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INDÚSTRIA
Construindo o Brasil
A infraestrutura instalada da centenária indústria brasileira de cimento (a primeira fábrica surgiu em 1926) constitui uma das mais abrangentes e estratégicas bases industriais do país, garantindo o abastecimento de um insumo essencial para a construção de moradias, obras de infraestrutura, saneamento, mobilidade e desenvolvimento urbano. O setor mantém uma ampla distribuição geográfica de suas unidades produtivas, permitindo atender com eficiência às diferentes regiões brasileiras.
Atualmente, o parque industrial é composto por 94 fábricas, controladas por 23 grupos empresariais, com capacidade instalada de 109,3 milhões de toneladas por ano. Essas unidades estão distribuídas por 81 municípios localizados em 23 estados brasileiros, o que confere ao setor elevada capilaridade e reduz a dependência de longos deslocamentos para o fornecimento do produto.
Em 2025, a indústria produziu 67,3 milhões de toneladas de cimento, praticamente o mesmo volume do consumo aparente nacional (67,2 milhões de toneladas), demonstrando sua capacidade para atender integralmente à demanda interna. Essa estrutura proporciona segurança no abastecimento para projetos de habitação, infraestrutura de transportes, saneamento, energia e demais investimentos públicos e privados.
Números favoráveis
A relevância da indústria também se reflete na economia do país. O setor mantém aproximadamente 85 mil empregos, sendo 20 mil deles diretos, altamente qualificados e distribuídos em diversas regiões do país. Além disso, movimenta uma extensa cadeia produtiva formada por mineração, transporte, equipamentos industriais, energia, serviços especializados e construção civil, multiplicando seus impactos sobre a economia nacional.
Essa infraestrutura industrial é resultado de investimentos realizados ao longo de quase um século de atividade no Brasil e constitui um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional. A ampla presença territorial das fábricas assegura maior competitividade logística, reduz custos de transporte, fortalece economias regionais e permite que a indústria responda rapidamente às demandas decorrentes de programas habitacionais, concessões de infraestrutura e obras públicas em todas as regiões do país.
Paralelamente, o setor vem investindo continuamente na modernização de suas plantas industriais, no aumento da eficiência energética e na redução das emissões de carbono, consolidando-se como um importante parceiro das políticas de desenvolvimento sustentável e da expansão da infraestrutura brasileira.
Uma trajetória de inovação
A indústria brasileira do cimento consolidou, ao longo das últimas décadas, uma trajetória contínua de inovação tecnológica voltada à redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Muito antes de a descarbonização integrar a agenda global, as empresas do setor já investiam em melhorias de processo, aumento da eficiência energética, utilização de matérias-primas alternativas e desenvolvimento de novos tipos de cimento com menor intensidade de carbono.
Essa evolução está apoiada em quatro grandes eixos. O primeiro é a redução do fator clínquer, por meio da incorporação de adições minerais, como escórias de alto-forno, pozolanas, fíler calcário e outros materiais suplementares. Como o clínquer é a etapa do processo responsável pela maior parcela das emissões de CO₂, a sua substituição parcial permite produzir cimentos de menor pegada de carbono sem comprometer o desempenho técnico e a durabilidade das estruturas.
O segundo eixo consiste na substituição progressiva dos combustíveis fósseis (como o coque de petróleo) por combustíveis alternativos provenientes de biomassas e resíduos industriais ou urbanos preparados para uso energético. Essa estratégia reduz o consumo de recursos não renováveis, diminui as emissões associadas ao processo produtivo e contribui para o aproveitamento ambientalmente adequado de resíduos que, de outra forma, seriam destinados a aterros.
O terceiro eixo refere-se aos investimentos permanentes em eficiência energética, envolvendo a modernização dos fornos, sistemas de moagem, automação industrial, recuperação de calor, otimização operacional e utilização de equipamentos de menor consumo térmico e elétrico. Essas melhorias permitem produzir mais cimento com menor consumo de energia e menor intensidade de emissões.
Por fim, a indústria investe no desenvolvimento de tecnologias inovadoras e disruptivas, entre elas a captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS – Carbon Capture, Utilization and Storage), além da eletrificação de processos, uso de hidrogênio de baixo carbono e novos ligantes cimentícios. Embora parte dessas tecnologias ainda dependa de escala industrial e de condições regulatórias e econômicas favoráveis, elas representam componentes fundamentais da estratégia de longo prazo para alcançar emissões zero. Essas quatro frentes de inovação constituem a base tecnológica da transição da indústria brasileira do cimento para uma economia de baixo carbono.
Pioneirismo e liderança
A indústria cimenteira nacional foi um dos primeiros setores industriais do país a estabelecer uma estratégia estruturada de longo prazo para a descarbonização. Em 2019, lançou o Roadmap Tecnológico do Cimento, elaborado em parceria com instituições nacionais e internacionais, identificando os principais caminhos para reduzir as emissões do setor. Posteriormente, essa iniciativa evoluiu para o Roadmap Net Zero 2050, alinhado às diretrizes da Global Cement and Concrete Association (GCCA) e aos compromissos internacionais de enfrentamento das mudanças climáticas e busca da neutralidade de carbono.
