Vendas de cimento iniciam o ano em alta

A indústria do cimento registrou um início de ano com desempenho de vendas favorável. A comercialização do insumo no país em janeiro totalizou 5,2 milhões de toneladas, um crescimento de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2024 e uma alta de 10% frente a dezembro último, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC).

 

 

Jornal da TV Thathi

O “Jornal da TV Thathi”, apresentado por Gabriela Leite diretamente dos estúdios da TV Thathi SBT em São José dos Campos-SP, traz em sua edição de 28/01/2025 matéria sobre o aumento das vendas do cimento em 2024, em relação a 2023, conforme relatório do SNIC. O presidente da ABCP e do SNIC foi entrevistado no programa.

Assista à matéria:

Vendas de cimento fecham 2024 em alta

As vendas de cimento em dezembro somaram 4,7 milhões de toneladas, um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2023, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor termina o ano de 2024, com um total de 64,7 milhões de toneladas de cimento vendidas, um aumento de 3,9%, ou seja, 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior. 

Vendas de cimento acumulam crescimento em novembro

As vendas de cimento registraram ligeira queda de 0,3% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2023, totalizando 5,4 milhões de toneladas. No acumulado do ano (janeiro a novembro), os números foram positivos, alcançando 60 milhões de toneladas, aumento de 4,0% comparado a igual período do ano passado.

Ao se analisar a comercialização por dia útil em novembro, de 255 mil toneladas, as vendas também são crescentes, com acréscimo de 5,5% sobre outubro deste ano e de 4,6% ante novembro de 2023. O desempenho é atribuído à melhora contínua do mercado de trabalho e renda da população, com a massa salarial atingindo o recorde da série histórica.

O aquecimento do mercado imobiliário, importante indutor no consumo de cimento, seguiu em expansão no terceiro trimestre, puxado pelo desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, responsável por 50% dos lançamentos e 44% das vendas no período. A comercialização de materiais de construção e o financiamento imobiliário também seguem em alta.

No entanto, apesar de o Brasil ter atingido o menor nível de desemprego da história em outubro, de acordo com o IBGE, o setor da construção civil vem encontrando dificuldade em preencher as vagas disponíveis. A escassez de mão de obra e o alto custo de contratação têm elevado salários, pressionado a inflação, com reflexos nos preços dos imóveis e na alta do INCC. Somados com o novo ciclo expansionista da Selic, a confiança da construção caiu em novembro para o menor nível desde abril deste ano.

Na mesma direção, a confiança da indústria também recuou pela terceira vez consecutiva em novembro, registrando a quarta queda do ano, devido à piora tanto na percepção do setor sobre a situação atual quanto nas expectativas para os próximos meses, influenciada pelo novo ciclo de alta na taxa de juros e pela questão fiscal.

A Selic em elevação aumenta a competição entre os ativos financeiros e os imobiliários, além de tornar o financiamento mais oneroso para o tomador de empréstimo, impactando diretamente o mercado imobiliário.

Com os recursos disponíveis para o financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo cada vez mais restritos, acende a necessidade de ampliar outras formas de funding para o crédito imobiliário, que possam atender à crescente demanda por habitação.

No cenário externo, a escalada do dólar gera incertezas para os próximos meses, gerando inflação e colocando pressão nos juros. No setor de cimento, o câmbio elevado traz uma preocupação com relação ao aumento de custos de produção, principalmente do coque de petróleo, fonte essencial para geração de energia no processo produtivo.

Para minimizar os impactos ambientais e a pressão dos preços do cimento, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. Nesse sentido, o setor tem investido e ampliado fortemente as tecnologias, como o coprocessamento de resíduos. A atividade, responsável pela transição energética, substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas.

Em 2022, o coprocessamento alcançou 30% de participação na matriz energética do setor, antecipando a meta prevista para 2025, o que mostra a disposição da indústria em avançar cada vez mais nessa agenda. Foram mais de 3,035 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, a maior marca da série histórica. A tecnologia evitou a emissão de quase 3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção, que envolvem o uso do coque de petróleo como combustível.

Venda de cimento cai em maio pressionada por enchentes no Sul

O desastre natural causado pelas fortes chuvas e inundações no estado do Rio Grande do Sul afetaram as vendas cimento no mês de maio. Em termos nominais foram comercializadas 5,3 milhões de toneladas, uma queda de 5,6% em comparação ao mesmo mês do ano passado. A comercialização do produto no acumulado dos cinco primeiros meses do ano somou 25,2 milhões de toneladas, um ligeiro aumento de 0,8%. A tragédia ambiental no Rio Grande do Sul influenciou também na queda da confiança do consumidor, diante dos impactos nas condições de vida dos cidadãos e incertezas em relação à economia local.

Apesar do índice de confiança da construção ter apresentado retomada em maio, disseminada pelos três grandes segmentos de atividade: Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados, será necessário acompanhar os efeitos secundários do desastre gaúcho nos próximos meses. O processo de reconstrução pode realçar a dificuldade na contratação de mão de obra qualificada.

