A utilização do concreto nas rodovias brasileiras ainda é proporcionalmente pequena diante da dimensão da rede, mas vem crescendo rapidamente. Segundo informações divulgadas pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) com base em dados apresentados pelo DNIT, o pavimento de concreto já representa aproximadamente 4,5% da malha rodoviária pavimentada, ante cerca de 2% seis anos antes. A perspectiva apresentada pelo setor é alcançar 10% até 2030.
Em 2024, por exemplo, havia oito projetos federais sendo executados em concreto, totalizando aproximadamente 673 km, particularmente nas regiões Norte e Nordeste. Desde 2021, a ABCP também prestou apoio técnico relacionado a mais de 800 km de obras nessas regiões.
O potencial é muito superior ao market share atual porque o mercado do concreto não se limita à implantação de rodovias novas. Ele compreende: novas rodovias e contornos viários; duplicações; corredores com elevado volume de veículos comerciais; acessos portuários, industriais e logísticos; recuperação estrutural de rodovias asfaltadas por whitetopping; vias urbanas de tráfego pesado; corredores de ônibus; terminais logísticos, portos e aeroportos.
A tendência é também de maior presença nos programas de concessões. Em julho de 2026, levantamento reproduzido pela ABCP registrou que, embora o maior volume de aplicações ainda estivesse relacionado à manutenção e recuperação de pistas, novos trechos integralmente em concreto começavam a ganhar espaço nos projetos de concessão.
Esse crescimento é particularmente relevante em corredores sujeitos a tráfego pesado e canalizado, nos quais o custo inicial não deve ser o único indicador de decisão. A comparação econômica tende a ser mais adequada quando considera custo total do ciclo de vida — implantação, conservação, intervenções futuras, operação da via e impacto das paralisações sobre os usuários.
Importante avaliar o ciclo de vida
O avanço do pavimento de concreto não deve ser entendido como uma substituição indiscriminada de todas as soluções asfálticas. Cada empreendimento possui condições próprias de tráfego, solo, materiais, disponibilidade de equipamentos, clima e orçamento. Por isso, o avanço tecnicamente mais consistente está em comparar alternativas desde a etapa de projeto, utilizando o desempenho estrutural, a vida útil esperada, a manutenção, os custos aos usuários, a disponibilidade de materiais e os impactos ambientais – ou seja, todo o ciclo de vida da solução.
Nesse modelo de decisão, o pavimento de concreto é uma opção bastante competitiva e vantajosa para corredores de tráfego intenso e pesado, duplicações, novas concessões e recuperação estrutural de rodovias deterioradas. A expansão de aproximadamente 4,5% para uma participação projetada de 10% da malha pavimentada até 2030 mostra que essa transformação já começou.