O novo Roadmap amplia significativamente sua abordagem. Em vez de considerar apenas o processo produtivo do cimento, incorpora toda a cadeia de valor, contemplando o clínquer, o cimento, o concreto, os sistemas construtivos, a recarbonatação natural do concreto ao longo de sua vida útil, a eletrificação de processos e as tecnologias de remoção e compensação de carbono. A indústria entende que não existe uma solução única para alcançar a neutralidade climática, mas sim um conjunto integrado de tecnologias, políticas públicas, inovação e cooperação entre indústria, academia e governos.
Nesse contexto, o coprocessamento assume papel estratégico. Os fornos de cimento possuem condições técnicas capazes de promover a destruição segura e completa de diversos resíduos industriais e urbanos, utilizando seu conteúdo energético como substituto dos combustíveis fósseis e incorporando parte dos minerais presentes nesses resíduos à própria composição do clínquer, sem geração adicional de rejeitos.
Essa tecnologia transforma a indústria do cimento em um importante agente da economia circular, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis e evitando a disposição de resíduos em aterros. Vale lembrar que o fortalecimento do coprocessamento depende da ampliação da infraestrutura de tratamento de resíduos, de marcos regulatórios modernos e da integração entre políticas ambientais, energéticas e de gestão de resíduos sólidos. Sua expansão representa uma oportunidade para acelerar a descarbonização industrial brasileira.
Do cimento de baixo carbono à construção digital
A contribuição da indústria brasileira do cimento para a descarbonização não se limita ao processo industrial. O setor também atua como indutor da inovação nos sistemas construtivos, apoiando o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir o consumo de materiais, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade das obras e diminuir as emissões ao longo da vida útil das edificações e da infraestrutura.
Em parceria com universidades, centros de pesquisa, empresas e entidades técnicas, a indústria investe continuamente no desenvolvimento de novos concretos, pavimentos de maior durabilidade, soluções pré-fabricadas, sistemas racionalizados, estruturas mais eficientes e materiais de menor pegada de carbono. Essas inovações permitem construir obras mais duráveis, reduzir custos de manutenção e ampliar a vida útil dos ativos de infraestrutura, gerando benefícios econômicos e ambientais para a sociedade.
Entre as tecnologias emergentes destaca-se a impressão 3D em concreto, desenvolvida no âmbito do hubIC, projeto de parceria da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e da USP (Universidade de São Paulo). Vista como uma das principais transformações da construção civil nas próximas décadas, a tecnologia é baseada em processos digitais e automatizados, possibilitando fabricar elementos construtivos com elevado grau de precisão e reduzido desperdício de materiais, consumo de formas, geração de resíduos, tempo de execução e retrabalho.
A indústria participa desse processo apoiando projetos de pesquisa, inovação e disseminação de conhecimento. Integrar inovação industrial, economia circular, transformação digital e novos sistemas construtivos é o caminho adotado pela indústria nacional em direção à descarbonização da economia.
Você sabia?
Quanto custa e quanto consome de energia uma fábrica de cimento?
A produção de cimento é uma atividade industrial integrada, que envolve mineração (lavra e beneficiamento do calcário) e industrialização do produto. A implementação de uma fábrica com capacidade de produção de 1 milhão de toneladas por ano custa cerca de US$ 300 milhões e sua produção anual consome cerca de 100 GWh, o equivalente ao consumo de uma cidade com 200 mil habitantes no mesmo período.
A despeito disso, o setor brasileiro é reconhecido internacionalmente por sua liderança em sustentabilidade. Embora seja intensiva em consumo energético, pois o processo produtivo demanda enorme quantidade de energia para manter a temperatura do forno em até 1.450°C, a indústria nacional possui uma das menores emissões de carbono por tonelada de cimento produzida no mundo.
Qual é o nível de emissões de GEE da indústria brasileira de cimento?
Entre 1990 e 2023, a indústria brasileira reduziu suas emissões específicas em 17%, passando de 700 para 578 kg de CO₂ por tonelada de cimento, valor inferior à média mundial (598 kg CO₂/t). Neste mesmo período, a indústria nacional conseguiu reduzir sua intensidade térmica em 13%, passando de 4.214 MJ/t de clínquer para 3.675 MJ/t de clínquer. Em 2024, 30% da matriz energética do setor já era composta por combustíveis mais sustentáveis. No mesmo ano, foram coprocessadas 2,928 milhões de toneladas de resíduos, evitando a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ e contribuindo para a economia circular.
Como a indústria do cimento pode ajudar o Brasil a resolver seus problemas?
A despeito da grande produção habitacional das últimas décadas, o país ainda possui um déficit de moradias estimado em 6 milhões de unidades. Cerca de 90 milhões de pessoas não têm acesso a coleta e tratamento de esgoto – apenas 62% da população é atendida neste quesito. E cerca de 34 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a água encanada.mNa infraestrutura, o Brasil possui a quarta maior malha rodoviária do mundo, com 1,72 milhão de quilômetros, porém apenas 12,4% das vias são pavimentadas e 57% encontram-se em condições regular, ruim ou péssima. A indústria nacional de cimento possui conhecimento técnico e soluções que oferecem qualidade e durabilidade a todas essas demandas do país.