A confiança da indústria continua avançando. A percepção sobre a demanda continua melhorando gradualmente, com os estoques se aproximando da normalidade. Há uma percepção positiva do ambiente de negócios para o segundo semestre, com o aquecimento no mercado de trabalho e alta da massa salarial.

Porém, cabe ressaltar que o índice não captou a danosa publicação da Medida Provisória nº 1.227, no dia 4 de junho, cujo efeito impacta diretamente a competitividade da indústria e o fluxo de caixa das empresas, pois limita e impossibilita a compensação de créditos tributários de PIS/COFINS. Essa medida vem na contramão das premissas do governo, prevista no programa Nova Indústria Brasil.

No entanto, ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 0,8% no primeiro trimestre de 2023 em relação ao trimestre anterior, a Construção caiu 0,5% em igual período, resultado da taxa de juros ainda elevada, que desafia o setor e traz reflexos diretos tanto para os financiamentos, quanto para os investimentos produtivos e no consumo da população.

Setor mantém a projeção de crescimento de consumo do cimento

O anúncio da retomada das contratações do Programa Minha Casa, Minha Vida para as famílias enquadradas na Faixa 1 (com renda mensal de até R$ 2.640), os investimentos dos estados em programas de habitação e a nova solução para financiamento imobiliário apresentada pelo governo, o FGTS Futuro, apontam uma perspectiva de melhora nas vendas de cimento para o segundo semestre.

Após registrar perdas de 3 milhões de toneladas nos anos de 2022 e 2023, a indústria brasileira do cimento mantém a projeção de crescimento de consumo do produto estimada em 2% para este ano, com um acréscimo aproximado de 1,2 milhão de toneladas.

Programas como Minha Casa, Minha Vida podem impulsionar o uso do cimento em obras habitacionais. Isso porque os sistemas construtivos à base de cimento, como parede de concreto e alvenaria estrutural com blocos de concreto, destacam-se pela economia, qualidade, agilidade e competitividade, e também ao trabalho que a indústria brasileira do cimento tem feito, em parceria com outras entidades da cadeia produtiva, de engajamento e capacitação dos profissionais e empresas da construção civil.

Há ainda avanços em projetos de infraestrutura, sinalizados pelo governo, e no desenvolvimento urbano, na área de saneamento.

No entanto, para avançar é necessário que haja uma efetiva retomada nos investimentos em infraestrutura. Apesar de o volume aportado pela iniciativa privada e pelo poder público no setor ter evoluído, ainda é insuficiente para superar os gargalos, principalmente no setor de transportes e logística, que afeta a competitividade brasileira.

Nesse sentido, a indústria do cimento tem contribuído para a recuperação das principais rodovias das regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste com o pavimento de concreto.  Além de ser uma solução mais econômica e sustentável, apresenta uma longa durabilidade, que pode ultrapassar 30 anos, e consequentemente a redução dos custos com manutenção. As vantagens do sistema construtivo incluem ainda a redução do consumo de combustível e pneus e a diminuição do número de acidentes.

Em relação aos investimentos previstos em rodovias, vale lembrar que o Brasil possui 1.721.000 quilômetros de estradas e rodovias, o que faz do país o dono da quarta maior malha rodoviária do mundo. Por outro lado, há um dado que assusta: somente 12,4% da malha viária é pavimentada.

O setor vê o uso crescente de cimento e de concreto à medida que os governos de alguns estados (como Santa Catarina, Paraná, Goiás, Maranhão) e também do Distrito Federal adotam mais o pavimento rígido na pavimentação de estradas e avenidas.

Na esfera federal, a maior expectativa se volta para a aprovação do Sistema Brasileiro de Comércio e Emissões e a regulamentação da Reforma Tributária. Questões como o tratamento específico para a construção civil, incorporação e tributação do concreto, bem como precificação de carbono, são preocupações centrais do setor.

Venda de cimento tem alta de 3,9% em fevereiro

As vendas de cimento em fevereiro de 2024 somaram 4,6 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 3,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Se comparado a janeiro, há um recuo de 4,1%.

A venda por dia útil – indicador que considera o número de dias trabalhados, que têm forte influência no consumo de cimento – foi de 219,8 mil toneladas em fevereiro, 0,8% menor em relação ao mesmo mês do ano anterior e 1,3% inferior ante o acumulado no ano.

Os principais indutores do desempenho foram as perspectivas mais favoráveis no mercado de trabalho, com aumento da massa salarial e expansão do emprego formal, e a uma forte retomada dos lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, iniciada no segundo semestre de 2023.

Mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, o salário dos trabalhadores ainda permanece numa recuperação lenta, com valores reais inferiores aos apresentados em 2020, quando havia o auxílio por conta da pandemia. O baixo poder de compra da população reflete também na queda das vendas dos materiais de construção e lançamentos imobiliários.

Ainda que o cenário seja desafiador, a indústria brasileira de cimento segue moderadamente otimista com a aprovação da Reforma Tributária e sua regulamentação, a redução da Selic, o controle da inflação e a retomada de obras de infraestrutura e habitação do programa Minha Casa, Minha Vida. Fatores esses que levam o setor a manter a projeção de crescimento de consumo do produto, estimada em 2% para este ano, com um acréscimo aproximado de 1,2 milhão de toneladas, insuficiente para recuperar as perdas de 3 milhões de toneladas registradas nos anos de 2022 e 2023.

