sustentável para a indústria de cimento deverá ser concluída em até 18 meses e contribuirá para que a indústria cimenteira brasileira se alinhe às metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, consolidando sua trajetória rumo à neutralidade de carbono.

Vale destacar que a descarbonização da indústria é uma prioridade para o Brasil, e o setor cimenteiro tem um papel estratégico nesse processo. Nesse sentido, a indústria está à frente dos debates na agenda climática, como uma das referências globais pela baixa emissão no seu processo produtivo, fruto de investimentos, majoritariamente ao longo das últimas duas décadas, em matérias-primas (adições) e combustíveis alternativos (coprocessamento), bem como na melhoria da sua eficiência energética. O setor é o primeiro no país a ter um Roadmap de Descarbonização e está atualizando suas bases para um Roadmap Net Zero 2050.

O setor está trabalhando junto com o governo na elaboração de metas setoriais (Plano Clima), contemplando tanto a descarbonização industrial quanto o crescimento econômico do setor para atender à demanda de infraestrutura e habitação, essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. O Plano Clima será concluído e divulgado pelo Governo Federal em 2025, ano da COP30 no Brasil.

Além disso, o setor lidera a agenda do programa Nova Indústria Brasil (NIB),  missões específicas voltadas à neoindustrialização do país. Uma delas, a Missão 5, contempla Descarbonização, Transição Energética e Bioeconomia. Nesse sentido, a inclusão do setor de cimento com destaque na Missão 5 representa marco fundamental para o fortalecimento da integração entre o desenvolvimento socioeconômico e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

UNIDO: setor de cimento inicia trajetória sustentável para zerar emissões até 2050

Representantes e especialistas da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e do Instituto E+ participaram no dia 05/02 da reunião de lançamento da atualização do roadmap de descarbonização para o setor de cimento, que levará em consideração tecnologias inovadoras capazes de zerar as emissões líquidas do setor de cimento no Brasil até 2050. A iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional de apoio a países em desenvolvimento para dar mais sustentabilidade a setores cujo processo produtivo é difícil de descarbonizar.

Embora o setor de cimento no Brasil já registre baixos índices de emissão de CO2 equivalente em comparação com padrões internacionais, há um compromisso crescente com a adoção de soluções que impulsionem a competitividade e sustentabilidade. Serão analisadas melhorias no processo produtivo, considerando barreiras regulatórias e financeiras, e a incorporação de tecnologias inovadoras, como captura e armazenamento de carbono (CCS), eficiência energética, uso de hidrogênio verde e produção de concreto de baixo carbono.

Entre as ações previstas estão o mapeamento de iniciativas já implementadas no Brasil, a identificação de fontes de financiamento nacionais e internacionais para viabilizar a modernização do setor e o desenvolvimento de uma plataforma digital para conectar projetos inovadores com oportunidades de investimento.

O secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg, enfatizou o papel do governo na coordenação dessa agenda: “A descarbonização da indústria é uma prioridade para o Brasil, e o setor cimenteiro tem um papel estratégico nesse processo. Com a construção deste roadmap, fortaleceremos as bases para uma transição sustentável e competitiva.”

Para o representante da UNIDO no Brasil, Clovis Zapata, a parceria com o setor é essencial para garantir um planejamento estratégico robusto e viável: “A UNIDO trabalhará em estreita colaboração com a indústria cimenteira e demais stakeholders para apoiar a implementação de soluções inovadoras e sustentáveis que posicionem o Brasil como referência na descarbonização do setor”, destacou.

O roadmap será elaborado com a participação do SNIC, entidade que representa o setor e contribuirá com dados e projeções para a construção de cenários realistas e viáveis. O presidente do SNIC e da ABCP, Paulo Camillo Penna, reforça a importância dessa iniciativa: “O desenvolvimento deste roadmap trará diretrizes fundamentais para que o setor possa avançar na redução de emissões sem comprometer a competitividade da indústria, garantindo um futuro sustentável e alinhado às metas climáticas.”

Essa iniciativa faz parte do Partnership for Net Zero Industry, programa internacional que apoia países em desenvolvimento na descarbonização de setores industriais de difícil descarbonização, como cimento e aço, por meio de assistência técnica e promoção de tecnologias inovadoras. Além disso, o estudo integra o escopo do Hub de Descarbonização da Indústria (ID Hub), plataforma coliderada pelo Brasil e pelo Reino Unido, que visa fomentar investimentos e parcerias para acelerar a transição da indústria para uma economia de baixo carbono. A UNIDO é responsável pela gestão do Secretariado do ID Hub, atuando para facilitar parcerias estratégicas.

A definição do roadmap sustentável para a indústria de cimento deverá ser concluída em até 18 meses e contribuirá para que a indústria cimenteira brasileira se alinhe às metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, consolidando sua trajetória rumo à neutralidade de carbono.

Fonte: UNIDO