Indústria do cimento apresenta leve recuperação

As vendas de cimento em fevereiro de 2024 totalizaram 4,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2023, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o setor apresentou leve alta de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Venda de cimento no Brasil recua 2,4% em janeiro

O primeiro mês de 2024 terminou com um recuo de 2,4% nas vendas de cimento, totalizando 4,8 milhões de toneladas. Sobre o volume vendido em dezembro de 2023, houve um incremento de 5,9%. As vendas por dia útil somaram, em janeiro, 198,6 mil toneladas, queda de 2,1% ante o mesmo mês de 2023 e leve recuo de 0,6% sobre dezembro.

No acumulado dos últimos 12 meses, foram comercializadas 61,67 milhões de toneladas de cimento no Brasil, queda de 2% sobre o período anterior. Ainda que as vendas de janeiro do ano passado registrassem uma base forte, o resultado de agora sinaliza que o fraco desempenho em 2023 persiste no início de 2024.

O setor segue impactado pelos juros e pelo endividamento elevados, que exercem pressão na situação financeira e no consumo das famílias. Apesar do controle da inflação e da resiliência do mercado de trabalho, houve um aumento da informalidade e o salário dos trabalhadores ainda permanece numa recuperação lenta, com valores reais estagnados há quatro anos.

O mercado da construção continua em queda, tanto na venda de materiais, quanto no número de lançamentos imobiliários. No entanto, o índice de confiança do setor manteve-se relativamente estável. O segmento de infraestrutura ficou menos otimista, enquanto o de edificação residencial mostrou maior confiança, impulsionado, principalmente pelas boas perspectivas com o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Há uma efetiva movimentação da equipe governamental para acelerar as contratações do MCMV e impulsionar o programa. De qualquer forma, o reflexo dessas mudanças deve ser sentido na demanda de cimento e de materiais de construção apenas no segundo semestre.

Ainda que o cenário do ano seja incerto, a indústria do cimento segue otimista com a retomada dos investimentos em infraestrutura e com a possibilidade de elevar a presença do cimento e do pavimento de concreto como opção nas licitações de ruas, estradas e rodovias. Fatores como esses levam a uma projeção de crescimento de consumo do produto estimada em 2% para este ano, um acréscimo aproximado de 1,2 milhão de toneladas.

Indústria de cimento prevê crescimento de 2% em 2024

Depois de dois anos consecutivos de queda, a indústria brasileira do cimento espera crescer até 2% em 2024, em parte devido aos avanços em projetos de infraestrutura, já sinalizados pelo governo, e ao desenvolvimento urbano, principalmente nas áreas de habitação e saneamento.

Com referência ao setor habitacional, o sistema construtivo Paredes de Concreto é uma solução para programas como o Minha Casa, Minha Vida, por trazer como benefícios, além da qualidade, a padronização e a velocidade de construção – três vezes mais ágil do que o sistema convencional, permitindo às construtoras utilizarem a tecnologia em empreendimentos com prazos apertados e alta repetitividade.

Em relação aos investimentos em infraestrutura, especialmente no sistema viário, o setor vê o uso crescente de concreto, uma vez que alguns governos estaduais têm incrementado o uso do pavimento rígido em estradas e avenidas.

No que tange à aplicação e uso de soluções para as cidades, a indústria do cimento segue apoiando os municípios brasileiros com sistemas construtivos que atendam às necessidades locais por infraestrutura e tragam melhorias para a mobilidade urbana, saneamento, espaços públicos e habitação.

O Hub de Inovação e Construção Digital (hubIC), uma parceria da indústria do cimento com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), está focado no desenvolvimento de projetos de cimentos, concretos e sistemas construtivos mais eficientes e de menor pegada ambiental. Uma das inovações é o uso de uma impressora 3D utilizando concreto para construir cômodos ou até mesmo casas e prédios inteiros. O próximo desafio está marcado para março, com a entrega de uma cozinha completa de concreto.

A perspectiva para 2024 é positiva. O crescimento da massa salarial e o aumento do crédito proveniente do início da flexibilização monetária e de programas como o “Desenrola” e o Marco Legal das Garantias de Empréstimos podem impulsionar a atividade. A inflação está cedendo e apresenta viés de baixa, permitindo ao Banco Central manter as reduções da taxa de juros.

Os preços das commodities pararam de subir, embora permaneçam altos, e podem estimular a atividade econômica, além de melhorar a arrecadação do governo sem pressionar a inflação.

O setor de saneamento prevê a retomada das concessões e a expectativa é de investimentos de R$ 27 bilhões em 2024. Já no setor habitacional, caso se confirme a previsão de o programa MCMV entregar mais de 500 mil unidades no ano, a demanda por cimento seria da ordem de 2,5 milhões de toneladas.

As projeções do SNIC apontam, portanto, para um incremento no consumo de cimento, desde que se efetivem programas com ênfase na habitação, saneamento e logística, entre outros, recuperando parte das perdas acumuladas pelo setor nos dois últimos anos.